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Boas Ações Não Passam Impunes

Prólogo - Parte 1

Prólogo - Parte 1

Feb 03, 2026

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Blood/Gore
  • •  Physical violence
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Ao longo do caminho deserto e rudimentar que se estendia entre uma cidade e outra a caminho da Capital Imperial, uma pequena, mas luxuosa carruagem podia ser vista viajando naquela noite singular. O cavalgar dos dois cavalos ecoava alto na escuridão, onde a luz pálida da lua pairava sobre os céus com poucas nuvens, e naquele momento, os cascos dos animais perturbavam o silêncio daquela jornada então tranquila. Penduradas em cada lado da pequena carruagem, um par de lanternas a óleo assemelhavam-se a duas misteriosas esferas mágicas de um tom levemente avermelhado, iluminando o caminho à frente enquanto balançavam de um lado a outro com os movimentos truculentos da carruagem.  

A carruagem, apesar de seu pequeno porte comparado com as carruagens que eram vistas na Cidade Imperial, era feita de uma madeira nobre e resistente; belas flores de ameixa haviam sido cuidadosamente esculpidas nas paredes exteriores, em sua porta lateral, e no caixilho das janelas em cada lado, dando-lhe um singelo toque de sofisticação, um sinal do requinte de quem a ocupava. O velho cocheiro, um senhor de meia-idade que já servia a família Xu a vários anos, estava sentado do lado de fora, em um banco de madeira estreito na frente da carruagem para guiar os cavalos até seu destino. Este senhor possuía uma aparência honesta e séria, e os dois cavalos galopando à frente pareciam ser vigorosos e muito bem cuidados apesar do cansaço da longa viagem. Aqueles eram detalhes que poderiam facilmente escapar da vista e mente de qualquer um, mas para aqueles com um olhar aguçado, e um pouco mais de sagacidade, eram sinais de que a pessoa dentro da carruagem pertencia a uma família afluente.

Dentro da carruagem, um jovem aparentando entre dezenove e vinte um anos, trajando vestes verde-jade simples, porém de um tecido fino e elegante, sentava sentado sobre uma grande almofada macia feita de penas de ganso. Durante aquela longa viagem que já durava dois dias, o jovem concentrava toda a sua atenção no livro de grossura considerável apoiado na pequena mesa à sua frente. Enquanto isso, em uma de suas mãos, o jovem segurava um delicado leque de seda pintado com abundantes folhas de bambu, produzindo uma brisa suave e sutil, amenizando o calor incômodo dentro do pequeno espaço da carruagem naquela noite quente de verão. 

Aquele jovem se chamava Xu Yuan, ele era o terceiro filho da família Xu, uma família que fez sua fortuna no mercado de sal, abastecendo tanto a Cidade Imperial quanto cidades menores de sua região. Naquele momento, Xu Yuan estava a caminho da Capital Imperial, onde prestaria o Exame Imperial para o recrutamento de uma nova geração de funcionários civis da corte que seria realizado dali a alguns dias. 

Xu Yuan, na verdade, preferia passar seus dias lendo seus livros a ter que se envolver nos diversos assuntos e incontáveis problemas da Corte Imperial. Entretanto, sendo o terceiro filho homem da família Xu, ele fora pressionado ferrenhamente pelos seus pais a se tornar funcionário civil após seu primeiro irmão mais velho ter assumido o negócio de venda de sal da família, e seu segundo irmão mais velho ir servir no exército imperial, deixando apenas sua irmã mais nova em casa para cuidar de seus pais e então, encontrar um bom casamento no futuro.

Ele não estava se sentindo ansioso para prestar o Exame Imperial de forma alguma, mas como sua saúde era fragilizada devido às sequelas de um forte resfriado que não fora tratado corretamente quando ele tinha cinco anos, impossibilitando-o de se esforçar fisicamente, Xu Yuan não pôde acompanhar seu segundo irmão mais velho para se alistar no exército. Não havia nada de emocionante ou sequer divertido na vida de um funcionário civil, apenas uma quantidade infinita de papelada e as intrigas perigosas da corte. Se ao menos ele possuísse o talento inato para artes marciais, Xu Yuan poderia sonhar em se juntar a uma seita renomada e se tornar um cultivador imortal! 

