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A Flor Negra da Cerejeira

O Retorno de Mahina

O Retorno de Mahina

Jan 09, 2026

O despertador tocou alto. Ryotaro o desligou instantaneamente, acordando de um sonho envolvendo guitarras distorcidas e olhos dourados. Ao seu lado, Aiko havia se aproximado em seu sono, com a cabeça apoiada em seu peito. Ela tinha um sorriso bobo no rosto e murmurava coisas sem sentido. Ele achou-a ainda mais foca assim e sorriu suavemente.

Com cuidado para não acordá-la, desvencilhou-se e encarou o armário. Decidiu inovar: pegou uma camiseta preta, mas em vez do moletom habitual, escolheu uma camisa azul-profundo e uma calça jeans. Manteve apenas o tênis preto. Sua escola não exigia uniforme.

Após se trocar, aproximou-se para acordá-la. Quando sua mão estava prestes a tocá-la, ouviu-a murmurar seu nome. Ele arregalou os olhos. Ela estava sonhando com ele? Então, ouviu:
—Eu aceito… aceito casar com você, Ryo-kun…

Ryotaro congelou. O sangue subiu fervendo ao seu rosto, deixando-o vermelho como um morango. Ela estava sonhando com ele? E sobre se casar? O dia mal começara e já estava cheio de surpresas.
—Miú…? — ele balbuciou, paralisado.

As pálpebras de Aiko tremeram. Com um suspiro, abriu os olhos lentamente. Ao vê-lo, seus olhos se arregalaram e ela ficou tão ruborizada quanto ele.
—Ryo-kun?! — disse, como se tivesse sido pega em flagrante. — Tudo bem?
—Hã… sim. Você… estava sonhando com o quê?
—Nada! Nada importante!
—Tem certeza? Ouvi você falar meu nome…

Aiko ficou ainda mais vermelha. Ele ouviu tudo!
—Não lembro de nadica de nada! — disse, com um sorriso nervoso.
—Quer que eu refresque sua memória?
—NÃO!! — ela quase gritou, pulando da cama e tapando sua boca com as mãos. — Não faça nada!

Ryotaro emitiu um som abafado, seus olhos cinza arregalados. O toque de suas mãos era quente, e ele podia sentir a vibração de seu pânico. Piscou lentamente, assumindo uma expressão de inocência exagerada — um artifício que não usava desde a infância. Deu dois tapinhas leves em seus pulsos, e ela baixou as mãos.
—Fica tranquila, Takane. Se foi um sonho, é segredo seu. Não vou pressionar.

Aiko colocou as mãos atrás das costas, ainda muito vermelha, mas um pouco mais calma.
—Obrigada. Foi meio constrangedor.
—Sei como é. Também tive sonhos assim. E, pra sua informação, você fala dormindo. Até ronca um pouquinho.
—EU NÃO RONCO! — protestou, batendo o pé, mas um leve rubor traía sua diversão.
—Tá bem, tá bem — ele ergueu as mãos em rendição, sorrindo pouco. — Não vou arruinar sua honra. Agora, vá se trocar. Não pode ir de camisola.

Aiko assentiu, com um sorriso ainda bobo, e voltou ao quarto. Ryotaro sentiu-se estranhamente aquecido. Não era vergonha ou ansiedade, mas algo suave e aconchegante. A leveza daquela manhã era nova e preciosa.

Na cozinha, encontrou Megumi, que acabara de grelhar peixe.
—Bom dia, meu fantasminha — disse ela, fazendo-lhe um cafuné. Reparou em sua roupa. — Decidiu largar o moletom?
—Está quente hoje.
—Ou será a senhorita Aiko influenciando seu guarda-roupa?
—Mãe…

Megumi riu e levou o peixe para a sala, onde já havia tofu, arroz e tamagoyaki. Enquanto comiam, Aiko apareceu, vestindo as roupas do dia anterior, que Megumi lavara e secara durante a noite.
—Bom dia, senhora Sato — disse, sorrindo carinhosamente, embora evitasse o olhar de Ryotaro.
—Bom dia, querida! Pode comer.

