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A Flor Negra da Cerejeira

Entre a Lua e o Abismo

Entre a Lua e o Abismo

Jan 27, 2026

Aiko, ao ver o desenho, arregalou levemente os olhos, sendo pega de surpresa. Ryotaro desviou o olhar, ficando vermelho como um pimentão, sem coragem de olhar para a menina. Até Mika e Ayase chegaram perto para ver melhor o desenho. O desenho retratava Aiko dando um tchauzinho, com um sorriso travesso e dando uma piscadela. A garota radiante inclinou a cabeça de um jeito curioso, e ficando um pouco vermelhinha, sussurrou:
— Isso é novo…
— Eu sei, é constrangedor — Ryotaro disse, sua voz falhando. — E bem esquisito. Eu… eu vou tirar isso daqui…
— Não, não faz isso — Aiko disse, segurando a mão dele antes que arrancasse a folha. — É… bem bonito. Gostei.
— Miú? Sério? — Ryotaro disse, sem acreditar direito. — Você gostou?
— Gostei! É sério! — Aiko retrucou, sorrindo. — Embora eu não conseguisse me imaginar usando uma roupa dessas. Agora eu me imagino usando isso, mas não sem estar morrendo de vergonha.
Na mesma hora, veio à cabeça de Ryotaro a imagem de Aiko com a roupa de coelhinha, segurando o braço e com o rosto tão vermelho que parecia que ia explodir de tanta vergonha. A visão daquilo deixou o garoto quieto um pouco mais constrangido, mas com um sorriso pequeno e besta no rosto que ele não conseguiu esconder.
— Hm? Ryo-chan? — Aiko perguntou, ao vê-lo mergulhar em devaneios outra vez. — O que tá pensando aí?
— Miú? Nada não — Ryotaro respondeu, dando algumas piscadas.
— Tava imaginando a cena, né? — Aiko perguntou, com um sorriso maroto.
— Talvez — ele disse, com um sorriso de canto. 
Aiko deu uma risadinha. Então, pousou suavemente a cabeça no ombro de Ryotaro, olhando de novo para o desenho da Aiko coelhinha. O garoto quieto puxou ela mais para perto.
— Vem cá — Aiko perguntou. — Como veio essa imagem de eu como coelhinha na sua cabeça?
— Digamos que… do nada — Ryotaro sussurrou. — Tava rolando o feed do Pinterest, e caí num desenho de uma personagem com essa roupa. Aí só veio a imagem.
— Hmm — ela fez. — Quem sabe, algum dia, eu não use isso…
— Por favor, não faça isso — Ryotaro retrucou na mesma hora. — Ou, pelo menos… não em público.
Aiko levantou a cabeça, e seu sorriso travesso voltou com muito mais força. 
— Em público não? — ela disse, inclinando a cabeça de uma forma mais provocadora. — Então em particular tá liberado?
— Miú?! — Ryotaro fez, pego de surpresa na própria armadilha.
— Ok então, senhor Ryotaro. Quando é seu aniversário?
— Hã… seis de agosto…
— Ok, então. Seis de agosto, você ganha um presente bem especial.
Aquela simples informação fez o sistema operacional de Ryotaro (seu cérebro) sobrecarregar. Era informação demais para ele. Não demorou para ele dar o que Aiko chamava de “Tela Azul", arregalando os olhos, que ficaram sem foco e a boca meio aberta, e tombando a cabeça para trás. Aiko, ao ver o namorado travar completamente, começou a rir suavemente. Mika e Ayase também riram, um pouco mais contidas, mas ainda assim racharam o bico.
— Alooo, Terra chamando Ryo-chan — Aiko perguntou, estalando os dedos perto do rosto dele. — Tem alguém aí?
Ryotaro não respondeu, ainda em estado de choque.
— Acho que você travou o menino — Ayase disse, ainda tentando se recuperar do ataque de riso que teve.
Mika apenas assentiu, enxugando uma lágrima que escorreu do seu rosto. Aiko então chegou perto do ouvido dele, e sussurrou em seu ouvido:
— Sabe, eu tava pensando em algo de veludo. Da cor preta, sua favorita. E com um lacinho bem aqui…
Aquilo foi a gota d'água. Se a mente de Ryotaro já tinha dado tela azul, agora havia dado curto circuito. O garoto quieto tombou de vez, sua cabeça caindo no colo de Aiko. A menina levou um sustinho, e deu uma risadinha, começando a afagar os cabelos roxos dele.
— Definitivamente você matou ele, Aiko — Mika disse, rindo de forma mais contida e internamente.
— Ele só desmaiou, amiga — Aiko retrucou, também rindo. — Desmaiou de felicidade.
Ryotaro, que estava entre a consciência e o desmaio, via imagens e mais imagens de possíveis cenários daquilo que Aiko insinuou. “Isso só pode ser piada”, Ryotaro pensou. “Eu, o Fantasma Negro, Ryotaro Sato, tombado pela fala de uma garota?” O afagar de Aiko nos seus cabelos o fez acordar de seu transe.
