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Aprenda A Amar, Me Ensine A Viver

Capítulo 5 - Moyu (I)

Capítulo 5 - Moyu (I)

Aug 16, 2025



Faltavam três dias para que possamos voltar para casa. Desde aquele dia, não vi Yuhan mais. Parecia até mesmo que nem estava por Jinshen. Então, todos e incluindo eu, tivemos que ficar dentro da sala do Líder, sentados em fileira atrás de nossas mesas, ouvindo cada uma das mais de mil regras do clã. Por que todas as vezes que ele citava uma regra, ele olhava para mim?? Frustrante!

De repente ele parou no centro de todos os alunos e olhou por cada rosto.

— Pois bem, vocês viram a situação que está no riacho de Jinshen. Alguém gostaria de dar alguma opinião do porquê?

— São criaturas marinhas em formato de uma pessoa normal. — Um rapaz respondeu. Assim que eu busquei com o olhar para ver quem havia sido, pude ver que era um moreno alto, parecia ser um tanto simpático e inteligente.

— Certo, mais alguém reparou algo e quer comentar?

— Não são criaturas normais, como as que costumamos caçar em caçadas noturnas ou algo assim. — endireitei meu corpo, minhas costas já estavam doendo e não tinha nada para que eu pudesse me escorar. — Elas são como pessoas normais, mas verdes e gosmentas. E há centenas embaixo do riacho, é como se...

O Líder Ye direcionou seu olhar a mim. Mas eu prossegui, apesar do nervosismo.

— Pessoas estivessem sendo atraídas para o fundo e estivessem sofrendo algum tipo de 'mutação'.

— Prossiga.

— A movimentação da água mudou quando nos afastamos, mal percebemos o quão longe já estávamos. Eles trabalham em conjunto para te atacarem desprevenido. São inteligentes, sem dúvidas.

Ouvi risadas de deboche. Yunqi Wenhua, ainda há dúvidas de que não seria ele?

— Quer dar uma de esperta depois de ter caído nos braços dos garotos do Ye? Hahahaha

— Por que não se ofereceu a se juntar, já que é tão bom assim? — Perguntei revirando os olhos, nem ousei encará-lo, me daria enjoo.

— Devo citar as regras mais uma vez, para que possam compreendê-los? — Ele perguntou em tom autoritário. Me arrepiei até o pescoço.

Por um momento, parei para olhar a minha volta. Alguns estavam concentrados, outros apavorados com a aura do Líder Ye, e outro...revirando os olhos para mim. Tch, infantil.

— É uma boa observação, Senhorita Mo e Jovem Jiang.

— Jiang? — encarei aquele rapaz que havia respondido primeiro.

Esse deve ser Jiang Renjie, a família dos Jiang são pessoas um tanto justas, mas também difíceis de lidar. Como julgá-los? Eles eram pessoas extremamente boas, na primeira oportunidade se ofereciam a ajudar, independentemente do que fosse. Sua casa desabou? Eles te dariam materiais e apoio para ajudar a reconstruir. Eram sempre assim, até serem traídos pelo lado dos Yunqi. Virei meu rosto na direção de Wenhua. A atitude de Wenhua é um grande exemplo disso. Yunqi e Jiang tem uma pequena discórdia de anos.

— O que são essas criaturas gosmentas? — Eu perguntei ao Líder Ye.

— É uma boa pergunta, Senhorita Mo. Mas até então, não temos certeza do que seja.

— Deveriam começar a perguntar para os moradores locais. — Apoiei meu cotovelo sob a mesa, e suspirei só de pensar o quão desesperados essas pessoas inocentes estavam. — Método de Purificação dos Ye, não são eficazes para momentos como esse?

— Já estamos fazendo isso, Senhorita Mo. — Um discípulo dos Ye que estava sentado ao meu lado citou. Ele é o mesmo daquele dia, que me contou sobre Yuhan. Reparando agora com mais clareza, ele tem o rosto fino e a pele bem delicada, traços bem definidos. Ele prosseguiu:

— Nosso Jovem Mestre se encarrega de fazer esse tipo de trabalho. Então ele mesmo foi purificar o riacho com os outros.

