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O Nivelamento da Mediocridade

O Nivelamento da Mediocridade

Jan 07, 2026

A luta foi caótica. O ar estava pesado com o cheiro acre do veneno e o som metálico das lâminas colidindo com escamas endurecidas. Kai lutava como um possesso, usando a vantagem da altura até que um dos lagartos deu um golpe de cauda na roda da carroça, fazendo tudo sacudir.
Kai perdeu o equilíbrio e caiu pesadamente no chão de terra, aterrissando bem em cima de uma pilha de três lagartos que ele mesmo havia conseguido abater. Ele rolou para o lado, ofegante, esperando o próximo ataque, mas o silêncio só era quebrado pelo som da lâmina de Marcus cortando o ar com uma precisão mortal. Em poucos segundos, o veterano finalizou os últimos dois que restavam, limpando o sangue verde da espada com um movimento seco.
Kai sentiu o corpo inteiro latejar. Ele abriu a tela de status enquanto tentava recuperar o fôlego:
STATUS DO JOGADOR
Nome: Kai
Idade: 16 anos
Nível Atual: 18 (+1)
Atributos:
Força: 17 (+1)
Agilidade: 17 (+1)
Sentidos: 17 (+1)
Vida: 17 (+1)
Inteligência: 15
Mana: 205/205
Inventário:
1x [Espada de Aço Puro] (Durabilidade: 99%)
Kai franziu a testa, olhando para os números.
— Ei, Sistema... por que os meus pontos de atributo têm sempre o mesmo nível? Força 17, Agilidade 17, Sentidos 17... Parece que eu tô andando em blocos.
SISTEMA:
Diagnóstico: É o que eu disse sobre você ser um "anômalo sem talento", seu animal.
Como você não tem uma aptidão natural para uma classe específica (como um Guerreiro que ganha mais Força ou um Assassino que ganha Agilidade), o seu corpo está sendo forçado a evoluir de forma equilibrada para não entrar em colapso.
Você é como um boneco de argila sendo amassado: se eu puxar só um lado, você quebra. O sistema está nivelando tudo por baixo para garantir que você sobreviva à sua própria mediocridade. Basicamente, você é mediano em tudo, mas de um jeito... uniforme.
Marcus se aproximou, estendendo a mão para ajudar Kai a levantar. Ele olhou para os corpos dos lagartos ao redor do garoto e depois para a espada de aço que ainda brilhava, quase intacta.
— Três deles sozinhos, Kai? — Marcus deu um meio sorriso. — Nada mal para quem estava reclamando que eles eram mais fortes. A espada nova fez diferença, ou foi só sorte de iniciante?
Elena desceu da carroça, correndo para checar se Kai tinha algum ferimento por veneno.
— Você está bem? Algum arranhão?
Kai limpou a poeira da roupa nova, sentindo a força do nível 18 se assentando nos músculos.
— Estou bem, Elena. Mas o Sistema acabou de me chamar de "boneco de argila equilibrado". Acho que o caminho até o nível 80 vai ser mais irritante do que eu pensava.
Marcus soltou uma risada e deu um tapa nas costas de Kai.
— Seus atributos estão subindo juntos porque você ainda não sabe o que quer ser. Até você decidir se é um espadachim, um tanque ou um mago, o mundo vai continuar te moldando por inteiro. Agora sobe na carroça. O cheiro de sangue vai atrair coisas piores se ficarmos aqui parados.

A carroça voltou a sacolejar pela estrada, deixando para trás o rastro da batalha. O sol começava a descer no horizonte, criando uma luz alaranjada que suavizava as expressões cansadas de todos. Kai, sentado na beira da carroça com os pés balançando, observou Marcus guiando os cavalos com firmeza e Elena organizando o que havia restado das provisões.
A curiosidade bateu mais forte que o cansaço.