Como um cultivador, Xu Yuan seria capaz de usar qinggong, uma técnica que possibilitava seus praticantes a correr livre como o vento, poderia brandir uma espada poderosa que poderia até voar por entre as nuvens, lutar contra oponentes poderosos e viver todos os tipos de aventuras inimagináveis, tal como as histórias nos inúmeros livros de romances épicos que abarrotavam as prateleiras de seu quarto na mansão de sua família.

Infelizmente, a coisa mais próxima de uma aventura que Xu Yuan vivenciou até então em sua vida foram aqueles poucos dias em que ele deixou sua família para ir sozinho à capital para prestar o Exame Imperial.

Este pensamento ainda não havia desaparecido da mente de Xu Yuan totalmente quando, de repente, algo que soava como um grito aterrorizante de uma mulher pôde ser ouvido vindo de algum lugar da floresta densa e sombria que se estendia infinitamente ao lado da estrada na qual ele viajava. 

O medo intrínseco contido naquele grito era tão genuíno e visceral que os delicados pelos ao longo do corpo de Xu Yuan se arrepiaram com o som assustador, provocando um arrepio na espinha do jovem, fazendo-o se sentir como se alguém houvesse jogado um balde cheio de água gelada em sua cabeça. 

— O que foi isso?!— Xu Yuan rapidamente perguntou ao velho cocheiro do lado de fora, seus olhos estavam arregalados enquanto se inclinava para mais perto da janela na tentativa de procurar a fonte daquele grito perturbador. 

— Jovem Mestre, não ven-!— Os olhos do velho cocheiro desviaram-se do caminho por um breve instante enquanto ele respondia, e naquele exato momento, uma silhueta havia saído correndo da floresta densa e sombria ao lado da estrada.

Quando a luz pálida das lanternas a óleo em cada lado da carruagem iluminou aquela estranha silhueta que havia saído invadido a estrada rudimentar, a figura de uma jovem mulher carregando uma criança pequena em seus braços logo foi revelada aos olhos do velho cocheiro. 

— Socorro, por favor!— Gritou a jovem mulher ao notar a carruagem que se aproximava rapidamente, seus olhos estavam saltados e vermelhos, e o medo indescritível em seu olhar transparecia em forma de grandes lágrimas cristalinas enquanto ela segurava a criança firmemente em seus braços. 

Assustado ao ver a mulher assustada e seu filho, o velho cocheiro puxou rapidamente as rédeas dos cavalos para parar a carruagem, mas, de repente, os dois cavalos ficaram inexplicavelmente agitados e, no instante seguinte, o mundo diante dos olhos do velho cocheiro virou, literalmente, de cabeça para baixo.

Sem nenhum tipo de aviso, a pequena carruagem foi violentamente lançada para fora da estrada pelo que parecia ser uma rajada de vento misteriosa e opressora, rolando sobre si mesma inúmeras vezes antes de parar completamente com suas rodas para cima, que ainda giravam levemente no ar, e os cadáveres dos dois cavalos jaziam imóveis ao lado dela. A violência do acidente fora tão grande que os animais haviam sido esmagados pela carruagem ao amortecer sua queda final. 

Não muito longe da carruagem, o corpo do velho cocheiro jazia debruçado ao chão. Seus membros estavam dolorosamente contorcidos de ângulos diferentes, e seu pescoço havia quebrado quando ele fora ejetado abruptamente para fora da carruagem. Ele havia morrido instantaneamente. 

— Acha que consegue fugir de mim, mulher? — Uma voz masculina sinistra zombou da jovem mulher e, passo a passo, um homem vestido com uma túnica marcial azul clara com mangas estreitas, um cinto azul-escuro envolta da cintura e botas de montaria pretas que alcançavam seus joelhos, calmamente emergiu da floresta sombria. Os olhos do homem eram frios e cheios de desdém pela jovem mulher e pela criança em sua frente. 

À primeira vista, o tal homem não parecia diferente de qualquer outro cultivador que se pudesse ver ocasionalmente, porém, suas orelhas eram longas e pontudas, suas unhas compridas e cortantes como as garras de um animal feroz, e rápidos vislumbres revelavam dentes caninos afiados que quando o homem falava. A aura dominadora e opressora que permeava a presença daquele homem claramente não pertenciam a um humano comum. 