— No riacho? Mas ele não... — Me silenciei no exato momento que vi esse discípulo fechar os olhos com força, como se me dissesse para não mencionar sobre o medo de Yuhan com águas.

Depois que todos nós fomos liberados, eu corri rapidamente pelos corredores à procura do Jiang Renjie. Por sorte, ele não estava muito longe. Estava encostado na varanda de uma das alas laterais da mansão, olhando fixamente para o céu nublado, com os braços cruzados e com um sorriso pequeno rosto.

— Jovem Jiang. — Me aproximei vagamente, curvando meu corpo para cumprimentá-lo.

Ele piscou algumas vezes antes de endireitar o corpo e me ver ao lado dele.

— Senhorita Mo, esteve me procurando? — Ele disse aquilo em um murmúrio. A meu ver, parece ser uma pessoa um tanto pacífico.

— Você é o terceiro classificado. — me aproximei um pouco mais e olhei para o céu levemente nublado. — Por que não se ofereceu a se juntar o dia que fomos para riacho?

— Senhorita Mo, eu não sou muito habilidoso nas espadas. Meu equipamento é o arco, mas não pude trazê-lo. Não seria falta de ética trazer uma arma de luta para um lugar tão pacífico? No mínimo, apenas a espada.

— Falta de ética? Para mim isso é burrice, com todo o respeito. E se alguém tentar te atacar nesse lugar tão ''pacífico''? Olhe só, ninguém esperava que Jinshen estivesse com monstrengos debaixo da água. — Pude sentir sua risada por cima de cada palavra minha. Pelo menos não o ofendi sem querer.

Percebi que ele direcionou o olhar sob minha espada, e assim me perguntou.

— Qual o nome?

— Ela? Siling. — Não pude deixar de soltar um sorriso ao encarar minha própria lâmina. Tanto seu punho, quanto sua bainha eram rosa com alguns detalhes no prateado. O punho, no acabamento, tinha uma pedra na mesma cor que a bainha.

— ''Espírito da Morte'', é um nome forte para uma espada um tanto bela. — Pude sentir seu elogio em tom de curiosidade a mais.

— Cada arma tem suas histórias, e merecem ser bem nomeadas.

— Aquelas coisas não são novas, mas também não são simples aberrações. — Seu tom era baixo. — Elas já eram existentes há um tempo, mas ninguém esperava que fossem multiplicar.

— Por que eu não sabia disso? — Cruzei os braços após colocar a espada presa em meu cinto. — Na verdade, parece que poucos sabem dessa situação.

— Não dá para garantirem que a purificação adiantará de algo, isso se a raiz do problema estiver vindo do fundo.

— Isso é estranho. — Esfreguei a mão em meu queixo, aquilo me deixou um tanto pensativa.

— Não se preocupe, os mais velhos irão cuidar disso. — Ele tentou me tranquilizar. Mas se fosse depender desses velhos, nem mesmo teríamos descoberto sobre esses monstrinhos.

Virei-me de costas e ditei antes de afastar:

— Sinto cheiro de algo maior por trás disso tudo.

Eu precisava sair por um momento e deixar meus pensamentos se organizarem. Então, eu fui na direção daquele riacho e de longe já podia avistar alguns discípulos do Clã Ye por lá, eles foram gentis e me cumprimentaram. No início, achei que minha estadia por aqui seria mais uma batalha de sobrevivência, mas não foi assim, e isso é ótimo.

— Senhorita Mo, por que veio? — No exato momento em que Ye Tianqi me fez a pergunta, avistei dois discipulos a frente e Yuhan no meio deles, pareciam estar conversando sobre assuntos importante.

— Vim caminhar um pouco. Houve algum progresso? — Cruzei meus braços e direcionei meu olhar ao discípulo.

— Já purificamos o riacho e a área por aqui, mas nosso Jovem Mestre disse que devíamos esperar um pouco mais.

— Esperar? — Olhei para trás, notando que estavam chegando mais discípulos dos Ye. — Por quê?

— Bom, as vezes dependendo da criatura, a purificação pode não adiantar de muito, e pode até mesmo piorar.

— Como vocês são pacientes... — levei meus passos à frente, pisando sobre a ponte de madeira que rangia com cada andar.

— Senhorita Mo, o que vai fazer!?

