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The Weight of S

“O Sopro da Primeira Chama” Parte 2

“O Sopro da Primeira Chama” Parte 2

Jul 30, 2025

Com as pernas cansadas e os ombros dormentes, Hiro empurrou as portas da guilda. Um ar quente e barulhento o recebeu. Vozes familiares, o som de moedas tilintando, e o aroma misto de cerveja e refeições sendo preparadas. O burburinho dos aventureiros em conversas e preparativos parecia distante demais daquele silêncio sufocante que deixaram para trás. 

    — Mark... — Hiro encarava o homem rinoceronte que o recebia de braços cruzados. Nos ombros, o peso de Naomi desacordada era mais que físico, era a responsabilidade que ele sentia apertar em seu peito. 

   — Viva? — Mark tirou Naomi de suas costas, mas, por algum motivo, aquele peso todo ainda parecia o esmagar. 

   — Viva, Mark... — Hiro sorriu meio irônico. — Para meu azar, ela ainda está viva. — E, sem cerimônia, roubou uma bebida da mesa ao lado. 

— Como é que você falava mesmo? — Uma voz surgiu com tom irônico nas escadas — “Nada melhor do que um banho de realidade”. 

— Você não sai do meu pé, não é chulé? — O rapaz virava outro copo de hidromel que claramente não lhe pertencia. 

— Senhor Bertrand... — Caroll começou, com um sorriso meio orgulhoso, mas hesitante com os braços escondidos atrás das costas. — Você fez um belo trabalho hoje, sabia? 

— Um passarinho me disse que deixou todo o pagamento para a garota. — Ela fez uma pausa com o rosto enraivecido disfarçado de sorriso. — Como pretende pagar o que me deve deste jeito?! 

— Não sei, que tal uma noite de prazer? — Hiro coçou a nuca, sem graça. 

    O silêncio que se seguiu foi constrangedor. Toda a guilda ficou em choque, a música parou, os que passavam na rua até mesmo entraram para ouvir. 

    Caroll permaneceu parada, o sorriso congelou no rosto, mas uma veia pulsava em sua testa. Ela piscou devagar, duas vezes. 

— Senhor Bertrand... — Disse ela, com uma calma assustadora. — Você quer morrer pobre e virgem? 

— Aposto cinco moedas que ele vai levar um tapa.  —  O velho bardo sussurrou para outro homem, surgindo uma grande onda de apostas. 

— Homem Hiro dormir com garota! — Gritava Mark ao lançar dez moedas sobre a mesa.  

    E dois segundos depois, PÁ! O som ecoou pela guilda. 

— Posso me acostumar com isso... — O aventureiro levou a mão ao rosto, tropeçando para trás. 

— EI! Isso não é maneira de tratar um Rank S! — Gritou alguém em meio a toda aquela bagunça. 

— Ah, me desculpe... eu achei que fosse só um pervertido com insônia crônica — Retrucou Caroll, já voltando a sorrir com elegância. 

   A guilda gargalhou, mas Hiro não. O som parecia distante, abafado. Quando Caroll sussurrou algo em seu ouvido, ele apenas acenou. (...) 

— Ainda assim... foi gentil da sua parte deixar a recompensa para ela. 

— Tsc. — O rapaz estalou a língua, com um sorriso torto 

    A garota virou de costas, fazendo um gesto preguiçoso com a mão. — Agora vá descansar, herói. Vai me deixar mal-acostumada se continuar sendo gentil desse jeito. 

    Ele observou enquanto ela voltava para seu balcão, radiante, como se tudo tivesse sido mais uma cena romântica e inofensiva de fim de missão, mas não havia graça.  

    Ainda com o rosto ardendo do tapa e o peso da memória nas costas, o rapaz deu um último olhar ao salão da guilda, todos voltaram à música, às bebidas e risadas. Como se nada tivesse acontecido. Como se fosse fácil.  

— Heroi... — Silencioso, ele saiu pelas portas da guilda e seguiu pela rua principal, com as mãos nos bolsos e o cansaço sob os ombros. 

    O céu já escurecia os aplausos haviam parado, o burburinho da cidade também. Agora, restava apenas o eco dos próprios passos arrastados pelas pedras da rua, aos lados, janelas iluminadas e outras já escurecidas, apenas a calmaria da cidade contrastando com a bagunça de sua mente. 

