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Sangue & Sombras - Ciclo do Sangue - Livro Um

3: A NOITE EM QUE NOS CONHECEMOS (Parte 1 de 5)

3: A NOITE EM QUE NOS CONHECEMOS (Parte 1 de 5)

Dec 22, 2025

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Abuse - Physical and/or Emotional
  • •  Drug or alcohol abuse
  • •  Blood/Gore
  • •  Mental Health Topics
  • •  Physical violence
  • •  Cursing/Profanity
  • •  Sexual Content and/or Nudity
  • •  Sexual Violence, Sexual Abuse
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A noite em Blue Lagoon estava fervendo, e o Bronze, a casa noturna mais famosa entre os jovens da cidade, era o epicentro daquele turbilhão de energia. O prédio tinha uma estética única, uma mistura intrigante de estilos industriais, artísticos e modernos. Os muros de tijolos expostos contrastavam com neons brilhantes, e as luminárias de ferro forjado pendiam do teto, projetando sombras sobre os corpos em movimento. O som pesado da música pulsava, reverberando nas paredes e no chão, fundindo-se com os batimentos cardíacos de quem estivesse ali dentro.

Ao entrar no Bronze, a sensação de euforia era imediata, um arrepio que subia pela espinha, causado pela dança de luzes e pelo calor dos corpos que se espremiam na pista de dança. O ar estava carregado de perfume, álcool e luxúria. Jovens se movimentavam em sincronia, amontoados, seus corpos colados, trocando olhares, toques, beijos e, sem dúvida, segredos. A energia era inebriante, quase palpável.

No centro de tudo, estava Alexander. Ele se movia como um predador, com uma graça indiscutível que hipnotizava todos ao seu redor. Seus olhos azuis, realçados por um delineado preciso que os tornava perigosamente felinos, varriam o ambiente, absorvendo a atenção sem nem precisar tentar. As luzes piscavam em um ritmo frenético, e a forma como os flashes de neon dançavam sobre seu corpo apenas acentuava sua presença. Sua pele, levemente suada pelo calor da pista, brilhava sob as luzes.

Alexander estava vestindo uma calça de couro preta, justa ao ponto de quase parecer pintada em seu corpo, moldando suas pernas e destacando seus quadris. O cropped que ele usava era curto, com a frase provocativa "Sex is a Bitch!" escrita em letras prateadas e brilhantes. O tecido parava logo abaixo de seu peito, deixando à mostra seu abdômen esculpido, não exageradamente definido, mas o suficiente para atrair olhares. Correntes prateadas pendiam de sua calça, balançando suavemente a cada movimento, e uma jaqueta de couro pendia de seus ombros, completando o visual com um toque de despreocupada rebeldia. Em seu pescoço, uma gargantilha de couro preto ajustada, adicionando um toque sutil de subversão.

Ele se movia com uma habilidade quase sobrenatural, sua dança era pura eletricidade. Os corpos ao redor se aproximavam dele como se fossem atraídos por algum tipo de magnetismo. Mãos desconhecidas se aventuravam por sua cintura, dedos deslizavam por sua pele, agarrando-se a ele como se quisessem roubar um pedaço de sua energia. Ele não se importava, apenas deixava-se levar. Era como se o ritmo da música estivesse fundido a cada célula de seu corpo, controlando seus movimentos com precisão e graça.

As palavras obscenas sussurradas em seu ouvido, incompreensíveis devido à música alta e ao frenesim, chegavam até ele como uma brisa quente, um misto de tentação e provocação. Ele apenas sorria de canto, continuando sua dança, ignorando o que ou quem estava ao seu redor. Não importava. Naquele momento, Alexander era o centro do universo, e cada batida da música era uma extensão de sua própria alma.

Seus cabelos estavam ligeiramente desarrumados, caindo de forma provocante sobre sua testa. Seus lábios, cobertos por um brilho rosado, refletiam a luz suave do local, convidativos e sedutores. De vez em quando, ele mordia levemente o lábio inferior, um gesto involuntário que atraía olhares ainda mais intensos. O ambiente ao seu redor parecia derreter-se na intensidade de seus movimentos, criando uma aura quase mística, onde o desejo e a atração comandavam.

