MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
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Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
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CAPÍTULO TREZE — A Conexão da Família
— Oi — ele disse, quando eu abri a porta. — Espero que tudo bem eu ter vindo aqui. Só queria garantir que você ia estar.
— Como você sabia onde eu estava? — Minha voz saiu mais fria do que eu sentia. — Uma das meninas te falou? Bonnie ou Olivia?
— Não, não, não. Cidade pequena. Descobri que meu tio é amigo do seu tio.
— Ah. — Tentei descobrir qual tio. — Entendi. Qual o nome do seu tio?
— Você conhece a família Barberini?
— Barberini? — Meu cérebro fez uma curva lenta e horrível. Os Barberini eram uma das famílias mais antigas de Veneza. Dinheiro. Vinícolas. O tipo de família sobre a qual as pessoas fofocavam em volta das mesas de cozinha em voz baixa. Vixe. — Tá.
— Conhece a família?
— Não muito. Então você é o neto mais velho?
— Uau. Você mentiu que não conhecia a família?
— Posso ter ouvido minha prima e as amigas dela falando dos meninos e stalkeando no Igram.
— Você olhou?
— Não. Travei meu Igram por causa das provas. Só uso Zapps.
Ele assentiu. Pareceu, por um momento, ligeiramente nervoso, e eu pensei: Ele não é o único que é bom em performar.
— Anna, também queria me desculpar por mais cedo.
— Por quê?
Ele respirou.
— Eu devia ter sido mais direto sobre minhas intenções.
— Que intenções?
— Só queria te conhecer melhor.
Senti meu rosto esquentar. Odiei.
— Eu adoraria sair com você de novo.
Antes que eu pudesse responder, a Megan apareceu atrás de mim.
— Ei Anna, esqueceu que vai sair com ele hoje à noite?
— Vou? Pensei que ia embora pra cidade hoje.
— Não, não vai! Pedi pra minha mãe ligar pra sua mãe pra cê ficar mais um dia. Cê vai com seu pai amanhã depois do almoço.
— Certo.
— Te vejo hoje à noite na balada.
O sorriso do Ethan se afiou.
— Beleza. Mas antes de eu ir — Anna, posso pegar seu Zapps?
— Aqui — disse a Megan. — Eu te dou o Zapps dela.
Ela estendeu a mão. O Ethan entregou o telefone. Eu fiz um som estrangulado.
— Megan. Cê tá doida? — sibilei.
— Relaxa, sô. Ele tá gostando de você.
Coloquei a mão na cabeça. Tentei não fazer contato visual com o Ethan.
— Pronto — disse a Megan, devolvendo o telefone. — Espero que vocês se veem mais tarde.
— Ciao — eu disse. A palavra pareceu pequena na minha boca.
— Te vejo hoje à noite. Ciao.
Ele saiu. Fechei a porta. Encostei nela e respirei.
Atrás de mim, a Megan estava radiante.
— Ele é lindo, Anna. Bão demais.
— É — eu disse. — Eu sei.
Ela não tinha acabado.
— Anna. Anna. Cê entende o que acabou de acontecer? Ele é literalmente um Barberini. Cê conhece o primo dele, o Lorenzo? O dos olhos verdes? Apareceu na padaria semana passada. Sorriu pra mim. Segurou a porta.
— Megan.
— Tô só falando.
— Ele nem perguntou seu nome.
— Ainda. — Ela sorriu. — Continua solteiro. A irmã da Bonnie namorou com ele um verão no colégio. A família toda é — são tipo cinco deles, todos lindos. Não é justo.
Eu revirei os olhos e ela riu, e o momento passou, e eu subi a escada pra me arrumar pra noite, e eu não pensei mais num homem chamado Lorenzo Barberini por mais de um ano.
Eu quero deixar registrado que eu não pensei nele. Quero deixar registrado com cuidado. Porque vai chegar uma hora, muito mais pra frente, em que eu vou precisar lembrar que eu tinha sido avisada sobre aquela família — gentilmente, por alguém que me amava — e que eu tinha rido e seguido em frente.
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