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Herdeiro de uma Saudade

Herdeiro de uma Saudade

Jan 07, 2026

— Ufa... finalmente... — ofegou Kai, fechando os olhos por um momento. — Achei que fosse morrer lá no meio daquele canteiro.
Marcus ficou em silêncio por um longo tempo, observando o horizonte, até que soltou uma pergunta com a voz mais baixa e séria:
— Ei, Kai... me responde uma coisa rapidinho.
Kai abriu um dos olhos, curioso.
— Pode dizer.
— Você... deixou alguém para trás no seu mundo? — Marcus não olhou para ele ao perguntar, mantendo o olhar nas montanhas que escondiam a Torre.
Kai estancou. O cansaço físico pareceu ser substituído por um peso súbito no peito. O sarcasmo do Sistema silenciou totalmente na sua mente, como se respeitasse aquele momento. Ele hesitou por alguns segundos, engolindo em seco antes de responder.
— Meus pais... e meus irmãos — respondeu Kai, a voz um pouco rouca. — Eu era o mais velho.
Marcus assentiu devagar, um olhar de compreensão amarga cruzando seu rosto de guerreiro.
— Entendi. É por isso que você está com tanta pressa, não é? O "zero talento" que o mundo te deu não importa quando você tem gente esperando por você em algum lugar.
SISTEMA:
Aviso: Batimentos cardíacos elevados.
Emoção detectada: Melancolia.
Sugestão: Não chore agora, seu animal. O Marcus odeia sentimentalismo... embora ele pareça estar gostando da sua resposta.
Kai apertou um punhado de grama com a mão.
— Eu não posso ficar preso no nível 17 para sempre, Marcus. Se o Boss do primeiro andar é nível 80, eu já estou atrasado.
Marcus soltou um suspiro pesado e se levantou, batendo a poeira das calças. Ele olhou para Kai com uma seriedade que o garoto ainda não tinha visto.
— Se tem gente esperando por você, então não temos mais tempo a perder com jardins e hortas. A partir de amanhã, o treino vai ser prático. Esqueça a teoria, você vai aprender no sangue.
Ele começou a caminhar em direção à cabana, fazendo um sinal para Kai segui-lo.
— Agora mexe essa carcaça. Assim que chegar, vá direto se lavar. Não quero você fedendo a lobo e terra na mesa de jantar. Quero que a refeição seja, pelo menos uma vez, agradável.
Quando chegaram à cabana, o cheiro da comida de Elena estava maravilhoso, mas algo estava diferente. Em cima da mesa, não havia apenas pratos, mas um embrulho de couro e algo longo coberto por um tecido rústico.
Elena sorriu ao ver Kai entrar.
— Chegou na hora certa, querido! Tenho uma surpresa para você.
Ela revelou o conteúdo: um conjunto de roupas de couro reforçado, feitas sob medida para aguentar o combate, e uma espada de aço legítimo, com o punho revestido em tiras de couro firme. O metal brilhava sob a luz das velas, uma arma de verdade, muito superior à sucata enferrujada que Kai usava.
Kai arregalou os olhos, sentindo um nó na garganta.
— Elena... Marcus... não era preciso isso tudo. Eu... eu não posso aceitar. É demais.
Marcus soltou uma risada rca, cruzando os braços.
— Deixa de bobagem, garoto. Eu gastei quase toda a economia que a gente tinha guardada para comprar esse equipamento. Se eu te deixar ir para a Torre com aquele graveto quebrado, a culpa vai ser minha quando você virar defunto.
Kai deu um passo atrás, balançando a cabeça freneticamente.
— Não! De jeito nenhum! Marcus, pegue isso de volta, venda, devolva para o ferreiro! Vocês não podem gastar tudo o que têm comigo, eu sou só um estranho que caiu aqui!
— Senta e escuta, Kai — a voz de Marcus ficou grave, silenciando o protesto do jovem. — Já estava tudo planejado.
Ele se aproximou da mesa e olhou para a espada.
— Nós vamos embora desta aldeia. Recebi uma proposta da Capital Real, a sede do reino que protege estas terras. Eles estão precisando de veteranos. Eu vou voltar a ser um Cavaleiro Real.
Elena colocou a mão no ombro de Kai.
