MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
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Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
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CAPÍTULO DEZ — O Parque Na Colina
O carro dele era mais bonito do que eu esperava. Claro que era.
Ele saiu do estacionamento subterrâneo e entrou na rua e perguntou, facilmente:
— Pra onde a gente vai?
Eu dei o endereço pra casa da minha tia. Ele assentiu. Seguiu. E aí, três quadras antes, eu senti uma coisa fria passar por mim — a sensação específica de não querer que ele soubesse exatamente onde eu morava.
— Na verdade — eu disse — faz um desvio aqui. Vira à direita.
— Não é o caminho pra casa da sua tia.
— Eu sei. Tem um lugar que eu quero te mostrar.
Ele levantou uma sobrancelha mas virou. Eu indiquei o caminho subindo a colina, passando pela igreja velha, até um parquinho no topo onde a rua termina e dá pra ver a cidade inteira lá embaixo.
Ele estacionou. A gente saiu. Caminhamos até um banco sob um carvalho. A cidade brilhava lá embaixo como uma coisa que eu já tinha deixado pra trás.
— É tão tranquilo aqui — eu disse. — Eu vinha muito quando era criança.
— É um bom lugar pra isso.
Ele pegou minha mão. Meu telefone vibrou no bolso.
Megan: CADÊ VOCÊ?
Respondi. É, foi muito legal da sua parte. Escuta — vou a pé daqui, é só virar a esquina.
— Tem certeza? — ele perguntou, quando eu falei pra ele. — Eu posso te deixar.
— Não precisa.
— Ei, antes de você ir — posso pegar seu número? Adoraria te ver de novo.
— Hum. Não acho que seja boa ideia. Tô bem ocupada com umas coisas.
O rosto dele mudou — só brevemente. O sorriso ficou, mas alguma coisa por baixo mudou. Decepção, mas também outra coisa. Cálculo.
— Ah. Tudo bem. Entendo. Mas Anna — eu tava torcendo pra gente passar um tempo junto. Só um pouco.
— Quem sabe outra hora.
Ele sorriu. Aí, antes de eu poder me mover, me agarrou — gentilmente, firmemente — e me beijou com uma intensidade possessiva repentina que me deixou um pouco desequilibrada.
— Uau. Tá. Ciao.
Saí andando. Passei pelo banco, desci a colina, meu coração batendo de um jeito que eu não consegui nomear totalmente.
Não vi ele pegar o telefone.
Não vi ele rolar as mensagens.
Não vi ele abrir o Igram e começar a digitar.
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