Ele não falava, não precisava. Seu corpo falava por si, e cada olhar que ele trocava com alguém na multidão era suficiente para transmitir tudo o que as palavras não conseguiam. A música mudava de faixa, o ritmo se tornava mais lento, mas isso não o impedia de continuar. Alexander deixou-se levar, deslizando pelas batidas lentas com a mesma fluidez e confiança, enquanto os corpos ao redor continuavam a buscar o dele.

Em algum momento, ele sentiu uma presença mais intensa se aproximar. Não eram apenas mãos anônimas dessa vez, mas uma presença que parecia carregar um peso, uma força que ele não havia sentido antes. Ele se virou, seus olhos brilhantes capturando a luz fraca do local enquanto ele tentava identificar quem ou o que estava ali. Uma figura nas sombras, talvez, observava-o, mas em meio à dança e ao calor, era difícil distinguir. Ele suspirou, deixando o momento de tensão passar, enquanto voltava ao ritmo hipnotizante da música e da dança, a adrenalina ainda correndo por suas veias.

Naquele instante, Alexander era pura liberdade, sem limites, sem amarras.

Tudo ao redor era uma tempestade de som e luz, mas Alexander sabia que precisava sair. A música, os corpos suados e os olhares provocativos começaram a perder seu apelo à medida que a exaustão tomava conta. Ele deslizou para fora da pista de dança, passando pelas mesas cheias de jovens conversando animadamente e pelo balcão onde o bartender atendia pedidos freneticamente. Ao empurrar as portas duplas de vidro, o ar fresco da noite o envolveu como um alívio.

Do lado de fora, o céu da Louisiana estava encoberto por nuvens pesadas, e o aroma de terra úmida misturava-se ao leve cheiro de cigarro que vinha da área de fumantes do estabelecimento. Ele tirou o celular do bolso para verificar a hora: 2:03 da manhã. O brilho da tela iluminou brevemente seu rosto, destacando a tensão que se formava em sua expressão. Um leve suspiro escapou enquanto a ansiedade o invadia.

Seus pais. Eles provavelmente já tinham percebido sua ausência, e, embora soubesse que isso não era novidade, a ideia de um confronto ao chegar em casa o deixou inquieto.

Antes de partir, seus olhos vagaram pela rua deserta. Blue Lagoon tinha uma beleza peculiar à noite, mesmo em áreas mais agitadas como aquela. As lanternas de ferro forjado derramavam uma luz quente sobre as calçadas de tijolos, e as sombras das árvores balançavam suavemente ao vento. Ele se permitiu respirar fundo, tentando acalmar o turbilhão em sua mente.

Foi nesse momento que uma lembrança emergiu, nítida como se estivesse acontecendo ali, naquele instante. O Bronze ainda era o ponto de encontro favorito de Alexander e seus amigos antes de sua viagem para a França. Naquela época, ele, Fred, Barbara, Claire e Clara costumavam estender as noites de diversão ao se aventurarem pela trilha da floresta, que começava atrás da boate. Fred, sempre ousado, liderava o grupo, enquanto Clara protestava nervosamente sobre os perigos de andar na floresta à noite. Barbara ria, zombando da cautela da amiga, e Claire mantinha um sorriso tranquilizador que parecia dizer "estamos bem". Alexander se lembrava de rir junto com eles, sentindo-se invencível na companhia daqueles que o conheciam melhor.

A trilha levava diretamente ao antigo cemitério de Blue Lagoon, um local que, apesar de seu potencial para ser assustador, era uma das áreas mais serenas da cidade. Era ali que o grupo se sentava por horas, conversando, compartilhando segredos e sonhos enquanto as estrelas brilhavam acima. Ele sentiu um sorriso surgir em seus lábios enquanto essa lembrança o preenchia de uma nostalgia agridoce.

"A trilha..." ele murmurou para si mesmo.

Fazia anos que não passava por ali. Talvez fosse mais seguro pegar o caminho pela estrada, mas algo na ideia de revisitar aquele atalho o atraía. Ele guardou o telefone no bolso, ajustou o cropped e começou a caminhar em direção à entrada da trilha.

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Victor Nobre

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3: A NOITE EM QUE NOS CONHECEMOS (Parte 1 de 5)

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