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A voz que chama por Emi

Capítulo 19: A Linha Que Não Deveria Ser Cruzada

Capítulo 19: A Linha Que Não Deveria Ser Cruzada

Mar 08, 2026

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Abuse - Physical and/or Emotional
  • •  Mental Health Topics
  • •  Physical violence
  • •  Cursing/Profanity
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Shiba Taizou cai. O tiro acerta o braço — nada letal. Só um aviso.  
Ele me olha, imóvel no chão. Não sabia o que ele sentia. Não gritava, não implorava, só me encara com olhos resignados, como se nada importasse — e isso me incomoda.

— O próximo tiro pode ser em outro membro.

Meu tom é neutro. Cruelmente neutro. Como se a frase fosse apenas mais uma observação casual sobre o clima.

Ele respira fundo, e então pergunta:

— Por que só não me mata, senhor Mikami?

— Não sou idiota. Você sabe de coisa demais pra morrer calado. E eu tô ficando sem paciência.

Minha mão aperta o revólver com mais força. A cada segundo, a ideia de puxar o gatilho fica mais... fácil. Mais aceitável. Taizou ri. Não alto. Mas ríspido, ácido. Como se se divertisse vendo a minha reação. Ele, ainda sentado, me olha nos olhos e diz:

— Quer que eu conte uma historinha?

Mas antes que possa dizer mais alguma coisa, ouço o som da maçaneta sendo forçada. Voz conhecida. Gritada. Desesperada.

Yuki.

— Haru?! Que porra foi isso?! Você tá bem?!

Merda.

Digo a primeira coisa que me vem:

— Tá tudo bem, Yuki. Estou resolvendo.

Mas então o desgraçado sorri. E grita:

— Socorro, senhorita Yuki! Ele vai me matar!

Filho da puta.

O som que vem a seguir é diferente. Não é mais só a maçaneta girando. É impacto. Peso. Fúria.  
Então a porta cai. Madeira estilhaçada. E ali está ela.

Yuki.  
A arma em punho. Quando entra, ela fica desesperada, olhando pros lados, tentando entender o que estava acontecendo. Até que paralisa ao ver a cena: eu, com a arma. Taizou, ferido.  
Ela passa um tempo sem reação, como se estivesse tentando entender a situação. Então, meio trêmula e lentamente, aponta a arma pra mim.

— Abaixa a arma, Yuki. Você está atrapalhando — digo, tentando falar com ela como amigo.

— Você atirou nele? — diz Yuki, sua voz quase segurando um choro, misturado com um certo medo.

Ela tá em choque. É nítido. Mas isso não muda o que precisa ser feito.

— Fiz o necessário — respondo com um tom firme.

— Necessário? Haru, ele é suspeito. Não sabemos até onde ele tá envolvido nessa história! Que merda você tá fazendo?! Você é um policial e...

— Ex-policial, Yuki — interrompo, seco. — Eu não tenho tempo pra perder com burocracia e esse blá blá blá.

Viro de volta pro maldito e rosno:

— Fala logo o que você fez no orfanato. Fala logo!

Mas ela ainda está ali. A voz dela me corta como uma lâmina.

— Haru, solta a arma. Não piora as coisas.

Miro em Taizou, mas olho pra ela. O que vejo é traição.  
Yuki realmente não entende. Ela acredita que pode me parar?  
Eu sabia. Confiar nela era um erro... um erro que não vou cometer de novo.  
Seguro a arma com mais força. Meus dedos doem. Meu peito também.  
Respiro. Frio. Focado.

— Faz o que quiser, Yuki. Mas esse desgraçado tem sangue nas mãos. Eu sei disso.

— Não me faça fazer isso, velhote.

A tensão preenche o ar como gás inflamável.

E então — o inesperado.  
Taizou se levanta.  
Rápido demais.

Eu me viro. Ia atirar. Mas antes disso...

_BANG!_

A dor explode na minha mão. Minha arma cai longe. O sangue escorre pelas minhas mãos.  
Em seguida, fico em choque. Yuki realmente atirou...  
E o choque dá lugar à raiva. Então eu grito:

— QUE MERDA VOCÊ TÁ FAZENDO, YUKI?!

Taizou aproveita. Corre como um rato.  
Eu tento ir atrás, mas ela me intercepta e aponta a arma pra mim.  
Agora não há mais hesitação em seus olhos. Nesse momento, eu sabia que ela poderia atirar de novo.  
Tento ficar mais calmo, mas não consigo esconder minha raiva. Mesmo falando baixo, eu digo:

— Yuki... abaixa isso.

— Você tá preso. Você passou de todos os limites.

— ELE É CULPADO, YUKI!

— Provas, Haru?! Só porque ele trabalha no orfanato? Eu também achei tudo errado, também fiquei em choque, mas isso aqui... isso aqui é cruzar uma linha que não dá pra voltar!

— Você não sabe de merda nenhuma! Não sabe o que é se sentir culpado por não ter levado a filha pra porcaria de um parque. Por saber que, se tivesse levado, ela estaria aqui comigo!

A raiva queima minha garganta. A culpa me queima o peito.

— O que você sabe fazer é só falar de como sua vida é uma merda...

Ela diz.

E eu perco o chão.

— Você não sabe de nada, sua vida é perfeita demais, Yuki... não sabe o que é carregar uma culpa de verdade, e...

— Eu matei meu pai, Haru.

Silêncio.

O mundo para.

Ela me encara. Os olhos marejados. A voz trêmula. Mas firme.

— Meu pai batia na minha mãe. E em mim. Todos os dias.  
Um dia, minha mãe foi parar no hospital. Levou uma surra tão grande que quase morreu. Ficou paralítica.  Eu voltei pra casa, peguei uma faca.  Ele veio pra cima de mim... e eu o finalizei. — Ela chora. Só um pouco. Mas o suficiente pra me rasgar por dentro. — O policial que sabia do histórico da minha família... colocou como suicídio.  Mas eu sei que não foi. Minha mãe... ela não sabe. Não sabe a verdade.  Isso é um segredo que nunca vou revelar pra ela.  
Então, Haru... eu não carrego uma culpa?

Silêncio.  
E, dessa vez, sou eu quem não tem mais palavras.  
Ela se aproxima. Devagar. Como quem fala com um animal ferido.

— Por favor... vem. Antes que você faça algo que nem você consiga perdoar depois.

Eu a encaro. E só constato o óbvio.

— Eu acho, Yuki... que esse é o fim da nossa parceria.

Corro. Pulo pela janela. Quando caio no chão, a queda é tão grande que arranca o ar dos pulmões.  
Me levanto lentamente. Minha mão com leves feridas por causa do vidro.  
Começo a andar cambaleando. Meus ossos gritam a cada passo.  
Aos poucos, começo a aumentar a velocidade até que estou correndo, indo até o carro da Yuki.

Arrebento o vidro.

Abro a porta e entro. Rapidamente faço ligação direta. O motor ronca.  
Ela aparece na janela, aos gritos, como se quisesse desesperadamente me parar.  
Mas antes de qualquer reação que ela poderia ter, eu acelero.  
Pelo retrovisor, apenas vejo ela ajoelhada. Estava chorando muito.  
Mas agora não tinha tempo pra isso.  
Precisava terminar esse caso.

---

Neste dia, tudo mudou.
itsukiharumaen
Itsuki Haruma

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