MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
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Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
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CAPÍTULO NOVE — O Apartamento Dele
O apartamento dele era limpo e adulto de um jeito que eu registrei como sofisticação antes de registrar como distância.
A iluminação era baixa — não escura de quarto, mas o tipo de luz quente e cuidada que alguém pensou. Os móveis eram caros sem serem chamativos. Um pequeno bar no canto, dois banquinhos, uma garrafa de uísque pela metade no balcão. O tipo de apartamento que pertencia a uma pessoa que já tinha descoberto quem era e decorava a casa de acordo.
Eu não tinha descoberto quem eu era. Eu fazia dezoito anos no dia seguinte.
— Fique à vontade — ele disse, e eu sentei na beirada do sofá, porque eu não sabia como sentar.
Ele voltou com duas cervejas e me entregou uma e sentou perto de mim. Não agressivamente perto. Só perto.
— Aqui está. — A voz dele era macia. Os olhos encontraram os meus com o que eu quero chamar de calor e o que era, eu agora entendo, intenção.
— Obrigada.
Ele sorriu.
— Sabe, Anna, tem alguma coisa em você que eu achei muito atraente.
— É mesmo?
— É. Não consigo evitar de sentir essa atração inegável.
Meu estômago fez alguma coisa complicada. Tomei a cerveja inteira de uma vez nervosa. Eu nunca tinha feito isso antes. Eu também nunca tinha estado sozinha num apartamento com um homem como o Ethan antes, e as duas coisas aconteceram ao mesmo tempo, e eu não sei se separei direito na minha cabeça.
Ele se inclinou.
O beijo foi diferente do bar. Mais lento. Mais deliberado. Ele levou o tempo dele. A mão dele encontrou a base da minha nuca e eu me senti responder antes de decidir, e em algum lugar entre aquele beijo e o próximo a gente parou de ser duas pessoas tendo uma conversa e virou duas pessoas fazendo outra coisa
Eu me senti desejada. Me senti corajosa. Me senti, em flashes, ligeiramente em pânico de um jeito que eu não verbalizei.
O que eu lembro mais claramente é o impulso. A sensação de que eu tinha feito uma série de pequenas escolhas que tinham somado uma grande, e a grande já estava em movimento, e sair do movimento parecia mais difícil do que continuar.
Ele perguntou. Ele pausou. Ele me deu o que parecia toda oportunidade pra parar.
Eu não parei.
Não consigo explicar totalmente por quê.
Depois a gente ficou deitada na meia-luz e ele traçou seus dedos no meu ombro. Beijou o topo da minha cabeça. Disse que eu era linda e eu deixei de acreditar nele, porque o que mais tinha pra fazer à uma da manhã na cama de um estranho.
Eu queria isso, eu disse pra mim mesma.
Eu precisava querer.
O telefone tocou na minha bolsa.
Era a Megan.
— Alô?
— Anna, onde você tá? A gente acabou de chegar na casa da minha mãe.
— Desculpa, surgiu uma coisa. Tô indo o mais rápido que consigo.
— Anda. Minha mãe tá esperando.
Desliguei. Comecei a procurar minhas roupas.
— Ethan — sussurrei. — Acorda. A gente precisa ir pra casa da minha tia.
Ele resmungou e se virou.
— A gente não pode ficar na cama mais um pouco? Tô me segurando e quero mais.
— Queria que a gente pudesse. Mas minha tia tá voltando.
— Tá bem. — Ele se sentou, esfregou os olhos. — Te deixo lá se você me beijar primeiro.
Eu me inclinei. Ele se moveu mais rápido do que eu esperava, mão no meu quadril, me puxando pra cima do colo dele em um movimento suave e possessivo que não foi exatamente um beijo. Foi uma reivindicação.
Eu ri por cima daquilo. Disse pra mim mesma que era só uma coisa que alguns homens faziam. Disse pra mim mesma que tinha gostado.
Não tenho certeza de qual era verdade.
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