Please note that Tapas no longer supports Internet Explorer.
We recommend upgrading to the latest Microsoft Edge, Google Chrome, or Firefox.
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
Publish
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
__anonymous__
__anonymous__
0
  • Publish
  • Ink shop
  • Redeem code
  • Settings
  • Log out

A Flor Negra da Cerejeira

A Lámina e o Abraço

A Lámina e o Abraço

Jan 09, 2026

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Mental Health Topics
Cancel Continue
A noite foi turbulenta para Ryotaro. Seus sonhos foram conturbados, recheados de abandono e humilhação. Quando acordou, com um sobressalto e com os olhos marejados, o garoto sentiu uma coisa forte em seu peito, que ele não sentia há muito tempo: a sensação de vazio e solidão.
Com um esforço gigantesco, se levantou e foi até o banheiro, onde se olhou no espelho. Seus olhos cansados, marcados com olheiras profundas, suspirou. Então, olhou para o corredor, pensando em Aiko. Olhou novamente para o espelho, e suspirou.
— E se Aiko só estiver com pena de mim? — ele sussurrou, tocando o próprio rosto com a ponta dos dedos. — E se minha mãe estiver errada? E se… ela… for embora…?
Seu lábio tremeu, e seus olhos se encheram de lágrimas de novo. O medo de ser abandonado estava aumentando, e junto com ele, a culpa. Culpa por ter envolvido Aiko na confusão que era sua vida. Ele a colocou em perigo, e ela se colocou em perigo por causa dele. Ele não queria que sua popularidade fosse para o ralo, pois sabia que, se ela ficasse sozinha, sua autofobia se tornaria um monstro muito mais poderoso. 
Assim, ele saiu do banheiro, e olhou para dentro do quarto de hóspedes. A menina se mexia de um lado para o outro. Provavelmente em um sono inquieto. Assim, ele desceu as escadas até a cozinha. Lá, ele olhou para um suporte de facas de cozinha, e sua respiração acelerou, além das suas mãos começarem a tremer. Ele se aproximou do suporte, e pegou com a mão trêmula uma das facas. Olhando para o próprio reflexo na lâmina, suas lágrimas começaram a cair sobre ela.
— Isso… — ele sussurrou, sua voz embargada. — Isso é por você, Takane… pelo seu bem.
No andar de cima, Aiko acordou de seu sono inquieto. Sentia que algo estava muito errado. Algo com Ryotaro. Assim, ela levantou e foi até seu quarto. Ao chegar na porta de seu quarto, viu que ele não estava lá. Ao olhar para as escadas, viu que havia uma luz ligada. A luz da cozinha. Assim, ela foi até lá, e viu Ryotaro guardando uma faca no suporte. 
— Ryotaro…? — Aiko sussurrou, aterrorizada. — O que… o que você fez?
Ryotaro estremeceu levemente ao ouvir a voz dela, e se virou. Seus olhos ainda estavam vermelhos do choro, mas ele parecia não ter feito nada consigo mesmo. Ele apenas sussurrou:
— Quase caí em um velho hábito.
E mostrou o polegar, que tinha um pequeno corte. Aiko arregalou os olhos, entendendo no mesmo instante do que ele estava falando. Ela se aproximou, e pegou a mão dele. Não haviam outros cortes nela além do polegar, porém ao olhar para seu pulso, viu cicatrizes. Cicatrizes velhas, de anos atrás. 
— Ryo-kun… por quê? — ela sussurrou. — Por que há tantos cortes no seu pulso?
Ryotaro não respondeu. Apenas desviou o olhar, soltando o ar com um pouco mais de força. Aiko colocou as mãos em sua bochecha, o forçando a olhar para ela, e perguntou de novo o porquê daquilo. Ele apenas sussurrou, sua voz quase inaudível:
— A dor é forte, e… cada um tem um jeito de a aliviar. Esse é meu jeito.
Os olhos de Aiko se encheram de lágrimas. Eram de tristeza, mas também de raiva. Ela pegou a mão dele com cuidado, como se a mão dele fosse feita de vidro, e olhou novamente para o pulso de Ryotaro. O menino continuou:
— Desde que o Yahiko foi embora, tudo ficou cinza, sem cor. Era como se eu tivesse um filme em preto e branco. Nada fazia sentido. Eu sentia tanta dor, tanta culpa, que acabou ficando insuportável — ele então tocou as próprias cicatrizes. — Eu percebi que a dor física era, de certa forma, um alívio para a dor emocional. E quando fiz o primeiro corte, a cor do mundo voltava por um instante. A mente ficava clara.
Os olhos de Ryotaro se encheram de lágrimas de novo, e fechando os olhos com força, ele continuou, sua voz embargada:
— Mas aí… um dia, eu cortei com muita força. O corte foi profundo. Se meus pais não tivessem me achado, provavelmente eu teria morrido naquele dia. Depois disso, eu parei.
— Mas e agora? — Aiko perguntou, olhando para o pequeno corte no polegar dele. — Por que agora você quase…?
Ryotaro abriu os olhos, as lágrimas escorrendo livremente por seu rosto branco.
— Você — ele sussurrou, a palavra saindo como uma confissão dolorosa. — Foi você, Takane.
Ela ficou confusa, seu coração apertando.
— Eu? Eu fiz… você querer se machucar?
— Não! — a resposta veio rápida, quase como um grito abafado, e ele segurou a mão da menina com força. — É o oposto. É porque… você importa. Muito. E isso me assusta.
— Por que te assusta?
— Porque… eu tenho medo de ver o brilho nos seus olhos sumir por minha causa. Nos meus sonhos, eu vi você indo embora. Ouvindo os seus amigos, que diziam que eu sou uma aberração e um fardo. Você dava ouvidos a eles, e me dava as costas. Quando acordei… senti o vazio. Com força total. E a faca… sempre trouxe clareza.