— A vila não é mais segura para você, e Marcus não pode te treinar adequadamente aqui. Na Capital, você terá acesso a arenas de verdade e, quem sabe, informações sobre a Torre que não chegam aqui no interior.
SISTEMA:
AVISO: Mudança de Cenário detectada.
Parece que o seu tempo de "caipira" acabou. A Capital é onde os tubarões nadam, Kai. Se você achou o Marcus difícil, espere até conhecer os Cavaleiros Reais.
Status da Missão: Preparar para a partida.
Kai olhou para a espada de aço. O peso da responsabilidade agora era tão grande quanto o da arma.
— Vocês estão fazendo tudo isso por mim? — perguntou Kai, com a voz baixa.
Marcus deu um tapinha pesado nas costas dele.
— Não estrague o momento com sentimentalismo. Só trate de não morrer na primeira semana, ou eu vou querer meu dinheiro de volta. Agora, vá se lavar. Partimos ao amanhecer.
O silêncio caiu sobre a cabana conforme Kai se afastava para o barril de água nos fundos. O peso da revelação sobre a Capital ainda pairava no ar, mas dentro da cozinha, o clima era mais denso e carregado de uma saudade antiga.
Elena aproximou-se de Marcus, limpando as mãos no avental. Ela olhou para a porta por onde Kai saíra e, depois, para a cadeira vazia onde o garoto costumava se sentar.
— E pensar... — começou ela, com a voz embargada e um brilho úmido nos olhos. — Se o nosso menino não tivesse perdido para aquela doença naquele dia... ele teria exatamente a idade do Kai agora, não é, Marcus?
Marcus, que sempre mantinha a postura de um carvalho inabalável, baixou os ombros por um momento. Ele olhou para as próprias mãos calejadas, as mesmas mãos que não puderam salvar o próprio filho anos atrás.
— Sim — respondeu ele, a voz rouca e baixa. — Ele teria a mesma altura. A mesma teimosia também, provavelmente.
Ele suspirou, endireitando a coluna e voltando a olhar para a espada de aço sobre a mesa.
— É por isso que estamos fazendo isso, Elena. Eu não pude lutar contra aquela febre, mas posso lutar contra a fraqueza desse garoto. Eu vou dar a ele uma chance verdadeira de voltar vivo dessa Torre. Se ele for o "escolhido" ou apenas um "merda sem talento" como o sistema dele diz... não importa. Eu vou garantir que ele tenha as ferramentas que o nosso filho não teve.
Elena assentiu, encostando a cabeça no ombro do marido.
SISTEMA:
AVISO DE AMBIENTE: Detectada alta concentração de "Sentimentalismo Humano".
Análise: Marcus e Elena estão projetando o passado em você, Kai.
Nota do Sistema: Tente não morrer, seu animal. Seria um desperdício de aço e de economias... e, honestamente, até eu prefiro você vivo do que ter que aturar o silêncio de um túmulo.
Do lado de fora, Kai parou com a caneca de água na mão, ouvindo o final da conversa através da janela aberta. Ele olhou para o reflexo de seus olhos roxos na água. Ele não era apenas um jogador em busca de um nível; ele agora carregava o peso dos sonhos de uma família que a vida já tinha machucado uma vez.
Ele apertou o punho. A jornada para a Capital não era mais apenas sobre subir de nível. Era sobre honrar o sacrifício de quem não tinha nada a ganhar ajudando um estranho.
O sol ainda não tinha vencido a neblina da manhã quando o som rítmico de caixas sendo acomodadas na carroça começou a ecoar pelo pátio. Marcus estava carregando os fardos mais pesados com a facilidade de um veterano, enquanto Elena, com um olhar cuidadoso, garantia que não faltasse carne seca, pão de viagem e ervas medicinais nas provisões.
Kai ajudava em silêncio. Ele vestia as roupas de couro reforçado que Elena lhe dera; o material era flexível, mas oferecia uma proteção que ele nunca teve antes. No entanto, um detalhe chamava a atenção: a bainha da espada nova não estava presa à sua cintura, nem cruzada em suas costas.
Marcus parou por um momento, limpando o suor da testa, e olhou para o garoto.
