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Aprenda A Amar, Me Ensine A Viver

Capitulo 13

Capitulo 13

Aug 16, 2025

— Aqui, pegue!

Uma flecha foi jogada a minha direção, em frações de segundos, deslizei meu pé sobre a terra e girei, peguei o objeto jogado, brinquei entre os dedos até parar na posição certa e encaixar no arco, após isso, estiquei rapidamente a corda e soltei.

Diante meus olhos ela foi disparada na velocidade de um gavião, e alvo acertado!

Ao endireitar minha postura, abaixei o arco e suspirei.

Meu alvo era simplesmente uma...maçã em uma árvore.

— Não está se amostrando demais, para quem acabou de chegar? — Direcionei meu olhar a aquela voz masculina. Notando um rapaz encostado a árvore e de braços cruzados. Ele era alto e cabelos negros, tanto quanto a íris dele.

— Quem é você? — Notei um brasão com o símbolo dos Mo, que seria um desenho de crânio. Segurei o arco firmemente quando ele deu um passo próximo a mim, com um sorriso um tanto estranho. De repente ele sacou a espada e direcionou o ferro a minha garganta, por sorte, o arco a minha mão usei para bloquear seu movimento e direcionar a ponta até a terra. Nisso, pisei sob a espada ainda cravada ao chão e meu olhar de meia-esquina aos do rapaz.

— Idiota.

— Como sempre, habilidosa. — Ele riu alto. Eu não pude deixar também de soltar uma risada e inclinar a cabeça para trás.

— Deve ter se sentido tão sozinho sem mim aqui para te fazer companhia. — Ironizei enquanto tirava meu pé de cima da lâmina.

— Eu? — ele apontou para o nariz. — Por que eu sentiria?

Dei de ombros e prossegui meu caminho para retornar ao Pavilhão.

— O que está rolando?  — Cruzei meus braços e direcionei meu olhar perante a ele, com uma leve suspeita de que algo não parecia certo.

— Você ficou meses em caçadas noturnas, e lógico que não deve estar sabendo. 

Cessei os passos e ele parou a minha frente. Fiquei esperando-o prosseguir a frase. No entanto, fiz uma suposição:

— O casamento?

— Não está feliz com isso? — Ele me perguntou. Revirei o olhar e quis tentar prosseguir meu caminho, mas, acabou que ele me impediu, ficando em meu caminho. — E há uma novidade, iremos nos casar em Jinshen.

Arregalei os olhos.

— Jinshen!? P... por quê? — Suspirei por um momento. Eu já não estava contente com esse casamento surpresa, isso só piorou.

— Não soube? Filho do Líder Ye também irá se casar e no mesmo dia que nós, então seu pai, como forma de se desculpar pelo que ocorreu há dois anos atrás, decidiram tentar se unir mais uma vez através de nossa cerimonia.

Dei um passo à frente, sem tirar os olhos dele:

— Escuta aqui, Mo Jianyu. Se formos nos casar em Jinshen, não conte mais comigo! — apontei o dedo ao rosto dele. — Estou fazendo isso por pura obrigação, mas posso fazer você passar vergonha por minha própria vontade.

— Ohoo...o que aconteceu com a nossa pequena A-yue? Está mais durona.

Bufei, ficar perto dele era desconfortável.

 Desviei o caminho e apontei a ponta do arco em frente ao nariz dele assim que tentou me seguir.

 — Você pode ser noivo no papel, mas não ouse se aproximar de mim como se tivesse direito.

— Está bem. — Ele estendeu as mãos. — Estou me afastando.

Nunca fui tão intolerante como estou sendo agora, eu estou até me esforçando para não ser assim, mas...por que não consigo? Estou tão enfurecida.

Abaixei a cabeça e suspirei baixo assim que prossegui com o meu caminho de volta.




✰



— Tem que haver outra opção, eu não quero me casar junto com os Ye! — Bati tão forte na mesa, que o som ecoou até o lado de fora da sala do meu pai.

— Opção!? A opção que temos é ir e não correr o risco de ter alguma desavença com eles. — Ele gritou, abafando minha voz.

— Se o filho do Líder Ye assumir a posição, não tem porquê se preocupar com isso!

— Tem como provar o que diz ou é só lábia?

