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Sangue & Sombras - Ciclo do Sangue - Livro Um

3: A NOITE EM QUE NOS CONHECEMOS (Parte 4 de 5)

3: A NOITE EM QUE NOS CONHECEMOS (Parte 4 de 5)

Dec 22, 2025

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Abuse - Physical and/or Emotional
  • •  Drug or alcohol abuse
  • •  Blood/Gore
  • •  Mental Health Topics
  • •  Physical violence
  • •  Cursing/Profanity
  • •  Suicide and self-harm
  • •  Sexual Content and/or Nudity
  • •  Sexual Violence, Sexual Abuse
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Alexander ergueu-se de uma vez, a postura firme e defensiva. Ele podia sentir o pânico fervendo em suas veias, mas sua mente se agarrou a uma memória específica: um ensinamento de um de seus tutores na França.

"A melhor defesa é o ataque. Nunca espere que eles façam o primeiro movimento se puder evitá-lo."

— Não encostem em mim! — Alexander disse, a voz tremendo, mas cheia de uma firmeza inesperada.

Os rapazes pararam por um momento, surpresos com a reação. O líder riu, zombando do tom desafiador.

— Ah, docinho, é um contra quatro. Vai fazer o quê? Dançar pra gente?

Sem aviso, ele avançou.

Alexander recuou apenas um passo antes de explodir em ação, movendo-se rápido como uma serpente. O treinamento básico que aprendera na França guiou seus movimentos. Ele se abaixou e girou o corpo, usando o peso e o impulso do agressor contra ele.

O rapaz tropeçou, perdendo o equilíbrio, e Alexander o derrubou com um golpe seco no ombro. O agressor caiu a alguns metros de distância, batendo o rosto no chão.

Os outros três ficaram estáticos por um momento, seus sorrisos desvanecendo-se em expressões de surpresa e raiva. Alexander se reposicionou rapidamente, assumindo novamente a pose de ataque. Seus olhos azuis brilhavam com uma determinação feroz, os punhos cerrados e prontos para reagir ao próximo movimento.

— Quem é o próximo? — Alexander perguntou, sua voz baixa e carregada de desafio.

O silêncio que se seguiu foi interrompido pelo som de grilos distantes e o farfalhar das folhas ao vento. Mas ele sabia que a luta estava longe de terminar.

Aquele canto esquecido do cemitério, envolto em sombras de árvores centenárias, tornava-se o palco de uma luta desigual, cada ruído amplificado pelo silêncio opressivo ao redor.

Alexander mantinha sua posição defensiva, os músculos tensos, o coração batendo com tanta força que parecia que podia explodir. Os olhos azuis dele faiscavam, desafiando os três rapazes que o encaravam com desprezo renovado. O primeiro rapaz ainda estava no chão, gemendo de dor enquanto limpava a terra do rosto.

Um segundo rapaz avançou, murmurando algo entre os dentes, um som mais selvagem do que articulado. Alex reagiu rapidamente, girando o corpo e levantando o joelho em um movimento que atingiu o estômago do agressor com força suficiente para arrancar o ar de seus pulmões. O rapaz dobrou-se ao meio, caindo de joelhos enquanto emitia um gemido de dor.

O som dos outros dois correndo ecoou como trovões no silêncio. Mal tendo tempo de se virar antes que o terceiro rapaz o acertasse com um empurrão violento, desequilibrando-o. Ele caiu sobre uma lápide gasta, sentindo a pedra fria e áspera contra as costas. Antes que pudesse reagir, o quarto rapaz estava sobre ele, agarrando seus braços enquanto o terceiro desferia um soco brutal em seu abdômen.

O impacto arrancou-lhe o fôlego, e uma dor aguda irradiou por todo o seu corpo. Outro soco veio, desta vez em seu rosto. Ele sentiu o gosto metálico do sangue encher sua boca, enquanto sua visão tremulava por um instante.

— Segurem ele! — gritou o líder, que agora se levantava, a expressão distorcida pela raiva e pela humilhação.

Os dois que estavam sobre Alexander o puxaram para cima, torcendo seus braços para trás com força suficiente para fazer seus ombros arderem. Ele tentou lutar, chutando e se contorcendo, mas os dois o seguravam com brutalidade implacável.

O líder se aproximou lentamente, limpando o sangue que escorria de um corte no lábio inferior. Seus olhos brilhavam com uma mistura de fúria e um prazer sádico. Ele ergueu a mão, gesticulando para que os outros colocassem Alexander de joelhos.

— Vamos ver o quão corajoso você é agora, seu merda... — disse ele, a voz baixa, mas carregada de um tom ameaçador que fez os pelos da nuca de Alexander se arrepiarem.

