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A voz que chama por Emi

Capítulo 20: Fios Soltos e Cicatrizes Abertas

Capítulo 20: Fios Soltos e Cicatrizes Abertas

Mar 15, 2026

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Mental Health Topics
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Corri com o carro da Yuki como se cada segundo fosse um passo a mais rumo ao meu próprio fim. O coração martelava descontrolado, a adrenalina queimando nas veias. Só havia um pensamento na minha cabeça: _ela vai pro meu apartamento_. Era óbvio demais. Se estivesse no lugar dela, também começaria por lá. E eu não podia deixar que chegasse antes de mim. Não agora... não quando eu estava tão perto de juntar a última peça desse maldito quebra-cabeça.

Parei o carro em frente ao prédio, larguei a porta aberta sem olhar pra trás e subi as escadas como um condenado correndo pra fugir da forca. Ao entrar no apartamento, fui direto ao armário. Arranquei de lá uma mochila velha — puída, suja, um zíper meio torto — mas serviria. Enfiei roupas de qualquer jeito, sem pensar. Por cima, joguei as provas do caso. Antes de sair, dei uma última olhada ao redor.

Baratas desfilavam pelo chão como se fossem inquilinas legítimas. O lixo se espalhava pelos cantos, a poeira dominava cada móvel. Era o retrato perfeito da minha própria decadência. E, mesmo assim, até isso eu teria que deixar pra trás.

Respirei fundo. Fechei a porta.

Ao chegar perto do carro da Yuki, hesitei. Usar o carro agora chamaria atenção demais. Melhor o metrô. E fui correndo até a estação.

Sentei num banco, tentando parecer calmo enquanto minha mente girava como um ventilador quebrado: barulhenta, inútil e sem direção. Nenhum plano fazia sentido. Nenhuma saída parecia segura.

Foi então que algo escorregou do meu bolso.

Uma foto.

Abaixei, peguei. O rosto do garoto desaparecido... Renji. No verso, um endereço rabiscado. Fiquei olhando por alguns segundos, e então uma ideia se acendeu. Se o Renji sumiu por causa de um infectado... talvez investigando o caso dele eu consiga novas pistas sobre tudo.

O sol castigava quando cheguei à rua indicada. O calor grudava na pele, mas continuei até parar diante de uma casa simples. Era aqui. Subi os degraus e bati.

Tomoe apareceu pouco depois. O olhar dela correu de cima a baixo, medindo cada detalhe meu. Quando me reconheceu, vi, por um instante, algo parecido com esperança acender nos olhos dela.

— Então, encontrou algo sobre meu filho? Alguma pista sobre o caso?

— Bom... vim te perguntar sobre seu filho, Tomoe. Posso entrar?

A expressão dela mudou. Raiva contida, dias acumulados.

— Só agora você vai começar a investigar o meu caso? — perguntou Tomoe num tom de revolta.

Respirei fundo.

— Como você mesma sabe... eu estou investigando o caso da minha filha. E... com o andar das minhas investigações... acredito que sim, os casos estejam ligados.

Era vago. E propositalmente assim. Eu não queria — e talvez nem pudesse — envolver Tomoe mais do que o necessário.

Foi então que ela notou minha mão.

— Meu Deus, o que aconteceu com sua mão?! — Tomoe diz com um tom de surpresa.

Olhei para ela como se fosse a primeira vez que lembrava do ferimento. Entre tantas coisas, o tiro da Yuki tinha quase se perdido na pilha de problemas.

— Isso? Não se preocupe, foi de raspão. Então, queria...

— Entre, vou tratar desse ferimento. — disse Tomoe, me interrompendo num tom quase autoritário.

Entrei. O contraste com meu apartamento era quase ofensivo: cada canto brilhava, móveis tão polidos que poderiam servir de espelho. Na estante, livros alinhados por cor. Enfeites dispostos em ordem de tamanho. Uma arrumação tão precisa que passava de zelo para compulsão.

Pouco depois, Tomoe voltou com os curativos. Sentou-se e, com delicadeza meticulosa, começou a cuidar do ferimento.

Olhei ao redor e notei uma foto dela com Renji.

— Bela foto.

Ela fixou o olhar nela, como se fosse sugada para dentro daquela lembrança. Um sorriso leve escapou.

— Ele estava tão feliz naquele dia. Nesse dia saímos pra pegar insetos... ele adorava ver essas espécies novas... — diz Tomoe com um sorriso meio triste.

— Entendo. A Emi... ela mal conseguia olhar pra um besouro sem gritar.

— Por que exatamente você está aqui? — Tomoe pergunta, nitidamente querendo mudar de assunto.

— Como havia dito: se eu encontrasse algo que interligasse os casos, eu iria encontrar seu filho... Bom, acho que pode ser o caso. Se eu encontrar minha filha, posso descobrir o que aconteceu com Renji, no mínimo.

— O que interliga o caso do meu filho com o da sua filha?

— Não posso falar. Só sei que estou no caminho certo. E a única coisa que pode me parar agora... é um tiro na cabeça. E olhe lá.

Ela franziu o cenho, intrigada.

— O que você quer saber do caso do Renji?

— Bom, pra começar, pode me relembrar como exatamente o Renji sumiu?

Tomoe hesitou. Segurou o próprio braço, como se as lembranças pesassem. A voz saiu baixa.

— Deixei Renji aqui em casa pois iria fazer compras num mercadinho aqui perto. Era coisa de dez minutos.

— O mercadinho era muito longe daqui?

— Não, eu até vou andando. É uns quatro minutos de caminhada. Demorei cerca de vinte minutos... e quando voltei, a porta estava aberta e a casa revirada.

As lágrimas vieram. E eu, sem muito jeito, passei a mão pelas costas dela — como quem tenta apagar um incêndio com um copo d’água.

— Me lembro que você falou que seu vizinho estava estranho...

— Sim, eu desconfio dele... Antigamente ele era um bom vizinho. Ele trabalhava com crianças, então sabia como dialogar bem com elas.

— Trabalhava com crianças? Hum... com o quê ele trabalhava?

Tomoe pensou, franziu o cenho.

— Não sei exatamente com o quê, mas sei que ele trabalhava num orfanato... Asas do Amanhecer, se eu não me engano.

O nome bateu como um soco. Eu congelei.

Talvez esse caso fosse exatamente a peça que faltava para completar meu quebra-cabeça.
itsukiharumaen
Itsuki Haruma

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