Suspirei alto e arfei, com uma enorme decepção, não apenas dele, mas de mim mesma. Sussurrei antes de sair:

— Não pode confiar em mim nem uma única vez?

Era inacreditável.   

Mas tudo tem sido assim, estranho e desconhecido. Muitas coisas mudaram.


Enquanto meus passos ecoavam pelo corredor e as cortinas se movimentavam com o vento da tarde pelas brechas da janela, minha mente mentalmente ficava repetindo: 'Está tudo bem, eu estou bem, eu vou ficar bem. Isso vai passar''

— Me sinto tão mal pela Senhorita Mo. Ela ficou aprisionada durante um bom tempo no quarto, e quando é liberada ainda tem que se casar com um primo que quase nunca viu na vida. — Encostei-me a parede ao lado da porta, ouvindo a conversa entre as servas.

— É muito cruel! Eu não aguentaria ficar quase dois anos trancada em um só cômodo. Senhorita Mo sempre relutou sobre tudo que achava injusto, não sei porque ela está tão diferente agora.

— No lugar dela, quem não se cansaria de viver assim? Já que, mesmo que tente, o pai nunca da ouvidos. De vez em nunca que ele a trata decentemente como uma filha.

Suspirei baixo e encostei a cabeça na parede.

— E aquele jovem bonito que veio até Menghua tentando entrar em contato com ela? — ouvi o suspiro de uma delas. — aquilo foi tão...triste de se ver.

'Jovem bonito' elas disseram? Virei o rosto para o lado, e com um pé quase se direcionando ao cômodo que elas estavam.

— Ele veio de tão longe, só para ver como Senhorita Mo estava, mas nem isso o Líder Mo quis deixar.

— Jovem bonito que veio até Menghua? — Perguntei assim que entrei rapidamente. — Quem era? Como ele era?

— Senhorita Mo.. — Elas rapidamente se curvaram ao serem descobertas. Eu não estava brava, na verdade, eu estava desesperada!

— Me digam, como ele era?

Elas pareciam hesitar em dizer, se entre olharam por momento, no entanto acabou que uma delas me deu a resposta:

— Bom...escutamos o sobrenome ''Ye''.

— Ye Yuhan esteve aqui? — Me questionei em um sussurro. — Impossível.

Será ele quem propôs unir as cerimonias? Por isso meu pai..

Uma delas, a mais alta se aproximou de mim devagar e colocou a mão a lateral dos lábios:

— Senhorita Mo, parece que este rapaz ainda está aqui, pois veio também para uma caçada noturna.

— Caçada Noturna em Menghua? — Dei um passo para trás, meu vestido e longos cabelos se movimentaram com o vento.  Eu quero falar com ele. — Obrigada, já é o suficiente.


Assim que coloquei meus pés para o lado de fora, e a vila de Menghua esteve diante a minha visão, pensei que não seria tão difícil encontrá-lo, já que, o hanfu dele costuma ser branco e diferente das pessoas daqui e de nossos costumes.

O que era um tanto estranho, um rapaz de Jinshen vir até Menghua para uma caçada que qualquer um de nós poderíamos resolver. Alguém o comunicou de algo? Digo...o clã Ye?

Passei pelo mercado da vila e adentrei em uma das pousadas que Menghua havia, meus passos rápidos firmes pelas tábuas do estabelecimento. Assim que beirei o balcão, ofegante perguntei:

— Senhor, poderia me informar se um...jovem alto, de roupas claras e de cabelo prateado passou por aqui recentemente?

— S..senhorita Mo, que surpresa vê-la de volta. Mas, não vi essa pessoa que você descreveu. — Ele cruzou os braços e suspirou. — Mas, se eu me recordo bem...minhas filhas citaram alguém assim, dizendo que havia um ''Deus'' em nossa região.

— Deus? — Talvez seja por causa do cabelo e olhos, faz sentido. Se eu não o conhecesse, também pensaria o mesmo.

Dei passos para trás, e acenei para aquele senhor.

— Certo, agradeço a informa- — Antes mesmo de eu poder terminar minha frase, acabei esbarrando em alguém. Rapidamente virei meu rosto, a primeira coisa que vi foi um hanfu preto e vermelho. Por um momento, eu pude me sentir até esperançosa, mas quando meus olhos se estenderam a cima e fitei ao rosto da pessoa, esse fio de esperança se desfez em frações de segundos. — Mo Jianyu.