— Ei, Kai. Por que não está portando a arma? Uma espada serve para te proteger, não para ficar escondida em algum lugar que você não possa sacar rápido — resmungou Marcus, desconfiado.
Kai apenas continuou ajeitando um saco de grãos.
— Ela está segura, Marcus. Se eu precisar dela, ela vai aparecer na minha mão mais rápido do que você imagina.
SISTEMA:
Ele está tentando se fazer de misterioso, Marcus. Não liga não.
Nota para o Kai: Guardar a espada no inventário para não desgastar o couro ou atrair atenção de ladrões de estrada? Inteligente. Mas se um goblin pular no seu pescoço, espero que seu "clique" seja rápido o suficiente.
Marcus estreitou os olhos, mas não insistiu. Ele sabia que Kai tinha truques que não entendia completamente.
— Só espero que não se atrapalhe com esse seu inventário "mágico" quando o bicho pegar — disse Marcus, subindo no banco da frente da carroça e pegando as rédeas. — Elena! Tudo pronto?
Elena saiu da cabana, olhando uma última vez para a casinha onde viveram por tanto tempo. Ela suspirou, mas sorriu ao ver Kai pronto. Ela subiu na parte de trás da carroça, sentando-se entre as provisões.
— Tudo pronto. Podemos ir.
Marcus deu um estalo com as rédeas e os cavalos começaram a se mover. Kai sentou-se na borda da carroça, observando a Vila do Riacho ficando para trás.
SISTEMA:
MISSÃO INICIADA: Rumo à Capital Real.
Distância estimada: 5 dias de viagem.
Aviso: A estrada entre as províncias é território de nomes Amarelos e Laranjas.
Mantenha as mãos prontas, Kai. Sua vida de lavrador acabou de vez.
A carroça balançava ritmicamente, seguindo o ritmo lento dos cavalos pela estrada de terra. O sol da tarde aquecia o rosto de Kai, que observava a paisagem passar de forma quase hipnótica. O vento batia nas folhas das árvores, e o único som era o das rodas rangendo e o de Marcus resmungando algo sobre o arreio.
Kai se recostou nos sacos de grãos, cruzou os braços e fechou os olhos, perdendo-se em seus próprios pensamentos.
"Pensando bem...", ele refletiu internamente, "as coisas têm andado até que bem. Meio monótonas, na verdade. Tirando o susto com os lobos, tem sido só treinar, comer e dormir. Acho que finalmente estou começando a me adaptar a esse mundo sem quase morrer todo dia."
Um leve sorriso de alívio surgiu no canto de sua boca. Ele sentiu que, pela primeira vez, tinha o controle da situação.
Foi então que uma caixa de texto vermelha e pulsante explodiu na sua mente, acompanhada por um som agudo de erro.
SISTEMA:
Não vai relaxando não, vagabundo!
Aviso: O nível de otimismo detectado está perigosamente alto para alguém com "Zero de Talento".
Você esqueceu onde está? A monotonia é apenas o silêncio antes do mundo tentar te esmagar de novo.
Kai abriu os olhos de sobressalto, o sorriso sumindo instantaneamente.
— Mas que droga... — resmungou ele em voz alta.
— Falou alguma coisa, Kai? — Marcus perguntou lá na frente, sem se virar.
— Nada, Marcus. Só... um mosquito — mentiu Kai, encarando o vazio da estrada com renovada desconfiança.
SISTEMA:
RADAR ATIVO.
Distância: 500 metros à frente.
Múltiplas presenças detectadas.
Cores: Laranja.
Status: Emboscada em andamento.
Prepare essa sua espada "invisível", porque a monotonia acabou de pedir demissão.
Kai sentiu o coração acelerar. Ele olhou para Marcus, que parecia ter sentido algo também, pois suas mãos apertaram as rédeas e sua postura ficou rígida como a de um soldado em guarda.
— Marcus... — começou Kai, levando a mão ao peito, onde mentalmente acessava o inventário.
— Eu sei, garoto — interrompeu Marcus, a voz fria e cortante. — Fique perto da Elena. O cheiro de ferro e suor lá na frente não é de mercadores descansando.
