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A Flor Negra da Cerejeira

Tu és Meu Lar

Tu és Meu Lar

Jan 17, 2026

A pergunta de Ryotaro fez as lágrimas de Aiko transbordarem. Um sorriso lento e trêmulo iluminou seu rosto. Ela soltou uma de suas mãos e tocou sua bochecha.

— Ryotaro… — sussurrou, seu nome saindo como um hino. — Por que acha que eu diria não a essa oferta? Depois de tudo? Depois de você mostrar quem realmente é?

Ryotaro arregalou os olhos, o coração disparado.

— Eu também te amo, Ryo-kun. Desde o dia que salvou o pequeno Yahiko, ou até antes. Amo seu silêncio, seu “miú”, sua gentileza disfarçada de indiferença, como se derrete ao ver um gato. Amo tudo em você!

Ryotaro parou de respirar por um instante, incapaz de processar. Então, quando as palavras penetraram, uma alegria imensa inundou seu coração.
— Então… você…?
— Sim! Mil vezes sim! Aceito ser sua namorada!

Ele soltou um suspiro, seus olhos também enchendo de lágrimas. Então, sorriu — um sorriso genuíno e amplo, como há muito não mostrava. Com o coração leve de um modo que nem lembrava ser possível, abraçou-a, deixando suas próprias lágrimas caírem.

Ficaram abraçados por cinco minutos que pareceram horas. Nada mais existia. Aos poucos, Aiko afastou-se o suficiente para olhá-lo nos olhos.
— Então… agora somos mesmo um casal?
— Com certeza. Temos que contar aos nossos pais.
— Minha mãe vai pirar. — Aiko riu, as bochechas coradas.
— A minha também. Para quem contamos primeiro?
— Hmm… os meus.
— Você quem manda.

Caminharam até a casa dos Takane de mãos dadas, sob a luz dos postes e do crepúsculo. Na porta, trocaram um último olhar antes de entrar.

Dentro, Misao e Kenji estavam no sofá com Masahiro, assistindo TV.
— Filha! Onde estava? Estava preocupada… — Misao calou-se ao vê-los de mãos dadas. — Aiko? O que aconteceu? Você parece… mais feliz que o normal.
— Por que o tio Ryotaro está de mãos dadas com você? — perguntou Masahiro, curioso.
— Também quero saber — disse Kenji.

Ryotaro e Aiko respiraram fundo, e a garota falou:
— Mãe, pai, maninho… este é o Ryotaro. Vocês o conhecem como meu amigo e herói. E é verdade. Mas hoje, ele é muito mais. Tornou-se alguém muito especial para mim.
— Espera… — começou Misao.
— Família, deem as boas-vindas ao novo membro. Ryotaro Sato, meu namorado!

A declaração ecoou como um trovão. Um silêncio pesado pairou. Misao arregalou os olhos, boquiaberta. Kenji ergueu as sobrancelhas, surpreso. Masahiro piscou, processando. Então, o menino pulou do sofá:
— O QUÊ?! MINHA IRMÃ TEM NAMORADO?! E É O TIO RYOTARO?! — Correu até Ryotaro, dando pulinhos. — Isso é incrível! Você vai vir aqui todo dia? Vai jogar videogame comigo?

A pergunta inocente quebrou a tensão. Misao suspirou, e um sorriso terno surgiu em seu rosto. Ela levantou.
— Ryotaro, pode me acompanhar?

Ele engoliu em seco, soltou a mão de Aiko e seguiu Misao até a cozinha. Kenji impediu Aiko de segui-los.

