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Vamos criar um clube, Pandinha!

Abril (Parte 7)

Abril (Parte 7)

Feb 01, 2026

Era o segundo dia dos algozes nas propriedades dos Firpo. Finalmente, começariam o treino de verdade. Primeiro, Castus acordou todos às seis da manhã. Depois, ele, junto de Jeffrey preparam um café da manhã mais regrado para o time. Terminando a refeição, os cinco se dirigiram a quadra carregando garrafas d’água, bolas de futsal e rede para pôr na baliza.

Castus acreditava que, se eles ficassem treinando ali o dia inteiro, uma hora algumas pessoas das residências locais iriam aparecer para jogarem e assim seriam testados em um jogo mesmo. Essa sua crença, apesar de ser mal embasada, acendeu um fiozinho de esperança de não precisarem só treinar o físico e dois pra dois os cinco dias que passariam na casa da família de Gabriel.

 

Começaram calçando suas chuteiras. Depois, aqueceram e finalmente começaram o primeiro treino.

O primeiro treino era o temido por Gabriel “um pra um com Robert”. Como já esperado pelo próprio, nas cinco vezes que tentou, o The Frash não conseguiu finalizar bem, não dando trabalho para Jeffrey, que precisava apenas acompanhar as bolas travadas por Robert com perfeição. O carniceiro não jogava, de maneira alguma, de forma que pudesse machucar, sempre tentando acertar a bola o máximo que conseguia.

Quando as duplas trocaram, agora sendo Castus indo no um para um contra Pedro, ficou nítido qual dos dois era mais agressivo e aguerrido quando se tratava em defesa. Robert sempre pensava e analisava muito antes de finalmente fazer o seu tackle perfeito. Já Pedro, o que se via era um cara correndo muito a todo momento e tirando a bola como dava. Apesar de quase sempre acertar a bola, não dava para dizer que é um jogo seguro. Pedro fazia coisas que, se forçasse mais um pouco, poderia se machucar. Essa característica foi percebida por Castus, que decidiu trocar as duplas, já que esse jeitão tão... guerreador só aparecia quando ele jogava contra pessoas que ele sabia que aguentavam o tranco. Então, agora seria: Gabriel contra Pedro e Castus contra Robert.

 

A pausa durou cinco minutos antes reiniciarem. Robert não usa tanto seu corpo quanto Pedro faz, preferindo muitas vezes acompanhar e deixar o jogador adversário decidir aonde iria e assim matar a jogada antes que ela aconteça. Castus conseguiu, de cinco, passar duas vezes e atingir o fundo da rede uma vez, fazendo Jeffrey atuar pela primeira vez seriamente.

Agora, Gabriel iria enfrentar Pedro. Nas duas primeiras, Gabriel passou, mas não por ter conseguido um drible desconcertante, e sim, por duas sortes seguidas de ter chutado a bola e ter batido em Pedro e voltar para ele para logo depois ir a um lugar onde a velocidade dele ganhava valor. Nas próximas três, Gabriel se viu completamente anulado por um muro. Era o que Castus já havia reparado. Pedro se utiliza muito de movimentos bruscos e explosivos. Dado o fato de ele ter um físico mais avantajado e não ser o mais técnico dos jogadores, ele compensava levando ao limite o que podia fazer.

 

-Ei, Robert, olha. – disse Castus, indicando com o queixo.

-O jeito do Pedro? Percebi também. Você já havia o visto jogar antes? – perguntou Robert.

-Acho que no início do ano passado. Ele era menor que a maioria dos terceirões e mesmo assim era mais rápido e mais forte que eles.

-Entendo... Espera, mais forte que os veteranos? Quantos anos ele tinha?

-Acho que quinze anos.

-Nossa... Então acho que era ele quem acabou com o Jonas...

-Hã? Jonas? Aquele da sala dez?

-É.

-O que aconteceu?

-O Jonas tava num time e acho que era o Pedro no outro. Eles acabaram se enfrentando. Você lembra como o Jonas era, né? Não podia jogar o corpo nele que já reclamava. Então, um calouro com cabelo em estilo militar com a camisa do estado, marcou ele. Ele reclamou demais de como o novato tava cacetando ele, mas na real, era desse mesmo jeito que o Pedro tava fazendo com você e com o Gabriel.