    A porta da sua casa, uma simples construção no fim de uma viela esquecida, rangia como sempre. O interior estava mergulhado em sombras. Nenhuma vela acesa. Nenhum som de boas-vindas. 

— Lar... doce lar. — Murmura, com ironia, chutando um frasco de poção vazia. 

   O rapaz acendeu uma vela, a luz fraca revelou rachaduras, manchas no teto, e uma foto empoeirada virada de cabeça para baixo sobre a mesa. Ele a pega com dois dedos, hesita por um segundo, e então apenas a vira de novo de frente para a parede. 

— Por que me encara deste jeito? — Hiro ria alto com as mãos sobre a nuca. — Hoje foi um dia bom, mamãe. 

    O herói sentou-se no chão, tirando suas botas desgastadas, a cama pareceu mais fria, o teto, mofado e repleto de umidade, aparentava querer cair sobre sua cabeça. 

— Ela realmente ia levar uma baguette?  — Riu novamente puxando de sua mochila um dos pães que Naomi carregava. 

— Jantar digno de um S. — Ele dá uma mordida. 

    Do lado de fora, a chuva caia levemente. Pingos batiam no telhado com força, revelando as goteiras no canto do quarto. Mas Hiro continuou ali, imóvel, ainda com um sorriso no rosto. 

— Quem diria... — E ali, naquele espaço que mal merece ser chamado de morada, Hiro fecha os olhos. Sozinho. 

... 

 

    O sol da manhã filtrava-se timidamente pelas frestas da janela quebrada, espalhando um brilho pálido pelo quarto simples e bagunçado. O ar fresco carregava o cheiro da chuva da noite anterior, misturado com o leve aroma de ervas secas que ainda repousavam sobre a mesa. 

    De repente, um som suave, mas familiar, quebrou o silêncio. A pequena slime rosa, esquecida para trás, saltitava sobre o chão próxima aos pés da cama, brilhando com uma energia calma e constante. Em seu interior, algo pulsava, o brilho de uma pequena placa de metal. 

    Hiro abriu os olhos surpreso, mas sentindo o peso do cansaço. Seus dedos, ainda hesitantes, tocaram a superfície fria do brasão platinado que repousava sobre a criatura. 

— Não... pode ser... — O rapaz a encarou por poucos segundos, a slime novamente saltitou, demonstrando entender seu sentimento. 

— V-VOCÊ COMEU TODO O PÃO?! — Gritou agora com ela em suas mãos em tentativas falhas de beliscá-la.  

— Burp... Blunp... — A slime olhou para os lados com desprezo como se o chamasse de idiota. 

— ERA O MEU CAFÉ DA MANHÃ... seu... bolinho de gosma? — Ela apenas fez um som satisfeito, inflando o corpo como se dissesse “e daí?”. 

— Tsc... — Soltou-a novamente sobre o colchão. — Você venceu. —  Mas esse brasão... 

    Ele olhou novamente para o metal platinado, e o peso daquela peça o atingiu como uma lâmina. Naomi. O presente dela. Um aperto surgiu em seu peito, substituindo a raiva passageira por um desespero instantâneo. 

— Merda, a guilda! — Murmurou, levantando-se rápido demais. Sua vista escureceu. 

— Ploc...Glurp...? — O animal o encarou sem entender nada. 

— Sim, eu esqueci dela... — Hiro pôs a mão sobre a testa. A slime saltitou até o seu ombro grudentamente, como se quisesse participar da missão. 

— Certo! você pode vir. — O homem resmungou, mas um leve sorriso escapou. — Vamos precisar de uma isca para os predadores mesmo. 

    Ele pegou o casaco surrado, vestiu as botas ainda úmidas e abriu a porta com força, ela se soltou. O sol da manhã invadiu a casa velha, quase cegando seus olhos. 

— Escuta aqui gelatina radioativa. — Ele afirmou bem os cadarços. — Você está prestes a ver o que ninguém teve chance! 

    A criatura o encarou de cima de sua cabeça, ainda sem entender nada. 

— Ehe. — Sorriu empolgado. Enquanto a slime começava a demonstrar arrependimento. 

— Sai da frente que eu tô Indo. — Ajeitou sua pose para a de um velocista prestes a dar a largada.  — Habilidade única — Ele deu uma pausa dramática. 

