MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
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Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
* * *
CAPÍTULO SETE — O Nome Dele
— Então, Anna — ele disse, encostando no balcão. — O que te trouxe a essa balada?
— Saída com amigas. Minha prima e as amigas dela. Quiseram me fazer uma surpresa.
— Pelo seu aniversário.
— É.
— Tenho certeza de que está se divertindo. — Os olhos dele percorreram meu rosto do jeito que se estuda alguma coisa que se vai lembrar depois. — Aliás, você mencionou seu nome?
— Mencionei?
— Mencionou.
— Acho que não. Mas é Anna.
— Ethan.
Ele não estendeu a mão. Só disse. Como se o nome fosse suficiente.
— Você é muito charmoso, sabia? — eu disse, e na hora quis voltar atrás.
— Faço o meu melhor. — Ele riu. — Então, posso te pagar aquele drink agora? Ou prefere dançar?
— Que tal a gente dançar primeiro, e você me paga um drink depois?
— Vai na frente, aniversariante.
A gente dançou.
Eu tinha ido a bailes antes — bailes de escola, casamentos, os quinze da minha prima. Eu tinha me movido na vizinhança da música sem nunca sincronizar totalmente com ninguém. Com o Ethan foi diferente. Ele conduzia sem ser pesado, do jeito que bons dançarinos fazem, a mão dele no fim das minhas costas guiando mais do que dirigindo. O salão borrou. Meu corpo soube o que fazer sem me consultar. Por três músicas, a gente existiu num lugar que não tinha mais ninguém.
Quando paramos, ofegantes, eu disse:
— A gente pode subir um segundo? Tô com sede.
— Claro.
Ele comprou os drinks. Chamou o barman pelo nome — Pietro, o que me fez rir, internamente, pela lógica de cidade pequena de tudo aquilo — e voltou com dois copos e a gente encostou no balcão como se a gente se conhecesse há muito tempo.
— Então, no que você trabalha? — perguntei.
— Isso é uma entrevista?
— Não, só curiosidade.
— Sou arquiteto. E às vezes dou palestras na universidade.
— São duas pessoas diferentes.
— Às vezes parece. — Ele inclinou a cabeça. — E com quantos anos você tá pra dar palestras, posso perguntar?
— Maduro o bastante pra ser arquiteto. Bem novo pra ser professor. — Ele sorriu. — Sou assistente meio período. E você?
— Arquitetura de interiores, talvez. Ou design de moda. Ainda tô descobrindo.
— Já pensou em seguir?
— Sim. Mas é competitivo. Talvez eu tenha que me mudar pra uma cidade maior.
— Não se diminua. Se é algo que te apaixona, vai em frente.
— Obrigada.
Falei pra ponta do balcão. Acho que eu falei sério.
A música ficou mais lenta. Ele me olhou por um momento longo, sem falar nada, e eu senti a conversa virar de um modo pra outro — de conhecendo você pra alguma coisa mais deliberada.
— Vou no banheiro — eu disse, porque eu precisava de um segundo pra respirar.
— Claro.
Saí. No espelho olhei pro meu próprio rosto e quase não reconheci. Corada. Olhos brilhando. Eu fazia dezoito anos no dia seguinte e estava conversando com um homem que tinha acabado de conhecer e queria, muito, que a noite não acabasse.
Quando voltei, a Bonnie e a Olivia estavam perto da porta. A Megan tinha sumido.
— Ela foi com o Bruno — disse a Olivia. — A gente vai sair daqui com uns caras. Vai com a gente?
Eu conhecia a reputação da Bonnie e da Olivia. Sair daqui com aqueles caras em particular era uma coisa pra qual eu não tinha pulso aquela noite.
— Tudo bem. Eu espero vocês aqui. Não precisam se apressar.
— Já sei por que você quer ficar — disse a Bonnie, com um sorriso.
— Quem é aquele deus com quem você tava dançando? — sussurrou a Olivia.
— Ele é lindo — disse a Bonnie.
— É. Ele é.
— Te ligo quando a gente tiver saindo. Pode demorar.
— Sem problema.
Elas saíram. Eu voltei pro bar.
O Ethan estava sentado onde eu o tinha deixado, conversando com o Pietro.
— Ethan — eu disse. — Vai me pagar aquele drink agora?
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