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Secrets - Versão em Português

CAPÍTULO UM - SAN

CAPÍTULO UM - SAN

Jul 25, 2026


“If I get lost, I can find myself in your place. The city of angels, where my baby is waiting for me. The place where I can fly and feel the real love.”

City of Angels - NEIGHTZ





   Viajar para outro país era tão… solitário.

    Não tinha o Jihoon entrando a todo momento no meu quarto para me mostrar algum meme novo, ou o Hongjoong buscando qualquer oportunidade de pregar uma peça. Minjae não fazia sua voz fantasmagórica para tentar me assustar durante a noite, tão pouco o Junseo gritando e pedindo por uns minutos de paz porque Jihoon com certeza estaria causando algum caos no quarto do hotel.

   Já tinha estado em Londres antes, mas a sensação em meu peito me fazia ter a impressão de que aquela fosse minha primeira viagem internacional. O vazio não era totalmente ruim, já que o calor ali me trazia certo conforto, me deixando levemente animado ao observar as luzes da cidade naquela noite. Ainda assim, a estranheza estava ali, como quem tentasse se esconder nas sombras criadas pela luz amarelada do poste ao meu lado.

   Mesmo que Aiko tenha me aconselhado a dormir cedo e evitar sair do hotel — especialmente sem Kang me acompanhando —, minha mente não desligava. Em menos de 8 horas eu estaria com toda a equipe do filme para o primeiro encontro de elenco. Em menos de 5 horas o sol iria nascer e eu ainda assim não conseguia dormir.

   O vento gelado bateu contra meu rosto, me fazendo estremecer levemente. O hotel próximo a ponte Blackfriars não era o mesmo de quando fizemos nosso show no O2, do outro lado da cidade, mas a visão do rio era sem dúvida muito melhor.

   O calor em meu peito trouxe certa paz conforme respirei fundo, sentindo o cheiro do rio misturar-se a algo doce que pairava pelo ar, um aroma que não tinha ideia de onde vinha. A garoa intensificava os cheiros, mas o frio também soava levemente incômodo.

   Me apoiei no parapeito, observando o reflexo das luzes nas águas. O ar gelado fazia minhas narinas arderem levemente, enquanto a música em meus fones era uma batida intimista, como se eu estivesse no sofá da minha casa enrolado nas cobertas. Bonvoyage tinha esse efeito sobre mim, me tirando da realidade e deixando minha mente viajar nas possibilidades onde o paraíso estava bem ali, a um simples passo de distância.

   O celular vibrou em meu bolso, devolvendo a minha mente para a realidade quando a música deu um breve pausa para que o sino da notificação soasse. Peguei o aparelho, vendo a mensagem do Jihoon:

   Jihoon:
   Tenho certeza que o Minjae enlouqueceu de vez. Olha isso!!!!!!!!!

   Logo abaixo, um vídeo que não demorei a dar play.

   Minjae estava no apartamento do Jih, aparentemente enrolado em mais de um edredom enquanto estava feito uma lagarta na cama do quarto de hóspedes, que só reconheci pela mancha roxa na parede, causada por mim meses atrás.

   Como se não fosse o suficiente, Minjae parecia estar usando algum tipo de máscara facial, e ainda assim era possível ver o suor escorrendo por parte de sua testa e pescoço. Em seus cabelos, uma enorme touca prateada.

   A vaidade do Minjae nunca foi um segredo, mas ele ficava cada vez mais maluco com seus cuidados. Certa vez, durante a semana de shows que fizemos na França, ele ficou quase um dia inteiro numa clínica de estética só para que pudessem hidratar seus cabelos (que inclusive, ele quase ficou careca de tanto que mudava de cor), além de fazer suas unhas, fora a limpeza de pele e a sessão de drenagem para dar mais “forma” a seu abdômen…

   Dei um riso fechado, pois foi fácil imaginar a expressão que ele faria caso estivesse ali na minha frente. Olhei em minha volta, vendo que eu era o único maluco o suficiente para andar por ali às 2h da madrugada, então iniciei uma chamada de vídeo com Jih.

   Não demorou até eu vê-lo sentado no chão do estúdio de dança, de costas para o espelho e o rosto suado.

   — Você não deveria estar dormindo?

   Ele aproximou seu rosto da tela, provavelmente olhando para trás de mim, onde a escuridão da noite dava uma atmosfera de abandono para o lugar.

   — Onde está? Achei que não ia sair depois do jantar — continuou ele.

   — Só vim andar um pouco — dei de ombros, então me afastei um pouco da câmera, dando a ele uma visão mais ampla da cidade do outro lado do rio. — O que era aquilo que o Min estava enrolado?

   Jihoon gargalhou.

   — Ah, você perdeu essa, San. Ele surtou de vez. Me fez ficar enrolado naquilo por quase duas horas ontem de noite. Tudo isso só porque o Junseo fez uma piada falando que se enrolar em várias cobertas fazia o corpo suar muito, e isso fazia diminuir a gordura corporal.