Tanto para cultivadores, quanto para pessoas comuns, essas eram reconhecidas como algumas características comumente pertencentes aos seres chamados de demônios. Eles eram vistos como seres malignos, implacáveis ​​e brutais que se deliciavam ao atormentar aqueles que consideravam inferiores a eles, eram uma praga tanto para as seitas de cultivo quanto para os deuses.

Ao ver aquele demônio se aproximando, a jovem mulher soltou outro grito aterrorizado. Suas lágrimas ainda não haviam cessado, rolando por suas bochechas pálidas e caindo sobre os cabelos da criança em seus braços. Ela não conseguiu evitar apertar ainda mais a criança contra seu corpo frágil que tremia incontrolavelmente, ambos estavam completamente paralisados pelo medo que vinha do âmago de suas almas. 

— Você vem comigo. Se eu trouxer uma oferenda, talvez o Lorde me aceite em seu pico desta vez.  — Um sorriso malicioso apareceu nos lábios do demônio, deliberadamente mostrando seus dentes afiados, enquanto seu olhar zombeteiro se fixava na mulher e em seu filho.

— Não! — Gritou a jovem mulher em pânico, curvando-se sobre seu filho para protegê-lo com seu próprio corpo, lamentando o terrível destino do qual não conseguiam escapar desde que aquele demônio os havia encontrado no rio perto de sua aldeia enquanto ela lavava roupas. Se ela soubesse que tal fim a aguardava, jamais teria levado o filho consigo naquele dia!

— Pare de me fazer perder tempo, mulher! Vou cortar suas pernas para você não fugir uma segunda vez! — Irritado com os gritos incessantes da jovem mulher, o demônio cerrou os dentes com raiva e estendeu a mão para pegar o sabre pendurado em sua cintura. Seus olhos eram frios, e a aura ao seu redor se tornou ainda mais opressiva, tornando o ar pesado e difícil de respirar naquele momento. 

Em um movimento rápido, o demônio estendeu a outra mão e puxou com força os cabelos desgrenhados da jovem mulher, que rapidamente soltou seu filho e o empurrou para longe para poupá-lo. A criança ainda estava paralisada de medo enquanto observava sua mãe ser arrastada por um monstro aterrador com longas presas e olhos vermelhos brilhantes.

— Tão irritante! — Esbravejou o demônio, erguendo o sabre afiado acima da cabeça para cortar as pernas da jovem mulher com um golpe preciso. Assim que terminasse com ela, faria o mesmo com o pirralho, só para garantir que ele também não escapasse. Não podia desperdiçar a chance de agradar ao Lorde e se juntar ao seu pico.

Entretanto, antes de desferir o golpe contra a jovem mulher, o demônio sentiu algo se aproximando rapidamente em sua direção. Distraído com seus próprios pensamentos, o demônio não reagiu a tempo, o que resultou em uma pedra, que havia surgido do nada, atingido-o repentinamente no lado de sua testa. 

— Quem ousa?!— Ainda atordoado pelo golpe furtivo, o demônio jogou a jovem mulher para o lado e tocou sua testa com os dedos. Sangue fresco escorreu do ferimento aberto em sua cabeça, cobrindo seus dedos com um vermelho intenso e atiçando uma fúria explosiva dentro de seu coração.

— Ameaçar uma mulher e uma criança pequena, você não tem vergonha alguma de seus atos?! — Uma voz levemente rouca veio de não tão longe, e quando o demônio voltou seu olhar para aquela direção, ele se deparou com a visão de um jovem homem encostado em uma pequena carruagem capotada à beira da estrada.

Havia sido um milagre Xu Yuan ter sobrevivido ao ataque à sua carruagem. Se ele não tivesse rapidamente se curvado como uma bola e usado a grande almofada macia em que estava sentado para proteger sua cabeça quando a rajada de vento os atingiu, as paredes de madeira maciça da carruagem teriam sido tingidas de vermelho com seu sangue naquela noite.

