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Vamos criar um clube, Pandinha!

Abril (Parte 5)

Abril (Parte 5)

Feb 01, 2026

Era uma sexta-feira e, mesmo os novatos, decidiram faltar. “SEXTOU!” as mensagens nos grupos diziam. Apenas uns gatos pingados estavam no colégio, sendo eles uns três representantes de sala, poucos integrantes do grêmio e uns sete que só foram porque não sabiam da falta coletiva. Entre esses estava Jackson que, apesar de quase sempre atuar como um representante, na realidade é apenas a primeira mão de Estela. Falando nela, ela não pôde estar na escola neste dia por uma viagem de sua família. Porém, mesmo sem ela e percebendo que não era tão influente quanto pensava que fosse a ponto de sequer terem o avisado da falta coletiva, Jackson ainda tinha coisas a fazer naquela escola com corredores praticamente vazios. Enquanto todos os outros ficavam vagabundeando por aí, o rapaz de olheiras aparentes entrou em sua sala e começou a examiná-la.

“Como?” foi o que veio em sua mente. “Como apagaram aquilo tão rápido?”. Passou pelo quadro, intacto sem contar as arrobas dos estudantes da nova turma. “Onde posso encontrar algo sobre aquilo?” questionou-se. A primeira e mais eficiente coisa a se fazer deveria ser perguntar sobre o incidente a quem esteve presente. Mas, quando ambos, ele e Estela, questionaram para alunos mais velhos, não revelaram nada sobre aquilo.

“Qual foi o papel da escola nisso tudo?” surgiu essa pergunta, que logo foi descartada, já que nem mesmo a direção sabia de alguma coisa... Então... O que explica os professores mais antigos não falarem também sobre aquilo?

Ele observou mais um pouco a sala e percebeu algo. Havia um boato muito mal esclarecido sobre o veterano Pedro ter quebrado a janela. Olhando os cantos da janela, viu que não havia nenhuma prova que indiciava velhice. Isso indica que provavelmente foi trocada no ano anterior, o que batia com a informação. “Se a briga foi tão feia ao ponto de terem que trocar a janela, então não foi só um que participou disso.” Ele chegou a esta conclusão. Para confirmar sua teoria, apenas precisava que Carol falasse com o presidente do clube de artes, mas não podia contar com isso, pois, apesar de confiar nela, não sabia se o dito cujo mentiria ou não.

Com essa informação, dava para tirar conclusões vagas sobre o que aconteceu em sua antiga turma. Porém, o Sherlock Holmes da deep web queria também descobrir como todos da escola não queriam falar sobre aquilo. Normalmente esse tipo de coisa se torna a história da vida estudantil de alguém, um marco impossível de não ser revisitado. Mas, nesse lugar, não tinha ninguém que ressoava aquela história. “As pessoas da coordenação sempre tratam esse assunto com desdém, enquanto alguns professores, apesar de se esforçarem, reagem melhor a ele.” Tinha algo de estranho nas cabeças do corpo estudantil.

Jackson resolveu ir direto até a diretoria, onde se encontravam apenas o coordenador, um professor imprimindo algumas atividades e o ar-condicionado fazendo seu barulho habitual. Sentou-se de frente ao coordenador que lhe recebeu com cansaço em suas expressões. Havia alguns grampos em sua mesa. Jackson, como um bom jovem, perguntou se podia auxiliá-lo com aquele trampo todo. O coordenador aceitou sua ajuda e, enquanto grampeava, o garoto começou a falar:

 

-Sr. Hoffman, posso lhe fazer uma pergunta?

-Claro.

-Quantas pessoas da direção foram trocadas do ano passado para este?

-... Rapaz... Acho que a maior parte.

-O senhor não estava aqui?

-Não, entrei este ano. Até achei que seria mais fácil que meu outro emprego, mas é mais puxado ainda.

-... Você sabe do que aconteceu na antiga turma da sala 3?

-Ah! Sobre aquele tal incidente? Sempre ouvi alguns professores cochicharem sobre isso, mas nunca me disseram o que foi aquilo.

-... Sabe quem pode falar sobre aquilo?

-...

 

O coordenador indicou levemente com a cabeça para o professor imprimindo. Era Francisco Postecoglu, um senhor de sessenta e um anos que dava aulas de química e física. Estava meio careca, mas sempre dizia que era a evolução humana e não a velhice chegando.

 

-Ele sabe? – sussurrou Jackson.

-Provavelmente. – respondeu Hoffman. – Ele é um dos que já ouvi comentar sobre o caso.

 

Jackson observou discretamente o professor saindo da sala.

Passou-se vinte minutos e Jackson se despediu de Hoffman, que o agradeceu por ter tirado o seu tédio e o desejou sorte em sua busca. Andando rapidamente de maneira discreta, seguiu o professor Postecoglu. Viu-o entrando na sala dos professores e decidiu parar sua perseguição por enquanto, mas não sua investigação.

