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A Flor Negra da Cerejeira

Quem Luta ao meu Lado

Quem Luta ao meu Lado

Jan 14, 2026

Ryotaro, após ler o bilhete, retirou a corrente da caixinha, o segurando contra a luz do pôr do sol. Na mesma hora, pensou em jogá-lo fora, mas repensou isso. Provavelmente Mahina havia gastado uma grana preta naquela jóia, e descartar esse presente seria muita falta de educação. E mesmo que não gostasse do jeito de Mahina, naquela hora, parecia somente um presente. Assim, suspirou e disse:
— Natsuki, pode me ajudar a colocar essa corrente?
— Que?! C-claro! — Natsuki disse, assustada somente com a voz de Ryotaro.
Ryotaro se sentou numa cadeira para a ajudar, e de forma meio desajeitada, Natsuki ajustou a corrente ao redor de seu pescoço. Ryotaro olhou para as duas pedras preciosas que faziam os olhos da raposa, e suspirou.
— Obrigado, Natsuki — Ryotaro disse, se levantando.
— De nada! — a garota disse, assentindo freneticamente. — Hã… posso te dizer uma coisa, senhor Ryotaro?
— O que?
— A senhorita Mahina… apesar de ser um tanto assustadora… ela não é má. Ela… é como você. Rejeitada, odiada, temida. Mas… eu sei que ela pode ser feliz comigo como sua amiga. Assim como você e a senhora Aiko!
Ryotaro olhou para o pingente, o segurando com as mãos e pensando nas palavras de Natsuki. Ela podia realmente estar certa. Talvez Mahina não fosse a vilã que ele pintava em sua insegurança. Talvez ela realmente fosse como ele.
— Entendo — ele disse. — Eu… vou considerar essa possibilidade, Natsuki. Olha… será que você poderia passar seu número?
— Hã?! Por quê? — ela perguntou, dando um pulinho.
— Quero poder conversar melhor com você sobre a Mahina. Se tem alguém que a entende melhor que ninguém, é você.
Natsuki engoliu em seco, mas assentiu, dando o seu número. Assim que o fez, fez uma reverência e saiu de sala. O que ele reparou em sua reverência foi que ela se inclinou bastante, assim como a família de Aiko se curvaram em agradecimento por salvar a menina. “Ela me respeita tanto assim?”, ele pensou, e logo saiu da escola.
Ao ir para o portão, encontrou com Aiko, que conversava com Natália. Jun e Yuta já tinham ido para casa. Aiko, ao ver Ryotaro, sorriu amplamente.
— Oi Ryo-kun! — Aiko disse, acenando. Ela notou a corrente no pescoço dele. — Ué, e essa corrente aí? Que bonita!
— Obrigado — Ryotaro disse, desviando o olhar. — É… um presente.
— De quem? — Natália perguntou.
— Da… Mahina. Mahina Hoshina.
— Hum… — Aiko fez, pegando o pingente na mão. — E por que ela te deu isso?
— Para dar sorte na apresentação.
Aiko olhou para Ryotaro, como se quisesse saber mais, mas decidiu deixar quieto. Assim, ele e as duas meninas seguiram andando até a estação, onde ele e Natália pegariam os seus trens. Enquanto caminhavam, Ryotaro e Natália criaram um grupo para combinar os ensaios, e todos decidiram ensaiar naquele final de semana, durante a manhã. O festival seria em dois meses, então tinham tempo para ensaiar. Foi quando fizeram silêncio por um tempo que Natália, olhando para o céu e ver uma nuvem que se parecia com uma mulher, começou a cantarolar uma música em sua língua materna. Embora o casal não entendesse nada que Natália cantasse, a melodia era calma e muito bonita.
— Que música é essa, Natália? — Aiko perguntou, curiosa.
— Ah, uma música brasileira — Natália respondeu, sorrindo. — Se chama Branca.
— Branca? — Ryotaro repetiu. — É bem bonita. A gente pode cantar essa música no festival.
— E pode tocar Just One também! — Aiko sugeriu, animada. — Vai ser tão legal!
Ryotaro apenas sorriu, e em sua mente, pensava: “Talvez eu possa realmente ter uma vida diferente dessa que eu vivia.”. Mas as surpresas não iriam acabar por ali.
Quando estavam quase chegando à estação, Ryotaro olhou para trás e viu três homens os seguindo. Ambos usavam terno, e reparou que havia um broche dourado. Antes que pudesse processar, ouviu Aiko o chamar. Ao olhar para frente, viu mais dois homens. Um era mais de idade, enquanto outro era mais jovem. Ryotaro reconheceu na hora quem era.
— Merda… — Ryotaro sussurrou. — Era só o que faltava. Aiko, Natália, fiquem atrás de mim.
