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Sangue & Sombras - Ciclo do Sangue - Livro Um

4: Amnésia (Parte 5)

4: Amnésia (Parte 5)

Jan 05, 2026

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Abuse - Physical and/or Emotional
  • •  Blood/Gore
  • •  Mental Health Topics
  • •  Cursing/Profanity
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Brunno ergueu uma sobrancelha, fingindo surpresa, mas um leve sorriso curvou seus lábios novamente. Ele inclinou a cabeça, estudando a mulher como se ela fosse um quebra-cabeça que ele estava ansioso para montar.

— O que eu sou? Que acusação interessante de se fazer a um detetive.

Wanda deu um passo à frente, deixando a porta aberta atrás de si.

A tarde se fora rapidamente, como mágica.

O crepúsculo, antes uma moldura pitoresca, agora parecia mais sombrio, como se a própria noite estivesse esperando para ver o desenrolar daquele encontro.

— Poupe-me do seu jogo. Não tenho tempo para enigmas, e certamente muito menos para mentiras. — Ela estreitou os olhos, avaliando cada movimento dele. — Você não está aqui apenas para investigar Alexander Montgomery. Sua presença é um presságio, e eu sinto isso em cada fibra do meu ser.

Brunno inclinou-se ligeiramente, como se estivesse genuinamente interessado nas palavras dela.

— Presságio, velha? Você me vê como um mau agouro? Estou aqui apenas para cumprir meu dever como detetive. Alexander sofreu um ataque, e é meu trabalho garantir que os responsáveis sejam encontrados.

Wanda soltou uma risada seca, sem humor, que ecoou pelo corredor.

— Palavras bonitas, mas vazias. Não se trata apenas de Alexander, não é? Você está em Blue Lagoon por algum motivo, algo mais... antigo e mais sombrio do que qualquer ataque a um garoto, mas, ele também é de seu interesse.

O sorriso de Brunno desapareceu completamente agora. Ele deu um passo à frente, batendo contra a soleira da porta sem hesitação, como se uma barreira invisível o impedisse. O movimento fez Wanda recuar instintivamente, mas ela rapidamente firmou a postura, não deixando que ele visse qualquer fraqueza.

— Com todo o respeito... senhora Avery, talvez seja a senhora quem está vendo sombras onde não existem. Mas eu estou curioso... O que exatamente você pensa que eu sou?

Wanda permaneceu em silêncio por um longo momento, os olhos fixos nos dele. Então, ela ergueu a mão direita, mostrando um pequeno medalhão de prata que estava pendurado em seu pescoço.

— Você sabe o que isso significa, não sabe?

Brunno abaixou o olhar para o medalhão. Seus olhos brilharam brevemente em um tom claro avermelhado, mas ele não disse nada.

— Achei que sim. Agora, me diga a verdade. Por que está aqui? Por que Blue Lagoon?

Por um momento, parecia que Brunno responderia. Seus lábios se moveram, mas então ele parou, como se reconsiderasse. Finalmente, ele recuou, voltando a exibir aquele sorriso educado e vazio de significado.

— Boa noite, senhora Avery. Tenho certeza de que teremos muitas oportunidades para conversar novamente.

Com isso, ele virou-se e saiu pela porta, desaparecendo na noite precoce que surgira, sem olhar para trás. Wanda ficou ali, imóvel, o medalhão ainda em sua mão. Quando finalmente fechou a porta, o som reverberou pela mansão como o eco de um destino que ela não poderia evitar.

A noite no hospital estava quieta, mas não silenciosa. O zumbido baixo dos monitores cardíacos e o som abafado de passos no corredor criavam um pano de fundo constante, enquanto a luz fluorescente fria iluminava o quarto onde Alexander Montgomery estava deitado. Ele encarava o teto, o olhar perdido, como se tentasse fugir do constrangimento pesado que pairava no ar.

Sentado em uma poltrona ao lado da cama, John Montgomery cruzava os braços, o semblante carregado de preocupação e exasperação. Apesar de sua postura rígida, era evidente que ele lutava contra a tensão que o consumia. A presença o detetive havia sido um alívio momentâneo, mas agora, pai e filho estavam sozinhos e o silêncio era... opressor.

Alexander tentou desviar o olhar, mas a sensação de ser analisado por John era quase palpável. Ele sabia o que estava por vir, sentia o peso das palavras prestes a sair da boca do pai antes mesmo de ouvi-las.

— Então... é isso? — John finalmente quebrou o silêncio, a voz firme como um golpe. Ele se inclinou para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, olhando diretamente para o filho. — Você achou que era uma boa ideia sair do Bronze, sozinho, de madrugada, e ainda cortar caminho pelo cemitério? Em que porra de mundo isso parece uma decisão racional, Alex?

Alexander fechou os olhos por um momento, como se quisesse se esconder da acusação, mas não havia refúgio. Ele abriu a boca para responder, mas John levantou a mão, interrompendo-o antes que qualquer palavra saísse.

— Não. Não quero ouvir desculpas. Estou cansado delas a anos!

Alexander se sentou lentamente na cama, o lençol branco deslizando para seu colo. Ele sentiu o peito apertar, mas manteve a calma, tentando evitar que a conversa desmoronasse ainda mais.

