No dia seguinte
No Palácio do Imperador, a atmosfera era de puro caos. Mensageiros corriam de um lado para o outro, guardas formavam filas apressadas nos corredores e servos tentavam organizar documentos importantes, enquanto rumores se espalhavam por todos os cantos do reino: o imperador havia falecido.
— Precisamos informar o príncipe herdeiro imediatamente! — ordenou um dos oficiais de mais alto escalão, com o rosto tenso. — Ele deve assumir o trono antes que a corte entre em pânico.
Enquanto isso, na aconchegante casa de Sara, o sol da manhã entrava pelas janelas, iluminando a cozinha onde Kelly e Sara estavam.
— Bom dia, moças! — disse Kelly com um sorriso sonolento.
— Bom dia, dorminhoca — respondeu Sara, rindo enquanto ajeitava o cabelo.
— Onde está a vovó hoje? — perguntou Kelly, esfregando os olhos.
— Ela foi ao mercado — disse Sara, com um olhar travesso.
— Mas… a despensa já está cheia! Surpreendente para uma casa de camponês.
— Bem, Kelly — disse Sara, sorrindo maliciosamente —, nós somos camponeses. E você?
— Bem... eu costumava ser um mendigo e pobre, mas agora sou um camponês... e aparentemente rico — respondeu Kelly, tentando parecer confiante.
— Você não existe, Kelly — disse Sara, balançando a cabeça em descrença.
Kelly franziu a testa:
— Você ainda não me contou por que a vovó foi ao mercado.
— Ela sempre vai lá para ouvir as fofocas — disse Sara, rindo. — Ela é uma velha intrometida.
A voz suave da vovó Aline ecoou pela cozinha:
— Meninas, vocês não sabem das boas novas? O imperador morreu, e agora elas estão procurando o príncipe herdeiro para assumir o império.
Os olhos de Sara se arregalaram, uma mistura de excitação e curiosidade:
— Isso significa que eu poderia me tornar a Imperatriz?
Kelly levantou uma sobrancelha, uma mistura de descrença e sarcasmo:
— Isso significa que você pode ser imperatriz ou concubina… dependendo da sua classe social, certo?
— Kelly, você está aqui há apenas um dia, e nós nos conhecemos ontem, mas você age como se nos conhecêssemos há anos! — disse Sara, cruzando os braços.
Kelly suspirou, tentando manter a calma:
— Entendi a dica… mas, sabe, às vezes até o peixe estraga no dia seguinte. — Ela soluçou baixinho, lembrando-se de tudo o que havia passado.
A avó Aline, percebendo a tensão, falou com firmeza:
— Sara, não trate sua irmã desse jeito.
— Vó… ela não é minha irmã! Eu só a conheci ontem! — respondeu Sara, na defensiva.
— Mas foi você quem trouxe a Kelly aqui. Então agora ela é sua irmã — respondeu a vovó.
Sara respirou fundo, sua expressão suavizando-se, embora relutantemente:
— Então… ela está indo embora…
Kelly, com os olhos marejados, segurou a mão de Sara:
— Irmã Sara, você está me abandonando? — ela perguntou, triste.
— Claro que não, Irmã Kelly — respondeu Sara, hesitante — é que está na hora de você ir… não que eu queira, mas… chegou a hora.
Kelly sentiu uma mistura de alívio e tristeza:
— Então você não quer que eu vá embora, mas já está na hora? — ela perguntou, soluçando e abraçando Sara.
No silêncio que se seguiu, Kelly pensou consigo mesma:
Ninguém te disse para sentir pena de um estranho... Eu teria dado uma esmola. Mas se você fosse gentil, eu só iria embora quando encontrasse um jeito de voltar para casa ou para um lugar melhor. Até lá, serei um "parasita". Gente, nunca aceitem um estranho em casa!
A avó Aline sorriu, percebendo a reconciliação:
— Fico feliz que vocês tenham se entendido.
Porém, em seu coração, ela pensou:
Não sei quando deixarei este mundo, mas não quero deixar minha querida neta sozinha... e ela precisa conhecer Kelly por algum motivo. Afinal, Kelly é tão astuta quanto nós duas.
Sara e Kelly soltaram o abraço, e Sara, com um sorriso travesso, murmurou:
— A vovó é astuta... mas Kelly não vai ficar aqui como uma dama. Ela vai trabalhar comigo nos campos e nas terras do Imperador. Ela não vai ficar parada, hahaha!
Kelly arregalou os olhos, tentando protestar:
— Irmã Sara… você está feliz que eu não vou embora, não é?
— Claro, minha querida irmã — disse Sara, com um sorriso brincalhão — mas você terá que trabalhar no campo comigo, certo?
— Eu não sei trabalhar no campo e não quero aprender! — respondeu Kelly, cruzando os braços.
— Irmã Kelly, eu não sei, só sei que você vai trabalhar no campo comigo — insistiu Sara, determinada.
Kelly olhou para a avó, implorando:
— Vó… Eu não vou conseguir aprender… Eu tenho uma cabeça teimosa.
— Até as crianças mais novas conseguem — disse Aline firmemente — quem disse que você não vai conseguir?
— Mas vovó… — Kelly tentou protestar.
— Mas nada! Vocês dois vão trabalhar no campo. — Sua voz era firme, não deixando espaço para objeções.
Comments (0)
See all