Ryotaro se pôs a frente delas, e os homens se aproximaram deles. Ryotaro, com as mãos no bolso, estalou o pescoço, e o homem mais jovem do bando, que era ninguém mais ninguém menos que Takeru, se aproximou.
— Ryotaro — Takeru disse, sua expressão raivosa.
— Takeru… — Ryotaro disse, sua expressão neutra. — O que você quer aqui?
— Quem é ele? — perguntou Natália para Aiko.
— Un yakuza — Aiko respondeu. — Takeru Shinazukawa. O Ryotaro deu uma surra nele na última vez.
— Você acha que pode me humilhar daquela forma e sair impune, Ryotaro Sato? — Takeru disse, seus punhos cerrados com força.
— Quer que eu diga o que te agrada ou a verdade? — Ryotaro respondeu, sua voz fria como a lâmina de uma faca. — Se vai conversar comigo, deixa as meninas irem. Aí a gente conversa o quanto quiser.
— Ha! Que piada! — Takeru riu, mas sem humor. — Depois que eu conversar com você, vou querer bater um bom papo com as duas aqui.
Aiko engoliu em seco, e recuou um passo, ficando pálida. Natália olhou para todos os lados, procurando uma rota de fuga. Os três homens atrás deles se aproximaram dos três, os cercando. Ryotaro respirou fundo, se preparando para lutar, quando ouviu um som de metal batendo contra a cabeça de alguém. Ao olhar para trás, viu um dos homens atrás deles cair no chão. E atrás deles, havia outra pessoa que não esperava ver.
Kaito Tanaka.
Ele tinha uma faixa no olho esquerdo e um curativo no nariz, além de uma cicatriz na boca, mas parecia muito bem recuperado. Ele carregava um taco de baseball de metal, e um olhar determinado.
— Sentiu minha falta, desgraçado? — Kaito disse, girando o taco com destreza e habilidade.
Takeru ficou imóvel e surpreso ao ver Kaito, mas sua surpresa ficou ainda maior ao ver o homem ao seu lado cair desmaiado por um ataque de arma de choque. Ao olhar para trás, viu uma garota de cabelos fúcsia, com a cabeça inclinada de um jeito ameaçador. Era Mahina Hoshina.
— Tudo bem aí, criminoso? — ela disse, desferindo um golpe de taser na perna de Takeru e o fazendo cair.
— Hoshina? Tanaka? — Ryotaro disse, ao ver os dois ficarem ao seu lado para o ajudar a se defender. — Por que tão se arriscando assim?
— Já esqueceu, Sato? — Kaito disse, dando uma piscadela. — Tenho uma dívida contigo.
— E eu não deixaria você na mão, Satozinho — Mahina disse, mandando um beijinho com a mão para ele.
A cena na rua estava congelada. O crepúsculo tingia o céu de laranja e roxo, iluminando as expressões de choque e determinação de cada um naquele lugar. Takeru estava no chão, ainda consciente e tendo espasmos por conta da arma de choque. Já os dois últimos yakuzas restantes olhavam com olhares hesitantes. Mahina, com um sorriso fino como a lâmina de uma faca e perigoso como uma naja, balançava o taser como se fosse uma varinha mágica. Kaito, com o taco de baseball no ombro, projetava uma aura de fúria contida.
— E aí, Sato? Vamos acabar com esses babacas? — Kaito disse, sem tirar os olhos dos yakuzas. — Ou prefere olhar pro sol?
Ryotaro processou a informação em milésimos de segundo. A surpresa da intervenção de Kaito e Mahina havia o pego de surpresa, mas o instinto de proteger Aiko e Natália falou mais alto. Seus ombros tensionados relaxaram, e seus punhos se fecharam. Seus olhos de prata se tornaram frios como o gelo.
— Vou fazer uma pergunta pra vocês — Ryotaro disse, virando-se para enfrentar os homens restantes. — Preferem ir embora por bem, ou voltar para casa numa ambulância?
Os dois homens se olharam. O mais corajoso deles (ou o mais estúpido), deu um passo à frente.
— O Ryu Sato é o seu pai, não é? Ele ferrou com o nosso clã no tribunal no mês passado. Isso é pessoal agora! — ele disse, retirando uma tantö de dentro do paletó.
Ryotaro suspirou, como se estivesse extremamente entediado.
— Mas é claro que tem a ver com meu pai. Sempre tem a ver com ele — ele então olhou para as meninas. — Aiko, Natália. Fiquem bem atrás de nós.
Mahina deu um passo ao lado, seu sorriso sumindo.
— Dois contra dois é mais justo. Qual você quer, Satozinho? O da esquerda ou da direita?
Ryotaro olhou para o lado, e viu Takeru levantando com dificuldade. Olhou para Kaito, e disse:
— Kaito, ajuda a Hoshina aqui. Eu vou cuidar do Takeru.
