MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
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Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
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CAPÍTULO CINCO — O Loiro
O bar ficava no fundo do salão, iluminado de violeta, e chegar até lá era uma aventura à parte. A Megan ia na frente. Eu seguia. Quando a gente chegou no balcão, o barman — um cara alto, de cabelo escuro, com aquela intensidade entediada de quem é cantado profissionalmente — já tinha encontrado os olhos da Megan e estava esperando ela.
— O que vocês vão querer beber?
— Duas caipiroska, por favor. — disse a Megan.
Ele preparou. Entregou pra ela. Não olhou pra mim nenhuma vez.
Eu tentei não levar pro lado pessoal. O barman pertencia à Megan de um jeito que eu só estava começando a entender — ela fazia isso em todo lugar que a gente ia, virava o centro de qualquer sala sem parecer estar tentando. Era um talento. Também era, às vezes, exaustivo.
Encostei no balcão e tomei um gole do meu drink. Pegajoso. Doce. O tipo de drink que você pede quando não quer sentir o gosto do álcool mas quer sentir que está bebendo. Granadina nos dedos. Limão na borda do copo. O neon estroboscópico transformando a sala toda em vermelho e rosa e de volta.
— Anna — a Megan falou no meu ouvido. — Loiro alto. Quatro horas. Tá te encarando.
Eu olhei.
Ele estava em pé do outro lado da pista, drink na mão, o cabelo loiro pegando a luz num ângulo específico. Alto. Bem construído. Por volta dos vinte e cinco, provavelmente. Vestido de um jeito que era despojado e caro ao mesmo tempo, ele não estava se esforçando, mas tudo se encaixava. A luz estroboscópica desenhava uma espécie de auréola que não estava realmente lá.
E eu conhecia ele.
Não do jeito que você conhece alguém, do jeito que você reconhece um rosto. A vitrine da loja. O homem atravessando a rua. O segundo de atenção que tinha vibrado pelo meu peito antes dele sumir.
Tinha sido ele. Não o Pietro. Ele. O LOIRO.
Ele se afastou da parede e começou a andar na minha direção pela pista. A multidão se moveu ao redor dele do jeito que faz com pessoas que estão acostumadas a se moverem ao redor. Ele parou perto o suficiente pra eu ver que os olhos dele eram um azul mais escuro do que eu esperava, menos gelo e mais tempestade.
— Oi — ele disse. Sorriu. Era um bom sorriso.
— Oi — eu respondi, e senti meu rosto fazer alguma coisa que eu não conseguia desfazer.
— Posso te pagar um drink?
Eu hesitei.
Quero ser honesta. Seria mais fácil, pra versão de mim que eu estou descrevendo, se eu tivesse dito sim na hora. Se eu tivesse sido varrida pelo calor dele.
Não foi isso que aconteceu.
O que aconteceu foi que eu olhei pra ele e senti a atração específica da atenção dele e pensei, com muita clareza: Eu não conheço essa pessoa, e eu quero conhecer. E isso é um motivo ruim para aceitar um drink.
— Vou passar — eu disse. — Ja tenho um drink na māo.
As sobrancelhas dele subiram. O sorriso não foi pra lugar nenhum, só mudou um pouco, virou alguma coisa mais interessante. Como se eu tivesse acabado de contar pra ele uma coisa útil.
— Vou estar aqui — ele disse — se você mudar de ideia.
Peguei nossos drinks e voltei pra mesa. Não olhei pra trás. Eu podia sentir ele me olhando ir embora.
— Talvez! — gritei por cima do ombro, porque alguma parte de mim não conseguia evitar.
Eu odiei que deixei a porta aberta o suficiente pra ele atravessar.
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