 

No fim do dia, Jackson saia da escola. Puxou o celular do bolso de sua calça e ligou para Estela.

 

-Alô?

-Alô. – ouviu uma voz feminina do outro lado da linha.

-Descobri algumas coisas. Principalmente sobre o que a gente já suspeitava. O boato da janela era verdade, confirmei com a Sra. Maria.

-Você sabe o que aconteceu? – Estela o perguntou.

-Provavelmente esconderam o que realmente aconteceu no dia por uma manobra política.

-Peraí, quer dizer que o secretário da educação realmente tá envolvido com aquilo?

-Isso é só uma suposição, mas não restam dúvidas que a história verdadeira foi omitida.

-Por que do nada falou bonito assim?

-Achei que ficaria mais daora assim.

-Bizarro...

- “Qualé, me deixa ser maneiro, poxa!” – pensou Jackson.

-E sobre o professor antigo?

-Até agora a Carol não me falou nada, acho que não perguntou ainda a ele.

-Assim complica...

-Relaxa, consegui uma informação mais que valiosa.

-Agora me deixou curiosa. Qual?

-Antes, a sala era de outra cor.

 

Isso encucou a garota.

 

-Como assim?

-Vou resumir porque o faxineiro enrolou muito pra me falar isso. A nossa sala tinha outra cor antes desse ano iniciar.

-Tá, e o que isso tem de tão valioso assim?

-Pensa bem, o incidente aconteceu entre o final de agosto e o meio de setembro, ainda tinha muito tempo de aula, não tinha como fazer a mesma pintura das outras salas no meio de uma aula, certo?

-Mas eles poderiam dar um dia de folga, como fizeram com a sala 8 mês passado.

-O teto.

-Hum?

-O teto foi pintado da nossa sala.

-Pera, como assim o teto? Por que pintariam o teto?... Só se... tiverem sujado com alguma coisa...

-Vamos, você sabe que não é simples assim.

-...Trocaram o teto.

-Sim, por isso que é uma informação valiosa.

-Se, de fato, tiverem trocado o teto, isso só quer dizer que quebraram. A escola foi reformada a pouco menos de três anos.

-Exatamente. Ou uma chuva muito forte aconteceu somente na sala 3, ou teve algo relacionado ao incidente.

-...É incrível.

-Sim, é bem incrível mesmo.

-Tava falando de você.

 

Jackson olhou para os lados, deu uma tapinha no próprio rosto e continuou:

 

-...Tem coisas que ainda não tão bem encaixadas, então não sou tão incrível assim.

-Jackson Yomes sendo humilde? Que milagre é esse?

-Ei! Eu sou muito humilde! Eu até deixei você ficar na minha frente nas notas!

-Que nada! Você só foi preguiçoso mesmo!

-Hehe, aí vou ter que admitir.

-Quanto tempo você acha que a Carol vai levar?

-Sinceramente, não faço ideia.

 

Ele olhou para o céu rosado.

 

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

 

-Não tá se esquecendo de nada, né? – disse uma jovem adulta que mais se parecia com uma criança.

-Não. – respondeu um rapaz que era trinta centímetros mais alto que ela.

-Pegou sua toalha? Escova de dentes? Sabonete?

-Sim, peguei tudo!

-Poxa, queria ter tido algo parecido no meu ensino médio.

-... “Essa é a maldição de ser um gênio” já diria o senhor Stark.

-É, prefiro continuar com minha mente brilhante mesmo, ho-ho-ho! – ela riu como o papai Noel do nada.

-Vou indo, obrigado, Kheninha!

-Se cuida, Pedro.

 

Havia dois dias que Khefera estava na casa de Pedro. Eles não moram longe um do outro, então, de vez em quando fazem isso de dormirem na casa do outro. Na realidade, quem faz isso com mais frequência é a professora, que se preocupa muito com seu primo morando sozinho. Obviamente, ela não tem tanta moral para falar dele, já que, toda vez que compara suas moradias, vê que a de Pedro é mais organizada, mas mais empoeirada por ele não mexer em nada.

Ele se despediu rumo a casa da família Firpo.

 

-O que será que eu faço agora?

 

Não sabia se fazia faxina ou passava o dia tentando terminar de corrigir atividades de seus alunos.

 

-Xô, Satanás!

 

Ela escolheu faxina.

Varria para lá, varria para cá, espanava para lá, espanava para cá, varria de novo, depois passou pano e...

 

-PRONTO! Uff, cabei!

 

Ela terminou. Agora, vamos terminar o trabalho Khefe-

 

-Será que ele anda...?

 

Não olhe o banheiro, Khefera.