Aiko reparou na roupa diferente de Ryotaro. Era esquisito vê-lo sem o moletom preto, mas a visão o deixava feliz. Ela e Megumi conversaram bastante, e Ryotaro participava com grunhidos e monossílabos, mas sempre que Aiko ria de uma piada de sua mãe, ele não evitava um pequeno sorriso.

Após o café, saíram para a escola, pegando um trem-bala. Sentados, mantiveram silêncio durante a viagem, ambos tímidos pelos acontecimentos anteriores. Ao descerem, Aiko perguntou:
—Então, não vai contar o que ouviu?
Ryotaro olhou para ela,com expressão neuta, mas os cantos da boca tremeram levemente.
—Acho que era algo com gatinho e foguete. Não entendi.
—Mentiroso — disse, rindo sem rancor.
—Sou mesmo.

No colégio, a atmosfera mudou. Os olhares de desdém para Ryotaro ainda estavam lá, mas agora carregados de incredulidade e curiosidade ao vê-lo com Aiko. Ele tentou manter a fachada de indiferença, ignorando os comentários. Os cochichos falavam deles, mas também do caso de Kaito e Takeru. A notícia, distorcida pelo telefone sem fio, era brutal: alguns diziam que ele derrubara uma gangue de yakuza sozinho; outros, que era membro do clã Shinazukawa; outros ainda, que matara o yakuza. Kaito não fora à escola, ainda hospitalizado.
—Ignora eles — disse Aiko, cutucando seu braço. — Não sabem de nada.
—Estou tentando.

Chegaram ao corredor onde seus caminhos se separavam. Aiko olhou para onde estavam suas amigas, Mika e Ayase.
—Nos vemos depois? No telhado?
—Claro.

Aiko assentiu, e cada um seguiu seu rumo. Ryotaro olhou para trás e viu-a entrando em seu círculo de amigas, algumas delas o observando. Ele apenas deu de ombros e entrou em sua sala.

As aulas foram monótonas. Ryotaro fazia tudo, menos prestar atenção: desenhava Aiko com orelhas de gato ou com o pequeno Yahiko na cabeça, ou simplesmente dormia. Na aula de filosofia, a professora pediu que formassem tríos para uma revisão sobre um livro do trimestre. Ryotaro já assumia que faria sozinho quando sentiu alguém cutucar seu ombro. Era Mahina Hoshina.
—Tudo bem, Satozinho? Quanto tempo.

Ryotaro congelou. Mahina não era uma das pessoas que esperava ver. A última vez fora no Dia dos Namorados do primeiro ano, quando finalmente aceitara um de seus inúmeros chocolates. Desde então, não esperava revê-la.

Mahina era peculiar. Seus cabelos, antes longos e pretos, agora eram curtos e tingidos de fúcsia, em um corte bob desalinhado, com uma franja cobrindo um de seus olhos violeta. Usava camisa social branca, saia preta, sapatos também pretos e uma corrente de prata com pingente de raposa. Seu sorriso enigmático sempre parecia esconder algo.
—Hoshina. O que faz aqui? Não tinha mudado de escola?
—Voltei, fofinho. Já faz três dias.
—Três dias?! — ele ficou pálido. Como não notara?
—Você é tão desligado. — Ela sentou ao lado dele sem pedir permissão. — Pelo visto, a corte da Sayuri está cheia. Sempre achei estranho pagarem pau para ela. Ela não tem personalidade! O que você acha?
Ryotaro olhou para Sayuri e estalou o pescoço.
—Desprezo-a.
Mahina riu baixinho.
—Eu também. Ela é uma periguete. Bem, vamos focar. Quer fazer o trabalho comigo?
—Trabalho melhor sozinho.
—Tem certeza? A professora não gosta de quem não segue as regras…

Ryotaro sabia que ela era chata com isso. Mesmo que recusasse, seria obrigado. Suspirou.
—Tá bem. Mas eu escolho o livro.
—Ótimo! Oh, falta uma pessoa. Quem poderia…?
—Para de falar tão formal.
—Já sei! Natsuki! Vem cá!