Eles me gritaram quando eu já estava subindo no bote. Yuhan nem tinha notado minha presença antes, pude sentir seus olhos se arregalando sob minhas costas quando eu já havia dado a partida.

— Esperar não vai resultar em nada, se eles atacam é só se estiverem na mira deles. — Dei de ombros e desembraiei minha espada. Um sorriso não podia deixar de escapar dos meus lábios.

Tudo estava quieto, exceto pelo som da água em movimento. E quando eu olhei para trás, na direção dos discípulos, eles estavam um tanto quietos. Eu ouvi algo...

— Meu Deus.... — sussurei e cai para trás, meu corpo inteiro se tremia inteiro. — UM GAAANSO!!!

Tudo se silenciou de novo, e encarei aquele bichinho penado pousado sobre a borda da balsa.

'' quá''

—AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!! ME AJUDA!

Assim que o ganso voou, eu arranhei a garganta e direcionei meu olhar para eles.

— Então, acho que o lugar está muito bem purificado. Deu tudo certo.

Foi então que o barco gemeu.

Escutei um estalo e depois outro. Achei que era por causa do meu peso sobre ele assim que fui me levantando. Mas o som da madeira continuou ecoando como estivessem sendo quebrados por dentro.

— O que... — murmurei, olhando para os meus pés.

— PULA!! — Algum discípulo me gritou, mas eu estava mais concentrada o quanto essa balsa estava subindo!! Ela estava flutuando!? Algo estava embaixo, empurrando...

Quando menos esperei, o arrebentar seco ecoou e a balsa explodiu em vários pequenos pedaços e não conseguia respirar assim que fui jogada para dentro da água rapidamente.

Meus olhos ardiam assim que eu abri para olhar, HÁ UM PAR DE DENTES ACIMA DE MIM! O QUE É ISSO!? Parecia uma cobra-gigante. Não sei, não sei!

Rapidamente nadei para o lado quando ela veio tentar me atingir por cima

E aí... o silêncio.

Ela sumiu, olhei para todos os lados, mas não a avistei. Então eu nadei até a superfície e consegui recuperar um pouco do meu fôlego. Eu vi, ainda com a visão embaçada, barcos se aproximando. Mas....foram partidos ao meio que nem aconteceu comigo!

Yuhan estava logo atrás dos que foram estilhaçados. O movimento da água iria se aproximar dele, se:

— SEU IDIOTA!!!!!! EU ESTOU AQUI!

— Mo Meiyan, não! — Não pude ouvi-lo, mas pude decifrar seus lábios ao se movimentarem. Eu sorri, como se dissesse que estava tudo bem, até que uma sombra entrou na minha frente, como um redemoinho enorme. Fui vendo as escamas sendo reveladas aos poucos enquanto a água caia, escamas negras e lustrosas, sendo iluminadas pela luz do sol. Depois as garras longas e afiadas, que quase me atingiram se eu não tivesse mergulhado rapidamente e fundo.

A criatura mergulhou de cabeça e pude encará-la nos olhos.

Era como uma mistura de uma cobra marinha e um dragão. Pude ver suas esferas âmbar sem pupila me encarando diretamente.

— Tá faminta? — sussurrou em meio a borbulharão.

A criatura rugiu abafado e alto. E minha espada, que não a soltei em momento algum, tentei de alguma forma estacar a lâmina em um dos olhos dela, mas é dificil quando ela se locomove com tanta facilidade e agilidade. Ao contrário de mim, que parecia que eu lutava mais contra a pressão da água do que com o próprio...espera...

Cobra-marinha e dragão...Moyu!?

Quando desviei ela, mais uma vez a criatura sumiu.


Eu preciso....respirar...

Nadei rapidamente até a superfície mais uma vez. Tudo permaneceu quieto mais uma vez.

Ela cansou? Desistiu? O que...
Um barco navegou até perto de mim, e uma mão se esticou em minha direção. Nem pensei duas vezes e logo agarrei e me impulsionei a subir. Folego...eu preciso respirar.

Enquanto tossia toda a água que engoli, olhei para os pedaços de madeira espalhados por todo o canto.

Yuhan, logo atrás de mim me envolveu em um casaco quente e felpudo.