Aiko sentiu como se o seu coração tivesse sido esmagado. Ela então puxou Ryotaro para um abraço, envolvendo o garoto com força, enterrando seu rosto no peito dele. Ele ficou rígido por um momento, antes de se desmanchar sobre ela, chorando e soluçando. 
— Eu nunca vou virar as costas para você, Ryotaro — ela disse, sua voz firme contra a pele dele. — Jamais. Eu devo a minha vida a você, Ryo-kun! Você me salvou de um carro e me defendeu de um criminoso! Como eu poderia virar as costas para alguém tão… gentil, amável e carinhoso? Alguém que sofreu tanto, e que merece muito mais ser amado por alguém?
A palavra “amado” ecoou estranha nos ouvidos dele, mas de certa forma, completamente certa. Era tudo que ele queria, e tudo que sempre ansiou. E ele sabia que, agora, ele era amado por alguém. Alguém cujos olhos eram como ouro puro e polido.
— Obrigado… — ele murmurou contra seus cabelos. — Obrigado por me amar, Aiko. Muito obrigado.
O abraço parecia durar uma eternidade. Ryotaro sentiu o peso do mundo se desfazendo em seus ombros, dissolvido pelo calor e pelos braços firmes de Aiko. Ela não o soltava, e ele não queria soltar. Pela primeira vez em anos, alguém não o abraçava por obrigação ou pena, mas sim por escolha. Por algo que era parecido com… amor.
Quando as lágrimas finalmente cessaram, deixando um cansaço profundo e uma paz esquisita. Aiko se afastou o suficiente para olhar em seus olhos. Seus dedos, ainda tremendo um pouco, subiram até seu rosto, limpando os rastros úmidos das suas lágrimas.
— Você não está sozinho, Ryo-kun — ela disse, sua voz um sussurro firme na quietude da madrugada. — E eu não vou deixar você se machucar de novo. A gente vai encontrar outra maneira de trazer as cores para o seu mundo. Juntos.
Ryotaro engoliu em seco, sua garganta doendo de tanto chorar. Ele assentiu, sem nenhuma palavra saindo da sua garganta. Porém, seus olhos cinza, agora limpos e vulneráveis, diziam mais que mil palavras: gratidão, medo e esperança.
— Me promete? — ela insistiu, sua mão encontrando a mão esquerda dele – onde estava o corte superficial. O contato foi elétrico, mas um fio terra, algo que o ancorava à realidade.
— Prometo — ele sussurrou, finalmente. A promessa saiu áspera, mas era sincera.
— Então vamos lá pra cima — Aiko sugeriu, o puxando para as escadas. — Você precisa descansar. E eu… não quero muito voltar para aquele quarto sozinha.
Ryotaro não protestou. Os dois subiram as escadas até chegarem nos quartos, o som de seus passos abafados pelo carpete grosso da casa. Na frente da porta do quarto de hóspedes, Aiko hesitou.
— Ryo-kun — ela começou, desviando o olhar. — Você acha que… eu posso dormir no seu quarto? Só por hoje. Eu acho que… nós dois precisamos disso.
O coração dele deu um salto. O medo antigo de proximidade e vulnerabilidade voltou por um momento, mas foi rapidamente abafado pelo conforto que a presença dela oferecia. A ideia de voltar para a escuridão silenciosa de seu quarto, com apenas seus pensamentos, era assustadora.
— Tá bem — ele concordou, sua voz fraca.
Entraram no quarto dele. Aiko fitou o lugar com uma curiosidade suave, seus olhos passando pelos mangás organizados, pelas action figures e seu computador. Era um santuário, um reflexo do seu mundo interior. Ao ver ele pegar um cobertor extra e arrumar um espaço no chão, disse:
— Não precisa dormir no chão.
— É que… — ele começou, mas ela o interrompeu suavemente.
— A cama é bem grande. E eu confio em você.
Aquelas simples quatro palavras fizeram o resquício de resistência desaparecer. Assim, Ryotaro guardou o cobertor no armário, e os dois deitaram na cama, mantendo uma distância respeitosa, porém o espaço entre eles parecia vibrar com uma nova compreensão.
A luz da lua entrava pela janela, iluminando o perfil de Aiko. Ryotaro a observava, a forma como seus cílios longos projetavam sombras em suas bochechas, a suave elevação e queda do seu peito.
— Takane — ele chamou, sua voz um sussurro.
— Hm?
— Obrigado. Por não ter medo de mim.
Ela virou a cabeça no travesseiro, seus olhos âmbar encontrando os dele na penumbra.
— Eu nunca tive medo de você, Ryo-kun. Só tive medo de que você se afastasse.
Ele estendeu a mão, hesitante, e encostou em uma mecha de seu cabelo, tingido de loiro. Era macio como seda.
— Eu não vou me afastar — ele prometeu, dessa vez acreditando em cada sílaba. — Nunca mais.
Ela sorriu, um sorriso pequeno e sonolento, e fechou os olhos. Pouco depois, sua respiração se tornou lenta e regular. Ryotaro sorriu suavemente, e pousou um beijo em sua testa. Ele então olhou para um canto esquecido do seu quarto, onde havia uma guitarra preta de design agressivo acumulando pó que seus pais compraram para ele. O menino acabou lembrando de um evento de música que sempre acontecia de três em três meses no colégio, e sentiu vontade de participar um dia, algo que seu antigo eu, antes de conhecer Aiko, jamais pensaria. Enquanto olhava para o instrumento, um ritmo, que começou baixo e aumentou de volume, começou a tocar. Master of Puppets, do Metallica. Enquanto se imaginava em cima do palco do auditório do colégio fazendo o solo da música, vendo Aiko o aplaudir de pé, ele enfim adormeceu.
ricaardovenancio
ricaardovenancio