Ryotaro viu a garota que ela chamava: Natsuki Murakami, baixinha, com um metro e quarenta, cabelos pretos, olhos castanhos, pele clara. Usava uma camiseta rosa e calça preta, além de óculos de aro redondo. Parecia assustada.
—Hã?! Senhorita Mahina? Do… do que precisa?
—Natsuki, querida. Você fará o trabalho conosco.
—Com você?! Claro! Já vou!

Ela pegou seus pertences e sentou-se com eles. Ryotaro percebeu que ela era a “cadelinha” de Mahina.
—Esta é minha melhor amiga, Natsuki Murakami — apresentou Mahina, pondo a mão em seu ombro. — Natsuki, este é meu amigo Ryotaro Sato.
Amigo?pensou Ryotaro. Desde quando?
—Já o conhecia… — sussurrou Natsuki, olhando para os pés. — Muito prazer, senhor Sato.
—Só Ryotaro está bom. Ou senhor. Contanto que não me chame de Fantasma Negro.
—Tá bem! Ryotaro, então.

Mahina sorriu.
—Muito bem. Vamos planejar. Já decidiu o livro, Satozinho?
—O Estrangeiro. Se não leram, problema é de vocês.
Mahina assobiou baixinho.
—Pesado. Gostei. Natsuki, você faz o resumo. Eu cuido da formatação. E você, Satozinho…
—Faço os slides. Me mandem suas partes por e-mail. Não quero encontro presencial.
—Sempre direto. Você não mudou nada.

As duas voltaram a seus lugares. Ryotaro tentou focar, mas sentia-se observado. Quando o sinal do intervalo tocou, levantou-se rápido e foi para o telhado. Nos corredores, sentiu-se observado novamente. Ao olhar para trás, viu Mahina e Natsuki.
—Aonde vai, Satozinho?
O inclinar de cabeça dela,ao contrário do jeito bobo de Aiko, era sedutor e intimidante.
—Para o telhado. Ficar sozinho.
—Que chatice! Só sabe ficar sozinho? Posso fazer companhia? Eu e Natsuki?
—Não, obrigado.
—Oh, como fazer você dizer sim?
—É questão de limites e respeito, Hoshina. Eu disse não. Espero que respeite.
—É mesmo? E quanto à Princesa Dourada? Ou, para os íntimos, Aiko? Ela tem esses limites?

Ryotaro estacou ao ouvir o nome de Aiko. Como ela sabia?
—Como você…?
—Sei muito sobre você, Satozinho. Incluindo Aiko e os lugares que foram. Até sobre o filhotinho.

Ela aproximou-se, sussurrando:
—Relaxe, não vou me aproximar dela. Até eu sei meus limites. Mas posso dar um conselho? Às vezes, gente como você, após tanto tempo no escuro, ao ver a luz do sol, pode se queimar.
—Onde quer chegar?
—Só digo para tomar cuidado. Tanto com ela quanto consigo mesmo. Cuidado para não consumir a luz dela com suas sombras, e para ela não te machucar com seu calor e luz.

Com um toque suave, tocou a ponta de seu nariz com o indicador, fazendo um “Puff!”.
—Bom, não vou interromper seu momento romântico com a Princesa Dourada. Até porque ela já está te esperando, não é? Pode ir. Eu já vou indo.
—Como você…?
—Presunção, fofucho.