— Acordou, meu amor? — Aiko sussurrou, sua voz doce e sem malícia.
— Miú… — ele disse, sua voz meio grogue. — Acho que sim. Mas por favor, não fale nisso de novo.
— Eu só tava brincando, bobinho — Aiko disse, se inclinando para baixo e beijando a têmpora de Ryotaro.
— Então… nada do que você disse é verdade?
Aiko olhou para as amigas, que estavam de costas e dando umas risadinhas, e disse:
— Olha… se é algo que você gosta e vai te deixar feliz, por mim tudo bem.
Ryotaro ia responder, mas o sinal para a quarta aula acabou tocando, os chamando de volta para a realidade escolar. O garoto quieto ergueu a cabeça, e murmurando um “Temos que ir”, levantou e ofereceu sua mão para Aiko, que aceitou e se ergueu. Assim, o grupinho voltou para suas salas. Antes que Aiko seguisse Mika e Ayase, Aiko perguntou:
— Você não esqueceu do primeiro presente, não é?
— Claro que não — Ryotaro respondeu. — No intervalo do almoço?
— Com certeza.
E assim, os dois seguiram para as suas salas. Enquanto voltava para sua sala, Ryotaro acabou esbarrando em Ren, que voltava da biblioteca. 
— Ah! Desculpe, Ryotaro — ele disse, se curvando. — Se me permite perguntar, o que faz fora da sala?
— Tava ansioso — Ryotaro respondeu, sua voz neutra. — Precisava escapar um pouco da aula. E você?
— Oh, só fui pegar um livro na biblioteca — Ren respondeu, sua voz aveludada e polida ao erguer o livro que havia pego. — É para um trabalho de língua japonesa que eu e alguns amigos faremos.
— Sei…
Assim que Ren se foi, Ryotaro continuou seu caminho para a sala. Porém, sua mente fervia de pensamentos sobre o garoto loiro. Algo nele não parecia certo. Ao chegar na sala, o professor não estava em sala ainda. Assim, chegou perto de Mahina e Natsuki.
— Hoshina — ele chamou. — Preciso de uma ajuda sua.
— Sério? — Mahina disse, fingindo surpresa. — Oh, que dia! Diga-me, do que precisa, Satozinho?
— Quero que investigue sobre um aluno. Ren Kiryu.
— Ah, o novo famosinho? Do que precisa saber dele?
— Tudo que conseguir.
Mahina arqueou uma sobrancelha, dando umas mordiscadas em uma tampa de caneta, e perguntou:
— E por que quer que eu o investigue? Anda pressentindo o perigo e o caos?
— É… basicamente isso. Ele não parece certo. Quero ter certeza que ele não é uma ameaça ao nosso grupo e à Aiko.
— Sempre tão nobre, Satozinho. Sempre admirei isso. Bom, eu posso fazer isso por você, sim.
— Valeu, Hoshina.
— Porém… tem um preço.
— Claro que tem, sua mercenária. Quanto você quer?
— Dez mil ienes.
Ryotaro engasgou com o ar.
— Dez mil?! — ele exclamou. — Tá achando que eu tenho cara de banco, Hoshina?!
— Tô zuando, Satozinho — Hoshina disse, e deu uma risada dramática. — Esse serviço eu vou fazer de graça, mas no lugar do dinheiro, quero uma informação sua. Nada mais justo que uma informação por outra, não é?
— O que você quer saber?
— Aquela hora que você e a Princesa Dourada estavam debaixo da cerejeira, ela disse algo que te eriçou todinho. Conta aqui no meu ouvidinho o que ela te disse.
Ryotaro arregalou os olhos. Como ela sabia? Era óbvio, ela havia o espionado. Por que ele esperaria algo de diferente de Mahina?
— Isso é pessoal — Ryotaro rosnou.
— Tá bom então — Mahina rebateu, dando de ombros. — Eu vou investigar o Ren Kiryu, mas aí as informações serão pessoais minhas. Combinado?
Ryotaro rosnou internamente, sentindo a paciência ferver como água na chaleira. Mahina era insuportavelmente convincente. Assim, ele teve de engolir o orgulho e sussurrar, sua voz quase inaudível:
— Tá… eu conto.
— É mesmo? — Mahina disse, sua expressão cheia de surpresa fingida. — Oh, que surpresa! Vamos, fale pra mim.
Ryotaro rosnou internamente, mas se aproximou do ouvido de Mahina, e sussurrou:
— A Aiko… disse que tinha um presente especial pro meu aniversário. Algo físico. Uma fantasia de coelhinha.
Mahina colocou a ponta dos dedos sobre a boca, levemente surpresa, e olhou para Ryotaro com um olhar malicioso e sorriso largo.
