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Huskcomet (BR Mix)

ATO 1 - EPISÓDIO 4

ATO 1 - EPISÓDIO 4

May 03, 2026

HUSKCOMET

ATO 1: O NOME DELA É JANE

Episódio 4 — A Caixa de Correio, a Borboleta e a Nota de Desolação


A rua estava vazia.

Não o tipo de vazia que acontece quando as pessoas saem para trabalhar. O tipo de vazia de Halloween — quando as crianças ainda não saíram pra pedir doces e os adultos ainda não saíram pra distribuí-los, e existe essa janela específica onde o mundo parece ter ido embora sem avisar.

O vento soprava folhas secas pelo asfalto úmido da chuva recente. O céu estava cinzento com a qualidade específica de céus que ainda estão decidindo se vão ou não chover de novo.

Jane chegou até a CAIXA DE CORREIO. Abriu a portinhola.

Vazia.

O vento assobiou. Uma folha passou pela calçada com propósito inexplicável.


Jane olhou para o céu cinzento.

Depois para a caixa vazia.

Depois para o céu de novo.

O Narrador, que havia estado quieto até agora, sentiu que era um bom momento para contribuir:

As ruas estão vazias. Ventos roçam o vazio, deixando os vizinhos longe, como se estivesse passando pelo fundo de uma cana vazia — ou, nesse caso, uma caixa de correio saqueada.

Uma nota familiar é produzida. É a nota que a desolação toca para manter seu instrumento afinado.

É seu décimo-nono aniversário, e com todos os dezoito precedendo esse, algo parece faltar em sua vida. O jogo que está te iludindo é apenas o mais recente truque de prestidigitação no repertório de uma charada invisível — um para engendrar um sentido não de alegria, mas de falta.

Seus esquemas grosseiros são menos de uma brincalhona do que de uma simples ladrã. Sua charada é a própria ausência. É um mistério completo o seu dispersar, que nem o reflexo pálido da lua, mesmo com um seixo de inquérito derrubado em um ponto preto.

"Ausência diminui pequenas paixões e aumenta as grandes, assim como o vento apaga velas e sopra o fogo." — Adam Sandler

Sim. Você tem certeza que Adam Sandler disse aquilo. Cem por cento de certeza.

Você tem o pressentimento de que será um longo dia.


Jane suspirou, enterrou o rosto nas mãos por dois segundos — a quantidade mínima de tempo necessária para um momento de desespero existencial adequado — e depois levantou a cabeça.

O TELEFONE TOCOU.

— Alô? — ela atendeu com o cansaço específico de alguém no décimo telefonema do dia.

— JANE...

A voz era distorcida. Ecoava. Como se viesse de um poço fundo ou de uma cabine de dublagem com reverb excessivo.

Jane revirara os olhos antes mesmo de pensar.

— Tá legal, tio Varik, eu sei que é você.

— JANE...

— Estou fazendo 19 anos hoje. Eu não caio mais nessas coisas bobas. Você tem que entender isso, tio.

— JANE... ACHE A BETA...

— Como assim?

— ACHE A BORBOLETA...

— Como assim borboleta? — Jane estava com o telefone longe do ouvido, olhando para a tela como se esperasse que a interface revelasse a identidade do ligante. — Do que você tá falando, moço?

— ELA IRÁ LHE MOSTRAR O CAMINHO...

A ligação caiu.

Jane olhou para o telefone.

Olhou para a rua vazia.

Então viu.


Uma BORBOLETA AZUL BRILHANTE pairava no ar a alguns metros dela, como se estivesse esperando ser notada. Sua aparência não era natural — era etérea, feita de luz mais do que de matéria, as asas pulsando com uma luminosidade que não combinava com um dia nublado de Halloween.

Era linda.

Era absurda.

Era completamente real.

— Uau...

A borboleta começou a voar. Devagar, deliberada, em direção à casa. Jane seguiu sem pensar — que é exatamente como você age quando uma borboleta sobrenatural aparece depois de uma ligação de voz distorcida no seu décimo-nono aniversário. Você simplesmente segue.

A borboleta contornou a parede lateral da casa e pousou na JANELA DA COZINHA.

Onde havia um PACOTE VERMELHO brilhante que definitivamente não estava ali antes.

O sorriso de Jane começou no canto da boca e foi crescendo até tomar conta do rosto inteiro.

