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Ilha das Mentiras

Capitulo 6 Aqueles noventa e nove rejeitados

Capitulo 6 Aqueles noventa e nove rejeitados

Feb 27, 2026

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Abuse - Physical and/or Emotional
  • •  Mental Health Topics
  • •  Physical violence
  • •  Suicide and self-harm
  • •  Sexual Content and/or Nudity
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Confissões de um milionário, estilo de vida dos famosos

Não há nada que eu não posso ter, você diz que parece incrível

Bem, mas eu trocaria tudo isso pela minha sanidade

Confessions - Lecrae


"Não chore meu amor, a mamãe está um pouco diferente agora, mas por dentro sempre serei colorida igual você"

"Era uma vez um rei muito bondoso e inteligente, que construiu casa para seus súditos, entregou gado para criarem e os ensinou a trabalhar o couro e lavrar a terra. Um dia esse rei, viu a maldade que seu povo fazia, a maneira que sorria ao agredir os mais fracos, as gargalhadas ao tocar em crianças e ver seu desespero. Ah, como o rei chorou, ele falou com seu povo várias vezes, mas as pessoas o ignoraram e as vitimas, passaram a ferir quem não tinha causado dor a elas. O rei irado com a injustiça, decidiu castigar seu povo, para que entendessem que seus atos tinham consequência terríveis e que ninguém deveria voltar a fazer essas maldades. Então o rei, encontrou entre as famílias do reino, uma família que apesar de suas maldades, tinha vontade de mudar, apenas não sabiam o que fazer. O rei se alegrou e começou a ajudar eles, construiu um projeto de navio, que seria um alerta para todos do reino, mas a população, ignorou o rei, zombou do construtor e seguiram praticando suas maldades. Até que um dia, a chuva caiu, nunca havia chovido no reino, porém não parou de chover até que as águas cobriram o reino. O rei bondoso, observou seu povo, que buscava agora sua ajuda e seus conselhos, não por arrependimento, não por curiosidade, não por amor, mas por medo das consequências terríveis e desta vez o rei os ignorou. Mantendo sua atenção, na família que o havia escolhido e no tempo certo, os guiou usando as águas, até um novo local, ensinou novamente eles a se alimentarem, os abençoou e orientou, dizendo a eles que criaria um arco nos céus, para ser o símbolo que o rei não enviaria chuva, para destruir seu reino, por causa da maldade de seu povo."

"Eu sou esse arco, mamãe?"

"Sim, meu amor, você é o sinal de Deus, para mim, que apesar do erro que seu pai e eu cometemos, ignorando ele a maior parte de nossas vidas, ele ainda confiava em nós o bastante para nós dar sua herança mais preciosa...você."

Passou as mãos pelas bochechas, limpando as lágrimas.

— Cosme e Damião, cadê meu doce? — Duas crianças gritaram parando a sua frente.

O menino pardo, de olhos castanhos, fantasiado de Saci Pererê, pulando em uma perna só.

A menina ruiva, pálida e com olhos fundos amarelados, fantasiada de Emília.

Atrás deles, o pai estava fantasiado de Jin Sakai vestido de Rounin usando máscara de Hannya, segurando um cesto de vime, pela metade com doces e a mãe fantasiada de Aloy com o traje Devoradora de Doença, carregava uma bolsa a tira colo e segurava duas muletas.

Sorriu para eles, colocando as mãos nos bolsos, tirou barras de chocolate que sempre carregava por causa da diabete.

— Que a proteção dos santos gêmeos, guie vocês! — Entregou três barras para cada um.

— Como é que se diz meninos? — O pai perguntou.

— Obrigado!

— Obrigada!

Os meninos correram em direção ao outro lado da pista, onde crianças fantasiadas de Turma da Mônica, Power Rangers, caçadores Pokemons, Dinossauro Rei e Smiliguido passeavam com seus animais - cachorros, gatos, araras, coelhos - fantasiados.

Esqueci que essa rua é fechada pro evento, mais tarde vai estar lotado antes de começar as músicas.

No palco improvisado, a Turma do Cocoricó cantava a abertura do desenho.

Grupos de crianças chegavam por todos os lados, a maioria desacompanhada de responsáveis, se aglomeravam próximas a banda de adultos.

— Fiquem onde posso ver! — O pai gritou indo atrás deles.