— Ei... — Kai começou, quebrando o silêncio. — Como foi que vocês dois se conheceram? Digo, o Marcus é um cavaleiro carrancudo e a Elena... bem, ela é a única pessoa que consegue fazer o Marcus baixar a bola.
Marcus soltou um riso seco, sem tirar os olhos da estrada, enquanto Elena parou o que estava fazendo, um sorriso nostálgico surgindo em seu rosto.
— Foi há muito tempo, Kai — disse Elena, sentando-se perto do garoto. — Marcus não era tão "carrancudo" naquela época. Ele era um cavaleiro jovem e arrogante, achando que o mundo terminava na ponta da espada dele.
— Eu não era arrogante — resmungou Marcus. — Eu era eficiente.
— Você era impossível! — rebateu ela, rindo. — Eu era a filha do boticário em uma das cidades próximas à Torre. Marcus foi enviado com um esquadrão para escoltar um carregamento de remédios raros. Ele chegou na loja reclamando do atraso, batendo a armadura e exigindo falar com o responsável.
Kai inclinou o corpo para frente, interessado.
— E o que você fez?
— Eu dei uma vassourada no pé dele e disse que, se ele quisesse os remédios mais rápido, que ajudasse a moer as ervas em vez de ficar fazendo barulho — Elena piscou para Kai. — Ele ficou tão chocado que alguém o tratasse assim que, no dia seguinte, ele voltou... e no outro também.
Marcus pigarreou, as orelhas levemente vermelhas sob o cabelo grisalho.
— O esquadrão precisava de suprimentos constantes... era apenas dever profissional.
— Sei... — Kai provocou, dando um sorriso de canto. — "Dever profissional" que durou anos.
SISTEMA:
Análise Social: Marcus foi derrotado por uma boticária com uma vassoura.
Nota: Adicionando "Vassoura de Boticário" à lista de armas lendárias mais perigosas que a sua espada.
O amor humano é realmente um erro de processamento fascinante.
O clima ficou leve por alguns minutos, até que Marcus mudou o tom de voz, ficando mais sério.
— A vida de cavaleiro na Capital não é fácil para uma família, Kai. Quando as coisas ficaram difíceis e a Torre começou a cobrar o seu preço... nós decidimos ir para a Vila do Riacho. Mas agora, voltando para lá... você vai ver que nem tudo são histórias de romance. A Capital é um ninho de cobras.
Kai inclinou o corpo para frente, a curiosidade superando o cansaço. A expressão de Marcus tinha mudado de uma nostalgia leve para uma sombra de preocupação que o garoto ainda não conhecia.
— O que você quer dizer com isso, Marcus? — perguntou Kai, sério. — "Ninho de cobras"? Eu achei que a Capital era o lugar mais seguro do reino, o centro de tudo.
Marcus soltou as rédeas por um segundo para massagear as têmporas, escolhendo bem as palavras.
— Segurança é uma ilusão que custa caro, Kai — começou Marcus, sem desviar o olhar da estrada. — Na Vila do Riacho, seus problemas eram lobos e terra seca. Se você é forte, você sobrevive. Na Capital, a força bruta é só metade do jogo. Lá, o perigo não tem nomes em amarelo ou laranja flutuando sobre a cabeça o tempo todo.
Elena completou, com a voz suave, mas firme:
— Ele quer dizer que as pessoas lá usam sorrisos para esconder adagas. Existem facções, nobres que disputam o favor do Rei e cavaleiros que venderiam a própria honra por um punhado de moedas de ouro ou um item de nível épico da Torre.
Marcus olhou de soslaio para Kai.
— Você é um estrangeiro, um "sem talento" com olhos roxos e uma habilidade que nem o meu sistema entende direito. Para os abutres da Capital, você é ou uma ferramenta a ser usada, ou um risco a ser eliminado. Eles não vão te atacar na "sordina" como você planejou fazer com os lobos; eles vão te cercar com leis, contratos e política.
