MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
* * *
Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
* * *
CAPÍTULO DEZOITO —UniBrown
Eu estava atrasada.
O estacionamento da UniBrown era um mar de estudantes que todos pareciam saber exatamente pra onde estavam indo. Eu serpenteava entre eles na velocidade de alguém que dormiu demais no primeiro dia do resto da vida. Tinha café numa mão, telefone na outra, e a mochila aberta numa alça só.
Bati em alguém.
A colisão foi real — ombro contra ombro, forte o suficiente pro meu telefone cair na calçada. Fiz um som pequeno e angustiado e comecei a abaixar pra pegar, e uma mão chegou antes.
Pertencia a um cara mais ou menos da minha idade. Cabelo castanho, expressão tranquila. Ele estendeu o telefone pra mim com uma pitada de divertimento.
— Olha onde tá indo da próxima vez.
— Vou. Prometo. — Peguei o telefone. — Obrigada.
Corri.
Entrei na sala três minutos atrasada. O quarto ficou quieto. Alguns estudantes riram baixinho. Achei um lugar no meio, deslizei pra ele, consegui bater as pernas da cadeira no chão com um barulho que produziu uma onda fresca de risos contidos.
— Droga — sussurrei pra mim mesma.
— Precisa de ajuda? — disse uma voz atrás de mim.
Virei. O cara do estacionamento. Cabelo castanho. Expressão tranquila. Agora posicionado diretamente atrás de mim.
— Não, tô bem. Obrigada.
O professor se virou.
O salão caiu.
Ele estava pondo uma bolsa na mesa da frente. Endireitando a lapela. Os olhos dele se moveram pela sala com aquela suavidade cuidadosa particular, aquela qualidade de fingir-não-estar-procurando-nada. Ele olhou pra mim. Só um segundo. Só o suficiente pra confirmar.
E aí se dirigiu pra sala.
— Bom dia, turma. Meu nome é Ethan Barberini, e vou ser o professor substituto desse curso.
Eu não conseguia me mover.
Do meu lado, o cara em quem eu tinha esbarrado — o Lucas, eu ia descobrir mais tarde que o nome dele era Lucas — se mexeu no assento. Eu conseguia sentir ele notando. Conectando coisas. Sem entender ainda o que estava conectando.
Olhei pra mesa e tentei respirar.
Ele tá aqui. Ele tá aqui e é meu professor e me achou.
* * *

Comments (0)
See all