POV: NARRADOR
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A chuva caia densamente no telhado do Pavilhão, e o silêncio ao lado de fora era quase sufocante, não era muito diferente também o lado de dentro, no entanto, não estava tão silencioso quanto.
Com as portas grandes abertas, os discípulos do lado de fora observavam a tensão de cada Líder, de cada região com expressões sérias em seus rostos. Outros estavam furiosos, e esse caso, certamente seria o Líder Ye.
Ye Yuhan nunca havia passado por uma humilhação na vida. Sempre constatado como o 'príncipe perfeito' e sem falhas.
Quem diria, que este mesmo 'príncipe' estaria ajoelhado sobre o chão liso e frio? O filho do Líder do Clã Ye.
As mangas brancas do hanfu estavam manchadas de poeira e rasgadas. Ele estava completamente encharcado dos pés à cabeça, mesmo que não demonstrasse, certamente estava morrendo de frio. Mas ele não dizia nada e apenas manteve sua cabeça direcionada a frente, o olhar semicerrado e os punhos cerrados sobre as coxas.
— Líder Ye... — Jiang Renjie foi o primeiro a se levantar e dar sua explicação. Ele estava sentado ao lado de seu pai, o Líder Jiang que o encarou, constatando que não estava tão furioso quanto deveria. — Sinto muito que tenhamos decepcionado não só a você, como os outros Líderes. Mas...
— Líder Mo, sua filha colocou meu filho e do Clã Jiang em riscos de vida! — Furiosamente ele apontou o dedo para todos.
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Corre! Corre! Corre!
Minhas pernas não aguentam mais tanto esforço.
Eu me apoiava as paredes dos corredores até me deparar com um monte de discípulos, não só dos Ye, como os do meu clã também. O Clã Mo, ou seja, meu pai estava aqui também.
— Vocês tem noção do que fizeram!?
Pude ouvir a voz alta ecoar até o lado de fora. Ofegante, passei por todos aqueles discípulos ao caminho, alguns tentaram me impedir, outros tentaram me segurar a força...mas também havia alguns que abriram o caminho para a minha passagem e relutaram para que eu não fosse impedida.
— Se quiser punir alguém... — ofeguei, me esforçando ao máximo para ficar em pé e caminhar descalça ao chão frio daquele pavilhão. — Faça comigo. Eu fiz tudo isso sozinha, fui eu quem arrastei eles comigo, fui eu quem fiz tudo.
Engoli a seco com o silêncio que se estabeleceu.
— Senhorita Mo, ainda não se recuperou. — Uma discípula tentou me oferecer apoio, mas recuei o braço e continuei andando.
— Quer saber? Vocês realmente mereciam passar por isso sozinhos.
— Você...
— É INJUSTO! — Minha voz alta ecoou e o silêncio continuava. Cortando a tentativa do Líder Ye de tentar relutar. — Vocês com suas gananciam mataram uma pessoa que usava o próprio corpo e alma para que todos se mantivessem BEM! Mas nunca o reconheceram pelos seus esforços por pensarem só em vocês mesmos!
Furiosamente ergui o robe do meu hanfu que estava quase todo rasgado e molhado. Revelando uma terrível cicatriz de queimadura na panturrilha.
— Até minha dignidade... — sussurrei para mim mesma. A raiva me deixou tão fora de mim, que eu esqueci o quanto aquilo ardia muito! Quando eu fui jogada longe, a fogo deve ter passado de raspão na minha pele.
— Do que ela está falando? — O Líder Jiang se levantou, parecia confuso.
Dei um passo à frente e sussurrei:
— Yuhan, levanta.
— O aparecimento daquela fera não é algo nada comum! A selamos anos atrás para evitar que tragedias acontecessem, como ela despertou de repente? — Líder Yunqi perguntou.
— Vocês selaram, mas esqueceram da pessoa mais importante que cuidava para que ela não acordasse! — completei, minha voz soando rouca. — Apunhalaram ele pelas costas, acusavam de coisas que ele nunca havia sido capaz de fazer!
O silêncio voltou e então adiantei um pouco meus passos na direção de Yuhan. Eu estava me sentindo incomodada com Yuhan se ajoelhando quando não tinha motivos para desculpas. No entanto, assim que senti um toque firme em meu pulso, olhei para trás e lentamente meus olhos se encontraram com só de Ye Tianqi, discípulo mais velho dos Ye.