— AAAHA!

Ela olhou para cima, para o céu cinzento, com os braços abertos.

— EU SABIA QUE TAVA COM ELA!


Jane entrou na cozinha com o mesmo cuidado de uma porta arrombada.

A MÃE DE JANE estava parada perto da bancada, segurando um bolo de aniversário decorado com velas. Tinha um avental. Tinha uma expressão doce. Os olhos brilhavam com uma qualidade que poderia ser carinho materno ou poderia ser algo completamente diferente — era difícil dizer.

O pacote vermelho estava na janela, ao alcance de Jane.

Havia apenas o espaço de uma cozinha entre elas.

Jane avaliou a situação. Equipa os ÓCULOS DE DISFARCE. Verifica o inventário. Mão no martelo.


╔══════════════════════════════════════════════════════╗
║                ◈  COMBATE INICIADO  ◈                ║
╠══════════════════════════════════════════════════════╣
║  JANE MILLER vs. MÃE DE JANE                         ║
╠══════════════════════════════════════════════════════╣
║  Jane  HP: ???  │  ARMA: Martelo (Cabeça de Aço)     ║
║  Mãe   HP: ???  │  ARMA: Bolo de Aniversário (???)   ║
╠══════════════════════════════════════════════════════╣
║  ⚠ AVISO: Estatísticas da Mãe desconhecidas.        ║
║     Proceder com cautela. Ou não. Provavelmente não. ║
╚══════════════════════════════════════════════════════╝

— Quer um pedaço de bolo, querida?

A voz da Mãe de Jane era suave. Carinhosa. A voz de alguém oferecendo bolo que não tem absolutamente nenhuma razão para ser recusado.

— Não, obrigada!

— Vamos, só um pedacinho?

A Mãe de Jane deu um passo à frente. O bolo estava elevado como uma oferta. Ou como um projétil. As duas interpretações eram válidas.

— JÁ DISSE QUE NÃO!

A Mãe de Jane abriu seu próprio INVENTÁRIO.

Jane não sabia que mães tinham inventários. Isso foi uma surpresa.

O que saiu do inventário foi mais surpresa ainda: BOLOS. Bolos inteiros. Tortas. Cupcakes. Voando em direção a Jane com velocidade e precisão que não condiziam com a estética maternal de avental e velas de aniversário.

Jane desviou. Rolou no chão. Um bolo explodiu na parede atrás dela, creme voando em todas as direções com o som satisfatório de confeitaria projetada contra drywall.

— NOSSA, MÃE! DESDE QUANDO VOCÊ SABE LUTAR?!

Um cupcake passou pelo seu ouvido. Jane se jogou atrás da ilha da cozinha.

Então a Mãe de Jane simplesmente apareceu à sua frente.

Não caminhou. Não correu. Estava longe e depois estava a centímetros de Jane, como se o espaço entre os dois pontos fosse uma questão opcional.

— BOMBAS DE FUMAÇA. AGORA.

Jane lançou as quatro bombas de fumaça no chão ao mesmo tempo.

A cozinha desapareceu.

Uma nuvem branca e espessa engoliu tudo — bancadas, bolo, mãe, visão. Tosses vieram de algum lugar na fumaça. Passos confusos circularam. Algo que parecia um cupcake colidiu com algo que parecia uma geladeira.

Jane, com os óculos de disfarce salvaguardando a maior parte do seu rosto, caminhou na direção aproximada da janela.

Sua mão encontrou o PACOTE VERMELHO.

— Perdão, mãe!

Ela correu pelas escadas.


╔══════════════════════════════════════════════════════╗
║              ◈  RESULTADO DO COMBATE  ◈              ║
╠══════════════════════════════════════════════════════╣
║  JANE: Sobreviveu. Levemente coberta de fuligem.     ║
║  MÃE: Status desconhecido (fumaça ainda presente).   ║
╠══════════════════════════════════════════════════════╣
║  ITEM OBTIDO: Pacote Vermelho Brilhante              ║
║  Conteúdo: A BETA DO JOGO AETHERIUM                  ║
╠══════════════════════════════════════════════════════╣
║  BOMBAS DE FUMAÇA: 0/4 restantes                     ║
║  ÓCULOS DE DISFARCE: danificados (bolo + fuligem)    ║
╚══════════════════════════════════════════════════════╝

O quarto de Jane.

