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A Flor Negra da Cerejeira

Miú

Miú

Jan 09, 2026

O sorriso que Aiko lhe deu foi pequeno, mas genuíno. Ela se virou e saiu da sala, sentindo dezenas de olhares em suas costas. Mas a opinião dos outros pareceu insignificante. Ela faria de tudo para ajudar Ryotaro a sorrir novamente.

O resto do dia passou como um borrão para Ryotaro. As aulas foram apenas ruído de fundo. Sua mente estava presa no vídeo, na promessa a Yahiko e nos olhos de Aiko. Ele guardou o lenço dela no bolso, tocando-o de vez em quando como um amuleto.

Quando o último sinal tocou, Ryotaro foi o primeiro a sair. Decidira: não ia fugir. A ansiedade formava um nó no estômago, mas era uma sensação elétrica, quente. Ao ver Aiko se aproximando, reparou em sua aparência e sentiu as bochechas esquentarem.

— Oi — ela disse, sorrindo suavemente.
—Oi — Ryotaro respondeu, acenando. — Você… tá bem bonita, sabia?
Aiko desviou o olhar,corando.
—Obrigada. Você também tá bonito.
—Eu só tô com a minha roupa de sempre.
—Ainda assim, tem seu charme — ela deu um passo à frente. — Então… vamos?
—Hã… tá, vamos.

Caminharam em silêncio inicial, ambos envergonhados. Ao passarem por uma loja de música, viram um pôster da cantora Zarame. Pararam ao mesmo tempo.
—Ah! — disseram em uníssono, então se olharam surpresos. — Você também gosta da Zarame?!
—Eu amo ela! — Aiko exclamou, animada. — É minha cantora favorita!
—É… a minha também — Ryotaro admitiu, com uma leve vergonha.
—Qual sua música favorita?
—Just One.
—Não brinca! A minha também! É tão linda, parece uma declaração de amor…
—Pois é — ele murmurou, olhando para os sapatos.

O gelo estava quebrado. Conversaram sobre a cantora até chegarem à cafeteria “Café & Bigodes”. Era um lugar aconchegante, com puffes coloridos e, como prometido, vários gatos. Um gato veio se esfregar nas pernas de Ryotaro. Imediatamente, sua fachada caiu. Ele se abaixou e fez carinho, murmurando “miú”.
—Ei, não precisa ficar desesperado — Aiko riu, puxando-o pelo capuz.
—Miú… — foi tudo que ele disse.

Escolheram uma mesa reservada, perto de uma estante de mangás. Uma gata preta, Harumi, dormia em uma cadeira.
—Eu não faria isso se fosse você — Aiko sussurrou. — Ela é arisca. Já tentou e me arranhou.
Mostrou leves cicatrizes no braço.
—Eita.

Pediram: um latte com baunilha e bolo de chocolate para Aiko; um mocaccino e torta de canela para Ryotaro.
—Você não parece o tipo que gosta de coisas doces — ela comentou, apoiando o queixo na mão.
—Miú? Que tipo eu pareço?
—Achei que fosse daqueles góticos que só gostam de coisas amargas.
—A vida é amarga, mas não é por isso que não posso aproveitar a doçura que ela traz.
—Caramba, o Sócrates gótico — Aiko brincou, com uma piscadela.
—Não enche — ele respondeu, os lábios tremendo num quase sorriso.

Quando a comida chegou, Aiko fazia carinhas fofas a cada mordida. Ryotaro, que normalmente se irritaria, apenas achou aquilo… adorável. Engasgou consigo mesmo ao pensar nisso.
—Tudo bem aí? — ela perguntou, preocupada.
—Tá… foi só a torta indo pelo buraco errado.

Aiko, encantada com o bolo, estendeu um garfo para ele.
—Experimenta, Ryo-kun!
—Ryo…kun? — ele sussurrou, mas aceitou o pedaço.
—Gostou?
—Não é nada mal.
—Eu sei que gostou!
Ele revirou os olhos e ofereceu um pedaço de sua torta.
—E você? Experimenta.
Ela comeu e seus olhos brilharam.
—Incrível! Amei!
—Não esperava menos.

Após um momento de silêncio, Ryotaro falou:
—Sabe, Takane… o Yahiko provavelmente iria gostar muito de você. E… com certeza me arrastaria pra fazer amizade.
Aiko ficou sem reação por um instante,uma onda de calor subindo por seu rosto.
—Sério? Você acha mesmo?
—Sim. O Yahiko via o lado bom das pessoas. Me via como “um gatinho assustado tentando ser um leão”. Ele olharia pra você e veria… luz. Coisa que, segundo ele, falta no mundo.