-Essa eu realmente não sabia.

 

Olhando para Jeffrey agarrando dois chutes de Gabriel, Castus fala:

 

-Me lembro dele ter aquele cabelo cortado quase careca. Olhando agora não parece em nada com ele.

-Realmente, militar do jeito do Pedro, não é uma estética de modelo. Esse cabelo espetado combina mais. – dizia Robert.

-Parece um porco espinho...

-Será que se ele colocar gel dá pra se cortar?

 

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

 

Eram três da tarde e o grupo voltava a quadra depois de descansarem o almoço. Como Castus havia insinuado antes, havia pessoas querendo jogar junto com eles. Eram três meninos de dozes/treze anos e dois coroas de provavelmente quarenta e cinco anos. Não eram os melhores adversários para se jogar contra, mas era o que tinha.

Como esperado, os algozes ganharam o jogo que havia durado duas horas. Gabriel até perguntou se aqueles senhores realmente eram quarentões. Apesar da vitória não significar muito, já que foi em meio ao clima festivo e totalmente amistoso, Castus ainda assim observou o desempenho de cada um.

O jogo havia terminado 29 a 17. Jeffrey agarrou para o time dos quarentões, enquanto um dos garotos ficou na meta da sala 7, tentando equilibrar os elencos.

Quando chegaram na casa, Pedro foi o primeiro a ir ao banheiro e tomar seu banho, logo depois foi Castus, em seguida Robert, depois Jeffrey, e depois Gabriel. A janta foi leve, num clima de madrugada, pois todos estavam exaustos.

No quarto, Castus começou a falar suas observações.

 

-Primeiro, o ataque: eu e Gabriel sozinhos não damos conta, então temos que fazer mais aquilo de inverter o jogo. Você, Robert, não precisa ter medo de avançar desde que tenha certeza de que alguém vai ficar atrás cobrindo o espaço, nunca subir os quatro de uma vez, três é suficiente e se não der pra fazer o gol claro, chuta e pega escanteio. Segundo, a defesa: como o Gabriel não é tão bom assim de marcação, porém, é essencial para fazer volume, vocês dois vão ter que ficar com a parte suja do jogo, enquanto eu e ele ficamos tentando sair jogando de trás, junto com vocês. Terceiro, a saída de jogo: sempre tem que ter pelo menos uma opção perto do goleiro para não precisar mandar a bola pra frente sem rumo. Quarto, as faltas: a gente tem que ver se dá pra tocar antes de pensar em chutar direto no gol...

 

E assim continuou seu monólogo. Os demais ficaram quietos escutando cada palavra. Eles não deram desculpas ou tentaram dizer que aquilo não era o certo, pois as observações de Castus eram, realmente, precisas. Gabriel e Pedro não são o primor técnico, mas se entregam de forma quase insana. O goleiro é bom, tanto que a equipe dos quarentões só não tomou mais gols pois Jeffrey pegou, pelo menos, uns quarenta chutes, quinze deles sendo difíceis e quatro milagres.

 

Eram sete horas da noite. Apesar de ser cedo, o time adormeceu no quarto. Bem, apenas um não dormiu junto aos outros quatro. Ele ligou o celular na sala e ligou para alguém.

 

-Alô?

-Osu!

-Osu.

 

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

 

-E como foi aí?

-Cansativo, mas divertido. A gente jogou com uns velhos. Cê acredita que eles aguentaram jogar por duas horas?

-Bom, Arnold Schwarzenegguer levantou peso até os setenta.

-A inveja que eu tenho desses caras é grande, nunca que eu vou conseguir ficar ativo por mais de cinquenta anos.

-Ora, vamos, é só parar de comer pão com mortadela todo dia e treinar.

-Pão com mortadela é um estilo de vida, all right?

-Sei, sei.

 

O clássico silêncio que envolve suas conversas retornou. Interrompendo isso, Carol lembra do pedido de Jackson.

 

-Pedro?

-Opa.

-...

-Alô?

