MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
* * *
Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
CAPÍTULO SEIS — Aniversário
Era por volta das onze quando a Bonnie e a Olivia surgiram com um cupcake de uma sacola de papel marrom que eu nem sabia que elas tinham trazido. Acenderam a vela. Começaram a cantar. A mesa toda entrou na cantoria. Estranhos da mesa do lado também entraram. A Megan estava rindo tanto que tampou o rosto, e eu também estava rindo, e a vergonha de ter parabéns cantados pra mim numa balada valeu absolutamente a pena porque por um minuto inteiro eu fui a pessoa mais amada do salão.
Apaguei a vela.
Olhei pra direção do bar.
Ele tinha sumido.
Alguma coisa em mim — não me orgulho disso — ficou um pouco fria. Não porque eu queria ele, exatamente. Porque eu tinha recusado e ido embora, e agora tinha olhado pra trás pra encontrar ele já tinha sumido, e não era pra ser assim, era? O roteiro não era pra ele esperar?
— Meu deus, Anna! — A Bonnie estava se inclinando sobre a mesa. — Quem é ele?
— Não sei. Nunca vi antes.
A noite continuou. As meninas dançaram. Eu fui ao banheiro e no caminho de volta passei pelo bar, casualmente, como se só precisasse de água.
O barman estava limpando o balcão.
— Com licença — eu disse. — Você viu o loiro com quem eu estava conversando?
Ele levantou os olhos. Olhou pra mim. Reconheceu, eu acho, da Megan ter me apresentado mais cedo.
— Acabou de sair.
— Ah. Tá. Obrigada.
— Precisa de mais alguma coisa?
— Não, tô de boa. Obrigada.
Uma pausa. Ele me deu um olhar que eu não conseguia ler.
— Não você. Sua amiga.
— Minha—
Eu me virei. A Megan estava atrás de mim, sobrancelhas levantadas, drink na mão.
— Quem cê tá procurando? — ela perguntou.
— Ah — eu tava procurando você?
— Eu ouvi cê perguntando sobre um loiro.
— Talvez. Tava. — Eu tentei despachar. — Então esse é o Bruno?
— Não muda de assunto, Anna. — Mas ela estava sorrindo. — É, sim.
— Vou achar as meninas.
— Tá.
Saí do bar. A Meg já estava se inclinando pro barman — Bruno, pelo visto falando alguma coisa que eu não captei. Minha prima era um romance ambulante.
Eu estava a três passos da pista quando senti alguém atrás de mim.
Parei.
— Você nunca me disse que era seu aniversário.
Eu me virei devagar, tentando manter o rosto neutro. Ele estava bem ali — mais perto do que eu esperava, me olhando de cima com aquela mesma atenção azul-escuro.
— Você nunca perguntou — eu disse.
Ele riu. Genuinamente, livremente. O som passou direto pela minha nuca.
* * *

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