— Não...ele pode voltar. — tentei recusar, mas ele foi teimoso e insistiu em me esquentar. — Foi você?

— Vai demorar um pouco para voltar. — Yuhan me tranquilizou e eu pude suspirar.

— Acho que eu compreendi a situação, e eu estou tão...brava. — Bufei e me levantei. — Esses pobres inocentes estão sendo usados de comida para essa fera!

Yuhan abaixou a cabeça, me senti péssima.

— Você já desconfiava, não é? — Perguntei, tentando confrontá-lo. Mas...ele estava pálido e com as mãos trêmulas. Não adianta ele querer tentar disfarçar e manter essa postura.

— Acho que te estou de devendo várias. — Virei o rosto para o lado, e estendi a mão para frente dos meus lábios e soprei. Uma borboleta fantasma na cor rosa flutuou ao meu redor e logo seguiu ao horizonte.

Continuei:

— Moyu...eu ouvi falar dele em algumas histórias, e também li sobre ele. Era uma criatura que foi selada anos atrás nas profundezas, ninguém nem se lembrava dele ou achava que era apenas um mito. Ele não se alimenta de carne, ele absorve sua energia, a essência do seu dantian, por isso essas pessoas... — suspirei, me sentando no barco que retornava vagamente.

Ergui meu olhar para o rosto dele, que ainda estava de pé.

— Sabe, eu não mereço estar na primeira posição agora que encarei de frente um bicho como esse? Hehe

— Foi suicida o que fez. — Ele murmurou.

— E você é louco de vir atrás. Não viu o tamanho!?? deve ter uns oitenta metros ou mais! — Suspirei alto.

Por que eu estou levando a bronca? Eu desviei de sua atenção, e ele briga comigo!?

— Não faça isso novamente. — O tom dele soou como uma ordem.

— Quem você pensa que é para me dizer o que eu devo ou não devo fazer? — abruptamente me levantei e joguei aquele casaco no chão mesmo que eu estivesse tremendo de frio. Minha raiva era tão grande, que já estava aquecendo meu corpo gelado. — Por que me seguiu? Não tem medo de água? Deveria ter ficado na ponte ao invés de vir atrás. Eu poderia ter me virado sozinha!



Ao chegarmos na ponte, andei na direção dos discípulos que foram jogados na água após a destruição do barco.

— Vocês estão bem? — Coloquei meu cabelo atrás da orelha, eles estavam bem agasalhados e sendo cuidados por seus amigos.

— Você é realmente incrível, Senhorita Mo. Como pode encarar uma fera daquela cara a cara?

Apontei o dedo para eles.

— Alguém está a fim de fazer um grande churrasco com carne de...cobra...dragão..ou os dois? Tanto faz. Hahaha

— Jovem Mestre Ye.

Quando os discípulos o chamaram, eu não ousei olhar para trás, muito pelo ao contrário. Segui o caminho adiante e me sentei perto de uma árvore, para que eu pudesse descansar um pouco.

— Como está o seu pulso? — Escutei eles conversando.

— Melhor.

— Por que se cortou daquele jeito? Ficamos preocupados. Se o Líder descobre, estamos encrencados.

Senti a presença de alguém ao meu lado, olhei devagar e quando menos esperava, ele estava me oferecendo uma toalha branca.

— Obrigado, Ye Tianqi.

— Você é a mais nova entre nós, mas é um tanto feroz quando se trata de coragem. — Ele brincou.

— Coragem? Não vou esquecer aqueles olhos e dentes tão cedo. Mesmo que tudo tenha sido tão rápido... — a borboleta rosa voltou para mim e pousou no dedo que a estendi. — Sem sinal dele. O que o Jovem Mestre Ye fez?

— O brilho da espada atingiu os olhos quando tentou se aproximar. Por ser uma criatura das profundezas, acaba temendo uma forte luz.

Olhei para o céu em meio a explicação, já era tarde e estava prestes a anoitecer, mas o céu permaneceu nublado o dia todo, quase sem nenhum sol.

—... — me silenciei, não tinha mais o que falar. Olhei para Yuhan envolvendo a bandagem em volta do ferimento no pulso. — Por que ele fez isso?

— Antes dele subir a balsa, ele se cortou. Como deve saber, ele tem medo de água, então...



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