MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
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Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
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CAPÍTULO DOZE — Manhã
Acordei na casa da minha tia na minha própria cama.
Por um momento não soube que horas eram, ou que dia. Aí lembrei da noite anterior — a balada, a dança, o apartamento — e uma sensação quente e complicada se mexeu no meu peito. Não exatamente arrependimento. Não exatamente orgulho. Alguma coisa pra qual eu não tinha palavra.
Desci pra cozinha. Minha tia estava lá, fazendo café, cantarolando.
— Bom dia, Anna! Dormiu bem?
— Sim. Obrigada por me deixar ficar, tia.
— Imagina, querida. Vem quando quiser.
Sentei no balcão. Ela deslizou uma xícara de café pra mim. Esperei ela falar alguma coisa sobre como eu tinha chegado tarde, mas ela não falou.
A Megan apareceu na porta de pijama, cabelo um desastre, e sussurrou enquanto passava por mim em direção à geladeira:
— Falei pra ela que o Mario quis te buscar.
— Ah. Como cê convenceu ele?
Ela piscou.
O Mario entrou dois segundos depois.
O Mario é o irmão mais velho da Megan. Tem vinte anos. A gente cresceu junto naquele tipo de paixonite baixinha e complicada que muitas meninas desenvolvem por um menino um pouco mais velho que existe na sua órbita sem nunca estar exatamente disponível. Eu tinha gostado dele por anos. Quietamente. Sem nunca fazer nada a respeito.
Ele olhou pra mim quando entrou na cozinha. Só por um segundo a mais do que o necessário. Só o bastante.
— Bão, Anna.
— Bão.
Foi uma troca perfeitamente normal. Continha, em algum lugar dentro dela, a história inteira da minha paixonite por ele, e também o momento em que essa paixonite quietamente terminou. Eu tinha passado a noite com outra pessoa. O canto do meu peito que era do Mario tinha sido redecorado durante a noite, e eu nem tinha percebido.
Meu telefone vibrou.
Oi gata? Como você tá?
Número desconhecido. Eu sabia quem era.
Tô bem, e você?
O Mario estava olhando pro meu rosto. Tentei fazer meu rosto fazer nada.
— Então, Anna — disse minha tia. Quando começam suas aulas na UniBrown?
— Depois da semana do carnaval, na segunda.
— Ah, é! Então só tem mais uma semana de domingo de folga.
— É.
Os olhos do Mario tremeram. UniBrown. Ele também ia pra lá, em Gynopolis, claro, era pra onde todo mundo de Veneza acabava indo. Eu o vi registrar isso — o vamos estar na mesma cidade daquilo — e por um momento alguma coisa quase passou entre a gente que podia ter sido o começo de uma versão diferente do verão.
Mas meu telefone vibrou de novo, e eu olhei pra baixo, e o momento se fechou.
Um carro parou lá fora.
Fui até a janela.
O Ethan estava na varanda.
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