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A Flor Negra da Cerejeira

Sob a Mesma Lua

Sob a Mesma Lua

Jan 09, 2026

Após levarem o filhote ao veterinário, a profissional, uma mulher de cerca de trinta anos, informou que o corte na pata era superficial, mas infectado. O gatinho também estava desnutrido, desidratado e com vermes.

— Normalmente ligaríamos para o abrigo, mas está lotado — explicou. — Vocês têm condições de cuidar dele?
—Nós? — Aiko disse, surpresa.
—É. Vocês não são casados?

A pergunta fez ambos corarem violentamente e desviarem o olhar.
—N-não! A gente… é só… — começou Ryotaro.
—Amigos — completou Aiko, sem coragem de olhar para ele. — Somos só amigos.
—Hm. Bom, algum dos dois pode?

Ryotaro e Aiko trocaram um olhar. Ambos queriam e podiam ficar com o gato.
—Tem como ter… uma espécie de guarda compartilhada? — perguntou Ryotaro.
—Como uma criança? — a veterinária parecia confusa. — Bom, um animal pode ter mais de um cuidador. Mas alguém precisa ser o tutor oficial no registro.
—Eu… posso ser? — Aiko perguntou, tímida.
—Claro.

Após assinarem os documentos, com Aiko como tutora e Ryotaro como co-responsável, e pagarem a primeira parcela (com Ryotaro insistindo em pagar), saíram da clínica. A noite já havia caído. Caminharam com pressa até a casa de Aiko, onde viam, através das cortinas, seu pai andando de um lado para o outro.
—É aqui — disse Aiko. — Obrigada por tudo, Ryo-kun. Gostei muito de hoje.
—Eu também. Obrigado pelo café.
—Que nome você vai dar pra ele? — perguntou Aiko, olhando para o gatinho adormecido no moletom de Ryotaro.

Ele pensou. Um único nome veio à mente.
—Yahiko. Vai se chamar Yahiko.

Aiko sorriu suavemente, acariciando a cabeça do filhote com a ponta do dedo.
—Perfeito. Agora você é o pequeno Yahiko.

Seus olhos se encontraram — prata e ouro — e por um instante, o mundo parou. Aiko sentiu um desejo intenso de abraçá-lo.
—Aiko! — a voz de Misao, sua mãe, cortou o momento. — Você está aí!

A família se aproximou: Misao, Kenji e Masahiro.
—Filha, não pode demorar tanto — disse Misao, abraçando-a.
—E quem é esse? — perguntou Kenji, apontando para Ryotaro.
—Meu nome é Ryotaro Sato. Acho que sua filha já falou de mim.
—Espera — interrompeu Masahiro. — Você é o cara que salvou minha irmã?
—Hã… acho que sim.

Os três membros da família trocaram um olhar e, em uníssono, se curvaram profundamente para Ryotaro.
—Muito obrigado por salvar nossa pequena — disse Kenji. — Estamos em dívida com você.
—Você é meio assustador, mas é legal — acrescentou Masahiro, ainda curvado. — Obrigado, tio.
Misao permaneceu em silêncio,mas um sorriso grato iluminava seu rosto. Ryotaro ficou completamente sem reação.
—N-não precisam disso.

Quando se ergueram, Misao observou o céu estrelado.
—Já está tarde. Ryotaro, onde você mora?
—Em Marunouchi. Uns dez minutos do Palácio Imperial.
—Você é rico, tio? — perguntou Masahiro, curioso.
—Pode-se dizer que sim.

Kenji assobiou, impressionado. Marunouchi era um bairro luxuoso. Eles trocaram outro olhar e tomaram uma decisão.
—Ryo-kun — chamou Aiko. — Você quer dormir aqui hoje?
—Miú?! Dormir aqui?! — ele recuou um passo. — Não precisa…
—Está muito tarde, é perigoso — insistiu Misao. — Por favor, fique.
—Vocês têm certeza? Não quero incomodar.
—Incomodar? — Kenji riu. — Depois do que fez? Jamais.

Ryotaro olhou ao redor, engoliu em seco e murmurou:
—Tá bem…

Aiko sorriu, brilhante, e o puxou para dentro. A casa era simples, aconchegante e cheia de vida, com fotos espalhadas pelas paredes. Era o oposto do lar de Ryotaro.
—O quarto de hóspedes é ao fim do corredor — indicou Misao. — E não se assuste se ouvir passos à noite. A Aiko tem… um certo medo de ficar sozinha.
—Sério? — Ryotaro olhou para Aiko, que corou.
—É… bem vergonhoso.
—Uma vez ela foi correndo para o quarto dos nossos pais — disse Masahiro. — Chorou que nem um bebê.
—MASAHIRO! — Aiko deu um leve tapa no irmão, e os dois saíram correndo em uma brincadeira.

Para Ryotaro, aquela dinâmica era alienígena.
—Eles são sempre assim?
—Na maioria do tempo, sim — respondeu Misao. — Quer ver o quarto?
—Claro.

Era um cômodo simples, mas arrumado: cama de casal, mesa e um banheiro. Ryotaro acomodou o pequeno Yahiko perto do travesseiro.
—Muito obrigado, senhora Takane.
—Disponha. Se precisar de algo, é só chamar.

Misao saiu. Poucos segundos depois, bateram suavemente na porta. Era Aiko.
—Eu só queria dar boa noite, Ryo-kun.
—Boa noite, Takane.
—Quer um pijama?
—Estou bem. Mas obrigado.
—Então… vou indo.
—Ok.

