— Você também não quer o casamento? Ha... — enxuguei minhas lágrimas com a manga de meu hanfu. — Que irônico. Achei que só estava fazendo isso...— abaixei a cabeça e suspirei. — Vou aceitar então. Melhor eu me casar com um estatua de buda do que com alguém indesejável, hm?
— Estatua de Buda?
Soltei uma curta risada e funguei o nariz.
— Na época, te nomeei assim. — Deslizei meu olhar de um lado para o outro, fixos aos dele. — Você não é assim. Eu tenho mania de julgar as primeiras impressões, hehe.
Me afastei mais, e aproveitei para me levantar. Levei minha mão até o robe do hanfu e dei algumas batidas para retirar a poeira e algumas folhas da grama que ficaram coladas no tecido.
— Me sinto mal por você ter saído justo com ela. — Cruzei os braços. — Ela não deve ter saído do seu pé hora alguma, do jeito que é gananciosa e intrometida.
—... — Notei que revirou os olhos, não podia ser mais do que uma verdade. Fui recuando os passos, sem tirar os olhos do rosto dele.
— Vou retribuir a ajuda, de alguma forma. — Parei por um momento. — Obrigado, Yuhan.
Ele seguiu meus passos, também no intuito de retornar ao acampamento.
— Me agradeça depois.
Yuhan passou por mim, enquanto eu permaneci imóvel. Deixando um ''tch'' escapar de meus lábios. Ouvindo os passos dele se afastando cada vez mais, rapidamente o segui.
— Como você pretende trocar? Já pensou nisso? Onde vai ser?
⚘
Quando retornamos ao acampamento, todos os garotos estavam tombados para cada canto. E a fogueira estava a se apagar em breve se não a alimentassem com mais lenha. Coitadinhos, com certeza estão exaustos de andarem tanto. Menghua costuma ser grande, as caminhadas são cansativas.
De repente, surgiu um pensamento em minha mente, que resolvi dizer em voz alta assim que me ajoelhei em frente a fogueira. Jogando algumas lenhas que estavam ao lado, evitando que a fogueira se apagasse.
— Parando para pensar agora, é um tanto estranho as marionetes terem vindo para cá e nada ter sido relatado. Se bem que...— inclinei a cabeça para o lado. — Cinco dos nossos guardas sumiram.
— Atraídos?
— Foi o que pensei. Mas que sentido isso faria? Atrairiam até aqui, logo em Menghua? — olhei para ele que estava de pé ao meu lado. A luz amarelada do fogo iluminava o rosto dele. — Ah, e por que você resolveu vir ajudar? Não é como se precisasse.
— Muitas perguntas. — Quando ele disse aquilo friamente, não deixei de revirar os olhos.
— Por que demoraram tanto!?
Estava demorando para o escândalo começar. Apoiei em minhas coxas e me impulsionei a me levantar, meu corpo de repente estava levemente dolorido.
— Feng Xinyue, meça seu tom de voz, os garotos precisam dormir. — Tentei pedir na educação, mas pela expressão dela, não aceitou bem.
— Onde você arrastou meu marido? O que fizeram? Você deveria ter vergonha de tentar cobiçar homem comprometido!
Eu tenho mesmo que ouvir isso? Suspirei, meus passos foram até uma rocha grande ao lado da fogueira, sentei-me sobre ela e endireitei meu corpo.
— Mo Meiyan! — Ela mais uma vez tentou chamar minha atenção, mas a ignorei.
— Atraídos para Menghua... — de repente repeti essas palavras, as mesmas de Yuhan. — Quem ficou responsável pelas marionetes antes, não foi Jiang Renjie?
— Hm, foram aprisionados em uma barreira, para depois ser ateado. — Esfreguei a mão no queixo, após Yuhan dizer.
— Esses Líderes então ainda não ficaram satisfeitos com a morte do Líder Wen. — concluí. — Não vamos fazer nada, deixe que eles se resolvam por enquanto. Vamos eliminar essas que restaram, e vê o que virá depois disso.
— Mo Meiyan...
Revirei os olhos, era inacreditável a insistência dela.
— Aí, o que é? — quando fixei o olhar aos dela...havia algo estranho. Eu me levantei lentamente, e arregalei meus olhos.
— Yuhan. — Chamei a atenção dele, para que ele também olhasse, enquanto observei aquele líquido vermelho saindo dela pelos cinco orifícios. Eu deveria ajudá-la? O que está acontecendo? Rapidamente dei alguns passos a frente para chegar mais perto, mas Yuhan antes ao meu lado, tampou minha visão com as costas dele.
Logo gritei:
— Ei, garotos. Acordem! — suspirei e desviei o olhar para eles que, nem sequer reagiram, apenas houve silêncio, exceto pelo som dela caindo no chão. Fiquei hesitante por um momento, mas institivamente corri na direção de um dos meus discípulos e levei dois dedos abaixo das narinas deles, sentindo um vento curto de suas respirações roçar a minha pele. — Por que isso parece envenenamento?
Olhei ao redor, só havia terra, lenha...o que poderia ter sido?
— A lenha. — Yuhan murmurou algo, quando olhei para trás ele estava aproximando a lenha queimada perto do nariz, provavelmente sentir o cheiro. Rapidamente interferi e bati no pulso dele, fazendo-o largar. — Não saia cheirando as coisas por aí, vai saber o que...isso é...
No momento em que funguei o nariz, senti um cheiro levemente doce; doce demais.
— Luo Sha. — Ele concluiu.
(É uma planta venenosa, prepara com as raízes dessa e insetos secos moídos)
— Hm, é o que parece. Se foi queimado junto com a lenha, o pó deve ter se misturado com a fumaça... — Cruzei meus braços e olhei para a lenha jogada entre a grama, logo direcionei meus passos vagamente até o corpo de Feng Xinyue. — É venenosa, mas não vai matá-la desse jeito. O cultivo dela só deve ser extremamente baixo, por isso sofreu mais danos que os demais que só adormeceram. Normalmente aqui, os moradores jogam Luo Sha nessas árvores, principalmente como adubo, por isso elas crescem tão bonitas.
— Hm. — ele concordou com um simples murmuro.
— A quantidade usada, é justamente para ninguém morrer. — expliquei, tranquilizando-o por mais que não aparentasse estar nada preocupado. Acabei soltando suspiro, junto a um sorriso. — Ahh, essa situação me assustou! Pode ajudá-la? Meu cultivo também não está nos melhores momentos.
— Está bem. — Mais uma vez, ele apenas concordou e se direcionou a garota a frente de meus pés. Colocando-a em seus braços e a erguendo com tamanha facilidade. Por um momento, desviei o olhar.
Ele está muito obediente, o que deu nele?
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