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Escamas em um Morcego

Águas Calmas pt 1

Águas Calmas pt 1

Feb 11, 2026

As luzes da aurora desenharam o céu, e os tímidos raios solares invadiam a janela, iluminando todo o quarto. Reluzindo nas decorações de ouro e refratando luzes multicores nos cristais e cristaleiros do cômodo, o quarto recebia todo o vigor do astro diretamente.

O show de luzes gentilmente despertou a convidada que adormecia naquele cômodo, franzindo o cenho antes de lentamente abrir os olhos dourados. Talih estava prestes a se desesperar com a estranheza do cômodo onde se encontrava, até se lembrar dos eventos que a trouxeram para aquele lugar. O colchão macio parecia abraçá-la enquanto os lençóis fofos gentilmente a prendiam ali, mas Talih sentia que precisava despertar. Ela não poderia esquecer que era apenas uma convidada.

Talih sentou na cama e levou alguns segundos para se despertar totalmente, tomando esse tempo para lembrar de tudo o que ocorreu e também para admirar o quarto, se encantando com os reflexos coloridos vindos dos cristais e a luz do sol reluzindo nos decalques dourados das paredes, teto e até mesmo da própria cama. As suaves cortinas dançavam com a brisa da manhã, criando uma bela valsa de sombra e luz no recinto. Finalmente desperta, ela sorriu para si mesma e se levantou, indo prontamente arrumar a cama.

Toc toc.

— Bom dia, Senhorita! Está acordada? — Uma das empregadas chamou do outro lado da porta.

— Bom dia, estou sim. — Talih respondeu sorridente, até seu sorriso desfalecer, ela engolir em seco e acariciar suas mãos para se acalmar. — Aconteceu algo? — Perguntou com a voz trêmula.

— Está tudo bem, senhorita. Será que eu poderia entrar? — Respondeu calmamente.

— Sim, a porta está aberta. — Talih respondeu antes de se afastar da porta e voltar sua atenção para a cama.

A empregada entrou sorridente, sussurrando suas "licenças" e olhou para a nova hóspede com uma sobrancelha arqueada.

— Senhorita... O que está fazendo?

— Estou... Arrumando a cama. — Talih murmurou confusa.

A empregada pôs a gargalhar deixando a hóspede ainda mais perdida, que apenas parou ao lado da cama com as mãos junto ao colo, desviando seu olhar para todos os cantos do cômodo.

— Perdão, senhorita, desculpe-me ter me alterado desse jeito. — A serva diz recuperando o fôlego. — Mas esse é o nosso trabalho! Além disso, a senhorita está machucada. Pode ficar tranquila e ir se trocar, senhorita, o desjejum já lhe espera. — Diz a moça empurrando gentilmente Talih para o banheiro da suíte lhe entregando um vestido antes de fechar a porta, impedindo qualquer forma de protesto de Talih.

A moça de pele escura observou o cômodo onde estava agora, e seu olhar se desviou para o belo vestido em suas mãos. Ela se sentia pequena em um cômodo tão grande, ao se aproximar da pia e se deparar com o decorado espelho, ela pôde finalmente se ver: Os olhos inchados por conta de suas lágrimas na noite passada, o rosto cansado devido a exaustante corrida para sobreviver, junto com uma expressão abatida. Talih tirou um momento para respirar fundo e lavou seu rosto antes de se trocar, aproveitou e também molhou os cabelos para remodelá-los.

A mudança em sua feição foi notória, Talih sorriu para seu reflexo e suspirou, nada poderia feri-la ali, ela estava segura. Finalmente, ela deu uma boa olhada para o vestido, ele era longo de um tom creme rosado decorado com flores azuis e brancas, alguns babados na barra e fofas mangas bufantes. A garota o vestiu e se sentiu confortável com o que viu, ela achou arriscado tomar um banho naquele momento, se secar sozinha era muito complicado. Talih fez uma simples trança francesa em um dos lados de seus cabelos ondulados, novamente, ela fitou o cômodo enquanto sorria nervosamente, acariciando suas mãos e mordendo o lábio, enquanto piscava repetidamente.

— Senhorita, está tudo bem?

— Sim, estou bem. — Respondeu em meio a gaguejos e finalmente saiu do quarto.