Na cozinha, Misao apoiou-se no balcão, observando-o.
— Ryotaro, confio muito em minha filha. E sou infinitamente grata pelo que fez por ela. Você a salvou, de mais de uma forma.
Ele manteve-se em silêncio.
— Ser amigo dela é uma coisa. Ser namorado… é muito maior. A Aiko é intensa. Quando se apega, o faz com todas as forças. E tem medos, medos que nem ela mesma entende.
— Eu sei, senhora Takane. Também tenho meus demônios.
— Exato. Então, peço que me prometa uma coisa.
— Qualquer coisa.
— Prometa que vai protegê-la. Não só de carros ou criminosos. Que vai cuidar do coração dela. Quando a autofobia bater, quando ela sentir que o mundo desaba porque está sozinha… prometa que estará ao lado dela. Mesmo que seja só ficar ali.

Sua voz ficou trêmula, embargada:
— Ela precisa de uma âncora, Ryotaro. Alguém que nunca vá embora, não importa o quão difícil fique. — Pegou suas mãos, lágrimas nos olhos. — Você pode ser essa âncora?

Ryotaro respirou fundo, sentindo o peso daquela pergunta — assustador e honroso. Pensou em Aiko, em seus olhos cheios de esperança.
— Prometo, senhora Takane. Não sou bom com palavras, nem sei ser muitas coisas. Mas estar lá… isso posso fazer. Isso farei. Ela… é a luz que nem sabia que precisava. E não deixarei nada nem ninguém apagá-la. Nunca.

Misao observou-o por um momento, então seu rosto sério dissolveu-se em um sorriso maternal.
— Aiko fez uma ótima escolha. — Abraçou-o, rápido mas sincero. — Bem-vindo à família, Ryotaro.
— Obrigado, senhora Takane.
— Pare com isso! Chame-me de Misao. Até de mãe, se quiser.

Ryotaro piscou, desconcertado.
— E-eu… vou tentar, Misao.

Ela sorriu, satisfeita. “Ele é um bom garoto”, pensou. Voltaram à sala, onde Kenji e Aiko tomavam chá. A garota estava visivelmente ansiosa, mas ao ver suas expressões tranquilas, relaxou.
— Tudo bem?
— Tudo ótimo — disse Misao. — Ryotaro tem minha bênção.
— Que bom! — Aiko exclamou, abraçando Ryotaro. — Sabia que gostariam dele.
— Eu já gostava há tempo — comentou Kenji. Sua expressão ficou séria. — Mas é bom que a trate como a rainha que é. Porque se não… — um sorriso de canto surgiu. — Sentamos e conversamos de homem para homem. Combinado?
— Combinado.

O resto da noite foi uma chuva de emoções. A tensão inicial dissolveu-se em risadas com as perguntas animadas de Masahiro. Ryotaro respondeu a tudo com uma paciência que nem conhecia em si. Aiko trocava com ele olhares rápidos e sorrisos secretos.

Ao anoitecer, Ryotaro precisou ir para casa. Na porta, a despedida foi diferente.
— Até amanhã, namorador? — disse Aiko, inclinando a cabeça.
— Até amanhã, namorada. — Ele sorriu e depositou um beijo suave em sua bochecha, fazendo-a corar.

Prometeu ligar ao chegar. Aiko só entrou depois de perdê-lo de vista.

Em casa, Megumi lia e Ryu trabalhava.
— Finalmente, Ryotaro. Isso são… — Megumi parou ao ver seu rosto ainda iluminado por um sorriso apaixonado. — Filho? Tudo bem?
— Estou ótimo, mãe!
— Parece mais animado que o normal — notou Ryu. — Aconteceu algo?
— Era exatamente o que queria contar. Mãe, lembra que disse que a hora certa chegaria?
— Lembro. E chegou?
— Chegou. Eu me abri para a Aiko. Ela correspondeu! Agora estamos namorando!

Um silêncio caiu sobre a sala. Ryu fechou o laptop. Megumi fechou seu livro. Ambos olharam para o filho, cujo sorriso tímido e apaixonado iluminava seu rosto como não acontecia desde antes da tragédia com Yahiko.

