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Aprenda A Amar, Me Ensine A Viver

Capítulo 14 - Esperanças?

Capítulo 14 - Esperanças?

Aug 16, 2025

Deve ser confuso, de repente serem jogados a dois anos depois. Mas o que iriam querer saber? Posições diferentes de se dormir em uma cama? Ouvir uma qugin ser tocada diversas vezes ou ficar meditando na tentativa de melhorar meu cultivo? Por falar nisso, meu cultivo não voltou como era antes. Ficar dois anos de castigo devido toda aquela situação passada, me deixou quase aposentada da cultivação. Por isso que, a primeira coisa que fiz ao sair do castigo foi ir para caçadas noturnas. Que inclusive, aquelas criaturas que uma vez saíram da região do clã Wen de Qishan, se estabeleceram por todos os cantos. Parece que as pessoas estão com preguiças de manter seus povos sãos e salvos, sem preocupações.

— Senhorita Mo! Senhorita Mo!! — Me agarrei ao braço de uma das servas que se aproximaram para me ajudar.

— O seu vestido está quase todo rasgado, m... minha nossa... — A maior direcionou a mão que segurava um pano branco e úmido para limpar a sujeira em meu rosto.

— Não cite nada para ninguém sobre isso, entenderam? Por favor... — implorei em um sussurro abafado, minha visão ainda estava turva.

Nem mesma eu esperava por um casamento arranjado. Quem diria? Julgava e falava tanto das regras hipócritas do Clã Ye, que não estou sabendo nem revidar das 'obrigações' que jogaram nas minhas costas.

Ao já estar em meu quarto e sentada a minha cama, soltei um longo e baixo suspiro.

Eu...pela primeira vez, me sinto perdida. Sem saber o que fazer. Eu apenas queria... Suspirei após abaixar a cabeça e segurar o cobertor firmemente.

— Eu quero sair daqui...

⚘

O pátio central estava muito bem-preparado, havia novos garotos, ou melhor, discípulos novos em nosso clã e eu quis me responsabilizar por eles, eu ainda tenho esperanças, e quero de alguma forma mostrar que, não sou como meu pai. Todos eles pareciam ser adolescentes fofos e inocentes. A minha frente, duas longas fileiras de jovens ajoelhados aguardavam o início da cerimônia. Todos com as cabeças baixas, as mãos firmes sobre os joelhos, vestidos de hanfu vermelho, no tom de um vinho. Meu pai estava ao meu lado, olhava fixamente para cada um com um sorriso curto no rosto. Não sabia descrever se era de felicidade ou se é por outro motivo.

Uma serva, que permanecia discretamente atrás de mim, sorrateiramente aproximou mais um pouco e sussurrou:
— Senhorita Mo, alguns destes vieram de vilas muito afastadas. Um deles contou que, dias atrás, a vila foi invadida por algo desconhecido e matou quase todo mundo, incluindo sua família.

— Algo desconhecido? — Sussurrei de volta, e a olhei de meia esquina. — E o que foi feito depois?

— Foi enviado guardas para verificar o local, mas...até agora não voltaram.

— Há quanto tempo?

— Cinco dias.

Não consegui disfarçar minha surpresa momentânea, logo perguntei:

— Cinco dias e ainda não voltaram? — Após minha pergunta e a resposta negativa, olhei para os jovens que prosseguiam com a cerimônia. Soltei um suspiro baixo e olhei na direção do homem ao meu lado. Meu pai, que me jogou uma pergunta.

— O que vai ensiná-los primeiro, A-yue? — Ele nem mesmo olhou para mim, então não havia porque continuar o encarando.

— Posso levá-los em uma caçada noturna, de primeira experiência, são eficazes, não concorda? Principalmente para uma situação que nem mesmo um Líder se propôs a fazer e muito menos averiguar... — soltei um arfar e endireitei minha postura. — o porquê de um dos seus não terem retornado há dias.

Quando parei de encará-lo, pude sentir os olhos enfurecidos dele sobre mim. Tudo bem, já que antes mesmo dele dizer alguma coisa, o juramento havia terminado e os sinos soaram três vezes. Cada novo discípulo se curvou até tocar a testa no chão, jurando sua lealdade ao clã.

Eu prossegui.

— Mesmo que não se preocupe com o bem-estar de sua filha ou de seu povo, eu me preocupo. Porque essa é a diferença entre mim e você, papai. — Virei o olhar para ele por um momento. — Partirei hoje mesmo.

Aumentei meu tom de voz:

— Ouviram jovens? — Estendi as mãos para o alto e soltei uma risada. — A noite é apenas uma criança, hehe.

Ah...isso já não sai tão natural, como costumava ser.

Abaixei a cabeça e suspirei baixo.

— Encontro vocês ao lado de fora. — Recuei meus passos e virei meu corpo. Tenho tentado voltar a ser como eu era antes, mas algumas coisas não facilitam muito. Não sei se é por agora eu ser já uma adulta ou...minha antiga personalidade está no fundo do poço.

Há algumas situações na qual eu deveria contar para alguém, mas...olhando a minha volta, não seria estupidez? Independentemente do que ele tenha feito comigo ou com o meu corpo contra minha própria vontade, no final das contas, não é meu noivo?



O pano do meu robe arrastava pelo chão, e meus pés deslizavam sobre a grama, apesar das botas, dava para sentir as folhas úmidas, e acima de mim, o céu noturno com nuvens pesadas.