— Correio Expresso Rank S! — O chão quase estremeceu. Hiro impulsionou o corpo para frente, e em menos de um segundo, já não estava mais lá. 

    As botas bateram no parapeito da casa vizinha, e ele saltou para o telhado seguinte com um THUMP! que assustou alguns moradores. 

— Hahaha! É ISSO! — Gritou, deixando o vento chicotear o cabelo bagunçado. 

    A slime, agarrada ao seu ombro, quicava feito uma mochila de geleia em pânico. Ela parecia gritar com seu corpo gelatinoso enquanto Hiro deslizava de um telhado para outro, quase escorregando. Ele mal ligava.  

   A cada passo contra as telhas, o som ecoava pela manhã silenciosa da vila. Crianças apontavam da rua, velhinhas corriam para salvar as roupas, e um cachorro latiu furiosamente com o vulto voando por cima de seu quintal. 

— Glur...p! — A criatura arregalou os olhos.  

— O QUE FOI?! — Ele gritou esnobando-a sem olhar para frente. Houve uma pausa cômica. 

— Merda... — Murmurou Hiro ao perceber que o salto era um pouco mais longo do que havia calculado. 

    A slime, desesperada, se enroscou nele como um cinto de segurança.  

— AGARRA, AGARRA! — Ela pareceu implorar, enquanto ambos voavam no ar como um projétil descontrolado. — Os dois se abraçaram, e logo abaixo, uma queda... 

    O impacto fez o chão da guilda estremecer como se um meteoro houvesse caído no saguão. Pó, lascas de madeira e um pedaço do telhado voaram pelos ares. Quando a poeira baixou, Hiro estava no centro do salão, deitado de costas, ainda abraçado à slime, ambos zonzos. 

    Um silêncio mortal pairou. Todos os aventureiros no local, interrompidos em suas conversas e bebidas, encaravam o “Rank S” que acabara de cair do céu. 

— ...Cinco minutos mais rápido! — O rapaz ergueu uma mão trêmula, como se esperasse aplausos. 

    A slime se descolou dele lentamente, soltando um ploc desanimado. 

— Um hidromel por favor... — Se aproximou do balcão com uma falsa dignidade. Sua cabeça latejou, ele piscou uma, duas, e segundos depois, todo o seu rosto cobriu-se de sangue. 

— Sr. Bertrand — Uma voz doce soou em seu ouvido. Ele engoliu seco. 

— Me diga... — A garota apontou para a entrada da guilda. — Como se chama aquela peça de madeira usada para abrir caminhos. 

    Hiro lentamente virou seu pescoço para o lado, com coração acelerado e cabeça latejando. 

— C-Caroll você está tão lin— 

— Diga. — Ela sorriu, com as bochechas levemente coradas, exibindo um sorriso meigo. 

— Uma... porta?  

— Uhum. — Agora com um sorriso ainda mais acolhedor — Que tal aprendermos a usar essa “porta” direito da próxima vez? 

— Prometo que na próxima... 

    Caroll o encarou de longe, entre os destroços, segurando uma vassoura. Seus olhos faiscaram como se mandassem Hiro calar a boca. 

— Er... então... eu tô procurando uma pessoa, ninguém tão importante... não que eu a tenha perdi- 

— No palácio! — O rosto dela voltou a irradiar aquela falsa graça. — Prefere pagar em ouro ou prata, Bertrand? — Ela sorriu, referindo-se ao telhado destruído. 

    Hiro revirou os bolsos: um botão de camisa, um chiclete mascado... — Ham... 

— Francamente. — A garota bateu com a mão na testa. — Que tal sumir da minha frente, meu herói?  

    Hiro piscou, sentindo o peso da derrota (e da dor de cabeça). Mas naquele momento, algo dentro dele apertou, a urgência de encontrar Naomi queimava mais forte. Como diabos ela foi parar lá? 

    Ele sorriu de canto, virou-se para a porta da guilda e, com uma mão firme, empurrou-a devagar, usando-a corretamente desta vez. 

— Não é tão difícil quanto pens- 

— HIRO!  

    Ele sorriu de forma debochada, estendeu os braços para sua nova mascote e, com uma aura de determinação, seguiu rumo ao castelo. 

— O palácio real, é? Será que... ainda me odeiam lá? 

— Glurp, Burp! 

— Tem razão... 

GothCrow
GothCrow

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Hiro Bertrand queria uma vida tranquila.
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