O sorriso de Aiko ficou radiante, tão brilhante que Ryotaro desviou o olhar.
—Ele estaria certo sobre o leão. Pra mim, você é como a Harumi aqui. Se finge de durão, mas só quer um carinho.
—Não vá esperando que eu vá miar pra você — ele disse, com uma risada curta e rouca.

Nesse momento, Harumi se espreguiçou, olhou para Ryotaro e pulou em seu colo, começando a amassar pãozinho em seu moletom. Aiko ficou boquiaberta.
—Eu não acredito! Harumi?!
Ryotaro,cauteloso, começou a fazer carinho atrás de sua orelha. A gata ronronou alto.
—Perguntinha — Aiko disse, curiosa. — O que significa esse “miú”?
—É uma onomatopeia que inventei. Gosto muito de Rurouni Kenshin.
—Ah! Já entendi! É tipo o “oro” dele, né?
A precisão da resposta o chocou.
—Como você sabe?
—Gosto de animes clássicos. Rurouni Kenshin é meu favorito.

Ryotaro paralisou. Era muita informação. Ela não só conhecia, como era seu anime favorito também. Sua mente entrou em curto-circuito.
—Tá tudo bem, Ryo-kun? Você congelou.
—N-não. É que… duvido que alguém sacaria essa referência. Muito menos alguém popular como você.
—E aí? Tô certa?
—Tá. Me inspirei no Kenshin. É igualzinho ao “oro”, só que com minha cara.
—Achei fofo.
—Não é fofo — ele disse, virando o rosto, as orelhas avermelhadas. — É só um hábito besta.

Um silêncio confortável pairou. Ryotaro então arqueou uma sobrancelha, desafiador:
—Se gosta mesmo, me responde: o Kenshin está bem com a Kaoru? Ou devia ter ficado com a Megumi?
Aiko pensou,batendo um dedo na bochecha.
—É difícil. Mas o Kenshin e a Kaoru são a alma um do outro. Ela é seu porto seguro, seu “viver em paz”. A Megumi… compartilham a dor, mas o amor pela Kaoru é escolha de luz, é redenção. Então, sim. Estão bem juntos.

Ryotaro analisou seu rosto, procurando fingimento. Não havia. Sorriu de canto.
—Impressionante, Takane. Outros diriam que é só porque é protagonista. Gostei.

A conversa fluiu naturalmente. Debateram arcos, personagens, aberturas. Ryotaro, normalmente reservado, descobriu que tinha muito a dizer. O tempo passou rápido. O sol começava a se pôr.
—Melhor irmos — disse Aiko. — Minha mãe logo manda um esquadrão atrás de mim.
—Verdade.

Ao saírem, o ar da tarde estava fresco. Caminharam em um silêncio confortável. Ao chegarem no ponto onde seus caminhos se separavam, pararam.
—Gostei muito de hoje, Ryo-kun — disse Aiko, balançando na ponta dos pés.
—Eu também. Obrigado pelo café e pela conversa.
—A gente podia fazer de novo? Karaokê, biblioteca, parque… O que acha?

Antes que ele respondesse, ouviram um miado baixo. Um filhote de gato tricolor, magricelo e tremendo, estava encolhido perto de uma lixeira. Ryotaro se ajoelhou imediatamente.
—Ei, pequenino. Não vou te machucar.
O filhote cheirou seus dedos e encostou a cabeça em sua mão.
—Tadinho — sussurrou Aiko, ajoelhando-se ao lado. — Ele tá sozinho.
Ryotaro examinou o animal e viu um machucado na perna traseira.
—Ele tá machucado.
—O que a gente faz?

Ryotaro hesitou, olhou para o gato, para Aiko, e tomou uma decisão.
—Takane, pode pegar ele?
—Eu? Tá.
Ela pegou o gatinho com cuidado,aconchegando-o. Ryotaro tirou seu moletom, revelando uma camiseta preta e cabelos roxo-escuros. Amassou a blusa, fazendo uma cama improvisada.
—Põe ele aqui. Vai ser mais quente.
Aiko,impressionada, obedeceu. O gato se aconchegou no tecido quente.
—E agora?
—Agora a gente leva ele no veterinário. Conheço uma clínica no caminho da sua casa.
—Você… faria isso?
Ryotaro olhou para ela,seus olhos prateados sem barreiras.
—Não posso deixá-lo aqui. É o que o Yahiko faria. E o que eu quero fazer.

Aiko sentiu os olhos marejarem. Naquela luz dourada do poente, vendo aquele garoto, considerado um fantasma por todos, carregando um filhote com infinito cuidado, ela sentiu. As borboletas no estômago. Ela soube, naquele instante.
Estava se apaixonando por Ryotaro.
ricaardovenancio
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