A mãe parou em sua frente, abriu a bolsa e pegou um pacote transparente, recheado por cinco churros e estendeu.

— Acabaram as paçocas e as rapaduras, mas ainda tenho esse. Obrigada.

Piscou duas vezes, aceitando o doce.

Ela está me agradecendo?

— Acabamos de passar por uma senhora, ela amaldiçoou os meninos e zombou de João por ter perdido a perna. — A voz embargada.

Ela olhou para trás, como se ainda visse a senhora.

Deve ser a esposa daquele pastor.

Revirou os olhos.

Tudo que sei do cristianismo é o senso comum: religião formada com base em mitos de outros povos, festas pagãs com sentido alterado, Deus cruel que aceita sacríficos humanos, membros hipócritas, rejeitam qualquer um que não se encaixe ao seu livro de regras, dizem ter um Aranduka verdadeiro, mas a verdade é relativa e depois de hoje, também os acho arrogantes, perseguidores e dignos de ser perseguidos pelo imperador, uma pena aqui ser tão esquecido, a ponto dessa ceita maldita estar crescendo de novo.

Tomara que todos os remanescentes sejam caçados e mortos!

Inclusive, vou eu mesmo denunciar eles... Quero ver o que vão dizer quando o imperador em pessoa vier exterminar eles!

A expressão rígida em seu rosto, vacilou quando a mulher chamou sua atenção com palavras gentis.

— Não se preocupe com isso, algumas pessoas são muito grosseiras.

Ela respirou fundo.

— Ainda assim, obrigada, meu marido com certeza diria o mesmo! — Ela se afastou.

Virando a embalagem em sua mão, de um lado o rótulo mostrava a data de ontem, 26 de Setembro de 2026, do outro lado estava escrito "Doces do Brasil" no topo e abaixo a frase "Até aqui nos ajudou o senhor! Cada doce vendido, parte do dinheiro é investido para a Ong Missionária 'Arco e Flecha', que trabalham cuidando de órfãos e resgatando crianças vítimas de abuso e tráfico."

Arco e Flecha...parece familiar, eles tem alguma ligação com o orfanato que cresci?

"Você ficará bem aqui, pode ficar o tempo que precisar ou ir embora após completar dezoito anos, mas se quiser ficar, podemos te ajudar com a faculdade de Desenho e Artes, mas não vou te obrigar... Acho que tô falando muito, né? Desculpe. Vou esperar sua resposta."

Essa foi a última vez que falei com Maria Adelina, também não falei com seu marido Luiz Francisco... devem me achar grosseiro por ter ido embora... aquelas crianças, não ficaria surpreso se o evento fosse promovido por eles e tivessem trazido as crianças para interagiram com outras e homenagearem seus heróis.

Lembro que eu tinha muito medo da Cuca e que todos os anos me fantasiava de Curupira.

Pena que fiquei poucos anos lá.. Eu não me sentia bem perto de ninguém.

Olhando uma última vez para todos, seguiu o caminho da rua, em direção ao campo de girassóis, caminhou na direção contrária a que veio e só parou quando ouviu o barulho do rio.

Ajoelhando ao lado do rio, abaixou as mãos em concha, pegando água e lavando o rosto.

Esse rio está cheio de Vitória-Régia, na última vez que estive aqui tinha bem menos. E essas flores amarelas, também não lembro delas.

Uma das folhas ergueu, parecendo empurrada por uma cumbuca, depois escorregou para trás.

Em seu lugar mãos pardas seguravam uma flor amarela, a água ondulou até revelar cabelos pretos lisos, interrompidos pela franja curta acima das sobrancelhas grossas e longas nas maçãs do rosto.

Seus olhos voltados para baixo, se ergueram, no mesmo tom amarelo da flor.

Ela sorriu, os dentes brancos e alinhados.

Se sentou, o tronco coberto apenas por cordas vermelhas trançadas na horizontal, cobrindo os seios médios até o umbigo, e seus longos cabelos soltos, boiando ao redor do quadril.

A parte inferior de seu corpo, terminava em uma longa e grossa nadadeira, as escamas escureciam do rosa em seu quadril seguindo para o vermelho escuro na ponta que balançava fora d'água, o degradê realçado pelas cordas trançadas na horizontal ao redor de seu quadril largo, onde a ponta dourada de adagas eram vistas.

