— Tudo bem. Nós dois sempre soubemos como isso terminaria. Bom, eu sempre soube.
— Como... Como pôde? — as lágrimas faziam seus olhos brilharem. Sua mão, trêmula, segurava a arma.
— Eu sinto muito, amor, mas, quando te conheci, não pude evitar.
— Você mentiu para mim, Luana! Você... — não aguentou: abaixou a arma. Luana não permitiu: segurou a mão do namorado que empunhava a arma e guiou-a a seu peito.
— Você sabe o que precisa fazer, Miguel. Você é o melhor detetive do mundo, é claro que encontraria o assassino. Assassina, no caso — sorriu amargamente. — Mas pensei que demoraria menos para descobrir que dormiu ao lado dela por meses.
— Você se aproximou de mim só para saber como andava a investigação? Para nos despistar?
— Claro que não! Eu posso ser uma assassina, mas ainda tenho coração. Eu me apaixonei por você no primeiro dia que te vi. Quando me contou que é um detetive... Sei que não fui esperta, que deveria ter fugido, mas... Não consegui.
— Detetive, estamos esperando o sinal — disse uma voz através do rádio de comunicação policial.
— Ainda não! — Miguel respondeu e o rádio ficou em silêncio.
Com sua mão livre, Luana acariciou a bochecha de Miguel. — Tudo bem, amor, faz o que precisa fazer. É você ou eu — disse ao tirar a mão do rosto do detetive e pegar uma arma que escondia nas costas.
Os olhos de Miguel se arregalaram. Era a primeira vez que estava do lado errado de uma arma. Sabia que isso aconteceria eventualmente, só não esperava ver sua amada com o dedo sobre o gatilho.
— Detetive, estamos entrando! — disse uma voz firme pelo rádio. Era seu capitão. Já estava decidido, nada que falasse mudaria a decisão dele.
Antes que Miguel pudesse se manifestar, Luana o beijou. — Perdoe-me, amor — disse quando se separaram. — Mas é você ou eu — e com isso disparou a arma. Miguel caiu, surpreso. No instante seguinte, a mulher havia desaparecido.
Mesmo sangrando e com uma bala em sua perna, ele sorriu. Luana não atirou para matar, apenas queria atrasá-lo. O ferimento deixaria apenas uma cicatriz.
Poucos segundos depois os outros policiais chegaram.
— Ela fugiu! — Miguel gritou. Duvidava que conseguiriam encontrá-la.
O policial dentro de si o xingava por tê-la deixado escapar. O romântico dentro de si sorria pelo mesmo motivo.

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