Kaito assentiu, se aproximando de Mahina e girando o taco com habilidade. A garota parecia um pouco decepcionada, mas não fez contradição. Assim, os dois avançaram contra os dois inimigos restantes. Takeru, que finalmente conseguiu se levantar com dificuldade e olhava com ódio puro para Ryotaro.
— Isso não acabou ainda, Sato! — ele rosnou, esfregando o ponto onde o taser o atingiu. — Você e suas amiguinhas vão todos pagar por isso.
Ryotaro não respondeu. Seus pés se plantaram firmemente no chão, uma pose que lembrava a de um lutador de artes marciais, mas somente com a eficiência, sem ostentação.
— Cala a boca e luta, Takeru — Ryotaro disse, sua voz monocórdica. — Não aguento mais ouvir sua voz de lixa.
Takeru gritou, um grito rouco de raiva, e se lançou contra Ryotaro. Era um golpe desesperado, cheio de força bruta, mas sem técnica. Ryotaro quase sentiu pena. Com um movimento simples, quase sem mexer o pescoço, o punho do yakuza assobiando ao lado do seu ouvido, e agarrou o pulso dele, torcendo-o com um movimento rápido e preciso e deu uma joelhada no estômago de Takeru.
Takeru se encurvou, o ar escapando de seus pulmões em um chiado rouco, mas antes que pudesse reagir, Ryotaro já havia o dado um mata leão no yakuza, dando um golpe em seu joelho para que ele se ajoelhasse.
— Agora me escute bem, seu lixo — Ryotaro disse, sua voz fria como gelo. — Se você ou qualquer um dos seus idiotas desse clã idiota resolver vir atrás de mim, da Aiko, da Natália ou de qualquer pessoa que eu conheça, eu não mando você para uma cela de prisão. Eu te mando direto para o caixão. Me ouviu bem?
Takeru sentiu um arrepio por toda a pele. A frieza que vinha da voz de Ryotaro, sussurrada com uma calma mortal, fez algo dentro dele estremecer de puro medo.
Do outro lado, Kaito não tinha piedade do seu adversário. De fato, ele sentia muita raiva da Yakuza, por ter se metido com eles. E agora, ele queria liberar toda a sua raiva e frustração. Seu adversário tinha muitos ossos quebrados, mas Kaito só parou porque o adversário caiu desmaiado no chão. Já Mahina foi rápida em sua luta. Seu adversário não queria de fato lutar, então ela pode desmaiar com sua arma de choque rapidamente.
Quando os dois terminaram, foram para Ryotaro, que soltava Takeru após ele concordar em nunca mais se meter com eles e perdoar a dívida de Kaito por puro medo do que Ryotaro poderia fazer com ele. 
— Pega o seu lixo que você chama de amigos e some daqui — Ryotaro ordenou. — E não esqueça do que eu te disse.
Takeru assentiu freneticamente, e com a ajuda de um yakuza que havia acordado, levaram os companheiros para bem longe do grupo. Ryotaro observou eles com um olhar frio e raivoso até que eles sumissem dobrando a esquina. Só depois disso que soltou o ar que nem sabia que estava prendendo. 
— Acho que acabou de vez… — ele disse, suspirando. Então, perguntou para todos ali presentes:
— Vocês estão bem? Se machucaram?
— Tô de boa — Kaito disse, com um sorriso determinado. 
— Eu também — Mahina disse, guardando a arma de choque com graciosidade em sua bolsa. — Sabe, você luta bem, senhor Tanaka.
— Valeu — Kaito agradeceu. — Você também não é nada mal.
Ryotaro então se aproximou de Aiko e Natália, perguntando para elas se estavam bem. Aiko respondeu:
— Eu tô bem, graças a vocês. Você tá bem? Não se machucou?
— Ele nem chegou perto disso — Ryotaro respondeu, com um sorriso tranquilizador. — E você tá bem, Natália?
— Estou sim — Natália disse, com um sorriso nervoso. — Já tô meio acostumada a brigas de rua.
— Aí Sato — Kaito chamou, se apoiando no taco de baseball como se fosse uma bengala. — Essa briga me deixou faminto. Topa ir numa lanchonete? Todos nós? Por minha conta.
O convite pairou no ar por um momento. Ryotaro até pensou em recusar, mas achou que seria rude. Fora que a sua barriga roncou alto o suficiente para todos ouvirem. Aiko deu uma risadinha, e Natália quase riu, se contendo.
— Acho que isso é um sim, Ryo-kun — Aiko disse, inclinando a cabeça daquele jeito bobo. — Eu topo!
— Eu também — Natália disse, levantando a mão.
— Então vamos indo — Mahina disse, batendo duas palmas leves e estendendo a mão de uma forma teatral. — Kaito, mostre-nos o caminho.
— Nossa, que formal — Kaito reparou.
— Já vai se acostumando — Ryotaro retrucou.
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