MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
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Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
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CAPÍTULO DEZESSEIS — Correndo
Corri pra fora do apartamento dele e desci a escada porque o elevador seria lento demais.
Corri pra fora pra rua. A manhã estava fria e a cidade cheirava a chuva.
Corri até meus pulmões doerem e eu não conseguir correr mais, e aí andei, e aí sentei num banco da rodoviária e chorei do jeito que se chora quando se acabou de entender uma coisa que não dá pra des-entender.
Eu tinha sido um verão.
Tinha uma mulher em algum lugar dessa cidade que ia casar com ele. Catherine Stuart. Um nome que eu estava prestes a ver num catálogo de matérias sem nunca saber que ela era a razão pela qual nada daquilo podia ser o que eu tinha pensado. Ele tinha estado planejando o casamento com ela enquanto dormia do meu lado. Ele tinha estado planejando as duas coisas ao mesmo tempo.
E o pior — a parte que demorou mais pra eu parar de me odiar por — foi que por um segundo, na cozinha dele, eu tinha pensado em ficar. Tinha pensado em ganhar. Tinha pensado em ser a garota que tirou ele de uma noiva que ele nunca tinha amado. Em ser a escolhida.
Eu tinha pensado nisso.
Eu quase tinha.
Essa é a parte que eu nunca contei pra ninguém.
Eram seis no grupo. Seis. O Drew e quem quer que fossem os outros. Conheciam meu rosto. Vinham me chamando de o prêmio por um mês inteiro. Sabiam da Catherine o tempo todo. Vinham rindo das duas.
Pensei em todas as outras coisas que ele podia ter no telefone. Todas as outras fotos. Todos os outros pedaços meus que ele tinha tirado sem pedir. Pensei na porta trancada do banheiro dele e nos momentos em que ele me pediu pra esperar em outro cômodo. Pensei no jeito que ele sempre quis ser o que segurava meu telefone. No jeito que ele perguntou, casualmente, qual era minha senha do Igram — só pra eu poder te marcar — e eu tinha dado.
Eu tinha dado pra ele.
O ônibus chegou. Entrei. Fui pra casa da minha tia em Veneza, sentei na minha cama velha, e deletei meu Igram. Deletei o Snapper. Deletei toda conta de rede social que eu tinha.
Disse pra mim mesma: Ele não vai conseguir me achar.
Disse pra mim mesma: Acabou.
Chorei de novo, mais quieta dessa vez, no meu travesseiro. Depois fiz a mala, porque eu ia embora pra cidade em dois dias, e tinha uma vida nova me esperando.
Eu tinha dezoito anos.
Eu não fazia ideia do que deixar isso pra trás realmente exigiria.
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