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Ilha das Mentiras

Capitulo 3 Posso conhecer seus amigos novos?

Capitulo 3 Posso conhecer seus amigos novos?

Feb 25, 2026

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Abuse - Physical and/or Emotional
  • •  Mental Health Topics
  • •  Physical violence
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Leve-me à igreja

Louvarei como um cão

No santuário de suas mentiras

Vou lhe contar meus pecados

Para você afiar sua faca

Ofereça-me aquela morte imortal

Bom Deus, deixe eu te entregar a minha vida

Take me to church - Hozier


Caminhou por duas horas, até chegar a casa de Cléo.

Meus pés estão latejando e estou molhado da garoa, devo tá igual gato escaldado!

 As colinas cercavam a pequena casa, afastada da cidade mais próxima e com duas horas de caminhada do vizinho mais próximo.

 Avistou as luzes da casa acesas.

 Uma casa comum de interior.

Paredes com chapisco incompleto, janelas e porta de madeira marrom, muro baixo ao redor com garrafas de vidro quebrado no topo.

Se aproximando do pequeno portão, viu que a tranca estava aberta, então entrou.

O jardim da Cleo está bem grande, agora além de samambaias nas treliças, ela enfeitou com orquídeas e temperos... As mudas que ela vende na feira devem estar fazendo bastante sucesso! Falei que ia ser um bom ramo, ela tem mãos de fada!

Igual Dolly com o salão de beleza, ninguém cuida de um cabelo igual ela, meu cabelo só não caiu com todas essas tintas por causa dela.

 Marley deve estar bem também, ela é a única mulher negra de cabelos brancos na ilha, deve saber como ser inclusiva com ele e respeitar suas diferenças pessoais por causa da prótese de perna.

 Vou ter me preocupado atoa e ainda vamos rir disso.

— Marley! Cleo! — Chamou batendo a porta.

 Acho que vou prender meu cabelo, está muito grande.

 Chamou novamente, as mãos ocupadas em enrolar o cabelo para cima, fazer uma curva e passar a mecha por dentro.

 A porta de madeira abriu para o interior.

Luzes amareladas iluminavam a casa, deixando o ambiente acolhedor, cheiros de lavanda e cebola com alho vinham do interior.

— Arco? — O tom incrédulo 

 Abaixou a cabeça desanimado com a forma de falar.

A chuva voltou a cair, dessa vez junto a pequenos granizos.

— Tava preocupada, sumiu naquela noite... esperei entrar em contato e... posso entrar?

 Marley olhou para dentro, a expressão de dúvida tomando seu rosto.

Ele está preocupado?

— Pode. — A apreensão em sua voz, deixando Arco inseguro.

— Licença.

 Caminharam até a mesa de plástico, o topo adornado por uma orquídea lilás, as laterais tinham cadeiras brancas simples.

Cleo pintou a casa toda de verde escuro, também está cheio de plantas em jarros presos no teto, nem sei o nome deles, mas achei bonitos.

Os quadros de gatos pretos, usando banheiro, cozinhando, cuidando do jardim e sentados nas cadeiras de plástico são engraçados.

Ela pinta bem.

A ideia de deixar os ambientes abertos, deixou aqui maior também, cozinha junto a sala, as outras portas devem ser banheiro e quartos.

Cléo não tem irmãos, mas ela insiste em dizer que alguém no orfanato disse que ela tinha uma irmã gêmea, de pele clara e cabelos iguais aos dela, mas que a gêmea ficou com os pais e ela foi mandada pro orfanato... Que coisa cruel, era melhor ela nunca saber disso, do que saber que foi rejeitada, descartada como um cachorro sem dono, talvez por isso ela goste tanto de gatos.

— Não vi o Boitata lá fora, ele está com Cleo?

Essa pergunta é melhor pra quebrar o gelo.

— Ah, ela levou ele pro novo terrário nos fundos, ele já tá muito grande pro aquário que você presenteou junto com ele.

Jiboias crescem mais rápido do que pensei.

— Ele deve tá bem mais vermelho agora. — Pensou em voz alta.

— Sim... — Marley olhou em direção ao relógio redondo ao lado da geladeira. — O que queria perguntar? Tenho certeza que não era sobre ele.

Respirou fundo, passou as mãos nas coxas.

Ele sempre fica na defensiva quando falo disso.

— Achei que tivesse precisando de ajuda... — A incerteza em sua voz.

 Como falo isso?

— Da sua ajuda? — Cruzou os braços.