SISTEMA:
Tradução para iniciantes: Sabe aquele papo de "um por um na surdina" que você gosta? Na Capital, se você bobear, é você quem vai ser jantado em um banquete chique.
Conselho do Sistema: Mantenha a guarda alta e a boca fechada. Se descobrirem que você sobe de nível comendo núcleos, vão te trancar numa jaula e te usar como laboratório.
Kai engoliu em seco, sentindo o peso da espada no inventário. A "monotonia" que ele sentia há pouco parecia agora um luxo distante.
— Então, eu não posso confiar em ninguém além de vocês lá dentro? — perguntou Kai, olhando para os dois.
Marcus deu um pequeno aceno de cabeça.
— Confiança é a moeda mais rara da Capital Real, garoto. Aprenda a ler as intenções, não apenas os níveis. Se você quer chegar ao topo da Torre, vai ter que passar por esse ninho sem ser picado.
O sol finalmente se pôs, mergulhando a estrada em uma escuridão profunda, quebrada apenas pelo brilho das estrelas. Marcus puxou as rédeas com firmeza e conduziu a carroça para uma clareira protegida por um círculo de pedras e árvores altas.
— Já chega por hoje — anunciou Marcus, pulando do banco com um gemido de cansaço. — Se continuarmos no escuro, os cavalos vão acabar quebrando uma pata em algum buraco. Vamos acampar aqui.
Kai ajudou a descarregar o básico, enquanto Marcus, com a eficiência de quem já passou centenas de noites ao relento, reuniu gravetos secos. Com um estalo de faísca e um sopro controlado, a fogueira ganhou vida, projetando sombras longas e dançantes contra a carroça.
— Kai, pegue as mantas — pediu Elena, já preparando um pouco de chá com as ervas que trouxe. — O sereno da noite nessa região costuma ser gelado.
Kai sentou-se perto do fogo, sentindo o calor começar a relaxar seus músculos tensos. O silêncio da floresta era interrompido apenas pelo estalar da madeira queimando e pelo som dos cavalos bufando por perto.
SISTEMA:
Status: Zona de Descanso Ativa.
Taxa de Recuperação de Mana: +5% por hora.
Conselho: Aproveite para dormir, seu animal. Amanhã a estrada vai ser longa e o meu banco de dados sugere que a sua cara de sono não ajuda em nada no seu carisma (que já é zero).
Marcus sentou-se do outro lado da fogueira, limpando uma mancha de sangue de lagarto que ainda restava em sua braçadeira.
— Durmam um pouco vocês dois — disse Marcus, a voz mais baixa. — Eu fico com o primeiro turno da vigília. Kai, eu te acordo em quatro horas para você assumir o posto. Tente não cair no sono no seu turno, ou vamos acordar na barriga de alguma coisa.
Kai assentiu, enrolando-se na manta. Antes de fechar os olhos, ele olhou para as chamas e pensou na Capital, na sua família e no "ninho de cobras" que o esperava.
— Boa noite, pessoal — murmurou Kai.
— Boa noite, garoto — respondeu Marcus, enquanto Elena apenas sorria, já se acomodando na carroça.
Kai estava enrolado na manta, mas seus olhos permaneciam fixos nas brasas da fogueira. O silêncio da noite só fazia os seus pensamentos gritarem mais alto. Ele olhou para Marcus, que vigiava as sombras com a mão no punho da espada, e depois para Elena, que descansava tranquilamente.
"Eles estão fazendo tudo por mim...", pensou Kai. "Gastaram as economias, estão mudando de vida... Será que eu deveria contar sobre a [Imagina!]? Eles merecem saber que eu não sou só um 'sem talento' comum, que eu tenho algo único."
No momento em que ele abriu a boca para chamar Marcus, uma interface vermelha brilhou intensamente diante de sua visão, quase o cegando por um segundo.
SISTEMA:
Não faça isso, seu imbecil!