A empregada arregalou os olhos e sua boca abriu um sonoro ‘oh’ ao vê-la, ao ponto de deixar as cobertas em suas mãos caírem.

— Senhorita!

Talih olhou para si mesma e voltou seu olhar para a jovem serviçal, achando que havia algo de errado nela.

— O-O que há de errado? O vestido não ficou bom? — Perguntou receosa.

O rosto da empregada estava corado e ao ouvir a pergunta de Talih, ela riu:

— Claro que não, pelo contrário, a senhorita está deveras linda!

Agora foi a vez de Talih se constranger com o comentário, a moça acariciou as mãos nervosamente enquanto reprimia um sorriso.

— Eu fico muito feliz em ouvir isso, obrigada. — Ela suspirou finalmente sorrindo, recebendo um sorriso em resposta da empregada.

— A propósito senhorita, eu sou a Ophelia, a Sra Leni me colocou à sua disposição para servir à Senhorita da melhor maneira possível, — Ela se apresentou de modo formal, se curvando, — Portanto, sinto que já está no momento de a senhorita ter seu desjejum.

Ophelia pontuou enquanto arrumava as camas e suas cobertas, depois, ela escoltou Talih para o corredor, assim como havia feito no banheiro.

Talih ficou parada no corredor encarando a porta fechada piscando algumas vezes e depois passou a olhar ao seu redor: O corredor revestido com tábuas de madeira escura era decorado por boiseries de carvalho belamente entalhados, com sombrias arandelas que lançavam uma luz tênue no local. Enquanto Talih caminhava sem rumo pelo longo corredor, ela viu alguns quadros muito belos, e uma parte de si adoraria investigar as técnicas de pintura usadas pelos pintores. E a medida que seus olhos percorriam o corredor, ele parecia mais e mais ter sido tragado pela escuridão, a luz do sol parecia proibida de entrar pelas poucas janelas… Porém a moça pensou que não poderia sair tirando suas próprias conclusões, e além disso, ela era apenas uma convidada, ela não poderia sair julgando o gosto arquitetônico alheio. Talih olhou para os lados tentando procurar por algo que indicasse a direção em que ela deveria ir, já que um detalhe que Ophelia esqueceu é que, Talih não conhece a casa.

E lembrando-se da empregada, a moça havia notado que Ophelia se mantinha nas sombras, como se fugisse do sol enquanto elas estavam no quarto, Talih queria ignorar essas acusações escabrosas e a distração prontamente veio junto com o cheiro agradável e aconchegante da sala de jantar.

A jovem convidada entrou no cômodo um pouco animada mas em compensação completamente faminta. Leni, a governanta, percebeu a chegada da jovem e prontamente se aproximou de Talih, para aconchegá-la em seu lugar.

— Bom dia, senhorita? Dormiu bem?

— Bom dia, Sra Leni, dormi muito bem, obrigada. E quanto a senhora? Espero não ter causado nenhum problema.

Leni sabia que a menina se comunicava bem, visto o estado que chegou, mas ela foi tomada de surpresa ao ouvi-la a responder como uma das moças da nobreza. A mais velha então, apenas sorriu e respondeu:

— A senhorita não causou nenhum tipo de problema, na verdade a sua presença muito nos agrada. Fico feliz que tenha perguntado e sim descansei muito bem. Agora, eu que preciso lhe perguntar senhorita, Ophelia lhe causou algum desconforto?

— De forma alguma! Ela foi muito do meu agrado. E esse vestido é maravilhoso, muito obrigada.

Talih sorria despretensiosamente enquanto caminhava ao lado da governanta até a mesa.

— E seus ferimentos, senhorita?

— Ah, me sinto bem melhor agora, sinto que mais tarde posso tirar as ataduras.

Após ela tomar seu assento, Leni se surpreendeu com a perfeita postura que se sentava, ainda próxima de seu assento, Leni disse apenas uma coisa antes de se afastar para deixá-la comer.

— Fico aliviada em ouvir isso, e eu já imaginava que este vestido seria admirável na Senhorita, entretanto, devo reconhecer que ele está verdadeiramente esplêndido. A Senhorita possui uma beleza distintiva que é reconhecível de longe.