-Como são as coisas aí? Tipo, a cidade? Como é?

-...Nem sei se dá pra chamar de cidade isso aqui. Tá mais pra vilarejo. Tipo, as casas são meio afastadas umas das outras. Mas a brisa é muito boa. Não é tão quente de dia e é um frio gostoso de madrugada.

-Entendi... Deve tá sendo ótimo faltar a escola pra ficar num lugar como esse.

-É... mas, meio que sinto falta de algumas coisas. Só faz dois dias que tô fora de casa e não deixo de pensar em como a Khefera deixou tudo bagunçado lá.

-Mas a Khefera é adulta. Não precisa se preocupar com esse tipo de coisa, ela é mais responsável que eu e você juntos.

-Essa sua visão é da Khefera da escola. Concordo com você quando diz que ela é bem responsável... somente na escola. Tipo, cê acredita que um dia desses eu fui na casa dela as seis da noite e ela tava dormindo desde doze horas da noite?

-A! então isso deve ser de família.

-Uai, eu não durmo tanto assim!

-Você tem certeza disso?

-Tá, só teve aquele dia que eu perdi o horário. Mas foi só aquele dia, nenhum mais!

-Então você falta por querer mesmo, não é?

-... Sim, mas me arrependo.

-Ué, se arrepende? Achei que você odiasse aquele lugar.

-Não vou dizer que você tá errada. Mas tendo todos vocês lá, me faz odiar menos.

 

De repente, Carol sentiu como se levasse um beliscão em sua mão, mas não doía. Depois, um calor em suas orelhas.

 

-Peraí, tá ficando quente aqui no quarto, se tiver barulho no fundo é o ventilador.

-Beleza.

 

“Eu quero perguntar pra ele, mas não sei como ele vai reagir.”

 

Carol olhava a tela enquanto sentia o vento vindo do ventilador que acabara de ligar. Alguns segundos passaram e Pedro bocejou do outro lado da linha.

 

-Cara... Tô começando a ficar com sono...

-... Pode ir dormir.

-Eu queria ficar mais um pouco.

-Relaxa, você treinou muito hoje, vai descansar senão não vai acordar amanhã.

 

Pedro bocejou mais uma vez.

 

-Então... boa noite, Panda.

-... Antes disso, posso te perguntar uma coisa?

-Hã? O quê?

 

Antes de perguntar, Carol olhou para a janela e viu o céu escuro.

 

-Quem era o professor responsável pela sua turma no ano passado?

 

Ele não respondeu de imediato. Alguns segundos passaram e nenhuma resposta. Até que Pedro perguntou:

 

-O primeiro ou o segundo?

-Pera... Vocês tiveram dois?

-É. O primeiro saiu depois de agosto. O Postecoglu assumiu logo depois. Esse ano a gente tá com ele ainda.

-E quem era o primeiro?

 

Mais segundos de silêncio antes da resposta.

 

-Acho que o nome dele era Goulart. Era um péssimo professor.

-Não era você que era um péssimo aluno não?

-... Não. Quero dizer, não dá pra culpar tanto o professor, já que eu ficava mais bravo por ele passar conteúdo que eu dominava rapidamente. Matemática sempre foi meu forte.

-Entendi, então você não é burro...

-Ô caramba, não sou burro mesmo, por que você pensava isso?

-A, você costuma faltar tanto que eu imaginei que você era um delinquente burro.

-... Eu não falto tanto assim, só faltei duas vezes nesse mês até agora.

-Sempre parece que você nunca tá na escola, é difícil te achar nos intervalos.

-Não avisei que sempre tô no terraço? Tirando as quintas e as sextas que tô na quadra jogando ping-pong com alguns veteranos.

-Não sabia que tinha ping-pong na escola.

-Claro, né, você não sai da sala!

-Não vou entrar em uma discussão por conta disso!

-Tá, tá.

 

Pedro bocejou mais uma vez.

 

-... Vai dormir. Amanhã a gente se fala.

-Tá bom. Buenas noches!

-Boa noite. 

anto05941
Pedro J. Busch

Creator

#festival #escola #school #portuguese #brasil #Football #VCCP #romance #slice_of_life #champion

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