   Soltei uma risada leve, sabendo que Minjae seria mesmo idiota de acreditar em algo assim.

   Encarei a cidade por um instante, virando a tela para que Jihoon pudesse ver também.

   — Olha isso.

   — Você é idiota, San? — resmungou ele. — O que está fazendo no meio do nada e no meio da chuva?

   — Relaxa, só precisava andar mesmo.

   — Nervoso com o primeiro reencontro? — debochou ele, jogando seus cabelos negros para trás, puxando o ar com certo cansaço evidente.

   — Ok, tchau, Jih…

  — Espera! Qual é, foi só uma piada inofensiva.

   Segurei o riso frouxo, mas foi difícil evitar minhas orelhas queimarem.

   — Eu estava pensando, sem piada agora, como você vai fazer para trabalhar com ele… — divagou ele. — Até onde me lembro, você mal conseguia escutar o nome dele sem ficar de mal humor, como vai fazer quando precisar beijar ele? — ele olhou ao seu redor. — Se me lembro bem, o livro tem várias cenas mais… íntimas. Já pensou em como vai fazer para gravar tudo isso?

   Bufei, pois isso era o que mais ocupava minha mente nos últimos dois meses — desde quando assinei aquele contrato e Aiko fez questão de me embebedar na mesma noite.

   No dia do teste, inesperadamente não fiz somente o teste para saber se tinha chances de estar na adaptação de “Segredos entre Almas”, mas como também me avisaram sobre o teste de química entre os possíveis atores para interpretar os protagonistas.

   Na verdade, Alexei já estava confirmado quando fui fazer meu teste, roubando o lugar daquele que seria seu par até então. Por mais que não quisesse roubar exatamente o lugar de outra pessoa, sempre fui muito fã do livro, e saber que existia a mínima chance de eu estar em sua a adaptação fez com que eu me agarrasse a cada migalha de oportunidade que tive. 

   Quando voltei à sala de testes, em vez de olhos desconhecidos e um rosto estranho, o que vi foram aqueles malditos olhos que me analisaram como um alvo prestes a levar um tiro. O que na verdade foi uma discussão gerada pela raiva que surgiu de repente, aos olhos de Lucien, diretor do filme, ele enxergou a implicância que os protagonistas do livro tinham durante parte da história.

   Sabia que uma das principais cenas e a mais esperada pelos fãs do livro era a tão conhecida cena da chuva. Era de fato uma cena incrível, e merecia sim ser adaptada com a mesma maestria entregue no roteiro do filme, mas, dar vida a ela seria muito mais difícil.

   — Eu vou voltar para o hotel, Jih — avisei, desligando a ligação antes que ele me fizesse qualquer outra pergunta.

   Sabia que Jihoon iria me encher de mensagens depois, mas não tinha como responder algo quando eu mesmo não tinha uma resposta concreta.

   Levei a mão aos bolsos quando dei meia volta e subi os poucos degraus em direção a rua. A calçada estava silenciosa, embora a frente do hotel a alguns metros de distância tivesse certa movimentação, com alguns carros que passavam pela rua em frente a ele.

   Aquela parte da cidade era agitada, algo que esperava terminar em breve quando a corretora finalmente entregasse a chave da casa na qual iria viver com Aiko pelas próximas semanas. Assim como eu, ela não gostava muito do caos de estar em um hotel, então alugar uma casa para os meses de gravações foi o melhor a ser feito.

   Mesmo que meu trabalho como membro do NEIGHTZ fosse passar horas em cima de um palco, dançar músicas, em sua maioria agitadas, e participar de encontros onde geralmente era esperado uma multidão, nada se comparava a paz que era viver numa vizinhança calma.

   Boa parte da minha vida eu fui rodeado pelo caos que foi ser preparado para fazer parte de um grande grupo, e gostava sim desse lado, pois me divertia tanto que às vezes sentia minha criança interior sorrindo em sua inocência. Porém, quando esse lado era naturalmente silenciado, nada se tornava mais importante do que minha paz nos breves momentos de solitude.

   De repente, no meio da calçada meu pé travou em uma elevação inesperada. Meu corpo caiu para frente, me fazendo bater de cara no poste. O som do metal escoou conforme a dor inundou minha testa.

   Foi inevitável não rir de mim mesmo conforme levei a mão à cabeça, massageando aquela área enquanto olhei em volta para ter certeza que ninguém havia visto aquela cena vergonhosa.

   Por sorte, ninguém viu — ninguém, além de um pequeno cachorrinho no canto da parede, que me olhava com a cabeça levemente tombada. A sujeira em seu pelagem marrom era sutil, mas sua expressão claramente dizia algo como “Você por acaso é um idiota, humano?”.

   — Não me olha assim, eu só tropecei — falei ao me abaixar em frente a ele, levando minha mão em sua direção com cautela.

   Esperei algum sinal de que ele não fosse tão amigável quanto parecia, mas em vez de rosnar, ele aproximou-se, deixando que minha mão tocasse seu focinho.

   — Ah, mas como é bonzinho — sussurrei em um riso baixo, vendo seus olhos azuis e grandes pedindo por mais. — Você gosta disso, hã?

