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Raposas Sonham com Gatos?

SEGREDOS SUBMERSOS

SEGREDOS SUBMERSOS

Mar 03, 2026

S-2857 • L9 Fluxluna • D08 Lilibe

(eq. gregoriano, 27/12/2112)

“Fluxluna corre em fio de brilho vivo.
Lilibe derrama luma em curva suave.
A maré canta claro no ar da cidade. A história tece caminho em corrente leve.”

NAGASAKI

Arranha-céus de néon erguiam-se como sentinelas da cidade.

Kūchū no Kyūden, Palácio Flutuante, elevava-se acima de tudo.

Mizukagami, Espelho d’Água, pulsava no centro agitado.

Kurayami no Sora, Céu da Escuridão, afundava na base, trevas rastejavam.

Hologramas flutuavam sobre ruas estreitas e antigas, formando um caleidoscópio de luzes fosforescentes e sombras corespirais.

Vidro e metal policromados quase engoliam os templos e casas de madeira.

Relíquias de um passado sufocado.

Cicatrizes das guerras corporativas.

Corridas tecnológicas abriam-se nas favelas iluminadas.

E-pichações e grafites vibrantes pulsavam em detritos e telas hackeadas.

As ruas fervilhavam.

Mercenários.

Hackers.

Comerciantes.

Artistas.

Moradores.

Turistas.

Vestiam uma fusão de tradição.

Quimonos adornados com circuitos.

Tramas de nanites.

Implantes luminosos.

Pixels dançando sobre tecidos de LED.

Aerocarros deslizavam pelas aerovias.

Drones vigiavam.

Entretinham.

Adwares pipocavam como enxames digitais.

No alto, Kūchū no Kyūden abrigava uma natureza rara.

Nanoplantas e metárvores dominavam.

Simulacros frios de um verde extinto.

Abaixo, encoberta pelos gigantes de vidro e aço, estendia-se a Praia de Kaigan, em Tairamachi.

As águas refletiam as luzes artificiais das plataformas oceânicas.

Torres de controle climático.

Pontilhavam o horizonte como estrelas mortas.

Areia formava um mosaico de metapartículas:

Resíduos da exploração industrial.

Biotecnologias experimentais de modificações ambientais.

Um chão de cicatrizes.

Ondas oscilavam entre um esmeralda radioativo e azul neon cintilante.

Deslizavam sobre poluições digitais.

Detritos tecnológicos.

Restos de drones.

Partes de androides.

Engrenagens de robôs enferrujadas.

Gotas pingavam em hologramas difusos.

As barracas de comida arrastavam-se como vultos entre palmeiras murchas.

Luminárias tremeluziam sob a neblina roxa pixelada.

O fedor de frituras queimadas.

Lixo marinho oprimia os pulmões.

Impregnava-se na pele como miasma viscoso.

A brisa salgada incutia um travo ferruginoso na língua.

Vestígios da corrosão ácida.

Pescadores, rostos sulcados pelo tempo.

Mãos calejadas.

Tentavam a sorte em águas cada vez mais escassas.

Olhos vazios refletiam a luta por vidas sempre além do alcance.

Ao entardecer, os hologramas falhavam ao acender.

A música camuflava a apatia.

A festa continuava.

Ecos de risadas ressoavam no ar.

Algumas ocas.

Vazias como ecos sem alma.

Tosses rompiam o fluxo.

Marés vinham e voltavam.

Traziam suplícios dolorosos de passados, presentes, futuros.

Hikaru brincava.

Pulava entre pedras umedecidas.

O musgo traiçoeiro escapou sob seus pés.

Escorregou.

O impacto veio rápido.

O frio da água subiu até seus joelhos.

Uma caverna.

Esfregou a cabeça dolorida.

A pele arranhada ardia.

Tateou o entorno.

Buscou apoio nas rochas escorregadias.

Procurava maneiras de voltar para o exterior.

Tropeçou.