Aviso Crítico: Informação é a única moeda que você tem e que ninguém pode roubar. Se você contar, eles vão tentar te proteger mais ainda, ou pior, podem deixar escapar para a pessoa errada na Capital.
Quer ser um experimento de laboratório? Quer que eles virem alvos de interrogatório por causa do seu segredinho?
Ordem do Sistema: Cale a boca e vá dormir!
Kai deu um pulo leve com o susto da agressividade do Sistema, bufando e puxando a manta até o nariz.
— Tá bem, tá bem! — resmungou ele baixinho, para que Marcus não ouvisse. — Boa noite pra você também, sua lata de lixo mal-educada.
SISTEMA:
"Boa noite" não consta no meu protocolo de programação, mas "Vá se ferrar" chega bem perto. Dorme logo.
Kai fechou os olhos à força. Demorou, mas o cansaço da luta contra os lagartos e a tensão do dia finalmente venceram sua mente agitada. Ele mergulhou em um sono profundo, mas sem sonhos, enquanto Marcus permanecia como uma estátua na escuridão, vigiando o garoto que ele via como o filho que a vida lhe roubara.
Quatro horas depois...
Um toque firme no ombro fez Kai despertar de um salto. Marcus estava parado sobre ele, a silhueta recortada pela luz morna das brasas que ainda restavam.
— Sua vez, garoto — sussurrou Marcus. — Fique de olhos e ouvidos abertos. Se a fogueira baixar demais, coloque aqueles galhos secos ali. Eu vou descansar um pouco antes do sol nascer.
Marcus se deitou e, em questão de minutos, sua respiração ficou pesada e rítmica. Agora era apenas Kai, o silêncio da floresta e o brilho dos nomes Brancos e Verdes das plantas ao redor.
Kai bocejou, esfregando os olhos para afastar o sono, quando notou pequenos brilhos flutuando sobre as folhas e arbustos ao redor da clareira. No escuro da noite, os nomes pareciam pequenas etiquetas luminosas.
— Ei, Sistema — sussurrou ele, observando uma raiz próxima. — Por que as plantas agora têm nomes verdes e brancos? Os monstros eu entendo, mas mato?
SISTEMA:
Explicação: Isso é o Filtro de Sobrevivência Básico.
Os nomes em Branco são para vegetação comum, inútil para você além de servir de lenha. Os nomes em Verde indicam plantas com propriedades curativas ou utilitárias.
Isso serve para que, se um jogador burro como você for ferido no meio do breu e não tiver um boticário por perto, consiga reconhecer alguma coisa útil antes de bater as botas. É um guia para quem não sabe distinguir alface de veneno.
Kai se aproximou de uma pequena erva de cor verde vibrante que brilhava discretamente perto de uma pedra. O nome flutuando era [Folha de Estanque].
— Então, se eu me cortar, essa aqui serve? — perguntou ele, curioso.
SISTEMA:
Exatamente. Mas não saia comendo tudo o que brilha verde. Algumas são medicinais, outras são apenas... menos letais.
Agora foque na estrada, botânico de araque. O vento mudou de direção e o cheiro de "algo vivo" está ficando mais forte ao norte.
Kai imediatamente deixou a planta de lado e segurou o cabo da espada, que estava guardada no inventário mas pronta para ser invocada. Ele olhou para Marcus e Elena, que dormiam profundamente, e depois para a escuridão da floresta.
O silêncio era absoluto, o que, para alguém que já tinha enfrentado lobos e lagartos, era o sinal mais perigoso de todos.
De repente, a interface semitransparente diante de Kai começou a falhar. As linhas azuis e vermelhas de sempre foram substituídas por um espectro de cores vibrantes e instáveis, como se o sistema estivesse sofrendo uma interferência externa massiva. Uma janela de mensagem surgiu, brilhando em tons dourados e púrpuras:

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"Derrotem os 100 andares da Torre. Só então, serão livres."
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