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Marfim, Linho e Alabastro

Capítulo 15

Capítulo 15

Mar 20, 2026

Quis se explicar, mas não havia explicação. Inventara cenários em sua mente sozinho, tornara-se vítima deles por conta própria e fora afogar as mágoas no fundo da garrafa. Ridículo? Não. Seria elogio. Moleque. Mais infantil impossível, o que por certo explicaria também a irresponsabilidade. Estava meio frio quando desceram do carro no estacionamento subterrâneo, Cayden o deu o paletó sem que pedisse. Seguiu, atrás dele, como um moleque culpado. 

A camisa social marcava bem o desenho dos ombros dele, caso espremesse os olhos e a memória, quase conseguia mapear as principais cicatrizes escondidas sob o tecido. Cayden não era um desocupado para perder tempo com ele, não era nem um tarado ou maluco. Já Andrew… era toda aquela confusão. Entrou logo atrás de Cayden no elevador, que obviamente era espelhado. Estava com o pulso muito vermelho, a maquiagem borrada parecendo ter fugido de um show gótico, e a camisa branca toda suja. Puta merda estava parecendo um prostituto do lado dele. 

Passou a mão pelos cabelos e esfregou o lápis borrado no rosto um pouco, o que só piorou mais as manchas, mas ao menos tentara. Cayden arqueou uma sobrancelha, mas não disse nada. 

Tropeçou no corredor, mas conseguia andar surpreendentemente bem sozinho. Era um dos raros casos em que bebera tanto e misturara o álcool com tantas substâncias que ficava num estado quase sóbrio. O único som no corredor era o solado do sapato caro de Cayden batendo suavemente. O ruivo abriu a porta para ele e, então, o silêncio foi cortado pelo toque de celular. 

Andrew chegou a se sobressaltar, mas passou pela porta observando Cayden puxar o aparelho do bolso. Não sabia o que fazer ou onde se socar, mesmo odiando estar perto de gente ao telefone. 

— Oi, pai. — Cayden atendeu, apertando o botão de silenciar o microfone em seguida. — É melhor tomar um banho, tem umas roupas suas no meu quarto. — Fechou a porta ainda com o celular preso ao ouvido. 

Andrew acatou, seus músculos pulsavam tamanho cansaço e pegara-se ponderando as chances de ganhar uma das massagens de Cayden. Baixíssimas, claro, mas sonhar ainda era grátis naquele país de merda. Deixou o paletó de Cayden sobre a cadeira do melhor jeito que pôde, ciente de que ele não gostava de amarrotar as roupas de trabalho. 

— Estou ocupado, não. É pessoal. Não pode ser amanhã? — Andrew assimilou as palavras antes de entrar no banheiro, rezando para não ser nada urgente. 

Tirou a roupa sem muita cerimônia, deixando-as sobre o móvel da pia de qualquer jeito. Sabia que Cayden sempre pendurava as roupas ou deixava dobradas numa pilha, mas Andrew preferia só socar sua roupa suja em sacos e jogar na mochila quando voltava para casa. Resolveu tomar um banho frio, não queria gastar a água quente depois de dar tanto trabalho, e também precisava ficar sóbrio de verdade. Cayden não estava com cara de quem estava feliz com nada daquilo. 

Lavou o rosto até as bochechas arderem, na esperança de que a maquiagem finalmente tivesse saído, ou talvez vergonha retornado àquela cara. Suspirou, lavando os cabelos em seguida. Demorou muito naquele banho, porque assim que saísse de lá precisaria explicar algumas coisas para Cayden e não estava muito a fim disso. Por isso, embromou se esfregando, enrolou para se secar, gastou uma vida escovando os dentes para se livrar do bafo de tequila e só então saiu. 

Cayden tinha uma cômoda espaçosa, além do roupeiro de gesso abarrotado de ternos caríssimos. Na cômoda, a primeira gaveta era dedicada a uma ampla coleção de gravatas, a primeira fileira era inteiramente de gravatas brancas. Gelo, marfim, offwhite, palha, branco-neve, champanhe — e mais uma porção de cores que Andrew sequer enxergava diferença. Talvez Cayden fosse filho de esquimós. 

As duas últimas gavetas da cômoda eram dedicadas aos brinquedos, devidamente fechadas com chave por conta disso. Por fim, a segunda gaveta pertencia ao outro sub, Lincoln, que nunca deixava mais que um pijama e uma troca de roupas lá. Enquanto a terceira pertencia a Andrew, que deixara umas três mudas de roupa para trás àquela altura. Soltou um muxoxo, pensando mais uma vez que havia uma hierarquia por trás daquelas gavetas. Lincoln tinha a gaveta mais alta. 

Vestiu-se, por fim, pensando que não era filho único para ficar com aquele tipo de noia. Mas, talvez, justamente por ter uma irmã mais velha que se ocupasse tanto naqueles pensamentos. 

A cabeça doía e a boca estava muito seca, restava esperar que Cayden tivesse algum remédio naquela casa. Saiu do quarto, já notando algo estranho assim que pisou no corredor. 

— Não consigo nem imaginar… — Cayden falava baixinho. 

— Já é a quarta vez, Katherine acha que eles deveriam parar. É perigoso e exaustivo — respondeu alguém falando igualmente baixo, mas com voz mais grave. 

Estava descalço, então por certo ninguém teria ouvido a aproximação no corredor. Poderia, até, parar ali e ficar curiando a conversa, mas o tom e o conteúdo indicavam que não era da conta dele. 

— Cayden? — chamou por garantia, aproximando-se mais da sala, o corredor era curto, afinal. — Tem aspirina? 

Confirmou suas suspeitas ao finalmente vislumbrar o sofá. Mason White, atual presidente da sede Blake & White no país, pai adotivo de Cayden. Um pouco mais grisalho do que vira nas fotos, mas não parecia velho de verdade. Adam aparentava muito mais idade do que aquele homem. Ele fitou Andrew por um instante, antes de lhe dirigir um meio sorriso. Cayden, que estava sentado ao lado do pai, sorriu também. 

— Esse é o Andrew, pai. — Levantou-se. — E esse é meu pai, Mason, Andrew. 

Coçou a nuca, assistindo o Sr. White se levantar também. Era quase tão alto quanto Cayden e era cômico perceber que tinham aquele mesmo jeitinho plástico de sorrir com gentileza. 

— É um prazer — Sr. White estendia a mão na direção dele. 

Apertou, sem ter muito o que fazer ou dizer, e agradecendo a Deus por ter saído vestido do quarto. Normalmente ficava desfilando só de cueca pelo apartamento de Cayden. 

— O prazer é meu, Sr. White — disse sem jeito, a voz meio rouca graças a gritaria na boate. 

Cayden o disse que havia aspirinas no móvel do banheiro da suíte e que estava conversando algo com seu pai, Andrew não seria um bom jornalista se não tivesse notado o combo preocupação no velho. Olhos avermelhados, umas olheiras meio marcadas, cabelo desarrumado, roupas amassadas e aleatórias demais para alguém com tanto dinheiro. Agradeceu e voltou para o quarto com um copo de água. Bom, ele merecia umas horas consigo mesmo depois daquela confusão. 

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autoramjluna
MJ Luna

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