Mahina desceu as escadas, puxando Natsuki. Ryotaro ficou sozinho, perplexo. Como ela sabia? Sabia demais, e isso o assustava. Sentindo um calafrio, subiu ao telhado. Lá, Aiko olhava para o horizonte, o vento balançando seus cabelos. Ela virou-se e sorriu.
—Ryo-kun! Você chegou! — Seu sorriso diminuiu ao ver sua expressão. — Tudo bem? Parece que viu um fantasma.
Ele aproximou-se,ficando ao seu lado, e sorriu um pouco, sem alcançar os olhos.
—Tudo bem. É que… uma figura do passado voltou.
—Quem?
—Mahina Hoshina.
—Não conheço.
—Ela me dava chocolates no Dia dos Namorados.
—Ah…

A expressão de Aiko mudou levemente. O sorriso não desapareceu, mas um brilho diferente passou por seus olhos. Seria ciúme?
—E… você gosta dela?
—Só a suportava. Agora, está começando a me irritar e assustar.
—Por que o assusta?
—Ela sabe demais. Sabe muito sobre mim.
—Sobre você…?
—Sim. Parece que sabe tudo da minha vida. Com quem ando, com quem falo, o que faço… É quase obsessivo.

Aiko ficou em silêncio, pensativa.
—Quer que eu conte à diretoria?
—Não precisa. Ela pode me assustar, mas não é uma ameaça. Embora fale coisas… esquisitas.
—Tipo o quê?
—Antes de subir, ela me deu um aviso: “Cuidado para não consumir a luz dela com suas sombras, e cuidado para ela não te machucar com seu calor e luz”.

Aiko fitou-o, seu sorriso desaparecendo.
—Ela realmente disse isso?
—Sim.
—E o que você acha?
Ryotaro olhou para as mãos no parapeito.
—Acho que ela não sabe do que fala. Eu… não quero te machucar, Takane.
—Eu também não, Ryo-kun — disse ela, seu braço encostando no dele. — Pode ser que ela tenha um ponto. Em parte. Você passou por muita coisa. Perdeu seu melhor amigo. Foi tratado como maldição. Eu nem consigo imaginar sua dor. E eu… sou intensa, me apego rápido, sou invasiva. Talvez eu esteja sendo muita coisa para você em pouco tempo.

Aquela frase ecoou na mente de Ryotaro. Ele fechou os olhos, deixando o sol aquecer suas pálpebras.
—Takane… eu não acho que você seja “muita coisa”. Você é… o que eu precisava.
Aiko examinou sua expressão.
—Mas a Mahina pode ter razão em parte. Eu me joguei de cabeça. Invadi seu espaço, insisti quando você queria ficar sozinho…
—E eu deixei — interrompeu ele, abrindo os olhos e virando-se para ela. — Deixei porque, no fundo, eu queria. Porque sua presença, por mais intensa, não me sufoca. Ela me… ancora na realidade.

Deu um passo, fechando a distância. Aiko sentiu o coração disparar, mas não recuou.
—Passei anos no escuro, Takane. Muitos anos. Quando você apareceu, foi como acender uma lanterna, não só no quarto, mas dentro de mim. Sim, a luz doeu nos meus olhos, porque estava acostumado com a escuridão. Mas a luz não dói porque é ruim, dói porque não estava acostumado a ela.
—Ryo-kun…
—A Mahina fala de luz e sombras, diz que as sombras consomem a luz. Mas ela não sabe. Minhas sombras não querem te consumir. Elas recuam na sua presença. E seu “calor e luz” não me machucam, aquecem lugares dentro de mim que estavam congelados há tanto tempo que esqueci que existiam.

Os olhos de Aiko encheram-se de lágrimas.
—E se eu for intensa demais? — sussurrou, a voz quase perdida. — E se um dia você acordar e achar que sou demais para você?

Ryotaro fez algo que a deixou sem fôlego. Ele colocou suas mãos em suas bochechas, enxugando as lágrimas que ainda estavam em seus olhos e acariciando as maçãs de seu rosto.
— Então eu vou aprender a nadar no oceano da sua intensidade — ele respondeu, seus olhos prateados fixos nela. — Porque eu prefiro me afogar no seu mar do que morrer de sede no meu deserto.
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