Megumi levantou rapidamente, os olhos marejando. Abraçou-o com força.
— Oh, meu fantasminha! Finalmente! Sabia que esse dia chegaria!
Ryu aproximou-se, fazendo-lhe um cafuné.
— Então falou para ela, não é?
— Falei. E ela disse sim.
— Claro que disse — disse Megumi, enxugando as lágrimas. — Ela olha para você como se fosse a única estrela no céu. Isso merece comemoração! Convide-a e os pais dela para jantar aqui!
— Miú?! Tem certeza?
— É claro! Preciso ver minha futura nora! Vá lá!

Empurrou-o gentilmente para as escadas e abraçou Ryu. Ryotaro sorriu e subiu para seu quarto. Lá, pegou o celular e ligou para Aiko, que atendeu instantaneamente.
— Oi! Chegou em casa?
— Cheguei. Contei aos meus pais.
— E o que disseram?
— Ficaram muito felizes. Minha mãe já quer marcar um jantar com sua família.
— Minha mãe adoraria a sua. Iriam se dar bem.
— Será que ainda é cedo para chamar seus pais de sogros?
Ryotaro riu.
— Minha mãe já te chama de nora, então… acho que vale.

A semana seguinte foi a mais caótica e bela de sua vida. Na escola, os olhares eram diferentes: surpresa, desdém, mas também curiosidade e respeito. O casal andava de mãos dadas pelos corredores sem medo.

Um dia, no telhado, Ryotaro conversava com Kaito sobre o aniversário de Aiko.
— Vou dar um desenho dela. Mas… acho que não é suficiente.
— Que tal uma música?
— Miú? Uma música?
— Você é criativo! Com certeza consegue!
— Mas não sou bom com ritmos. Letras, até vai. Melodias? Sou um desastre!

Kaito pensou e trouxe Natália.
— Natália pode ajudar. Ele vai compor uma música para a Aiko.
— Isso é fácil — disse Natália. — É só pegar uma música pronta e adaptar.

Ela mostrou uma música em seu celular: Lindo Jesus, do Be One Music. Era uma melodia simples e bela, apenas violão.
— Espero que não tenha preconceito com cristianismo.
— Não tenho. Sou cristão.
— Perfeito! O ritmo é tranquilo, fácil de aprender.
— É perfeita.

Após as aulas, Ryotaro foi para casa e pesquisou a letra. Traduziu e adaptou, criando “Doce Aiko”:

O que existe em mim entrego a ti
Pois sei que não me deixarás
Todo o meu ser
Meu viver eu quero te dar porque tu és

Doce Aiko, doce olhar
Meu coração por ti palpita
Me cativou
Me encontrou primeiro, tu és meu abrigo

Te ver, te ter, te tocar
É o meu desejo…

Linda Aiko, doce olhar
Meu coração por ti palpita
Me cativou
Me escolheu primeiro…
tu és meu lar.

Pegou o violão de seu pai e começou a praticar. Errou muitas vezes, mas persistiu.

Na véspera do aniversário de Aiko, as famílias jantaram juntas. Megumi e Misao conversavam sobre os filhos; Ryu e Kenji, sobre negócios. O casal ficou no quarto de Ryotaro.
— Estou pensando em te chamar de outra forma — sussurrou Aiko, a cabeça em seu ombro. — Ryo-kun não parece certo agora.
— Como quer me chamar?
— Que tal Ryo-chan?
— Parece meio infantil.
— É fofinho! Admite, combina com você.
— Tá, talvez um pouco…
— Combina bastante! — Deu um soquinho em seu braço.
— Ok, pode me chamar de Ryo-chan.
— Eba! — Ela o abraçou, fazendo-os cair de lado sobre o travesseiro.

Ficaram entrelaçados, testa contra testa, sorrindo.
— Já falei que te amo hoje, Ryo-chan?
— Hoje, não.
— Te amo, Ryo-chan.
— Também te amo, Aiko.
ricaardovenancio
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