Lembro-me de quando vi o primeiro elfo na minha janela.
Quando você lê sobre elfos, imagina algo diferente. Menos esquisito. Quase bonito, talvez. Mas os verdadeiros… os que existem hoje pelo mundo… não têm nada disso.
Cabelos vermelhos.
Dentes pontudos.
Pele azul.
Altos. Altos demais.
Beirando os dois metros.
Vou te explicar como tudo começou. Não quero que você se perca. Afinal… este é o mundo em que vivemos agora, não é? Precisamos aprender a conviver com eles. Com os caras lá de fora. Do outro lado da porta de casa.
Os cientistas chamaram-na de Elf-008.
Uma vacina.
Ela foi criada a partir dos genes de uma salamandra recém-descoberta na China. Essas criaturas possuem células com capacidades regenerativas como nunca antes vistas. A vacina funcionou. Funcionou bem demais.
Mas havia algo ali.
Uma bactéria invisível.
Indetectável nos corpos das salamandras.
Ela passou para os humanos.
Depois, para os animais.
E agora… estamos aqui.
E eu?
Bom… estou infectado.
Zumbis. Mordidas. Sangue voando, espirrando para todos os lados. Essa é a minha realidade agora, preso nesta farmácia abandonada. Os Elfos — como chamamos os infectados — têm audição e olfato afiados, dignos de um predador. Mas a verdadeira arma deles são os olhos.
Sem os olhos, eles travam.
Entram em estado catatônico.
Ficam parados. Vegetando.
Sem mover um único músculo.
É aí que você age.
É aí que separa a cabeça do corpo.
Sim.
Arrancar a cabeça é a forma mais eficaz de matar essas coisas.
Vim buscar suprimentos. Reabastecer meu estoque. Achei que seria rápido.
Não foi.
Fui atacado por um elfo quadrúpede. Acredito que… um dia… ele foi um cavalo. Meu braço está pendurado. Não sinto meu corpo da cintura para baixo.
Mas eu sei.
Eu sei que vou me regenerar.
Corpo forte.
E isso me assusta.
Porque sei que isso vai fazer algo comigo.
Algo pior do que a morte.

Comments (0)
See all