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Vamos criar um clube, Pandinha!

Abril (Parte 8)

Abril (Parte 8)

Feb 01, 2026

Jackson, mais uma vez, estava na escola em um dia que não tinha importância. Mas, dessa vez, Estela estava ao seu lado. Seus interesses se concentravam na mesma pessoa: o professor Postecoglu. A representante de sala conversava com outros professores enquanto Jackson se aproximava de seu alvo durante o intervalo.

O plano dos dois era simples: ambos entrariam em sequência na sala dos professores; Estela, por ser praticamente uma estrela dos novatos, chamaria atenção de professores que estariam possivelmente conversando com o velho mal-humorado, enquanto Jackson, com sua presença nada poderosa podendo ser comparada a uma barata no canto da sala se escondendo.

“O simples sempre funciona contra quem pensa demais”, esse é um dos lemas de Jackson. O rapaz se aproximou do professor veterano e orientador da sala 7, antiga sala 3.

 

-Bom dia, senhor Postecoglu! – iniciou com um sorriso forçado.

-Bom dia? O que é que tem de bom, hein?

 

“Eita...” logo pensou o garoto, seria mais complicado arrancar informações de alguém estressado, principalmente alguém como o senhor em sua frente. Mas, não era hora de se abalar. A dupla de novatos tinha um prazo de vinte minutos naquela sala. Precisava ser rápido e certeiro em suas perguntas, além de ter cuidado para não pisar numa mina terrestre e acabar com suas chances de conversar sobre aquilo com alguém que tanto sabe.

Os papeis em cima da mesa em frente ao professor eram da sala 2, provavelmente testes de matemática, já que sua turma havia estudado aquilo fazia alguns dias.

 

-Professor, o senhor quer uma ajuda pra corrigir isso aí? – perguntou com uma malícia mascarada de carisma.

-Hein? – o professor ficou confuso e piorou sua expressão.

 

Mas, o Sherlock da ETELSS não havia perguntado sem saber o que fazia. Estela o forçava a estudar junto com ela todas as atividades até ela aprender. Ele, por outro lado, odiava ficar intervalos inteiros explicando a matéria para ela. Estela não queria simplesmente saber o que era aquilo, e sim, dominar o tema, o que é muito mais difícil.

 

-É que isso daí é função exponencial e de segundo grau, não é? A minha turma já estudou sobre isso. Se o senhor quiser posso lhe ajudar a corrigir.

-Você quer ganhar uns pontos, né não?

-Hehe. O senhor acabou sacando rápido demais.

-Sente-se aqui, Yomes, vai me dar uma bela ajuda. Não adianta correr agora, viu?

-Pontos em química então?

-Fechado.

 

Logo, começou a fazer o mesmo que o senhor ao seu lado fazia. Estranhava o quão fácil estavam aquelas questões. Talvez, suas horas intermináveis de estudo junto a Estela, o fizeram, de fato, adquirir mais conhecimento do que o necessário.

Passou-se muito tempo. O silêncio tomou a sala. Eram duas horas da tarde e ele nem tinha visto. Havia começado a segunda aula da tarde e ele e o senhor Postecoglu continuaram juntos na sala, sozinhos.

“Essa é a minha chance!” pensou. Como começaria? Se fosse direto ao ponto, seria obviamente ignorado como foi quando tentou falar com veteranos do terceiro ano. Jackson observou o professor. Seu perfil, de um homem já envelhecido, perto de sua aposentadoria e cansado do trabalho lhe deu uma ideia.

 

-Professor, a quanto tempo o senhor já está ensinando nessa escola?

 

Era uma pergunta normal para iniciar uma conversa, nada demais.

 

-Hein?... Acho que um ano depois de abrir... Ou foi no ano de abertura?

 

“Aí é foda...” pensou o rapaz. Lidar com um professor ranzinza já seria um tormento, agora ranzinza e confuso era mais complicado ainda. Mas, para Estela, isso era importante.

 “Isso vai render alguns ships, mas não tem nada entre a gente, beleza?”.

...Fica quietinho aí Jackson, namoral.

