MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
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Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
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CAPÍTULO QUATORZE — A Segunda Noite
A balada era a mesma.
Glow High. Mesmo neon, mesmo grave, mesma fila lá fora, mesmo segurança que nos deixou entrar mais rápido dessa vez. Bonnie e Olivia, logo Megan e eu. Vinte e quatro horas tinham passado e nada tinha mudado a não ser tudo.
Eu estava de um vestido diferente.
Eu tinha um telefone na bolsa com o número de um estranho.
Eu tinha um primo, meio diferente, me olhando do bar.
Eu não tinha notado o Mario no começo. Ele tinha vindo com os amigos dele, supostamente. Estava numa mesa diferente quando entramos. Mas conforme a noite passou comecei a sentir os olhos dele em mim, o peso específico da atenção que não significa nada de ruim, só a atenção de alguém que te conhece e está preocupado com alguma coisa que não sabe como nomear.
O Ethan chegou por volta das onze.
Veio direto pra mim. Não fingiu que não. Sorriu pra mim do outro lado do salão e atravessou em linha reta e tinha alguma coisa diferente no jeito dele naquela noite, mais confiante, mais certo. Na noite anterior eu tinha sido uma pergunta que ele estava fazendo. Hoje eu era uma resposta que ele já tinha.
— Vim te encontrar — ele disse.
— Bom, você me achou.
Atrás dele, no bar, o Mario estava olhando pra gente. O maxilar dele estava tenso. Ele não disse nada. Não se moveu na nossa direção. Só estava olhando, do jeito que um primo mais velho olha, do jeito que alguém olha quando sabe que alguma coisa não tá certa e não sabe como articular o porquê.
— Deixa eu te pagar um drink, o Ethan disse. — A gente pode colocar a conversa em dia.
— Um drink. Tenho compromisso cedo amanhã.
— Entendido. Um drink.
Ele me levou pro bar. Eu senti os olhos do Mario na minha nuca o caminho inteiro.
A gente conversou. Bebeu. Ele sugeriu, por volta do segundo drink, que a gente voltasse pro apartamento dele — só pra conversar, só pra assistir um filme, nada mais. Eu disse pra mim mesma que tinha autonomia. Disse pra mim mesma que estava escolhendo. Mandei uma mensagem pra Megan dizendo que estava saindo e não ia atrasar.
O Mario nos viu saindo.
Eu acenei pra ele quando a gente passou pela mesa dele. Ele não acenou de volta. Só olhou pra mim, e eu soube — sem conseguir articular — que tinha decepcionado ele de algum jeito que eu ainda não conseguia ver totalmente.
Ele tinha tentado me avisar com o rosto. Eu escolhi não ler.
A culpa era minha.
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