E mais uma vez Talih ficou encabulada, ela era totalmente não acostumada a elogios, mas ainda assim, os aceitou de bom grado em seu coração e sorriu para si mesma enquanto fitava ora seu colo, ora o prato a sua frente.

Talih olhava confusa para a mesa farta, até que decidiu escolher algo não muito grandioso, não queria ser indelicada. Então ela apenas escolheu um brioche e uma fatia de bolo, logo após isso uma bela e ornamentada xícara de chá apareceu em seu campo de visão.

A menina ainda estava animada e esfomeada até que chegou a um impasse ao olhar para os pratos, onde não se encontravam o real problema e sim nos talheres distribuídos ao seu lado direito e esquerdo.

Talih mentalmente agradeceu ao seu escritor favorito, M.V. Abravontia, por sempre adicionar uma ou outra regra de etiqueta para incrementar mais o mistério no enredo da história, de onde ela tirou muito de seus maneirismos e vocabulário. A moça respirou fundo e apertando a saia de seu vestido, tentou ignorar os olhares curiosos para si, logo sua mão foi para o lado esquerdo do prato, tomando para si um garfo de sobremesa. Ainda um pouco receosa, ela cortou um pequeno pedaço do bolo e o levou até a boca, mantendo seus olhos no prato a sua frente.

O som dos sapatos sobre o piso de madeira anunciava a saída da última empregada, deixando a moça só. O último pedaço do bolo desceu com um gosto doce, mas logo se desfez em amargura, ela bebericou o chá, e encarando seu reflexo na xícara, distorcido pelo vapor, ponderou sobre a solidão que sentia à mesa, sensação esta que despertou uma memória que como um fantasma, pairou ao redor de si.

Uma simples mesa redonda posta apenas de biscoitinhos de açúcar e um copo de leite quente, o balanço do mar fazendo do barco uma ilha, e junto a ela na mesa, estava uma figura masculina alta e forte, saboreando o desjejum com ela. O pescador, aquele que simplesmente foi seu ninho quando ela não tinha nem uma folha para se abrigar.

Os olhos de Talih se desviaram, e o aperto em seu peito a queimava lentamente, como se ela estivesse tomando o calor da xícara para si. Ela detestava a ideia de ter ido embora sem avisá-lo. Será que ainda a espera no barco? Ou já se esqueceu dela? Mas Talih não tinha escolha, eles conheciam o caminho que ela tomava para ir até ao barco, se ela não trocasse de rota… Ela morreria.

A menina não percebeu que ficou longos minutos encarando a xícara, até a suave voz de Leni a chamar.

— Alguma coisa errada, Senhorita?

Por alguns breves segundos, Talih viu a figura do pescador na governanta, que tão rápido como veio, foi-se embora, deixando apenas o gosto amargo de alguém que ela sabe que não verá mais.

— Não… não. — Talih tentou procurar palavras para afastar aquelas memórias de si, e após falhar, decidiu apenas deixar a xícara na mesa e desconversar. — Só… É um pouco solitário, o Lord não vem comer?

Apesar da tristeza, nada mais poderia ser feito, ela fugiu e conseguiu sobreviver, isso que importa. E o pescador com certeza estaria feliz por ela.

— O Lord normalmente tem suas refeições em seu escritório, senhorita, ele não costuma sair de lá com muita frequência.

Talih respondeu com um leve ‘ah’, com uma mancha de desapontamento em sua voz, não gostaria de ter todas as suas refeições sozinha.

— Eu gostaria de agradecê-lo em algum momento, ele salvou minha vida, vocês salvaram minha vida. — Ela confessou com um sorriso, seus ombros caíram vagarosamente após isso, sua postura indicava leveza.

— Senhorita… Fico muito tocada com sua gratidão, tenho certeza que logo logo a senhorita poderá agradecê-lo em pessoa. — O sorriso de Leni era caloroso, quase maternal. — Bom, Ophelia cometeu o erro de deixar a senhorita vir sozinha quando ainda não conhece a casa, que tal uma apresentação pelo lugar? Se a senhorita quiser, é claro.

O rosto de Talih se iluminou, e assentindo, terminou seu chá, limpou a boca e se levantou, animada e alimentada.

Leni riu para si mesma, encantada com a inocência da menina.

— Senhorita, permita-me lhe guiar pela residência.

— Com todo o prazer!


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