Pensando em sua amiga e o quanto aquilo significava para ela, decidiu enfrentar o desafio. Piscou duas vezes, olhou para os lados e confirmou que não havia ninguém ali.

 

-O senhor já deve tá de saco cheio desse lugar, né não?

-Saco cheio? Isso é pouco! Tô a ponto de fazer o mesmo que os novatos do ano passado: vazar daqui!

 

“Claro, os novatos. Realmente saíram.” Pensou na hora. A dupla de calouros já tinha algumas informações vindas de pessoas que saíram da escola e outras vindas de material do grêmio ao qual Estela tem permissão para usar à vontade. Em um dia em que os dois estavam olhando jornais antigos feitos pelo clube de jornalismo, ou melhor, um grupo que se considera um clube de jornalismo da escola, viram uma notícia estranha. Nela, não havia foto e a data estava meio manchada pelo tempo que estava guardada. Estava escrito:

 

XX/09/2023

Bomba! Jonas foi campeão e artilheiro da Copa AF!

“O campeonato de vôlei irá começar em outubro e, com toda certeza, o terceiro ano irá ser o vencedor.” – declarou o grande diretor Fullkrug.

 

 

Mas, o que de fato chamou a atenção dos representantes da sala 3 foi a segunda parte do verso do jornal:

 

34 estudantes saíram da escola em uma semana.

 

 

Isso beirou o impossível para eles. Como o número de uma turma inteira de alunos sairia da escola em uma semana qualquer? Não havia outro jornal dizendo mais nada sobre aquilo. Parecia que não havia jornais de agosto daquele ano, mas havia registro de jornais de 2017, desde aquele ano havia pelo menos um jornal de cada mês, menos o de agosto de 2023.

 

-Foram só os primeiros anos quem saíram da escola?

-Não, não. Uma sala inteira. Sobrou apenas quatro. Parecia que eu havia voltado aos meus tempos de estudante. Tudo naquela sala tava quebrado. Ainda bem que pelo menos o ar-condicionado tava intacto.

-Entendo...

-Yomes, você conhece um tal de Jonas?

-... Já ouvi falar dele.

-Ele era um bom jogador da escola.

-...Do antigo terceiro ano, não é?

-Isso.

 

Eles se calaram por um breve período, até Jackson quebrar o gelo.

 

-Como é que a escola é tão calma em dias como esse, hein?

-Sei o que você e Estela vieram fazer aqui...

-Hã?!

 

“Porra, já fui descoberto, assim?” pensou o garoto.

 

-...Mas, não quero atrapalhar os dois, então pode ir pra sua sala. Vocês devem aproveitar esse dia, relaxa que se alguém descobrir eu acoberto vocês.

-Pera... Hein? – Jackson ficou completamente confuso.

-A juventude... Ó, eu daria tudo pra voltar a ser mais jovem e poder viver os amores dela...

-. . . – ele percebeu a confusão do professor.

 

Não era raro ouvir isso de ele e Estela terem um caso, mas até professores viam esse tipo de coisa. “Amizade entre homens e mulheres não existe na cabeça dos outros, não?”

Relaxa Jackson, até eu tô meio catatônico. Achei que esse tal de Postecoglu fosse só um velho ranzinza e confuso, mas é carente também!

Jackson o encarou por dois segundos antes de dizer alguma coisa.

 

-Professor, acho que o senhor se equivocou. O que a gente veio fazer aqui...

 

“Não adianta enrolar mais, esse cara precisa me dar respostas concretas. Ele vai continuar rodando e rodando no que eu já sei. Uma das formas que conheço de arrancar informação...” Jackson pensou.

 

-... É uma investigação.

 

“Olhar bem no fundo dos olhos de alguém o deixa nervoso, o que faz ele abrir rápido o bico. Ver filmes de ação policial quando criança deve me ter feito aprender essas baboseiras de detetive.”

 

-E você é o alvo.

 

“... É ameaçando.”

 

-C-Como assim? – disse o professor, claramente desconcertado com o olhar perfurante de Jackson.

-Eu soube que no ano passado tinha alunos que tiravam fotos das meninas no banheiro da quadra e que existia um comércio até com professores dessas fotos...