 A aspereza desconcertou Arco.

 Piscou algumas vezes, passou as mãos no pescoço.

 Sinto meu rosto quente de vergonha.

 O tom pardo da minha pele vai esconder, mas estou arrependido de ter vindo?!

— Aconteceu alguma coisa? Eu fiz alguma coisas? — Inclinou o corpo para frente.

 Marley revirou os olhos.

— Apenas conheci alguém melhor, fiz novas amizades naquela festa e agora estão me ensinando um novo caminho. Um superior. — Olhou Arco da cintura a cabeça.

 Ele nunca tinha falado ou me olhado com tanto desdém.

— Posso conhecer seus amigos novos? — A gentileza em sua voz, pareceu deixar Marley angustiado.

Talvez isso volte a nos aproximar... Talvez eu só precise ser aprovado pelos novos amigos.

 Ele olhou para a porta a esquerda, que se abriu.

— Cleo? Achei que estivesse coitando do... — Sua voz foi abaixando a medida que ela começou a falar.

— Nossos amigos não gostam de gente assim, colorida, que usa roupas coloridas.... Você sempre está igual um carro alegórico, chamando todos essa atenção negativa. — As palavras de Cléo o entristeceram.

Eles nem me conhecem, como podem não gostar de mim?

— Mas vocês sabem que eu sempre uso roupas doadas ou compradas pelos meus pais adotivos, quando compro roupas eles jogam...fora. — A vergonha fez seu rosto aquecer.

 Eles... eles sabem, somos amigos há quantos anos?

— É, mas esse estilo... eles não aceitam e duvido que vão relevar você falar no feminino. — Zombou.

— Você não é uma mulher, nunca vai ser. — A frase de Marley, destruiu seu sonho.

Eu nunca quis ser... Eu quis, mas... Sei que mesmo com cirurgia ainda vai faltar algo... Já fiquei com alguns homens, achei que seria melhor do que com mulheres... Acho que problema é minha insatisfação pessoal... Talvez eu seja o Icaro.

— Eu... eu sei, só. Sempre falei assim, fui assim, porque agora sou o problema?

Marley e Cleo olharam de um para o outro.

Estou deixando meus amigos angustiados.

Lágrimas escorreram de seus olhos.

Cleo suspirou, puxou a cadeira direita.

— Você não é o problema... — Olhou para cima, a testa franzindo.

Observou Marley levantar, mancando até o fogão, de onde vinha o cheiro de alho e cebola, destampou uma das panelas, conferindo o conteúdo.

Cleo abaixou o olhar, tirou a toalha do cabelo, seus cabelos tingidos de castanho, caíram molhados por seus ombros.

Ela pintou o cabelo para ser aceita?

— Me falaram que preciso pintar o cabelo, que não é normal... Não é vontade de Deus... — Seu olhar subiu para o teto, então ela revirou os olhos. — Uma mulher na minha idade, com quase trinta anos, pintar o cabelo de branco e tentar imitar as anciãs. Que devo usar minha cor natural. — Seus olhos ficaram vermelhos.

Ela estava chorando?

— Mas Cleo, seus cabelos naturais... são brancos. — Falou com pesar.

Que amigos são esses que a constrangem assim?

— Meu cabelo branco era minha única esperança de encontrar minha irmã gêmea, já que essa mutação, hoje em dia é bem mais rara do que séculos atrás... Mas eu quero ser aceita também, me sinto bem quando estou cantando, quando ouço falar sobre um homem bom e gentil, esperando por mim... — Sua voz quebrou.

E agora?

— Apesar das afirmações contrárias do Ardiloso... — Marley se aproximou com três pratos, cobertos de macarrão com Champignon. — Dizem que ele era lá da igreja, desde a fundação, agora abriu uma outra no meio da floresta com outros amigos e está levando alguns jovens com ele... Conversei com ele algumas vezes, ele conta umas mentiras bem convincentes.

— E vocês acreditam nele? — Olhou de Marley para Cleo.

Cleo levantou para pegar os garfos que Marley esqueceu.

— Não duvido que algumas palavras sejam verdadeiras, até porque ele era de lá... Mas pelo que conversei com ele... Ele disse que eu não deveria usar prótese para parecer que tenho uma perna igual ao outros, que não preciso parecer, que posso ser quem eu quiser, que tenho que seguir meu coração... Fiquei com um pé atrás, porque a prótese apesar do desconforto, me trás mobilidade... E não posso pagar uma perna... Então será a que terei, mas quando descobriram isso na igreja, ouvi que era falta de fé e coisas que é melhor não falar... Ah, obrigado. — Ergueu as pontas dos lábios para sorrir para Cleo.

