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A Flor Negra da Cerejeira

A Confissão Silenciosa

A Confissão Silenciosa

Jan 09, 2026

O apartamento dos Sato, como o próprio Ryu disse, era bem mais perto dali do que Aiko imaginava, com a viagem levando apenas cinco minutos. O prédio era muito bonito e enorme, com quase sessenta andares. Quando chegaram ao apartamento, Megumi os esperava, lendo um livro de arquitetura.
— Finalmente chegaram… — Megumi começou, mas parou ao ver Aiko. — Hã? Ryotaro, quem é essa?
— Mãe, essa é a Aiko Takane — Ryotaro respondeu. — Ela é minha amiga. O pai convidou ela pra passar a noite aqui.
— Muito prazer, senhora Sato — Aiko disse, fazendo uma leve reverência.
Ao ouvir a palavra “amiga”, Megumi ficou muito surpresa. Deixando o livro de lado, caminhou até a menina com um olhar doce e feliz, e segurou as mãos dela. Seus dedos eram finos e eram um pouco frios.
— Amiga do meu filho? — Megumi disse, sorrindo. — Isso é tão bom. Qualquer amigo do Ryotaro é mais que bem vindo aqui. Filho, mostre o quarto de hóspedes. Eu vou preparar um chá.
Ryotaro guiou Aiko até o quarto, que ficava no terceiro andar do apartamento. O quarto era uma suíte bem grande, com uma cama queen-size, uma TV bem grande, além de cobertores confortáveis e macios e uma vista para os arranha-céus de Marunouchi. Aiko ficou impressionada ao ver como o lugar era limpo e muito bem arrumado. 
— É aqui — Ryotaro disse. — Fique à vontade. Qualquer coisa, vai lá no meu quarto. Não tenho o costume de dormir cedo.
— É muito longe? — Aiko perguntou. 
— Não muito. É a terceira porta do corredor.
Megumi logo apareceu com uma bandeja, com três xícaras de chá fumegante. Aiko pegou uma xícara, e os outros repetiram o gesto. Enquanto bebiam, a mãe de Ryotaro perguntou muitas coisas para a menina, tentando não ser intrusiva. Aiko respondeu tudo com gentileza, embora ainda sentisse uma pontinha de medo dela. Quando a menina mencionou a sua autofobia sem querer, Megumi inclinou a cabeça, interessada.
— Oh, agora faz sentido — Megumi disse, olhando para Ryotaro. — É por isso que você sempre quer… estar perto de alguém. É uma boa resposta a traumas de abandono. Já pensou em fazer terapia, querida?
Aiko engasgou com o chá.
— Não… tem necessidade, senhora Sato — Aiko disse, tossindo. — É só… uma coisa bobinha.
— Nada que nos afeta é “bobinho” — Megumi corrigiu, sua voz suave más firme. — Acho que você devia lembrar disso às vezes, Ryotaro.
Ryotaro ficou quieto, bebendo o chá em silêncio, observando a interação entre as duas mulheres mais importantes da sua vida naquele momento. Era estranho para ele ver elas no mesmo espaço. As duas eram completamente diferentes, com Aiko sendo o próprio sol e Megumi uma nevasca de inteligência e empatia.
Finalmente, Megumi se levantou e pegou as xícaras.
— Vou deixar vocês dois descansarem. Ryotaro, me faz um favor?
— Claro — Ryotaro respondeu. — Do que precisa?
— Cuide bem da senhorita Aiko, caso ela tenha uma crise de sua fobia — Megumi respondeu, fazendo um cafuné em seus cabelos roxos.
— N-não precisa disso, senhora Sato! — Aiko disse, corando levemente. — E-eu… vou ficar bem! Garanto! 
Megumi e Ryotaro olharam para Aiko, e depois se olharam. Ryotaro deu de ombros, e os dois desejaram boa noite para ela. Os dois foram para a cozinha, e enquanto Megumi lavava as xícaras, ela disse:
— Essa menina, a Aiko… ela é muito especial, não é?
— É… de certa forma, sim — Ryotaro respondeu, desviando o olhar.
— Eu vi o jeito que ela te olha.
— Miú? Como ela me olha?
— Você tem fama de reparador e não reparou nisso? Digamos que ela te olha… do mesmo jeito que eu olhava para seu pai, antes de nós nos casarmos ou até começarmos a namorar.
Ryotaro ficou em silêncio, olhando para a mãe com um olhar incrédulo. Após raciocinar um pouco, como se uma lâmpada acendesse acima de sua cabeça, ele sussurrou:
— Tá me dizendo que… a Takane tá…
— Bingo, meu filho — Megumi disse, dando uma piscadela. — É exatamente isso.
Ryotaro sentiu um rubor violento subir por seu pescoço e chegar até às orelhas. Aiko, que nem o conhecia há tanto tempo, já estava apaixonada por ele? Isso não fazia sentido para ele. Ele não conseguia entender o porquê dela, que era a pura luz, querer se aproximar até esse ponto dele, que em sua visão, era pura treva.
— Eu já sei o que a Aiko viu em você — Megumi disse, sorrindo carinhosamente enquanto secava as mãos em um pano de prato. — Agora, seja sincero, filho: o que você vê na Aiko? 
