MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
* * *
Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
CAPÍTULO QUATRO — Glow High
Tinha fila.
É claro que tinha fila. As quatro entraram no final dela e eu tentei parecer alguém que pertencia àquele lugar, o que é uma habilidade própria. A menina na minha frente tinha uma tatuagem no ombro. A menina atrás de mim tinha batom azul. Eu tinha uma identidade falsa que me chamava Anna Marie Vasquez e dizia que eu tinha vinte e um anos, e minhas mãos não paravam de suar.
— Não sei se isso é uma boa ideia — sussurrei pra Megan. — E se eles não deixarem a gente entrar?
— A gente já chegou até aqui. Só usa a identidade falsa e vai dar tudo certo.
O segurança era um homem que parecia entediado há muitos anos seguidos. Ele pegou nossas identidades, deu uma olhada, deu uma olhada na gente, e franziu a testa.
— Isso não parece você.
— Sou eu — eu disse, fracamente.
Ele olhou para a identidade de Megan e franziu a testa de novo.
— Definitivamente não parece você também.
— É a gente, sô — disse a Megan, com aquele tipo de confiança entediada que anos de prática tinham dado a ela. — A gente só pintou o cabelo.
O segurança olhou pra mim. Olhou para Megan. Olhou de volta pras identidades. Levantou contra a luz, o que era um gesto totalmente teatral.
— Tá bão — ele suspirou. — Podem ir.
Ele devolveu as identidades. A gente não correu, mas andou bem rápido, e no segundo em que entramos, o grave bateu no peito da gente como uma coisa física. A Megan gritou. A Bonnie segurou minha mão. A Olivia já estava na metade do caminho pra pista.
Tinha dado certo. Eu estava lá dentro. Eu fazia dezoito anos no dia seguinte e estava dentro de uma balada pela primeira vez na vida e a música era tão alta que eu sentia ela nos dentes.
Eu me senti corajosa pela primeira vez em meses.
* * *

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