O cemitério, que antes parecia um refúgio, agora parecia um labirinto sem saída. Cada lápide era uma barreira, cada estátua, uma sombra ameaçadora. Ele sabia que precisava encontrar uma maneira de sair dali, e rápido.
"Se eu conseguir chegar ao portão sul, estarei na rua principal." pensou.
Mas o portão sul ainda estava a alguns distantes metros de distância, e os passos dos rapazes agora eram quase sincronizados com os seus.
— Qual é, só queremos conversar! — gritou um deles novamente, sua voz agora mais séria, com um toque de impaciência.
Alexander sabia que, naquele momento, suas opções estavam se esgotando.
— Cara, você anda rápido, hein? — um deles zombou, com um tom de provocação que o fez encolher por dentro.
— Dá pra ir mais devagar? — resmungou o outro, o tom de voz carregado de irritação controlada. — Olha pra gente, não somos uma ameaça. Só queremos conversar.
Alexander ignorou, o coração disparado e a respiração ofegante. Ele sabia que não era seguro parar ou responder. Aquilo não era uma simples brincadeira; a tensão crescente no ar o denunciava.
Quando achou que poderia ganhar alguma distância, cometeu o erro de olhar para trás novamente, na esperança de calcular o espaço entre ele e os perseguidores.
Foi uma decisão que logo lamentaria.
Ao girar o rosto para frente, viu as figuras dos outros dois rapazes surgindo de um ângulo cego, bloqueando completamente o caminho à frente. Eles apareceram de repente, como se o tivessem esperado o tempo todo, sorrindo de maneira inquietante. Suas sombras se alongavam sob o luar, criando a ilusão de predadores preparados para o ataque.
Antes que pudesse reagir, Alexander sentiu mãos firmes agarrando seus braços, uma pela esquerda e outra pela direita. Os dois que estavam atrás o haviam alcançado, prendendo-o no lugar.
— Ei, calma aí, docinho! — disse um deles com um sorriso forçado. — A gente só quer conversar, não precisa entrar em pânico.
Alexander tentou se soltar, mas a força combinada dos dois era esmagadora. Ele se debateu, o pânico crescendo, mas era como lutar contra grandes correntes de ferro.
— Olha só o que temos aqui, galera... — comentou um dos rapazes segurando-o pelo braço esquerdo, seu olhar descendo para as roupas. — Parece que alguém saiu do Bronze querendo chamar atenção.
Os outros riram em uníssono, suas vozes soando como um coro de chacais.
O rapaz continuou:
— Sério, cara, que calça é essa? Isso aí tá colado na sua pele ou o quê? — Ele estalou a língua em falso desagrado. — Bem justinho, hein? Mostrando cada detalhe.
Alexander se sentiu exposto, o rosto queimando de vergonha e raiva. Sua calça de couro preta estava justa, quase como uma segunda pele, moldando suas pernas e destacando seus quadris de maneira provocativa. O cropped que usava, com a frase brilhante "Sex is a Bitch!", deixava seu abdômen parcialmente à mostra, revelando uma definição leve, mas atraente. Era um visual que ele usava para se sentir confiante, mas naquele momento parecia um alvo para o escárnio cruel dos rapazes.
Outro rapaz, que até então estava quieto, aproximou-se lentamente.
Ele era mais alto, com cabelos bagunçados e olhos que cintilavam à luz da lua. Com um sorriso perigoso, ergueu a mão e acariciou o rosto de Alexander, que virou o rosto instintivamente, tentando escapar do toque.
— Calma, calma... — ele murmurou, a voz baixa e perigosa. — Não precisa ficar assim. Só tô admirando sua pele. — Seus dedos roçaram a bochecha do garoto vulnerável, que se encolheu ao toque gélido e invasivo. — Tão macia. Tão branquinha. E esses olhos... Azuis como gelo.