Seus dedos encontraram algo.

Um quadrado marrom tremulava água abaixo.

Pegou o objeto.

Girou nas mãos, sentindo o peso do tempo nele.

Caderno envelhecido.

Capa de biocouro.

Folhas amareladas.

Encharcadas.

Poderia ser lixo para muitos, porém o coração e os olhos de Hikaru reluziram diante daquele tesouro.

Nem ousou mexer muito.

Temia despedaçar as páginas frágeis.

Enfiou-o debaixo das roupas.

Protegia-o da umidade.

Subiu nas paredes da caverna.

Apoiou-se e subiu na pedra.

Mais um impulso.

Então, de volta à superfície.

Correu para casa.

O atrito do biocouro molhado contra sua pele o empolgava.

Ao entrar, encontrou a mesma cena de sempre.

Sua mãe, desmaiada no sofá.

Centenas de injeções de neoheroína acumuladas em pilhas sobre a mesa.

Hikaru seguiu direto para seu quarto.

Colocou o caderno onde o ar circulava melhor.

Virou as páginas uma a uma.

Com cuidado.

Dedos deslizavam delicadamente sobre as folhas úmidas.

Seu trabalho levou horas, mas foi recompensado.

O caderno revelou-se um diário.

Ele só desconhecia tudo, bulhufas.

Nada fazia sentido.

Letras curvas.

Símbolos intricados.

Desenhos como padrões indecifráveis.

Que língua era aquela?

Uma mensagem oculta esperando para ser decifrada.

Tinha que descobrir.

Seu único acesso à internet era pelo Senhor Saito.

Mas, a essa hora, o velho cochilava.

Hikaru já pedira tantas vezes para usar o terminal.

Todas negadas.

Pouco importava.

Tinha que desmascarar a linguagem.

Aqueles símbolos e desenhos chamavam por ele.

Ele precisava atender.

Esperou o anoitecer.

A mãe acordou apenas para fazer a janta.

Logo se entupiu de neoheroína de novo.

Capotou no quarto.

Hikaru esgueirou-se pelas ruas até a casa de Aio Saito.

O velho carregava uma expressão permanentemente sisuda, como esculpida em rocha.

Cabelos brancos desgrenhados.

Olhos pequenos, afundados, azul opaco.

Sempre desconfiados.

Vestia suéteres puídos, calças largas.

Sua casa destoava das demais.

Janelas empoeiradas.

Ervas daninhas devoravam o jardim.

Ao redor, as outras residências definhavam.

A maioria vazia. Abandonada.

Penumbras do que um dia foram.

Os moradores partiam.

Buscavam lugares mais promissores.

Ocasionalmente, um latido rompia o silêncio.

Farfalhar das folhas.

Vento sussurrando risadas infantis inexistentes.

O computador de Saito ficava em um cômodo escondido, porém Hikaru sabia de uma janela.

Por acaso, do tamanho exato dele.

Ele só precisava subir no telhado do vizinho.

Pular entre as casas.

Destravar o fecho…

A cabeça rodou.

Determinação queimando.

Nem pensou.

Seus pés sabiam onde pisar.

Instintos o guiavam.

Um ruído distante encobriu seu passo fora do tom.

O zéfiro dançou ao seu redor quando saltou entre os telhados.

Pousou como um gato furtivo.

O fecho abriu-se sob seus dedos com familiaridade.

Já era acostumado.

O silêncio reinava.

Tinha que ser mais silencioso que a própria quietude.

Um passo de cada vez.

Alcançou o computador.

Clique

A holotela abriu.

Escaneou o caderno.

A IV analisou:

Sugere ser um diário de uma cientista francesa sobre quantum-nanotecnologia.

Francês?

O grunhido veio de perto.

Hikaru congelou.

Depois, disparou.

Olhava apenas adiante.

Mal dormiu naquela noite.

Nos sonhos, vislumbres de pilhas e pilhas de livros.

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