— Pai, eu não... Eu só queria chegar em casa rápido. Foi um erro, eu sei disso agora.

John bufou, balançando a cabeça em descrença.

— Um erro? Isso é o que você chama? Alex, você tem ideia do que poderia ter acontecido? Do que poderia ter sido?

Alexander mordeu o lábio inferior, mas não respondeu. John continuou, a voz ficando mais grave.

— Por anos, Igor acobertou você. Ele mentiu por você, deu desculpas, e sabe por quê? Porque ele achava que estava protegendo você. Que estava te dando tempo para viver e no final de tudo, crescer e se tornar alguém responsável. Mas Igor não está mais aqui, Alex. Ele não pode salvar você agora.

O nome de Igor foi como um soco no estômago para Alexander. Ele sentiu o corpo enrijecer, os punhos se fechando automaticamente. Igor havia sido mais do que um irmão; ele havia sido seu melhor amigo, um protetor, alguém que Alexander confiava mais do que qualquer outra pessoa. Mas Igor estava desaparecido e muito provavelmente morto, e a lembrança era uma ferida que ainda doía.

— Eu não sou mais aquele garoto. — Alexander murmurou, a voz carregada de emoção.

John ergueu uma sobrancelha, o olhar firme.

— Não? Porque tudo o que vejo é o mesmo garoto imprudente que age sem pensar nas consequências. O mesmo garoto que acha que o mundo gira ao redor dele e que tudo vai se resolver magicamente. Só que agora você está sozinho nisso, Alex. Igor não está aqui para te salvar, e eu não vou ficar limpando suas bagunças para sempre.

Alexander sentiu as palavras doerem mais do que qualquer golpe que havia recebido naquela noite no cemitério. Ele queria retrucar, queria gritar, mas a verdade era que havia algo no tom do pai que o paralisava. Uma decepção tão profunda que ele não conseguia ignorar.

— O senhor acha que eu não sei disso? Você acha que eu não sinto isso todos os dias? — Ele finalmente falou, a voz falhando no final. — Desde que voltei da França, tudo o que você faz é me olhar como se eu fosse um fardo, mesmo que tenha mascarado tudo numa falsa tentativa de parecer saudoso com a minha volta. Como se eu tivesse perdido o direito de ser seu filho. Eu sei que cometi erros, mas você não confia mais em mim. Nem tenta!

John se recostou na poltrona, cruzando os braços novamente. Sua expressão suavizou-se por um breve momento, mas ele logo endureceu novamente.

— Você mudou, Alex. Desde que voltou, você é um estranho para mim. E talvez isso seja culpa minha. Talvez eu tenha falhado em te ensinar a ser responsável, mas isso não muda o fato de que eu não posso confiar em você completamente. Não ainda.

As palavras eram como gelo, penetrando fundo no coração de Alexander. Ele desviou o olhar, encarando a janela. A luz da lua refletia nas folhas do carvalho lá fora, um contraste cruel com o peso sufocante dentro do quarto.

— Você está dizendo que nunca vai confiar em mim de novo? — Ele perguntou, finalmente voltando a olhar para o pai.

John suspirou, passando a mão pelo rosto.

— Eu quero confiar em você, Alex. Mas você precisa me dar motivos. Precisa me mostrar que aprendeu alguma coisa. Que você entende que suas ações têm consequências, não só para você, mas para todos ao seu redor.

O silêncio se instalou novamente, mais pesado do que antes. Alexander sentiu a garganta apertar, mas manteve o olhar fixo no pai, determinado a não deixar que as lágrimas caíssem.

— Eu vou provar para você. — Ele disse, a voz baixa, mas firme. — Eu vou provar que posso ser alguém em quem você pode confiar. Alguém que você pode se orgulhar.

John estudou o filho por um longo momento antes de finalmente se levantar da poltrona. Ele caminhou até a porta, parando antes de sair.

— Eu espero que sim, Alex. Porque se você não fizer isso por você mesmo, pelo menos faça pela memória de Igor. Ele acreditava em você. E eu quero acreditar também.

Sem esperar resposta, John virou-se e caminhou até a porta. Ele segurou a maçaneta por um momento, como se hesitasse em sair, mas então abriu a porta e deu de cara com Arya Montgomery.

Sua esposa estava ali, imóvel, com a mão na maçaneta e uma expressão que misturava choque e tristeza. Seus cabelos ruivos estavam presos em um coque elegante, e os brincos de pérola refletiam a luz do corredor.

John piscou, surpreso, mas rapidamente recuperou a compostura.

— Arya... — Ele começou, mas ela ergueu uma mão, interrompendo-o.

— Eu ouvi tudo, John.

Seu tom era calmo, mas carregado de algo que fez John desviar o olhar por um breve instante. Arya passou por ele e entrou no quarto, caminhando até a cama onde Alexander ainda estava sentado, atordoado.

John ficou parado na porta por um momento, observando enquanto a esposa se sentava ao lado do filho, sua presença imediatamente preenchendo o espaço com uma calma que parecia ausente antes.

— Eu só quero que ele fique bem, Arya. — John disse finalmente, antes de virar-se e caminhar pelo corredor, deixando mãe e filho sozinhos.

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