MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
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Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
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CAPÍTULO DEZENOVE — Frente a frente
Esperei a sala esvaziar.
— Anna — disse o Lucas atrás de mim, juntando as coisas. — Ei—
— Te vejo na cafeteria. — eu disse, e saí pela porta antes dele terminar.
A sala do Ethan ficava no fim do corredor. A porta estava aberta. Ele estava sentado atrás de uma mesa, fingindo ler alguma coisa, e olhou quando eu entrei com uma expressão de neutralidade cuidadosa.
— Fecha a porta — ele disse.
Fechei.
Eu tinha praticado o que eu ia dizer. Nada saiu.
— Como você tá? — ele perguntou.
— Como você me achou, Ethan?
Ele largou a caneta. Me olhou com o que era, se você não conhecesse ele, uma expressão perfeitamente razoável. Triste. Pedindo desculpas. A expressão de um homem que tinha cometido um pequeno erro e estava prestes a se redimir.
— Tô te procurando. Te liguei mais de cinquenta vezes. Você nunca atendeu.
— Eu mudei de número.
Eu tinha tantas coisas preparadas. Sobre o grupo. Sobre ser chamada de prêmio. Sobre a Catherine. Sobre sair correndo de um apartamento às sete da manhã tremendo.
O que saiu foi:
— Por que você tá aqui?
— Tô pensando em você desde aquela noite. Achei que o que a gente tinha era—
— Foi uma noite.
— Anna.
— Você é um professor substituto. Eu sou aluna. É a única coisa que a gente é um pro outro.
Alguma coisa se moveu no rosto dele. Ele levantou. Veio até a frente da mesa. Eu dei um passo pra trás.
— Eu prefiro que a gente mantenha isso profissional, Mr. Barberini.
— Anna, pode me chamar de Ethan.
— Não. Prefiro manter as formalidades.
— Tá. — Uma pausa. — Tem alguma coisa que você queira me dizer?
— Não. Por que você tá aqui?
— Eu achei que a noite que a gente compartilhou aquele verão foi especial. Tô pensando em você desde então.
— Por que?
— Por que eu não consigo parar em você. E aquela noite—
— É. Aquela noite, não foi o Gran finale?.
— Nāo é Anna—
— Eu sou aluna e você é professor. A gente não deve continuar algo que nem começou.
Ele estendeu a mão. Tentou tocar meu rosto. Empurrei a mão dele. Me virei pra sair. Ele agarrou meu pulso.
— Anna, por favor. Eu não sei explicar.
Eu fiquei imóvel. Do jeito que se fica imóvel quando se tá tentando não piorar uma situação.
— Você tá fora de si? — eu disse, muito baixo. — A gente não pode começar uma coisa onde uma das duas pessoas vai acabar machucada. Além disso — você é meu professor agora.
Puxei meu pulso pra fora. Saí.
Não olhei pra trás.
No corredor, atrás da escada, o Lucas estava parado.
Estava olhando pra mim. Ou melhor, estava olhando pra trás de mim, pra porta fechada da sala do Ethan. A expressão dele não era curiosa. Era cautelosa.
Ele tinha ouvido. Ou visto o bastante pra deduzir.
— Você tá bem? — ele perguntou.
— Tô bem.
A gente não disse mais nada. Ele me deixou passar sem tentar me parar.
Ele me deixou ir.
* * *

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