...verde.
No outro dia, eu levantei mais cedo e preparei o café da manhã. O dia parecia estar mais bonito, mais colorido e mais quente. Meus pais já haviam saído para trabalhar e a mamãe deixou um bilhete para mim, como sempre fazia, me desejando um bom dia, o que me deixava ainda mais feliz. Resolvi montar um café colonial com tudo que tinha direito. Coloquei uma cuca no centro, geléias, pães, café, leite, queijos e até frutas. Deixei tudo lindo, parecendo uma mesa de hotel. Nisso, Baskiah chegou e me pegou cantarolando feliz enquanto montava a mesa do café.
- Sonhou com o passarinho verde? – indagou curioso.
- O quê? – levei um segundo para entender do que se tratava. O passarinho verde, que nada mais é que um periquito, era usado para carregar mensagens entre amantes, tornando a visão de um periquito um sinal de boas notícias e felicidade. Sem querer, Baskiah acertou em cheio. – Ah! Acho que foi. – ri – Bom dia, Bas! Quer café?
- Quero! Está parecendo café de hotel. – disse sentando-se à mesa. – Me conte o motivo dessa baita alegria logo cedo. Geralmente tu acorda fazendo download da vida.
- Digamos que descobri que posso ser feliz a partir de agora.
- Bah! E tu não era feliz comigo, Ellie?
- Claro que era! Mas agora estou mais feliz.
- Se você está feliz, então também estou. – disse sinceramente. – E eu gosto dessa alegria porque isso ti faz caprichar no café. De onde veio essa cuca?
- Foi a mãe do Malcon que trouxe. Ela mesma fez.
Baskiah ficou surpreso. – Como é? Não me diga que aquele chato esteve aqui com a mãe dele?
Contei sobre a visita da família de Malcon no dia anterior. Não falei nada sobre o beijo e tudo mais, apenas contei que Malcon não era o que parecia ser, era um cara legal. Eu queria contar sobre o lance que tivemos, mas fiquei receoso, não sabia como Bas iria reagir. Ele já era um pouco ciumento com relação a nossa amizade. Pensei em contar mais tarde.
Malcon apareceu à porta da cozinha. – Com licensa. Posso entrar?
Eu fiquei surpreso e feliz ao vê-lo. Baskiah tomou um susto, quase cuspiu o café.
- Tu tá com o mesmo uniforme nosso! – disse Baskiah surpreso.
- Malcon! Entre! Já tomou café?
- Já tomei, mas já que convidou... não farei desfeita. Vou comer mais.
- Malcon vai estudar na mesma escola que nós. Não é legal?
- Eu percebi... – disse com tom de desaprovação. Não estava disposto a dividir nossa amizade com um desconhecido que veio do nada.
O uniforme tinha ficado lindo em Malcon, ele ficou ainda mais sexy. E aquele dia seria seu primeiro dia de aula. Queria que caísse na mesma classe que eu. Porém, não aconteceu, ele ia ser vizinho de sala assim como era nosso vizinho de condomínio.
- Sua mãe caprichou nessa cuca. – eu disse.
- Ela sempre faz bolos ótimos. – disse Malcon. – Tenho que me controlar para não engordar.
Ele passava a mão pelos cabelos de um jeito que me deixava louco. E toda vez que nossos olhares se cruzavam, meu coração palpitava. Eu estava mesmo perdidamente apaixonado por Malcon. Era como estar aprisionado pelas algemas do amor. Algemas sem chaves disponíveis para me libertarem. Porque depois que se fecham as catracas, não há o que fazer. E a verdade é que eu estava cativo voluntarimante naquele momento. Estendi os pulsos para as algemas e estava feliz com isso. Para piorar, eu achava que aquele amor poderia ser para sempre.
Terminamos o café, pegamos as mochilas e saímos para ir a escola. Nossas manhãs seriam assim a partir daquele momento. Parecia que tudo estava em seu lugar.
Assim que chegamos na escola, em frente ao portão de entrada, Malcon chamou a atenção dos alunos que estavam lá. Não havia como ele não ser notado. Alto, bonito e sexy. Isso gerou um burburinho.
- Af! Estão olhando pra gente...- reclamou Baskiah incomodado.
- Não liga não, Bas. É que é a primeira vez que Malcon aparece.
- Eu chamo mesmo atenção. Já estou acostumado. – se gabou deixando Baskiah perplexo com a sua arrogância.
- Que ego grande...– soltou Bas.
Malcon riu debochado. – É brincadeira, baixinho.
- Baixinho?! Eu não sou baixinho! – esbravejou Baskiah.
- Relaxa! – disse Malcon batendo nas costa de Baskiah que, com a força do golpe, foi para um metro adiante.
- Ops! Desculpe. – disse Malcon rindo ao mesmo tempo. – Ele é muito bicho-grilo. Vou ensiná-lo a malhar.
- O quê? – Baskiah estava cada vez mais irritado. – Eu não vou malhar!
- Tu quer ficar fracote assim pra sempre?
- Baskiah teve muitos problemas de saúde, por isso ele é magro. – eu disse - Não é uma questão de malhar, ele não vai ganhar peso facilmente.
- Mas aí que precisa fazer exercícios. Questão de saúde.
- E tu precisa de cérebro. – soltou Baskiah ironicamente.
Malcon o encarou. Os dois ficaram se estranhando por um momento até que o sinal tocou e interrompeu o que poderia se tornar uma briga. Eu comecei a ficar preocupado com os dois. Tinha que dar um jeito na situação.

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