Alexander engoliu em seco, tentando controlar o desespero que ameaçava transbordar. O toque o enojava, mas ele sabia que qualquer movimento brusco só pioraria a situação.
O rapaz mais impaciente do grupo, que parecia ser o líder, finalmente interveio. Ele tinha uma postura rígida, e seus olhos fixos em Alexander emanavam impaciência e um certo prazer sádico.
— Para de enrolar, — ele rosnou, segurando o rosto de Alexander com força, obrigando-o a encarar seus olhos. — Não se faça de difícil. Não estamos pedindo, garoto.
Alexander tentou se soltar mais uma vez, mas o rapaz apertou sua mandíbula, tornando o movimento impossível. O líder olhou para os outros e deu um sorriso perverso antes de dar a ordem:
— Levem ele mais pra dentro. Não queremos que o nosso novo brinquedinho fuja, não é?
Os outros riram, e os dois que seguravam Alexander começaram a arrastá-lo com força. Ele lutou, mas não adiantava. Estava cercado, preso, e suas chances de escapar diminuíam a cada passo que davam para longe da saída.
A lua cheia continuava brilhando no céu, testemunha silenciosa do cerco que se fechava ao redor de Alexander no coração do cemitério.
A paisagem desolada do cemitério era ainda mais sinistra naquela área inexplorada. A lua cheia filtrava-se por entre galhos retorcidos de árvores antigas, iluminando de forma inquietante as estátuas góticas e as catacumbas sombrias. O ar estava impregnado com o cheiro de terra revirada e vegetação úmida, um lembrete de que a morte rondava cada centímetro daquele lugar.
Alexander foi arrastado até uma cova aberta cercada por túmulos recentes. O solo solto ao redor sugeria que alguém havia sido enterrado ali há poucos dias. Ele foi jogado brutalmente ao chão, caindo com força sobre o gramado úmido. Instintivamente, começou a se arrastar para longe, a terra fria grudando em suas mãos e joelhos.
Os quatro rapazes pararam a alguns metros dele, trocando olhares cúmplices e sorrindo com um prazer sádico. Seus olhos brilhavam com um misto de excitação e perigo, transformando a noite em um espetáculo de tensão sufocante.
— E então, o que vamos fazer pra nos divertir? — perguntou um deles, inclinando a cabeça para o lado, como um animal estudando sua presa.
— O que quisermos... — respondeu outro, soltando uma risada baixa. — Afinal, estamos diante do garoto mais soltinho da cidade.
A gargalhada deles ecoou entre os túmulos, amplificando o desconforto que apertava o peito de Alexander. Ele se levantou lentamente, mantendo os olhos nos agressores, a mente girando em busca de uma saída.
— Ei, reconheci ele assim que o vi. — disse o terceiro, apontando para Alex com desdém. — Esse aí é o irmão bastardo do queridinho do reitor da universidade, aquele tal Igor Montgomery que desapareceu. Sempre se gabando de como virou uma figura de respeito.
— Que piada! — murmurou outro, balançando a cabeça. — Porque todo mundo sabe que o bastardo aqui é famoso por outros motivos. Aposto que metade dos caras da universidade já ouviu falar dele... ou esteve com ele.
O comentário provocou risadas ainda mais altas. O segundo rapaz continuou, com um sorriso de escárnio:
— O meu primo, Isaac, vivia se gabando o desgraçado. Disse que o garoto aqui é fogoso pra caramba. Sempre aceitou tudo. Ao contrário das garotas das fraternidades, que adoram fazer charme.
A humilhação subiu como fogo pelo corpo de Alexander. Ele apertou os punhos, o coração disparado, mas com uma determinação começando a se formar em meio ao medo.
O líder do grupo, o mais impaciente, deu um passo à frente, os olhos brilhando com uma mistura de desprezo e excitação.
— Então é isso... — ele decretou, olhando para os amigos. — Já que Isaac fez tanta propaganda, eu vou ser o primeiro a provar.

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