Ele não está feliz... Talvez esse Ardiloso esteja certo.

Sorriu para Cleo, quando ela entregou o garfo.

— Obrigada. — Sussurrou.

— Ele também disse que eu não precisava pintar o cabelo... — Marley a olhou surpreso. — Esbarrei nele na farmácia, disse que estava comprando um remédio para uma amiga... Isso me deixou confusa, porque Dolly me disse que ele falou que ela deveria usar perucas com cabelos grandes, porque está na moda cabelos até o quadril e os dela são um palmo abaixo do ombro. — Cléo se sentou e começou a enrolar o macarrão com o garfo.

— Ele parece bem confuso. — Acusou.

— Ainda não sei... Talvez os confusos sejamos nós... Sinto que somos apenas peças, no quebra cabeça deles... Ou peões que moldam como querem, sei lá. — Marley divagou.

Eles não estão felizes, mas não deixam de ir... Por que?

Esse amigo novo... É quem faz tudo isso valer a pena?

— Amanhã você vai saber. — Cleo avisou.

Sim.

— Agora vamos jantar, passei a semana toda trabalhando na loja de próteses e fazendo tatuagens por fora, estou exausto. — Marley pediu.

Oxi.

— Não falaram nada sobre isso? — Perguntou depois de engolir o que mastigava.

Falaram até da cor do cabelo e da perna, duvido que deixariam passar tatuagens.

Acho que nem sei mais como desenhar uma... perdi muito a prática depois das minhas.

— Disseram que esse tipo de arte não é bem visto, não é divino, que a origem é ruim, pagã... Também falaram sobre ser idolatria. — Suspirou.

Observou quando Cleo levantou, abriu a geladeira e pegou três garrafas com água gelada.

Agradeceram quando ela entregou as garrafas.

— Então que arte é boa? Se vocês que estão lá, não podem mudar o propósito dela?

Cleo e Marley se entreolharam, mas não souberam o que responder.

Esqueci que estava molhado, no meio de toda essa fofoca.

— Acho que deixei um rastro de água pelo caminho. — Admitiu encabulado.

Marley e Cleo olharam na direção da porta e riram.

— Pelo menos não foi de tinta, depois te dou um pano. — Cleo afirmou, jogando para Arco, a toalha que usou no cabelo.

Ela deve ter secado o cabelo e colocado a toalha.

Enrolou seu cabelo.

É o que temos para hoje.

— Use algum pijama meu pra dormir... Te empresto o de Gralha Azul. — Marley sorriu.

Acho que agora o clima está leve.

— Sabe que prefiro o Boto-Rosa. — Zombou.

Cleo gargalhou.

— Não consigo te ver engravidando alguém e vazando, você seria um pai coruja, não um turista. — Levantou com o prato vazio, buscando a panela.

Se algum dia eu tiver filhos.

— Duvido que eu vá ter algum, é difícil ter quando você é gay e impossível adotar quando aqui não tem orfanatos... Além do Cruz e Espada, que tem um processo burocrático, vigilância semanal, além de vários protocolos antes, durante e após a adoção. Até onde vi... Preciso no mínimo ter minha casa e ainda estou morando com meus pais adotivos... Apesar que me expulsaram tem alguns dias, então da rua, fui pra um "abrigo"... Ah, acho que pesei o clima. — Confessou encabulado.

— Eu... não sabia. — Marley disse.

— Foi antes de sairmos pra festa, queimaram minha coisas, quebraram outras, jogaram muitas fora e mandaram não voltar... Na verdade acho que é porque minha mãe adotiva descobriu que está grávida... Que irônico alguém que queria tanto uma vida, se desfazer tão fácil... Espero que seja uma mãe menos agressiva pro bebê. Enfim.

Suspirou.

— Sinto muito. — Cleo murmurou.

— Não sinta, não foi sua culpa. O único culpado sou eu por ter acreditado. E o pessoal do Cruz e Espada, por não ter pesado essa possibilidade.

Não é incomum alguém adotar, engravidar e devolver... Só não entendo como alguém que diz querer filhos, passa por um processo tão extenso, apenas para devolver os filhos que escolheu e disse querer... Devia ter algum peso... Um maior que os gerados por acaso... No caso dela, uma traição.

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