Creator

Comments (0)

See all
Add a comment

Recommendation for you

  • What Makes a Monster

    Recommendation

    What Makes a Monster

    BL 76.4k likes

  • Arna (GL)

    Recommendation

    Arna (GL)

    Fantasy 5.5k likes

  • Blood Moon

    Recommendation

    Blood Moon

    BL 47.9k likes

  • Earthwitch (The Voidgod Ascendency Book 1)

    Recommendation

    Earthwitch (The Voidgod Ascendency Book 1)

    Fantasy 3k likes

  • The Last Story

    Recommendation

    The Last Story

    GL 46 likes

  • Primalcraft: Sins of Bygone Days

    Recommendation

    Primalcraft: Sins of Bygone Days

    BL 3.3k likes

  • feeling lucky

    Feeling lucky

    Random series you may like

A Flor Negra da Cerejeira
A Flor Negra da Cerejeira

159 views1 subscriber

Ryotaro Sato, o "Fantasma Negro" do colégio, é um pária envolto em sombras e silêncio, carregando o trauma da perda de seu único amigo. Sua existência é uma paisagem em preto e branco, onde a dor só se aquieta nos cortes discretos em seus pulsos e no som agressivo em seus fones. Ele é a cerejeira negra — uma beleza isolada e melancólica.

Do outro lado, Aiko Takane brilha. Popular, radiante e cheia de vida, ela é tudo que Ryotaro não é. Mas até a luz tem suas rachaduras: Aiko esconde uma autofobia debilitante, um medo paralisante da solidão que a assombra nas noites silenciosas.

Um ato impulsivo de heroísmo — Ryotaro salvando Aiko de um atropelamento — despedaça as barreiras entre seus mundos. Intrigada pela tristeza profunda do "Fantasma", Aiko decide atravessar o abismo social e descobrir o homem por trás da lenda. O que começa como curiosidade se transforma em uma conexão frágil e poderosa.

"A Flor Negra da Cerejeira" é uma jornada dupla de cura. É a história de Ryotaro aprendendo a viver novamente sob a luz paciente de Aiko, redescobrindo cores através de um gato resgatado — batizado com o nome de seu amigo perdido — e trocando a dor pela música, encontrando sua voz nos acordes distorcidos de uma guitarra. É também a saga de Aiko, que descobre que sua verdadeira força está em defender o que é certo, mesmo que isso signifique enfrentar o preconceito de suas amigas e proteger o garoto que todos rejeitam.

Enquanto isso, ameaças surgem. Takeru, um yakuza perigoso, traz um perigo tangível das ruas. E Mahina Hoshina, uma figura enigmática do passado de Ryotaro, semeia dúvidas com sua obsessão manipuladora, testando os alicerces desse novo amor.

Mais do que um romance, esta é uma narrativa sensível sobre luto, saúde mental e a coragem de florescer na adversidade. É um conto sobre como duas almas quebradas podem se tornar o porto seguro uma da outra, provando que até a flor mais sombria pode desabrochar quando encontra a luz certa.
Subscribe

22 episodes

A Lámina e o Abraço

A Lámina e o Abraço

0 views 0 likes 0 comments


Style
More
Like
List
Comment

Prev
Next

Full
Exit
0
0
Prev
Next