Ryotaro, ao ouvir aquilo, teve sua mente inundada por lembranças de momentos com Aiko e do que ele o fez sentir. Lembrou de sua coragem ao enfrentar valentões, da sua voz desafinada e adorável no karaokê, do seu amor por Rurouni Kenshin, do jeito boboca que ela inclinava a cabeça, de como ela se tornava fofa ao receber uma fatia de bolo, os olhos dourados dela, o sorriso que iluminava todo o seu ser… tudo veio em turbilhão. Finalmente, ele disse:
— A Aiko… eu vejo nela um porto seguro, uma amiga leal e querida, e… ela me desarma de uma forma que eu não consigo explicar. De certa forma, quando estou perto dela, eu me sinto mais… feliz. Parece que, quando estou com ela, o que era cinza fica colorido. Ela é… como o sol depois de uma chuva forte, ou quando insiste em me acordar. E… — e parou, hesitando por cinco longos segundos antes de finalmente dizer:
— De certa forma, eu… eu amo quem ela é. Eu…
— Você…? — Megumi perguntou, inclinando a cabeça.
Ryotaro suspirou.
— Eu nunca achei que diria isso sobre alguém, mas… eu gosto dela. De verdade. Eu… eu a amo. Amo como amei o Yahiko, mas… eu acho que… eu amo além da amizade.
Megumi deu um sorriso suave, e seus olhos marejaram. Ryotaro, ao ver aquilo, ia perguntar o que estava acontecendo, mas a mãe o abraçou antes, um abraço forte que fez suas costelas rangerem.
— Finalmente — Megumi disse, sua voz embargada. — Você finalmente encontrou quem te complementa, meu pequeno fantasminha.
— Ai — Ryotaro fez, sentindo o aperto forte.
Megumi o soltou, secando os olhos com a mão, e com as mãos subindo dos ombros para o rosto do filho, deu um beijo na testa dele. Ryotaro, sentindo um nó se formar em sua garganta, sussurrou:
— O que eu faço, mãe? Se ela for recíproca comigo? Eu… eu não sei nem ser um amigo direito! Quem dirá um… algo a mais?
Ele não tinha coragem de dizer a palavra “namorado”. Megumi afagou os cabelos do filho, e respondeu, sua voz suave:
— Não precisa fazer nada grandioso agora. Apenas continue fazendo o que você já faz. Continue saindo, conversando, protegendo. Quando a hora certa chegar (e ela vai!), você fala o que sente. Eu garanto que ela sente o mesmo.
— E quando vai ser a hora certa? — Ryotaro perguntou novamente, meio ansioso.
— Vai saber? Pode ser amanhã, no mês seguinte, ano que vem… ou pode ser até mesmo hoje.
— Hoje?
— Sim. 
— Hoje… não é o melhor momento pra isso.
— Eu sei. Você está exausto, e eu também. Que tal irmos dormir?
— É uma boa.
Assim, os dois subiram as escadas em direção aos seus quartos. No caminho, passaram pelo quarto de hóspedes. Ryotaro pode ouvir o som da TV ligada, e ele soube que provavelmente ela estaria tentando afastar a sua autofobia. Assim, ele foi para seu quarto, dando um beijo em sua mãe.
No seu quarto, Ryotaro, após retirar seu moletom preto e sua camiseta preta, só ficando com sua calça, se sentou na cama, meio pensativo. Tudo ainda estava bem fresco em sua mente, e o peso do interrogatório e do confronto com Takeru ainda repousava sobre ele. Massageando as têmporas, o garoto se levantou, e foi até sua escrivaninha. Abrindo uma gaveta, pegou algumas folhas de papel, três lapiseiras, uma borracha e vários lápis de cor. 
Olhando para a folha, pensou no que iria desenhar. Um personagem de anime? Era muito superficial. Um cenário de videogame? Muito difícil. Então, ele só conseguiu pensar em uma coisa. Com a lapiseira na mão e um estilo de arte em mente, começou a desenhar. Um risco ali, outro aqui, apaga de lá e desenha de cá, logo os rabiscos formaram uma garota, cujos olhos eram como o ouro puro e derretido, seus cabelos escuros como a noite com estrelas amarelas em parte dele, um sorriso que brilhava mais forte que o sol, suas roupas bonitas e claras e, quando inclinava a cabeça, parecia uma criança de oito anos. Quando terminou, quis escrever uma dedicatória. Mas não sabia ao certo o que escrever. “Para Aiko”? Muito simples e chato. Foi quando lembrou de uma música de encerramento de Rurouni Kenshin. Ele viu em Aiko o par romântico do protagonista daquele anime, e se viu ele próprio como esse protagonista. Assim, escreveu, com a sua melhor caligrafia:

“Para a minha Kamiya Kaoru, que trouxe luz e cores para o meu mundo, Aiko Takane. Do seu Kenshin Himura, Ryotaro Sato.”Ao ver seu trabalho finalizado, Ryotaro sorriu, tocando levemente o papel com a ponta dos dedos. Ele queria e muito dar aquele desenho para ela. Ele devia entregar para ela. Ao olhar o calendário do seu celular, olhou para o mês de junho, para o dia cinco. O aniversário dela, justamente daqui duas semanas. Ele sabia disso por conta dos seus anos de solidão e observação. Ainda com um sorriso no rosto, ele sussurrou:

— Já sei o que te dar de presente… Aiko.
ricaardovenancio
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