— Tentar relutar, só vai piorar as coisas, não só para você, mas também para quem foi junto. — Ele sussurrou. Eu sabia disso...mas...isso não é justo!
— Tire a mão. — Ordenei furiosamente.
— Eu realmente sinto muito pelo comportamento de minha, é inadmissível e ela terá a devida punição assim que voltarmos.
Eu não consegui desviar meu olhar de Ye Tianqi, por um momento, meu corpo inteiro travou ao ouvir a voz de meu pai e o silêncio que depois se estabeleceu.
Tudo bem, não arrisquei minha vida por eles, e sim pelos civis. E eu...tenho uma promessa a cumprir.
— O que aconteceu com os cadáveres? — Direcionei meu olhar aos de Jiang Renjie.
— Foram selados longe, não sairão de lá e logo vou retornar para...
— Não, não faça isso ainda. Eu gostaria de dar uma olhada.
— MO MEIYAN! — Meu pai me gritou. Furiosamente, olhei para ele.
— Não está contente? — Dei um passo próximo a ele, com a cabeça erguida. — Sua 'preciosa' filha matou uma fera maior que todos os pavilhões juntos, arrisquei minha vida acreditando que eu poderia ser como você, não... —olhei para baixo e suspirei, corrigindo minha fala. — melhor do que você.
Rapidamente levei minha mão até meus lábios, e tossi freneticamente. Minhas pernas foram enfraquecendo e o sangue se espalhava a minha mão até pingar no chão.
— Senhorita Mo! — O mesmo discípulo tentou me ajudar, mas...
— YE YUHAN!
Um breve silêncio manifestou no lugar após o grito do Líder Ye. Quando fui erguendo minha cabeça e olhar lentamente, meus olhos se encontraram com os amarelos de Yuhan que, estava em pé e a tentar se aproximar.
— Não dê um passo a mais. — Lider Ye se levantou e tranquilamente caminhou até próximo do filho, que permaneceu imóvel. — Agora, Mo Meiyan...
Levei meu olhar a aquele homem, que mencionou meu nome.
— Nunca tive nada contra seu clã.
— Nunca? — Inclinei a cabeça para o lado. — Será mesmo?
— Levem-na. — Meu pai ordenou alguns discípulos de nosso clã. E, forçadamente seguraram meu braço a força e eu não conseguia nem gritar ou lutar mais de tão exausta e fraca que eu estava.
— Ah...está bem. Eu posso ir sozinha! — Tentei relutar, mas quando pisquei já estavam me passando pela porta. Eu realmente não tenho forças mais...
— Shijie! Shijie!!
— Zhen Xiu? Aaaah!! — Eu até queria correr na direção dela, mas se eu desgrudasse das paredes, eu acabaria abraçando o chão.
— Está tudo bem? Eu fiquei sabendo do que aconteceu, fiquei tão preocupada! — Avistei a garota vindo correndo com seu hanfu verde escuro e simples sendo movimentado pela brisa da tarde. E então, se ofereceu a me ajudar a andar. — Shijie, está terrível! Vou te ajudar a se vestir, antes que fique doente.
— Obrigada. — Aceitei o cuidado dela, que era gentil e caloroso. Tirando um pouco minha tensão de antes, ela me guiou pelos corredores.
Ninguém ousou me dizer mais nada, e eu também não conseguiria retrucar se fosse o caso.
— Shijie, você é incrível. — Ela ditou baixo.
— Eu sou, não é? Hehe...aahh! Doi! — resmunguei, colocando a mão em minha cintura. — Uma pena que o Moyu não virou churrasco... dava para alimentar a vila inteira e ainda fazer um banquete comemorativo.
— Não brinque com isso, você quase morreu!
— Banquete comemorativo? HA! — Ouvi a voz da pessoa mais ignorante, logo após suspirar fundo e me manter a calma, olhei para trás.
— Yunqi Wenhua, reconheço suas habilidades. — Inacreditável eu dizer aquilo, mas era um fato. — Mas você é um desgraçado.
Ele riu e abriu o leque para abanar o próprio rosto que, movimentava os fiapos de cabelo dele perto do olho. Seus passos vieram até mim lentamente, encurtando a distância.