— Ora essa, quem diria que a Princesa Dourada teria um lado ousado? — Mahina disse, rindo dramaticamente de novo. — Mas tudo bem, Satozinho. Essa informação estará guardada a sete chaves comigo. Quanto às suas informações… espere 48 horas e na sua mesa terá um dossiê completo sobre o Japonês Ariano. Natsuki, já vai anotando aí.
— S-sim, senhorita Mahina! — a garota disse, pegando um bloco de notas e anotando na velocidade da luz.
O professor acabou chegando, interrompendo a conversa. Ryotaro voltou para sua mesa, e deu uma última olhada para Mahina, que lhe deu uma piscadela. A quarta aula escorreu tão lentamente que Ryotaro quase escapou de novo. Nada do que o professor falava entrava em sua cabeça ou o interessava.
Por fim, o sinal do intervalo tocou. Ryotaro foi o primeiro a sair, pegando o presente no seu armário e subindo rapidamente para o telhado. Aiko ainda não havia chegado. Enquanto esperava, andava de um lado para o outro, ansioso. Foi quando reparou em uma poça. Decidiu olhar o próprio reflexo nela, e viu.
Refletido na água, não estava o Ryotaro atual, de moletom vermelho e olhos vivos. Estava o Fantasma Negro, com o moletom preto desbotado e olhos opacos. Até o mundo refletido nele parecia cinza e morto.
— O que você tá fazendo aqui? — Ryotaro perguntou.
— Você realmente achou que tinha se livrado de mim? — sua cópia disse.
— Eu… eu não sou mais você. Some da minha cabeça.
— Acha que só porque agora aquela garotinha mimada começou a namorar com você a sua vida vai melhorar abruptamente? Ou que, agora que você tem “amigos”, você não vai ver o mundo em cinza?
— Acho — Ryotaro disse, sua voz firme de repente. — Ela melhorou, e muito. E eu nunca mais vou ver o mundo em cinza.
— Você ficou tão ingênuo. Acorda, Ryotaro Sato! Seus “amigos” são falsos. Só andam com você por interesse, favor ou gratidão momentânea. Eles todos vão te largar. Quanto a popular… é questão de tempo para ela despedaçar seu coração. Quem sabe ela não te traia com o Ren Kiryu?
O reflexo sorriu, um sorriso distorcido e maldoso, e fez a respiração de Ryotaro acelerar. Por mais que ele negasse, seu próprio reflexo havia plantado a semente da dúvida. Ele continuou:
— Pense bem, Ryotaro: a luz e a sombra são opostos. E você sabe que essa regra de que “opostos se atraem” não passa de uma bobagem romântica.
— Cala a boca… — Ryotaro balbuciou.
— Sombras só se misturam com outras sombras. E a luz só se mistura com outra luz. Coisa que você e a mimadinha não têm em comum. E você e ela sabem disso.
— Isso não é verdade…
— Você sabe qual o final dessa história: ela vai te humilhar, todos vão rir de você e te abandonar. E no final, será só eu e você, outra vez. Por toda a eternidade!
O som da porta do telhado se abrindo fez Ryotaro dar um pulo no lugar. Aiko havia chegado. A garota apareceu meio ofegante, se apoiando nos joelhos como se tivesse corrido uma maratona. Seu sorriso radiante vacilou um pouco ao ver Ryotaro abalado.
— Ryo-chan? Tá tudo bem? — ela perguntou, sua voz preocupada. — Você parece abalado.
Ryotaro olhou novamente para o reflexo, e viu que o Fantasma Negro havia desaparecido, só restando seu reflexo normal. Respirando fundo, disse:
— Tá tudo bem. Só estou meio ansioso. Bom… quer receber o seu primeiro presente?
— Adoraria! — Aiko exclamou, sorrindo.
Os dois se sentaram sobre o parapeito baixo, e engolindo em seco, Ryotaro entregou o primeiro presente, sem muita coragem de olhar para Aiko. A menina pegou o pacote com um cuidado reverencial, e deslizou os dedos pela seda do pacote.
— Posso abrir? — ela perguntou.
— Claro — Ryotaro respondeu, sorrindo para ela.
Aiko desfez o laço de fita, e abriu o pacote de seda. Ao ver a moldura preta, seu coração começou a disparar. Porém, ele quase saiu do peito ao ver o que estava dentro dela.
Havia um retrato dela própria dentro da moldura, feita em desenho. Era uma representação quase etérea dela, feita no mesmo estilo de traço de Rurouni Kenshin. Ela inclinava a cabeça daquele jeito boboca, seus cabelos escuros e loiros caiam sobre seus ombros e costas como uma cachoeira, e seus olhos brilhavam como duas estrelas. Ela não estava em sua casa ou na escola, mas em um campo verdejante, iluminado pela lua e onde uma estrela cadente cortava o céu. E no canto superior direito, a dedicatória, escrita em caligrafia perfeita e com caneta tinteiro:
“Para minha Kamiya Kaoru, que trouxe luz e cores para o meu mundo, Aiko Takane. Do seu Kenshin Himura, Ryotaro Sato.”
ricaardovenancio
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