 

“Ele tá começando a suar, acho que tenho que parar por agora, só o deixar assustado já serve. Um bait perfeito. Vou ter que fazer meu high light depois.”

 

-... Mas isso é só um boato, né não? Tipo o incidente da sala 3? – Jackson voltou ao seu olhar habitual, mas mais infantil e com um sorriso quase inocente.

 

O professor, por outro lado o encarou.

 

-Claro, você é o moleque que tava conversando com Hoffman um dia desses. – o professor se acalmou, pegou um papel e uma caneta e começou a escrever algo nela. -Bem, não é como se eu quisesse que vocês, novatos, não soubessem daquele incidente.

 

Ele continuou escrevendo algo que Jackson começou a reparar, eram números seguidos de barras.

 

-Mas, que tal brincar de detetive de verdade, hein, Yomes?

 

Postecoglu ergueu o papel em direção a Jackson, que hesitou em pegar por um momento.

 

-As coisas já se resolveram, não sei o porquê você quer tanto isso, rapaz.

 

Ele se levantou, foi em direção a porta e a abriu, indicando para o garoto sair da sala.

 

-Mas quando descobrirem tudo...

 

“Ele observava meus passos como um lobo espera um coelho pronto para dar o bote.”

 

-... Não se esqueçam que nada é por acaso.

 

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

 

-E então, como foi cabular as aulas da tarde, se divertiu muito com o Postecoglu?

-Por que você parece tão irritada com isso?

- “Por que?” E você ainda pergunta?

-Só eu pra me enfiar nesses buraco mesmo...

-A, qual é, não é grande coisa assim, vai. Não fica bravo por isso, eu só fiquei preocupada com você.

-Preocupada... – ele falou com um deboche quase visível no ar.

-Mas, pensa comigo, você não voltava de jeito nenhum de lá, eu fiquei esperando dez minutos ainda e nada. Nem mensagem!

-Você só tava carente que nem o Postecoglu, isso sim!

-... Que nem o Postecoglu?

-Aham. Aquele velho começou a falar coisas nada haver. Tive que inventar uma mentira pra ver se ele falava alguma coisa de interessante.

-O que foi que você falou?

-... Que no ano passado tinha um comércio de pack de fotos.

-...

-Foi o que veio na mente na hora. Era o que dava pra fazer além de tentar fazer ele parar de dizer aquilo sobre nós dois.

-Aquilo?

-... É, aquilo que todo mundo fala... – Jackson falou com uma voz meio acanhada.

-Hehe... – ela riu, meio do nada.

-Que foi?

-O que era... aquilo?

 

“Essa menina tá querendo armar pra mim por acaso?” pensou o rapaz ao ouvir o tom provocativo de Estela.

 

-Você sabe... Namoro e tals... – Jackson claramente ficou envergonhado ao falar aquilo.

-Sei, sei... Hehehe... Cê tá todo vermelho.

-N-Não enche!

 

E mais um dia havia terminado.

 

- “Nada é por acaso.”, né?

 



* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

 

No meio do campo de futebol, às duas horas da tarde, seis jovens davam voltas enquanto cantavam hinos de times brasileiros e gritos de guerra do exército, pois, segundo o capitão, era engraçado e quebraria a pose séria da equipe.

 

-TROQUEI MEU PLAY STATION POR UM FUZIL! – gritou Castus.

-TROQUEI MEU PLAY STATION POR UM FUZIL! – os demais cantaram em uni e bom som.

 

O sexto jovem estava ali no meio pois queria treinar para uma seletiva de um time da região. O rapaz tinha quinze anos e possivelmente pesava cinquenta quilos apesar de ter um e setenta de altura.

 

Esse já era o terceiro dia de treinamento dos algozes. O festival estava a menos de três dias de começar. Robert corria em uma velocidade e coordenação quase robótica. Gabriel, que deveria ser o que mais aguenta esse tipo de coisa, havia dado três voltas no time quando o treino começou, mas, quando cansou, tomou essas três mesmas voltas e parecia uma lombriga seca correndo. Jeffrey, por ser goleiro, corria em seu próprio ritmo, sempre atrás dos demais, porém, tentando os acompanhar. Pedro estava à frente de Robert e atrás de Castus e apresentava sinais de cansaço e não diminuía o ritmo de modo algum apesar de às vezes tropeçar. O rapaz mais jovem corria ao lado de Gabriel, no fim da fila. Castus liderava o time em uma forma de atleta invejável, entretanto parecia começar a cansar também. Gritar e correr não era uma boa escolha mesmo.