— Se tivermos sorte, não irá chover.

Caminhei pelo corredor de pedra, ouvindo o eco dos meus próprios passos se misturar ao farfalhar apressado das roupas dos jovens que me seguiam. Ao passar pelo portão principal, o vento entre as lanternas penduras também movimentavam meus cabelos, estava uma brisa bem gelada. Eu gosto disso, sempre gostei de noites frias.

Havia uma estrada que levava até a borda da floresta, e foi até lá que os levei, uma forma de cortar caminhos e também os poupar de serem vistos por pessoas alheias. Os passos dos discípulos eram mais apressados que os meus, pareciam ansiosos. Eu dei um sorriso de canto, por estar à frente deles, eles achavam que eu não estaria escutando as conversas ingênuas.

— Suas espadas são muito bonitas, uau!! — notei que era o menor entre eles quem havia feito o elogio. Era baixo e de bochechas gordinhas.

— Será que vamos lutar contra uma grande criatura?

— Ficou louco? Nem recebemos treinamento ainda.

— Não me diga que você nunca treinou sozinha durante toda sua vida. — o menor implicou. Cruzei meus braços, não ousei interferir e apenas prossegui com o caminho pela floresta escura cheia de árvores, por toda parte. O cheiro da grama molhada se manifestava em minhas narinas, eu amo esse cheiro! Ah, como eu amo!

— Vocês viram o placar dos melhores cultivadores?

Revirei o olhar, ouvir sobre esse assunto de novo me deu nostalgias não tão agradáveis.

— Eu vi! Eu vi! Foi uma grande surpresa pra todo mundo quando viram!

Por um momento fiquei curiosa em saber, então diminui a velocidade de meus passos.

— O primeiro do placar caiu para o segundo! Ouvi falar que ele sempre ficava em primeiro, em todos os anos.

— Eu também ouvi essa história quando passei por uma barraca, havia alguns homens conversando e dizendo sobre quem estava no primeiro.

— Quem era? Essa pessoa ainda está lá, mas...o nome parece ter sido ocultado. — Esse garoto esfregou a mão no queixo e eu voltei a olhar para frente. Foi quando de repente fui pega desprevenida com um rapaz alto vestido de branco, minhas sobrancelhas se ergueram e minha mão foi ao punho da espada, que foi quando a saquei imediatamente e a lâmina cessou o movimento a um centímetro perto do pescoço dele.

Foi quando este menor ergueu as mãos, notei a tremedeira nas pernas e a expressão de desespero. Ele então implorou:

— Não, por favor! Não me mate...eu..p..preciso de ajuda!

— Por que está correndo por aí tão tarde da noite, e ainda no meio dos matos? — Perguntei.

— N...nosso Jovem Mestre.. — Notei que ele não estava apto a continuar dizendo alguma coisa, então guardei minha espada e respirei fundo.

— Pode me levar até lá e mostrar? — O analisei dos pés a cabeça, não aparentava ser uma má pessoa.

— Sim, claro! Por favor! — Assim que o vi recuar os passos e virar de costas para mim, notei suas vestes brancas como nuvem, não era um tecido tão simples e atrás, bem as costas, continha traços azuis. E na cintura, estava um borlas azul amarrado.

— Mantenham as mãos sob o punho da espada. — Murmurei atrás, e rapidamente segui aquele jovem, que desviava de árvores apressadamente em zig-zag.

Caminhamos em silêncio, exceto pelo som dos passos sobre a grama e ao chuvisco que havia acabado de chegar. O jovem de branco seguia na frente até que finalmente pude enxergar luzes amareladas a frente, meus olhos piscaram freneticamente tentando se acostumar com a luz repentina.

Avistei algumas barracas, não era luxuosa, eram apenas lonas esticadas, simples. Senti cheiro de madeira queimada e vi alguns rapazes do mesmo hanfu branco sentados, espalhados por perto, encostados em árvores, outros perto da fogueira improvisada.

— É aqui, não sabia a quem pedir ajuda, então..— Antes que ele prosseguisse, apoiei gentilmente minha mão sobre o ombro deste, o tranquilizando.

— Acredito que seja a maior barraca, certo? — Perguntei, e recebi um aceno de cabeça como resposta. Então eu também assenti e ditei. — Podem fazer companhia a esses garotos também? Acho que todos devem ter a mesma idade.

— Certo, obrigado! Muito obrigado! — Perdi as contas de quantas vezes este jovem se curvou e agradeceu. Ele é fofo!

Levei meus passos até a maior barraca. Não era exatamente a maior, no sentido MAIOR. Mas havia uma diferença com as demais.

— Licença, estou entran- — Assim que deslizei meus dedos ao tecido fino da cortina e abri uma brecha, vi algo inesperado. — MEU DEUS, DESCULPA! PERDÃO!

Recuei meus passos tão rápido, e a cortina se fechou diante meu olhar que, foi abaixando lentamente.

— Mo Meiyan. — A voz do rapaz soou abafada por trás das cortinas. Pude ver sua silhueta através dele, e os olhos azuis fixos aos meus.

— Há quanto tempo... — Forcei um sorriso. — Ye Yuhan..

Me sinto desconfortável...eu não esperava vê-lo, muito menos...com uma mulher em sua cama de palha.  

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