   Meu peito se aqueceu, e a felicidade me fez ficar ali por uns instantes, encarando o arredor em busca do dono dele, tendo em vista que ele cheirava bem. Aproximei os dedos do pingente dourado pendurado na coleira vermelha. Blue.

   — É um belo nome…

   Seus pelos estavam úmidos, mas a expressão era de quem estava se divertindo por está ali. Me levantei, encarando a entrada do hotel.

   — Está com fome? — perguntei, como se um cachorro fosse me responder.

   — San?

   Fechei meus olhos em lamentação, soltando o ar pesado.

   — Ele está observando a gente, não é? — indaguei ao cachorrinho.

   Me levantei, vendo Kang com seu pijama azul-royal, em sua testa a sua máscara de dormir com estampa de patinhos, o que não condizem com o tamanho de Kang-min. Com quase 1,90 de altura e puro músculos, 
Kang era meu segurança particular desde o debut do NEIGTHZ.

   — O que está fazendo na rua nessas horas? — perguntou ele. — Tem noção que… Meu deus, que cachorrinho fofo.

   No instante seguinte, Kang estava abaixado ao meu lado, sorridente enquanto acariciava o, aparentemente, cachorrinho perdido.

   — Muito fofo ele, não é? Acabei de achar ele aqui.

   Kang me encarou com seus olhos quase sumidos devido ao sorriso alegre, me causando um riso baixo. Mas então, seu sorriso sumiu no mesmo instante.

   — Sem essa San, não tenta me distrair… por mais que ele seja tão fofo — sua voz doce me deixou contente.

   Dando mais jus à fama de um Golden retriever preso no corpo de um gorila coreano, como meus fãs diziam, Kang parecia um filhotinho gigante conhecendo outro minúsculo.

   — Espera aqui, ok? Vou pegar uns biscoitos pra ele — disparei antes que ele voltasse a seu modo segurança.

   Voltei para o hotel, olhando em direção a Blue mais uma vez para ter certeza que ele não fugiria das mãos de Kang antes que eu voltasse. Atravessei o hall da estrada onde o piso escuro dava mais imponência e certo conforto em relação às paredes brancas, ornamentos dourados e a madeira escura polida.

   Mais a frente, no canto esquerdo próximo ao elevador, a máquina de guloseimas tinha de tudo, desde biscoitos recheados, chocolates e até mesmo alguns refrigerantes em lata. Puxei a carteira do bolso, observando a vitrine até ver onde estava os biscoitos de mel que vi Aiko comprando mais cedo.

   A máquina não demorou a aceitar o pagamento do cartão e então a mola metálica girou numa lentidão que testava minha paciência conforme o biscoito era empurrado para frente. E então, caiu.
Abri o pacote enquanto ainda cruzava a calçada em direção a onde tinha deixado Blue, mas Kang já não estava mais lá. Pelo contrário, ele vinha em minha direção na entrada do hotel, com uma expressão nada boa.

   — Ele fugiu — lamentou ele.

   — Caramba, Kang, como você deixou ele fugir?

   — Eu não tive culpa, ele só correu — murmurou, dando de ombros. — Inclusive, como encontrou ele? E porque não estava na sua cama, San?

   — Para de cruzar os braços, Kang, não precisa ficar todo quadrado não, ok? Eu só fui andar um pouco.

   — Você deveria ter me chamado, sabe que não pode sair por aí sozinho.

   — Eu sou adulto, acho que consigo andar um pouco sem precisar de você no meu encalço.

   — Esse não é o ponto, você sabe disso — argumentou, me fazendo revirar os olhos.

   No fim, acabei comendo os biscoitos enquanto voltava para meu quarto, escutando Kang me dando uma breve aula sobre os perigos que eu corri por andar pelas ruas de Londres tarde da noite e desacompanhado…

   Eu literalmente só tinha atravessado a rua.
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Para San Yoon, conseguir o papel principal no aguardado filme Segredo entre Almas era a oportunidade de provar que podia ir além do sucesso como Idol e se consolidar como ator.

Para Alexei Carter, um aclamado e extravagante ator britânico, era apenas mais um passo em sua carreira impecável.

O único obstáculo? O que o diretor chama de "química perfeita", San e Alexei definem como uma tortura sem fim.

Forçados a cumprirem um rigoroso contrato e a encenarem cenas de intensa intimidade, eles travam uma guerra silenciosa nos bastidores para não deixarem o orgulho arruinar a produção.

No entanto, longe dos holofotes, o Inyeon — a invisível força do destino — começa a agir em segredo. Conforme a linha entre atuação e realidade se apaga, a atração fingida ameaça se tornar perigosamente real.

Encurralados por desejos que juravam não sentir, San e Alexei precisarão descobrir: o sentimento que os consome faz parte do roteiro... ou o destino finalmente os alcançou?

Em Secrets, o segredo não está no que os holofotes não podem iluminar, mas nos sentimentos que apenas uma rivalidade pode trazer à tona.
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