Uma mulher triangular, ombros pequenos, quadris largos, olhos intensos, rosto jovem... Ela seria a musa de diversos artistas... Porém eu desejaria ser ela e não ter ela.

Os traços faciais pequenos e delicados, pelos finos nos membros, sem estrias, varizes ou falhas no cabelo volumoso... Além do ar inocente, apesar dos olhos de ressaca e os lábios grossos.

Ela parece o padrão de beleza inalcançável que Cleo e Dolly tanto falam... Além de ser alta, sem parecer desengonçada, igual elas dizem se sentir.

— Pode ficar aqui comigo, não precisa ir embora, gosto da companhia de jovens perdidos. — Sua voz melodiosa, enquanto sorria.

Soltou a flor.

Ela escolheu o jovem errado.

Olhou para seu cabelo, um girassol crescia lentamente, acima da orelha esquerda atraindo sua atenção.

São minhas flores favoritas.

— Posso te mostrar flores bem mais atraentes, que este simples girassol. — Sorriu.

Ela quer parecer acessível para pessoa errada.

Se levantou, virando de costas para ir embora.

— Espere! Não quer saber se existem mais iguais a você? Posso dizer o caminho?!

Ouviu o barulho da água, se virou para olhar, ela levantou, a cauda a erguendo, se tornando pernas grossas.

Esse conjunto de roupas trançadas, o vermelho para atrair, as pinturas de seu corpo em vermelho, seria ótimo para um cara sem noção, alguém procurando desculpa para trair ou uma lésbica tóxica, mas para mim, ela e essas pedras, são iguais.

— Onde?

Ela parou a sua frente, a altura diminuindo, até ser uma cabeça mais baixa.

Não temos mais a mesma altura... Quer parecer frágil?

— Basta me seguir, vou te levar a Festa das Cores, será meu convidado! — Apoiou a palmas das mãos em seu peito.

Segurando em seus pulsos, a forçou a tirar as mãos, mas elas não saíram do lugar.

— Não gosto de ser tocado. — Avisou.

— Não gosta de mulheres com curvas? Posso reduzir meu corpo, me tornar infantil, se quiser. — Sua voz ficou mais fina.

— Não! Apenas... Não gosto de mulheres... Não assim. — Suspirou frustrado.

Ela gargalhou.

— Não é um problema! — Sua voz engrossou.

Os seios diminuíram, os ombros ficaram espaçados, seu corpo torneado e então mais magro.

Ela deve estar copiando meu rosto e seguindo meu olhar para alterar, melhor não observar o quadril com tanta atenção.

Sei que era uma mulher, mas agora estou confuso, ela é um homem? Gosto de mulheres agora?

— Posso usar a aparência que você quiser, tudo para te agradar! Aumentar ou diminuir. — Sussurrou em seu ouvido, o tom áspero.

Se afastou, olhou para o lado.

Espero que ela não tenha visto que fiquei arrepiado.

Isto é bizarro a um nível que não consigo raciocinar.

E sempre fui ótimo em matemática, sempre foi minha matéria preferida.

Nenhuma surpresa ou enganos, apenas fórmulas e respostas.

— Não precisa esconder, sei que sou atraente! — Se virou, dando uma volta completa. — Homem ou mulher, independente da idade, posso ser melhor que qualquer um. — Piscou.

— Po-podemos ir? Está anoitecendo. — Ergueu os olhos para o céu.

Os minutos dourados nessa pele, nesses olhos, tem um efeito totalmente diferente de antes!

Respirou fundo.

Ele gargalhou.

— Certo, certo... Acho que você não iria querer fazer nada aqui mesmo. — Se virou.

Observou suas pernas caminhando.

Os desenhos parecem veias, talvez seja algo sobre circulação ou força.

Ao redor deles, a floresta estava silenciosa, exceto pelo despertar dos animais noturnos, que piavam, rugiam, grasnavam e coaxavam a volta, mas todos pareciam evitar eles.

Talvez saibam de algo que não sei.

Além de estar seguindo um personagem folclórico que nunca acreditei que existia.

Pode ter algum predador novo por ai... Um alienígena talvez... Antes eram comuns nessa região.

— Quem é você? — O tom incerto.

Ele olhou para trás.