— Quando vai deixar as formalidades de lado, A-yue? — Ele abriu o leque e abanou o próprio rosto. Revirei os olhos, não era quem eu esperava ou quem eu queria encontrar no momento. — O que você faz por aqui? Não tem o costume de vir a vila.

— É da sua conta? — Desviei o caminho ao intuito de passar por ele, mas ele segurou meu pulso com agilidade e me trouxe de volta.

Ele sussurrou, certamente não queria que as pessoas escutassem isso.

— Na verdade, é da minha conta sim. Além de ser seu primo, sou o seu noivo e logo serei o seu marido. Então, de qualquer forma, eu tenho direito de saber tudo sobre o que está fazendo. — Ele segurou minha cintura com a outra mão firmemente, tentei relutar, mas era mais forte do que eu.

— Você só será meu marido por causa de um maldito papel, e como eu disse antes, mesmo após a cerimônia, você não terá direito ALGUM, de colocar essas mãos nojentas sobre mim! — Deslizei minha mão pelo peitoral dele, e fui subindo até o pescoço, como ele usava um colar, que parecia mais um amuleto, tracei entre meus dedos de uma forma que pudesse fazê-lo não conseguir respirar por um momento. — Tire as mãos de mim, se não quiser que eu grite.

— Hm... — ouvi o murmuro dele. Aquilo...estranhamente me assustou. Então, ele mais uma vez conseguiu prender minha mão, e me arrastou para o lado de fora de uma forma que ninguém desconfiasse de nada.

— Me solta! EU MANDEI SOLTAR! — Comecei a gritar na rua em desespero. As pessoas olhavam para mim e podiam até querer ajudar. Mas...como fariam alguma coisa com alguém do alto-escalão? Ou alguém que vai se casar com a filha do Líder deles?

Assim que obrigatoriamente fui afastada da vila, ele segurou firme minha cintura enquanto eu tentava me debater para ser solta.

— Mo Jianyu, eu estou te avisando! ME SOLTA!

Ainda na tentativa, enrosquei meu pé na perna dele e na primeira oportunidade levei meu rosto para perto da pele dele e mordi o ombro fortemente! Mas ele ainda não me soltava!

Eu...não consigo lutar mais..ele é mais forte do que eu...eu preciso de ajuda.

— AH! — De repente fui jogada contra um tronco de árvore, despretensiosamente batendo a cabeça e tendo a visão levemente embaçada. Eu já não tinha mais forças na perna de tanto relutar, então acabei escorregando na grama.

Tentei o máximo, agarrar algo que pudesse me ajudar, qualquer coisa! NÃO TEM NADA! Um galho...uma pedra...p..por favor..qualquer coisa.

Não faça isso...não quero passar por isso. Eu quero gritar...eu...não consigo.

Lágrimas desciam e molhavam meu rosto, eu...não sabia reagir quando vi ele se ajoelhar a minha frente, os olhos dele...

— Você disse, que eu seria seu marido apenas em um papel. Parecia querer que fosse além do que isso, então...

Tentei engatinhar para trás, mas a dor nas costas me travou. Ainda consegui virar meu corpo de lado, tentando me proteger, me encolher, me tornar invisível. Mas braços mais fortes que os meus me puxaram de volta.

— Se tentar alguma coisa, você vai se arrepender. — Tentando juntar alguma forma, consegui chutá-lo forte bem no peitoral, próximo ao pescoço. Ele caiu para trás.

Eu consegui me levantar, mesmo que estivesse levemente tonta e as pernas cambaleando. Mas, ele pressionou a mão contra minha boca por trás e puxou meu cabelo para trás.


Quando tudo cessou, o peso sobre meu corpo sumiu. Ele se levantou e ajeitou a própria roupa. Eu permaneci ao chão...incapaz de olhar para cima, com os fiapos de cabelo grudado ao meu rosto úmido pelo suor e lágrimas. Meu corpo dói...

Essa não é a primeira vez. E nem será a última, não até eu...dar um fim nisso da pior forma possível.

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