Mesmo assim, Xu Yuan havia batido a cabeça algumas vezes e estava se sentindo bastante tonto, e sangue escorria de um pequeno corte na lateral da testa, enquanto ele lutava para sair da carruagem capotada. Ao fazê-lo, ele deparou-se com a visão macabra dos corpos sem vida de seu cocheiro e dos dois cavalos, todos tal qual marionetes cujos fios que as sustentavam haviam sido repentinamente cortados, deixando-as contorcidas no chão de forma trágica.

Ele sentiu seu estômago revirar e a visão ficar turva diante de tal tragédia, mas antes que pudesse desmaiar, ouviu o grito da jovem mulher a frente novamente, que estava sendo arrastada para longe de seu filho por um demônio que segurava um sabre afiado em uma das mãos. 

Ele sabia que era uma decisão incrivelmente tola e arriscada, mas Xu Yuan não podia simplesmente assistir a uma mulher ser torturada por um demônio na frente de seu filho. Na verdade, ele havia desenvolvido um forte senso de justiça após ouvir tantas histórias com bravos heróis da antiguidade desde que era criança de seu segundo irmão mais velho, o que, depois, o incentivou a buscar pelas mesmas histórias nas páginas de inúmeros livros. Ele podia ser apenas o filho erudito de uma família rica, e sua saúde podia ser frágil, mas Xu Yuan ainda era um homem, e não era completamente inútil!

Xu Yuan olhou rapidamente ao seu redor e encontrou uma pedra ao lado do corpo de seu cocheiro morto, e após dizer algumas palavras de desculpas e agradecimento em seu coração ao pobre homem que havia partido de uma forma tão dolorosa, Xu Yuan pegou a pedra e a arremessou no demônio com toda a força que seu corpo ainda possuía. 

— Você estava dentro daquela carruagem, humano?! Você parece meio morto de qualquer maneira, então não se meta no meu caminho.  — Ao ver a figura frágil mal conseguindo se manter de pé sobre as próprias pernas, o demônio considerou o jovem homem inútil e zombou dele abertamente. 

— Eu não irei morrer aqui! — Xu Yuan disse entre respirações irregulares, tentando emular os heróis de suas histórias, contudo, suas pernas tremiam e seus ouvidos zumbiam, mas mesmo assim, ele se recusou a desistir tão facilmente diante de tamanha injustiça. 

— Ah? Você soa mais durão do que aparenta, humano. Vamos ver se suas palavras se sustentam, então! — Agarrando o sabre com mais força, o demônio avançou de repente contra Xu Yuan, determinado a fazer o jovem homem pagar com sua vida patética por ousar atirar uma pedra nele ao invés de simplesmente cair morto ali mesmo. 

Observando o demônio vindo em sua direção, Xu Yuan instintivamente deu um passo para trás, o que o fez tropeçar no corpo do velho cocheiro e cair de costas no chão, evitando o golpe rápido da lâmina do sabre do demônio que, por pura sorte, não atingiu nada além do ar da noite.

— É só isso que você sabe fazer, fugir? — O demônio zombou de Xu Yuan novamente, com o olhar se tornando cada vez mais cruel, e o sorriso se tornando cada vez mais selvagem enquanto preparava o sabre para mais um golpe. O luar refletia na lâmina fria do sabre enquanto o demônio golpeava, mas naquele momento, o som nítido de metal batendo em metal ecoou na noite silenciosa. 



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sirencatx
Siren Cat

Creator

Olá, gente boa!
Poucos conhecerão esse fato, mas BANPI, originalmente, foi uma fanfic que escrevi depois que fiquei completamente fascinada com as obras BLs chinesas, também conhecidas como danmeis. Com o tempo, percebi que tanto a história, como os personagens não cabiam mais nos padrões da história base, e com isso, decidi transformá-la em uma história verdadeiramente original onde o mundo e personagens possam ser livres como imaginei.
Alterações foram feitas, e muitas coisas novas surgiram ao longo do caminho, mas meu imenso carinho e apresso por essa história continua o mesmo, e eu espero que, assim como eu, todos se divirtam nessa nova jornada.

#BANPI

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BANPI TA NO MUNDOOOOOOOOOOO!!!

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