— Tenho que reconhecer também.
— Gegê? — Zhen Xiu parecia surpresa com a reação do irmão, eu também estava.
Revirei os olhos e suspirei.
— Pode me ajudar a ir até o quarto. — Pedi a garota ao meu lado que ainda segurava meu braço com gentileza e sua resposta foi apenas um puxão até a porta do quarto, já que estávamos praticamente ao lado dele.
— Meu irmão as vezes é um limão estragado, mas outras, dá para suportar. — Ela explicou.
— É, estou percebendo. Tenho uma curiosidade, por que seu nome é Zhen Xiu?
— Shijie, a família Yunqi me adotou.
Assim que me sentei na cama, ergui o olhar a ela.
— Como é isso?
— Bom...ouvi dizer que a minha mãe de verdade me abandonou. Parece que quando bebê, eu me movimentei dentro do cesto e acabei caindo na água, me encontraram a fio de vida. Por sorte, quem me encontrou foi Yunqi gegê. A esposa do Líder Yunqi desejava muito ter uma menina, mas não podia mais engravidar devido as circunstâncias, então, quando ela descobriu sobre mim, ela me acolheu.
— Yunqi Wenhua?? Não sabia que ele podia ter um coração bom. — Ironizei.
— Shijie, aquele dia você interpretou errado.
— Quando a encontrei chorando?
— Aquela hora, uma formiga cabeçuda tinha picado minha perna. Yunqi me ajudou a tirá-la.
— Ah??? — Arregalei os olhos, logo apontei o dedo para mim mesma, em frente ao meu nariz. — E por que ele me empurrou da escada, então??
— Shijie...ele disse que era para segurar você e não a empurrar. Mas, ele é orgulhoso demais para admitir esse erro dele.
Inclinei a minha cabeça para o lado, e meu olhar fixou-se ao nada. Será que eu interpretei as coisas erradas? Um mal-entendido?
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Após algum tempo.
Eu estava de olhos fechados e deitada sob o colchão da cama. Podia sentir uma coberta quente sob meu corpo e o travesseiro embaixo de minha cabeça, um tanto macio e confortável.
— Como ela está? — Ouvi uma voz rouca, em um tom rígido. Não ousei abrir os olhos, apenas fingi que ainda estava dormindo.
— Ela está melhor, Líder Mo. Está se recuperando mais rápido do que o esperado, ela logo estará de pé.
— Me avise quando ela acordar.
— Sim, senhor!
Cada vez que os passos se distanciavam e ouvi a porta se fechar. Imediatamente me sentei na cama, por um momento, estranhei o lugar em que me encontrava, mas logo o reconheci. Meu quarto.
— Como...? Ah... — suspirei e fechei os olhos por alguns segundos. — Será que eu desmaiei? Arrumaram a oportunidade perfeita para me trazerem de volta sem que eu fizesse escândalo.
Estendi dois dedos a frente do meu nariz e fechei os olhos, mantendo uma breve concentração.
Meu dantian parece estar fraco. Bom...vou usar meu tempo aqui para me recuperar. Analisei o meu quarto, era espaçoso e de piso e parede em tom escuro, mas as cortinas brancas, a mesa no centro do quarto e a qugin no canto deixavam aquele quarto menos sombrio e vazio.
Me levantei e caminhei justamente até o instrumento musical. Meu hanfu branco deslizava pelas tábuas e deslizou até mesmo pelas cordas da qugin antes que eu pudesse me sentar na almofada ao chão. Respirei fundo, e meus dedos passaram pelo instrumento como se eu estivesse retirando a poeira do objeto, mesmo que estivesse brilhando de limpo.
Os olhos surgiram a minha vista e a sensação de estar na água ainda me torturava. Não vou me esquecer da minha tentativa suicida tão cedo assim, e nem mesmo...
De repente me assustei com o baque das portas que se abriram de repente. Dois guardas vestidos com cores escuras entraram no cômodo e me avistaram sentada no canto.
— É assim que se entra em um quarto de uma mulher? E se eu estivesse trocando de roupa? — Fixei meu olhar aos dois, que rapidamente curvaram seus corpos e levaram a mão até o peitoral como forma de respeito.
— Senhorita Mo, recebemos ordens..
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