Ela adentrou no plano sagrado de música e abriu lentamente a lixeira. Por incrível que pareça, estava limpo. Ele mesmo havia se certificado de limpar o banheiro e seu quarto antes de ficar fora por uma semana.

 

-Decepcionante.

 

Cala a boca, Khefera.

A jovem de um metro e cinquenta e cinco de altura resolve procrastinar mais. Ela entrou procurou na pequena estante de livros, no armário, no sofá... Temos que falar para ela que existe celular hoje em dia, procurar uma revista hoje em dia é como procurar jornais em canais infantis na TV.

 

-UOU! Achei algo interessante!

 

...É, de fato, uma revista.

Falava sobre treinos de futebol aplicados na quadra. Pedro está realmente querendo melhorar nessa semana de treino. Na noite anterior, enquanto Khefera jogava no computador de seu primo, ele, por outro lado, escrevia incessantemente em um caderno.

 

-Como você é sério, Buzinho.

 

Esse apelido... Ela não o usa mais. A última vez que o usou fez Pedro entrar em choque.

 

Era uma noite de domingo qualquer do mês de outubro. Khefera visitava com mais frequência seu primo após conseguir o emprego na ETE. Entrou repentinamente, como de costume. Apenas ouvia na casa o barulho da geladeira e de uma cadeira rangendo vindo de um quarto com porta aberta e a luz apagada. Ela foi invadindo falando de seu dia no trabalho e como era cansativo, mas que estava melhor que o antigo. E então viu. Viu aquela bola em cima da cadeira de frente ao computador ligado com uma tela de jogo aberta. Era um Pedro totalmente enrolado em um monte de lençóis. Não estava frio para ele fazer aquilo, talvez realmente não seu corpo que estivesse sentindo frio. Fazia tempo que ele não saia de casa a não ser ir para o colégio contra sua vontade, já que precisava estudar para continuar morando sozinho. Para chamar sua atenção, ela o chamou por um apelido que usava quando ambos eram mais novos.

 

-Buzinho?

 

 Para sua surpresa, ele respondeu, algo raro dessa época, normalmente ele a ignorava por, pelo menos, uns vinte minutos. Mas, para uma surpresa ainda maior, ele se virou...

... Ela percebeu que cometera um erro...

 

 

... Aquele garoto, que um dia a salvou de uma profunda depressão... Agora estava chorando.

 

É uma memória infeliz, mas Khefera se sente bem ao perceber que o Pedro daquela época sumiu de vez.

 

** * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

 

O carro estacionou de frente a um baita campo de futebol. Não estava tão bem tratado quanto um profissional, mas era bom o suficiente para ter um torneio amador. Todos os cinco desceram do carro e olharam com os olhos brilhando para aquilo.

 

-Que foda... – disse Jeffrey.

-Não lembrava que tava tão ruim assim. – disse Gabriel.

-Que nada, dá pra jogar pra caramba aí! – disse Castus.

 

Os outros dois, Robert e Pedro, ficaram observando os três animados à sua frente. Tinham uma semana inteira pela frente. O festival seria sua grande consagração. Todos pensavam o mesmo. Desde Jeffrey, o goleiro, até Castus, a grande estrela.

 

-Vamo cambada, a gente tem que organizar a casa primeiro e depois partiu treino! – gritou Gabriel.

 

Os outros acompanharam seu entusiasmo e chegaram até a gritar em conjunto.

A casa não era grande, mas tinha tamanho suficiente para os cinco passarem o pouco tempo que planejaram. Pedro deixou suas coisas ao lado do sofá e foi observar a cozinha. Tinha um fogão elétrico de cinco bocas, o que o espantou, já que nunca havia visto um daquele tipo. A mesa era de madeira escura, bem elegante, diga-se de passagem. Tinha um jarro que provavelmente custava dois anos de aluguel de Khefera.

 

-Ô Pedro, vem ajudar a gente aqui! – gritou Castus.

-Beleza! Já tô indo! – respondeu.

 

Segurando cones e uma bola de futsal debaixo do braço, Castus de fato parecia um preparador físico. Mas... eles não iriam arrumar a casa antes?

 

-Depois a gente resolve isso aê! – disse Gabriel.

 

Os cinco caminharam até uma quadra. Era grande e mal escorregava, um paraíso para o grupo de jogadores. Todos eles tiraram seus sapatos e correram para testar a qualidade da bola trazida por Castus. Jeffrey, entre as balizas, provocava Gabriel que chutou em seu canto esquerdo. Não foi forte o suficiente, dando chances para o goleirão da sala 7 realizar a defesa. Enquanto segurava a bola, Jeffrey caçoava do “chute de princesa” que Gabriel havia feito. Os outros três observavam a animação dos dois.

 

-Bom, aqui vou eu!

 


anto05941
Pedro J. Busch

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#festival #escola #school #portuguese #brasil #Football #VCCP #romance #champion #slice_of_life

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