Aiko saiu e foi saltitante para seu quarto, onde abraçou um travesseiro, afundou o rosto nele e soltou um gritinho contido. As borboletas em seu estômago dançavam. Ela estava perdidamente apaixonada.

Ryotaro, deitado de braços abertos, olhava para o teto. Após meia hora, começou a sussurrar uma canção: Freaks, da banda Surf Curse.
—Não me mate… me ajude a fugir… de todo mundo… preciso de um lugar… onde posso esconder meu rosto…

Ele sempre cantava essa música quando se sentia vazio. A sensação era de um vazio oco, sem sentimentos.
—Minha cabeça… está cheia de parasitas… buracos negros cobrem meus olhos… sempre sonho com você… espero que… eu não acorde dessa vez…

Ficou em silêncio, fechando os olhos. Pouco depois, ouviu passos leves no corredor. Pararam diante de sua porta. Lembrou-se do medo de Aiko. A porta se abriu levemente.
—Ryo-kun? Está acordado?
—Takane? Tudo bem?
—Não consigo dormir. Me sinto sozinha. Posso… dormir aqui?
—Não é melhor ir com seus pais? Não quero causar problemas.
—Acho que eles não se importarão. Por favor…

Ryotaro suspirou. Uma parte dele queria mandá-la embora, isolar-se. Mas outra parte, suave e há muito adormecida, sentiu pena. Na penumbra, viu sua expressão assustada e vulnerável.
—Tá bom. Pode deitar.
—Sério?
—É. Mas se roubar o cobertor, te expulso.

Aiko entrou, fechando a porta silenciosamente. Deitou, mantendo uma distância respeitosa.
—Obrigada.
—Disponha.

Após alguns minutos de silêncio, Aiko hesitou e falou:
—Ouvi você cantar. Sua voz é bonita.
Ryotaro congelou.Aquele era um momento privado.
—Não era para ter ouvido, Takane — rosnou, severo.
—Eu juro, não foi de propósito! Ia bater na porta, mas você começou a cantar e… fiquei parada. Me perdoe.

A angústia genuína em sua voz dissipou um pouco sua raiva.
—Esquece. É só um costume besta.
—Não é besta — ela insistiu, aproximando-se um pouco. — É um pedaço de você. E se quero te ajudar, preciso conhecer tudo. Quero saber tudo.

Aquela afirmação foi audaciosa e tão inocente que fez algo dentro dele estremecer.
—Takane, isso… é perigoso. Algumas coisas devem ficar no escuro.
Ela ficou em silêncio por um momento.Então, Ryotaro sentiu um toque leve, hesitante, dos dedos de Aiko em suas costas. Seus músculos enrijeceram.
—Mesmo no escuro, podemos enxergar — sussurrou ela. — Ou dividir o peso. Isso alivia.

Ryotaro mal conseguia respirar. Aquele toque, a proximidade, eram demais. Seu lado solitário gritava para fugir, mas seu corpo não reagia. Em vez disso, uma onda de calor intenso percorreu seu corpo, dissolvendo a rigidez.
Sem pensar,ele se virou para ela. Na penumbra, seus olhos prateados encontraram os dourados dela, iluminados pela luz fraca da rua. Estavam face a face, separados apenas pelo pequeno Yahiko, que ronronava entre eles.
Aiko surpreendeu-se,mas não recuou. Seus dedos, agora sem contato, pousaram com suavidade infinita em seu rosto, tocando a linha tensa de sua mandíbula.
O silêncio era absoluto,quebrado apenas pelo ronronar de Yahiko e pela respiração ofegante de Ryotaro. O toque de Aiko era quente, real de um modo que doía.
—Takane… — ele sussurrou. — O que… é isso? Por que está fazendo isso?
A mão dela tremeu levemente,mas não recuou.
—Porque você parece perdido. E eu sei como é se sentir sozinho, no escuro.

Ryotaro engoliu em seco. Aquele toque era como uma tocha em sua pele após anos de gelo. Machucava, mas também era um calor há muito desejado.
—Eu… não sei o que fazer com isso — admitiu, sua voz rouca e quebrada.
—Não precisa fazer nada — ela respondeu, movendo o polegar em um círculo quase imperceptível em sua bochecha. — Só… não precisa ficar sozinho agora. Prometo que não contarei a ninguém sobre a música. É nosso segredo.

Nosso segredo. As palavras ecoaram. Ele passara a vida construindo fortalezas de solidão, e em uma tarde, aquela garota não só as invadira, como agora guardava um fragmento de sua alma sombria.
Yahiko,entre eles, suspirou profundamente no sono, quebrando a intensidade do momento. Aiko, voltando a si, corou violentamente e retirou a mão.
—Ah! Me desculpe! Fui intrusiva!
O calor de seus dedos ainda queimava na pele de Ryotaro.Parte dele lamentou que ela tivesse tirado a mão; outra parte agradeceu. Ele se virou para o outro lado.
—Tudo bem. Só… não faça isso de novo. Vamos tentar dormir.
—Tá bom. Boa noite, Ryo-kun.
—Boa noite, Takane.

Nenhum dos dois dormiu. Ambos estavam tensos. Ryotaro, olhando para a janela, pensava: O que aconteceu? Ela tocou no meu rosto! Como teve tanta audácia? Aiko, olhando para a porta, se repreendia: Sua idiota! Como pude fazer isso?
Ficaram confusos,sem saber como agir. Só quando o sol começou a nascer é que adormeceram, exaustos.
ricaardovenancio
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