— Não tenho um nome, apenas escolho algum nome bonito e uso ele... Pode me chamar de Ipupiara se quiser, sou muito conhecido por este nome. — Virou a cabeça de volta.

Então o folclore é real.

— Achei que você fosse uma lenda, algo contado para amedrontar as crianças a não irem para longe e serem sequestradas por adultos maldosos ou uma forma de esconder a violência destes adultos. — Moveu os ombros para frente.

Então a outra aparência dele, dela, deve ser Iara... Estou mais confuso do que quando passei a gostar de homens.

— Sou mais real do que você... Estive aqui antes de você nascer e provavelmente vou estar depois da sua morte, mas podemos nos ver depois que morrer, não é meu departamento, mas gosto de espiar os meus, coisa meio sado sabe? — O tom brincalhão.

Tenho medo de saber o que ele considera sado e o quanto disso tudo é verdade ou mentira.

— Como virou uma sereia? Ou um tritão.

Piscou os olhos.

— Eu era um guerreiro, filho de alguém importante na minha aldeia, mas minha mãe era apenas uma escrava, então meus irmãos, quando perceberam que eu era mais inteligente e lutava melhor, que meu pai estava me entregando honras militares, territórios e escravas, planejaram me matar. Esperaram meu pai estar distraído com seu harém... o que não foi difícil, após ele capturar escravos mirins, estava interessado em conseguir soldados ou moedas. Então eles batizaram meu vinho e acordei na praia, onde me espancaram e depois jogaram no fundo do mar. Era lua cheia, meu sangue atraiu predadores, mas minhas lágrimas atraíram uma mulher albina, ela curou minhas feridas e me deu meus poderes. Me disse para encontrar outros que precisasse de ajuda e ajudar, que seria o pagamento dela.

Uau.

Isso parece bem surreal.

— Desde então tenho vagado entre as nações, sempre próximo as águas, ajudando a todos que me pedem um desejo... Aos que não querem nada, trago eles para lugares assim, onde podem seguir seus corações e serem tão felizes, amados e aceitos quanto quiserem!

Escutou o som ritmado dos instrumentos de percussão, o bater de palmas, gritos e alguém cantando.

— Quando me achou, Iara dançou e rodou, em suas mãos, me refiz e fui feliz!

— Quando Iara me achou, dançou e rodou, feliz!

O som das palmas e pés.

— Corri de Ipupiara, tive medo e me desfiz!

— Corri de Ipupiara, tive medo e me desfiz!

Gritos eclodiram.

— Iara me mudou, bondade mostrou e Ipupiara reinou!

— Iara me mudou!

— Ipupiara reinou!

— Agora danço e canto a senhora das águas que me salvou!

— Agora danço e canto ao senhor das águas que me salvou!

Passou pelas últimas árvores, observando as pessoas espalhadas em roda, homens e mulheres tocando e cantando, enquanto outros dançavam no centro da roda, palmas e pulos acompanhados pelo tocar de pequenos instrumentos que seguravam nas mãos ou levavam nos tornozelos.

Estão todos vestidos de Iara e Ipupiara, magros, gordos, altos, baixos, jovens, adultos...E... Todos eles tem o cabelo colorido igual ao meu....

Sentiu seus olhos arderem, lágrimas escorreram, seus joelhos falharam e precisou agachar.

Pegando o inalador, usou.

Cabelos lisos, ondulados, cacheados, crespos... Corte militar, chanel, em V, camadas... Nunca pensei que isso fosse possível!

— E hoje chegou, mais um pedaço do nosso amor, espaço se fez para outro que se desfez. — Ipupiara cantou, pulando no meio do grupo.

Todos gargalharam.

Sorrindo passou por entre as árvores, sem perceber que suas roupas haviam mudado, estava vestido igual a ele, com as mesmas pinturas.

E quando a música recomeçou, cantou com todos ou outros noventa e oito, rejeitados por religiosos e aceitos por quem prometeu que só queria agradar eles.

— Iara me mudou, bondade mostrou e Ipupiara reinou!

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cristinaekballo

Creator

Teria coragem de se refazer?

(precisei cortar algumas frases por causa do limite máximo, a versão completa está no Fireplume)

#folclore #folclore_brasileiro #Iara #sereia #Fantasia #Amor #musica #aventura #terror #Rejeitado

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