Os rapazes obedeceram, empurrando Alexander para baixo até que seus joelhos tocassem a terra úmida. Ele sentiu o frio penetrar suas roupas, a sujeira grudando em sua pele, mas manteve a cabeça erguida, recusando-se a mostrar submissão.

— Você devia saber seu lugar... — continuou o líder, inclinando-se para encará-lo diretamente. — Mas, sabe, talvez seja bom você aprender essa lição do jeito mais difícil.

Alexander cuspiu sangue no chão, a respiração pesada e irregular, mas seus olhos não vacilaram. Ele sabia que precisava manter a calma, mesmo com o medo crescente apertando seu peito. A ameaça implícita naquelas palavras pairava no ar como uma lâmina prestes a cair.

Os outros três rapazes riam ao redor, como hienas esperando para se banquetear com o terror de sua presa. O líder estalou os dedos, e o som seco ecoou, cortando o silêncio.

— Segurem ele firme! — ordenou, enquanto o suspense no ar se tornava quase insuportável.

O cenário ao redor parecia ainda mais sombrio agora. As sombras das árvores pareciam se alongar, como se o próprio ambiente estivesse conspirando contra Alexander. Seu coração batia tão alto que mal conseguia ouvir os sons ao redor, mas sua mente estava afiada, buscando desesperadamente uma maneira de escapar daquela situação.

Seus joelhos estavam afundados na terra úmida, as mãos dos agressores apertando-o com força suficiente para marcar sua pele. O cheiro de terra recém-remexida e flores murchas enchia o ar, misturando-se com a sensação de sangue seco em seus lábios.

— Segurem ele firme, droga! — o líder dos rapazes repetiu, a voz carregada de uma malícia gélida. Ele se abaixou, aproximando-se de Alexander como um predador saboreando o momento antes do ataque final.

Alexander fechou os olhos com força, o corpo enrijecido de puro medo. O som de um zíper sendo aberto cortou o silêncio, e seu coração quase parou. Uma onda de pânico absoluto percorreu seu corpo. Ele tentou se soltar, mas o peso das mãos que o seguravam era insuportável.

E então, como se a noite tivesse decidido intervir, um som ecoou na distância. Era leve no início, quase imperceptível, mas o suficiente para fazer os agressores hesitarem.

— O que foi isso? — um deles perguntou, a voz tensa.

O líder parou, erguendo o rosto na direção do som. Uma expressão de irritação cruzou seu rosto antes de ele estalar os dedos para dois dos rapazes.

— Vão ver o que é, porra! — ordenou, apontando na direção de onde o ruído viera.

Os dois obedeceram, resmungando algo enquanto se afastavam. O som de seus passos sobre folhas secas foi desaparecendo na escuridão, deixando Alexander sob a guarda de apenas um dos rapazes. O líder permanecia à frente, os olhos fixos em Alexander como se estivesse avaliando sua próxima jogada.

Por um breve momento, tudo ficou quieto novamente, o silêncio apenas quebrado pela respiração pesada de Alexander e pelo ocasional farfalhar das árvores ao vento.

Mas então vieram... os gritos.

Eles começaram como murmúrios distantes, quase confusos, antes de se transformarem em gritos de puro desespero. Eram vozes masculinas, cheias de súplica e terror, ecoando pelo cemitério como fantasmas clamando por ajuda.

O rapaz que segurava Alexander congelou, suas mãos relaxando por reflexo. Ele virou o rosto na direção dos gritos, seus olhos arregalados.

— O que diabos...? — murmurou, mas antes que pudesse terminar a frase, outro grito cortou o ar, ainda mais próximo.

Aproveitando o momento, Alexander tentou se levantar, mas uma mão firme o empurrou de volta. Desta vez, não foi com força — era o peso de alguém que já não tinha mais a mesma convicção.

— Joga ele na cova! — o líder rosnou, a voz carregada de irritação.

Ele parecia menos preocupado com os gritos do que os outros, mas seus olhos também traíam um leve traço de incerteza.

Alexander tentou resistir, mas o rapaz que o segurava o empurrou com força. Ele tropeçou para trás, o chão parecendo desaparecer sob seus pés enquanto caía na cova recém-aberta. A terra cedeu sob ele, cobrindo suas mãos e roupas enquanto ele aterrissava com um baque surdo.

Lá de dentro, o mundo parecia ainda mais opressor. Alexander podia ouvir os gritos com mais clareza agora, misturados com o som de algo — ou alguém — se movendo rapidamente pela área.

O líder deu um passo para trás, o corpo tenso enquanto olhava ao redor.

— Que merda tá acontecendo? — ele sibilou, olhando para o único rapaz que restava com ele.

Antes que pudesse obter uma resposta, outro grito, desta vez mais próximo e cheio de puro terror, cortou o ar.

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