... não vê coração.
A resposta veio logo, meu pai havia convidado os vizinhos para almoçar em casa, um almoço de boas vindas. Para piorar, Baskiah não estava em casa. Eu estava sozinho.
- Ellie! – disse minha mãe – Esses são nossos novos vizinhos.
Eu não consegui dizer nada.
- Seu filho é lindo! Parece um anjo. – disse a mãe de Malcon sorrindo de forma simpática.
- Obrigada! O seu filho também é muito bonito.
- Acho que somos bons reprodutores, não é, doutor? – disse o pai de Malcon orgulhoso de si mesmo.
- Acho que eles puxaram a beleza de nossas esposas, isso sim. – disse meu pai.
Todos riram. E minha mãe apresentou Malcon para mim.
- Filho, você pode jogar vídeo game com Malcon até o almoço ficar pronto.
Eu arregalei os olhos assustado. Notei que Malcon estava com um sorriso de canto de boca enquanto me olhava, um sorriso maldoso, como se aquele fosse um ótimo momento para me torturar de alguma forma.
Eu tive que concordar, apesar do medo que eu estava sentindo. Eu apenas acenei para ele me seguir e subimos as escadas.
No corredor que levava até o meu quarto, eu resolvi abrir o jogo e acabar com o clima tenso:
- Você deve se lembrar de mim, não é? Eu esbarrei em você no lago e você não foi nada legal comigo.
- Claro que me lembro. – disse naturalmente. – Onde está seu amigo, aquele tri feinho?
- Você está falando do Baskiah? Ele está na casa da mãe dele hoje.
- Então ele não mora com você?
- Mora. – eu disse achando estranho a curisidade de Malcon. – Mas as vezes ele vai visitar a mãe dele. Por quê?
Na hora imaginei que Malcon também nos observava da casa dele e isso foi estranho.
Ele não respondeu, simplesmente me pegou pelo braço e me encostou na parede com força.
Tomei um susto enorme! Ele só estava esperando me pegar sozinho para me bater, pensei.
Fiquei em choque. Eu ia chamar ajuda, quando, de repente, Malcon me beijou na boca. Eu não consegui resistir ao beijo, mas caí na real uns segundos depois.
- O que você está fazendo?! – perguntei sussurrando pra ninguém ouvir.
- Nada. Apenas queria sentir sua boca. – disse Malcon também sussurando. – Sei que quer o mesmo.
Me dei conta de que o Malcon da minha imaginação existia de verdade! Mas o beijo era bem melhor que na minha imaginação.
- Você é louco? – indaguei surpreso. – E se eu não o quisesse?!
- Ruf! – zombou.- Eu teria que matá-lo.
- O quê?!
- É brincadeira. – disse rindo. – Eu estou pensando em você desde o dia que o vi pela primeira vez no lago. Então tive que arrisacar. Ou você me beijaria ou me bateria...
- Você é mesmo louco! O seu jeito de gostar é bem estranho, não acha? Você me chamou de imbecil, lembra?
- Eu não te chamei de imbecil.
- Chamou sim!
- Foi de idiota.
Eu fiquei sem graça e ele riu de mim. Acabei achando graça também e rimos juntos.
- Eu também fiquei pensando em você, mas achei que você me odiasse... Nunca imaginei que você sentisse o mesmo por mim. – eu disse sentindo meu corpo tremer de nervosismo.
- Parece que o destino nos colocou frente a frente de novo. – ele disse sorrindo.
Era outro Malcon, igual ao avatar que eu havia criado na minha imaginação. Para minha surpresa Malcon sentiu-se igualmente atraído por mim aquele dia no lago.
Nesse dia, tudo mudou entre nós, fomos para o meu quarto e Malcon me beijou de novo. Parecia um sonho ter aquele momento com ele. E ao invés de jogarmos vídeo game, fomos dar uns amassos na cama.
Foi quando aprendi o quão gostoso era fazer sexo oral. Malcon era bem experiente naquilo, mas na hora isso não me ocorreu. Ele era mais sensual e viril que em minha imaginão. Foi um momento de intensa adrenalina porque eu estava na minha casa, com meus pais e os pais de Malcon no andar de baixo.
Depois do orgasmo ele disse que era melhor terminar alí, outro dia ele me ensinaria outras coisas. E eu fiquei muito ansioso para aprender mais.
Ficamos no quarto até que fomos chamados para almoçar. Eu estava num nirvana durante o almoço todo.
Até que Malcon foi embora com seus pais. Nos despedimos à porta como se nada tivesse acontecido.

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