Ao final das vinte voltas dadas, Gabriel e Pedro ficaram deitados no chão da coberta do banco de reservas, suando até pelas orelhas. Robert bebia água sentado no banco. Castus estava ajudando o rapaz que estava com eles a se levantar. Jeffrey segurava o esparadrapo que usaria mais tarde quando fossem para a quadra.

Robert, enquanto tomava sua água, olhou para o céu azul sem nenhuma nuvem e lembrou de quando era criança e ia brincar a tarde. O céu totalmente azul, sem uma nuvem sequer, parecendo um mar em cima de sua cabeça que poderia cair a qualquer momento.

 

-Robeeeeeeert....

-Hein?

-Me dá água pelo amor de Deeeeeeeusss.... – dizia Gabriel, esparramado no chão parecendo um tapete de urso.

-... Você tá parecendo uma barata pisada.

-Qualéééééé....

-Tudo bem, tudo bem, já tô indo.

 

Quando se aproximou de Gabriel, olhou para Pedro que estava logo ao lado. Ele estava de olhos fechados, respirando fortemente pelas narinas. De repente, ele se levantou e abriu seus olhos.

 

-A gente vai pra quadra três e meia, né não?

-Isso.

-... Onde tem um banheiro aqui?

-Atrás do outro banco de reservas. – respondeu Gabriel, que agora estava sentado.

 

O rapaz de cabelos espetados andou até o outro banco de reservas. Robert o observou até sumir de sua vista. Lembrou-se de sua conversa com aquela mesma pessoa na noite do primeiro dia.

 

“-O que você sente por ela?

-O que... eu sinto...

-Vamos, não é uma pergunta tão difícil.

-... Eu não sei.

-Poxa, achei que tava vendo uma história de romance nascer aqui.

-Romance? Quê? Não, não, nem a pau que isso aconteceria. Não comigo.

-Quem sabe? Tem doido pra tudo.

-... Mas... e se eu tiver... gostando dela desse jeito?

-Ora, é só se declarar. O máximo que você pode receber dela é um “desculpe, não posso agora”, já que é uma garota tão gentil assim.

-Não faria sentido eu me declarar...

-Ué, por quê?

-Eu vou sair da escola depois do festival.”

 

-O Pedro não tá meio esquisito? – perguntou Robert.

-Hm? Ele? Ele sempre tá esquisito. – disse Gabriel.

-É raro ver um momento que ele não tá esquisito. – complementou Jeffrey.

-Ei, rapaziada, peguem suas coisas que já já a gente vai pra quadra e, se dermos sorte, os quarentões lá vão aparecer de novo. – falou Castus que já havia levado o garoto de quinze anos de volta pra casa. – Hum? Cadê o Peixe-Boi?

-Tá no banheiro. Deve tá soltando um barrão lá. – disse Jeffrey.

-Vou ver se ele vai demorar lá, se a coisa tiver muito feia é melhor só nós quatro irmos treinar. – disse Castus em tom de zombaria.

 

O capitão do time andou até de frente a porta do banheiro e escutou barulho de torneira ligada. Ele bateu na porta.

 

-Pedro? Cê tá legal aí? – perguntou.

-Melhor impossível. Tá um fedor do caralho aqui e nem foi eu! – a resposta logo em seguida confirmou que ele, pelo menos, estava vivo.

-Beleza! Vê se não demora muito aí.

-Vou acelerar o processo aqui.

 

O barulho de torneira continuava à medida que Castus se afastava. Quando voltou para o banco de reservas, viu Jeffrey derramando água na cabeça de Gabriel por ter jogado a chuteira dele para longe. 

anto05941
Pedro J. Busch

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#festival #slice_of_life #champion #portuguese #Football #romance #VCCP #brasil #school #escola

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