Kai estendeu a mão para o vazio e, em um brilho rápido de partículas de mana, a espada de aço nova surgiu em seu punho. Ele saltou para a parte de trás da carroça, posicionando-se à frente de Elena, os olhos fixos na vegetação densa que cercava a estrada.
Marcus puxou as rédeas com força.
— Êee, cavalos! Pare! — A carroça parou com um solavanco seco. O veterano não desceu do banco; em vez disso, sua mão direita deslizou para o cabo da espada pesada em sua cintura, os nós dos dedos brancos de tensão.
Diante de seus olhos, a interface azulada de seu próprio sistema pulsou com urgência.
SISTEMA DO MARCUS:
Marcus, olhe para as árvores. Essas marcas de raspagem e o lodo nos troncos... são familiares.
Marcus estreitou os olhos, focando em uma mancha viscosa que escorria por um carvalho próximo. Um vapor leve e esverdeado subia do local onde o líquido tocava a casca, corroendo o vegetal.
— Merda... — Marcus praguejou, a voz carregada de ódio. — Lagartos Venenosos.
SISTEMA DO MARCUS:
E não é apenas um bando de caça. Os sensores de vibração estão disparando. São vários, Marcus. Muitos.
De repente, o mato se abriu em diversos pontos simultaneamente. Criaturas de quase dois metros de comprimento, com escamas cor de esmeralda e olhos amarelos verticais, rastejaram para a estrada, cercando a carroça. O som de centenas de garras raspando no chão e o chiado do veneno pingando das presas encheu o ar.
SISTEMA DO KAI:
ALERTA DE SOBREVIVÊNCIA!
Inimigos: Lagartos Venenosos da Floresta Úmida (Nível 25-28).
Quantidade: 12 detectados visualmente (e aumentando).
Aviso: Um único arranhão e seus órgãos vão virar geleia em 30 segundos. Lembra do que eu disse sobre a monotonia? Pois é, ela mandou lembranças.
Kai sentiu o peso da espada nova. Ela era mais equilibrada, mas o medo ainda gelava seu sangue.
— Elena, fique abaixada! — gritou Kai, ajustando sua postura de combate.
— Kai! — Marcus bradou lá da frente, desembainhando sua lâmina com um som metálico intimidador. — Não deixe nenhum deles subir na carroça! Se o veneno tocar as provisões ou a Elena, estamos mortos antes de chegar na Capital!
Kai apertou o cabo da espada nova com tanta força que o couro rangeu. O suor frio começou a escorrer pela sua nuca enquanto ele observava os nomes flutuando acima das criaturas.
— Ah, qual é! Só faz seis horas que saímos da aldeia, gente! — Kai reclamou em voz alta, a frustração transbordando. — A gente nem digeriu o café da manhã e olha só... nomes em amarelo por todo lado!
Ele olhou para Marcus, que já estava em posição de combate, e apontou para o grupo de répteis que se aproximava.
— Marcus, eles são mais fortes que eu! O Sistema tá gritando aqui que esses bichos são Nível 25 pra cima! Eu ainda sou 17! Isso é jogo sujo!
SISTEMA:
Pare de chorar e olhe para o lado positivo: se você morrer agora, pelo menos as roupas novas vão servir de mortalha de luxo.
Aviso: Eles estão se movendo. Se você não fechar a boca e abrir a guarda, o primeiro vai testar se o seu sangue tem gosto de frango.
Marcus nem se virou, mantendo os olhos fixos no líder do bando que sibilava na frente da carroça.
— Para de resmungar, garoto! — rugiu Marcus. — No campo de batalha, o inimigo não pergunta o seu nível antes de te morder! Se eles são mais fortes, você vai ter que ser mais inteligente. Use a altura da carroça! Não deixe eles cercarem seus pés!
Um dos lagartos saltou lateralmente, as garras raspando na madeira da carroça bem aos pés de Kai, deixando um rastro de fumaça ácida onde o veneno encostou.
— Tá bom, tá bom! — Kai rosnou, a adrenalina finalmente vencendo o medo. — Se é pra ser assim, que seja. Sistema, se eu morrer, eu juro que volto pra assombrar o seu código!
Kai avançou o pé, usando a borda da carroça como apoio, e desceu a espada de aço com um golpe seco em direção à cabeça do lagarto que tentava subir.

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