Ela bateu a porta. Encostou nela por um segundo, respirando.

Depois ergueu o pacote vermelho sobre a cabeça.

— FINALMENTE PEGUEI A BETA, GALERA!

O quarto estava vazio. Não havia galera.

— E eu tô bem, — ela acrescentou para o quarto em geral, sentando na cama e recuperando o fôlego, — obrigada por perguntar, tá.

Ela olhou para a capa da beta. O nome estava lá em letras que tentavam parecer épicas: AETHERIUM. A arte da capa exibia um guerreiro com uma espada de fogo e um dragão mal desenhado ao fundo, com a energia de algo que foi encomendado com orçamento de três dígitos.

— A capa parece bem tosca, hein?

Pausa. Ela olhou para o pacote. Olhou para o quarto.

— Ei... e se eu não jogar?

Todos os dispositivos do quarto tocaram ao mesmo tempo.


[CHAT LOG: MÚLTIPLAS MENSAGENS — SIMULTÂNEAS]

COLBY PARKER: おい、兄貴、何も変わらないってば。俺、そんなのやらないよ、無理だろ? (Cara, não muda nada. Eu não vou fazer isso, não rola?)

CLAIRE ADAMS: Jane, seja feliz e instale o jogo.

KEITH STEVENS: Ignora o Colby, Jane! BORA JOGAR!

KEITH STEVENS: Já pensou nas aventuras que podemos ter juntos?

JANE MILLER: Quando você fala assim, Keith, até parece que você sabe o futuro.

JANE MILLER: BELEZA, TODO MUNDO! ABRINDO A BETA EM...

JANE MILLER: 3...

JANE MILLER: 2...

JANE MILLER: 1!!!


Os quatro abriram a beta ao mesmo tempo.

Jane no quarto cheio de bolos. Keith em algum lugar que seria revelado mais tarde. Claire perto de um gerador que acabava de voltar. Colby numa festa de Halloween com um banquete a ser adquirido.

Cada pacote emitiu uma LUZ BRANCA que não estava nos requisitos de sistema de nenhum jogo que qualquer um deles já tinha instalado.

A luz cresceu.

Cresceu mais.

E os engoliu.


Jane caiu no escuro.

Não havia chão. Não havia paredes. Havia apenas a queda — o som dela, a sensação dela, a duração dela que parecia longa demais para ser uma queda normal e curta demais para ser um sonho.

Depois: luz. Suave e dourada.

Jane estava deitada de bruços num campo de GIRASSÓIS AMARELOS que se estendia até o horizonte em todas as direções. O céu era de um azul que não combinava com nenhum céu de Halloween — vibrante, limpo, exageradamente bonito como um céu que não estava tentando ser sutil.

Ela se levantou devagar. Esfregou a cabeça. Olhou ao redor.

Girassóis. Céu. Vento morno.

Um mundo diferente. Colorido, estranho. Familiar do jeito que sonhos são familiares — sem razão específica, mas também sem dúvida.

— Onde... onde eu estou?


No horizonte, algo esperava.


╔══════════════════════════════════════════════════════╗
║               ◈  FIM DO ATO 1  ◈                     ║
╠══════════════════════════════════════════════════════╣
║  PERSONAGENS INTRODUZIDOS:                           ║
║  • Jane Miller — Exorcista Amadora, Cinéfila         ║
║  • Keith Stevens — Amigo Barulhento                  ║
║  • Colby Parker — Bilíngue Misterioso                ║
║  • Claire Adams — Calma em Situações Erradas         ║
╠══════════════════════════════════════════════════════╣
║  QUESTÕES EM ABERTO:                                 ║
║  → Quem era a Voz Misteriosa?                        ║
║  → O que é AETHERIUM, de verdade?                    ║
║  → O que há no horizonte dos girassóis?              ║
║  → O que havia de errado com a mãe de Claire?        ║
╠══════════════════════════════════════════════════════╣
║  PRÓXIMO: ATO 2 — O mundo começa a ser explicado.   ║
║  Ou o oposto disso.                                  ║
╚══════════════════════════════════════════════════════╝
neoakabane3
Amanda Radiation Cat

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#Fantasy #Action #comedy #brasil #Brasileiro #science_fiction

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